“As decisões especiais de um treinador banal
JOSÉ MANUEL RIBEIRO
Nas últimas duas semanas, Villas-Boas explicou muito bem, por actos, o que há de diferente entre este FC Porto e o anterior, ou até outros antes desse.
Começou a exposição no primeiro jogo das meias-finais da Liga Europa, quando permitiu que o lateral Álvaro Pereira fizesse as vezes de extremo-esquerdo,
como de costume, enquanto Nilmar e outros venenos do Villarreal lhe dançavam livres nas costas. Permitiu que fosse assim durante a primeira parte inteira,
indiciando que era um risco consciente: não abdicou de uma arma, não aceitou ser mais fraco do que o costume só porque o adversário o chantageava. Na segunda
mão, colheu cumprimentos por ter arriscado jogar com Moutinho, ou melhor, por o jogo ter deixado claro que fazer o contrário, apesar do risco de suspensão
por limite de amarelos, era tolo. Mas outra conclusão, para além dos dons premonitórios do (afinal) antigo oráculo de Mourinho, ficou por tirar: a época
vai em 55 jogos, faltam três para acabar, e nem uma vez, incluindo nessa segunda meia-final da Liga Europa em que havia um resultado de 5-1 a ancorar a
eliminatória, o FC Porto fez concessões ao adversário. Nunca mudou a estrutura, nunca variou o sentido do jogo e, quando alterou nomes no primeiro onze,
ficou sempre evidente que não o fez para defender. Li elogios, correctos, ao que o Villarreal jogou nesse segundo confronto, mas faltou dizer que usar
dois trincos, amarrar os laterais, abdicar de um ou dois avançados lhe teria roubado espaço e reduzido o galope. Nove em cada dez treinadores tê-lo-iam
feito (e, provavelmente, falhado a final). Nove em cada dez treinadores, a ganhar 2-0 ao Paços de Ferreira a jogo e meio de concluir um campeonato sem
derrotas, também não teriam deixado a equipa continuar a divertir-se como ontem.”
Em
www.ojogo.pt
Sempre e para sempre portista a cem porcento! Tudo por uma paixão que não se vê, sente-se!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Análise: FC Porto 3 – Paços de Ferreira 3
Um empate que não belisca a prestação na liga
Vou dividir esta análise em três partes:
Primeiro: O FC Porto recebeu o troféu de campeão, não é para ser como a umas épocas a trás que o troféu demorou a aparecer, felizmente agora recebe na mesma época, e é assim que faz todo o sentido.
Segundo: O jogo, gostei da primeira parte, parecia que ia sair goleada, para ser a festa perfeita. Mas no segundo tempo o Paços foi a trás do prejuízo, e conseguiu, depois veio o terceiro golo portista, e aí voltei a acreditar que o FC Porto teria agarrado a vitória. Mas o Paços voltou a reduzir, com um golo em fora de jogo. Depois veio a lesão do Moutinho, Villas-Boas teve de o retirar de campo, e quanto a mim esse foi o momento chave para a fuga da vitória, a equipa pareceu-me ficar meio perdida sem o número 8. Depois veio o terceiro golo pacense. Empatar não é um mau resultado, mas para nós que não estamos nada habituados a outro resultado que não seja ganhar sabe a pouco, muito pouco. Por outro lado, três empates em 29 jogos é um fantástico saldo.
Terceiro: A festa, gostei muito, só tenho pena de viver tão longe do Estádio do Dragão … Ah, parabéns aos adeptos que estiveram no Dragão, grande, grande ambiente nas bancadas. Fecham-se as portas do palco azul e branco…
Agora vem aí o último jogo da época, na liga, cá na Madeira, espero estar presente no Estádio dos Barreiros a receber em grande esta equipa de campeões.
Nota final:
Espero que o nosso número 8 não tenha nada de grave no pé, o João Moutinho faz muita falta a esta equipa.
Vou dividir esta análise em três partes:
Primeiro: O FC Porto recebeu o troféu de campeão, não é para ser como a umas épocas a trás que o troféu demorou a aparecer, felizmente agora recebe na mesma época, e é assim que faz todo o sentido.
Segundo: O jogo, gostei da primeira parte, parecia que ia sair goleada, para ser a festa perfeita. Mas no segundo tempo o Paços foi a trás do prejuízo, e conseguiu, depois veio o terceiro golo portista, e aí voltei a acreditar que o FC Porto teria agarrado a vitória. Mas o Paços voltou a reduzir, com um golo em fora de jogo. Depois veio a lesão do Moutinho, Villas-Boas teve de o retirar de campo, e quanto a mim esse foi o momento chave para a fuga da vitória, a equipa pareceu-me ficar meio perdida sem o número 8. Depois veio o terceiro golo pacense. Empatar não é um mau resultado, mas para nós que não estamos nada habituados a outro resultado que não seja ganhar sabe a pouco, muito pouco. Por outro lado, três empates em 29 jogos é um fantástico saldo.
Terceiro: A festa, gostei muito, só tenho pena de viver tão longe do Estádio do Dragão … Ah, parabéns aos adeptos que estiveram no Dragão, grande, grande ambiente nas bancadas. Fecham-se as portas do palco azul e branco…
Agora vem aí o último jogo da época, na liga, cá na Madeira, espero estar presente no Estádio dos Barreiros a receber em grande esta equipa de campeões.
Nota final:
Espero que o nosso número 8 não tenha nada de grave no pé, o João Moutinho faz muita falta a esta equipa.
Vítor Baía, Declarações Retiradas Do OJOGO
“"Sou amigo do Domingos, mas quero que o FC Porto vença"
HUGO M. MONTEIRO
A extraordinária época do FC Porto tem deixado a Europa do futebol rendida, e o nome de André Villas-Boas surge como uma espécie de seguidor de José Mourinho.
A comparação tem sido feita variadíssimas vezes, mas Vítor Baía não entra nessa onda. A explicação, para este e outros casos, é simples. "Não gosto de
comparações", atirou ontem o antigo guarda-redes do FC Porto, apesar de estar, ele próprio, rendido à capacidade do treinador. "Conheci-o quando ainda
era observador e já se notava muita qualidade, mas não podíamos adivinhar que chegasse tão depressa a este nível", confessa. "Mourinho é o melhor do mundo,
e o André está no início de uma carreira fulgurante, de grande talento. Espero que possa vir a estar na elite dos melhores treinadores do mundo", concluiu.
E se Villas-Boas faz lembrar alguém é também porque a caminhada do FC Porto actual nos faz recuar a outras: a de 2002/03 (conquista da Taça UEFA) e 2003/04
(Liga dos Campeões), nas quais Vítor Baía e o actual treinador do Real Madrid estiveram presentes. E qual das equipas a melhor? Mais uma vez, Baía defende
que a questão não tem razão de ser. "Também não gostava da comparação da nossa equipa com a de 87 [primeiro título europeu]. Cada equipa no seu momento
escreveu com letras de ouro a história do FC Porto, e todos em conjunto temos quota-parte de responsabilidade pela história bonita, nacional e internacionalmente",
disse. Certo é que o plantel actual terá ainda de passar pelo Braga, na final da Liga Europa, para atingir a mesma glória. Uma página que Baía considera
"muito bonita para o futebol português" e na qual também está escrito o nome de um antigo colega. "Claro que espero que o FC Porto vença, apesar de ser
amigo do Domingos e de reconhecer que ele está a fazer um trabalho do melhor que se tem visto", elogiou.
A "exemplar" segurança de Helton
O FC Porto teve, durante largas épocas, em Vítor Baía um selo de segurança na baliza e essa é, ainda que com outro protagonista, uma vantagem da equipa
actual também. As exibições de Helton, que detém a braçadeira de capitão que já foi de Baía, têm convencido. "Está a ter um desempenho exemplar e uma quota-parte
significativa no sucesso da equipa", comenta. De resto, e alargando o campo de análise, o fulgor de todo o conjunto ao longo do campeonato não pode ser
visto com surpresa. "Só para quem andar distraído", termina.”
Em
www.ojogo.pt
HUGO M. MONTEIRO
A extraordinária época do FC Porto tem deixado a Europa do futebol rendida, e o nome de André Villas-Boas surge como uma espécie de seguidor de José Mourinho.
A comparação tem sido feita variadíssimas vezes, mas Vítor Baía não entra nessa onda. A explicação, para este e outros casos, é simples. "Não gosto de
comparações", atirou ontem o antigo guarda-redes do FC Porto, apesar de estar, ele próprio, rendido à capacidade do treinador. "Conheci-o quando ainda
era observador e já se notava muita qualidade, mas não podíamos adivinhar que chegasse tão depressa a este nível", confessa. "Mourinho é o melhor do mundo,
e o André está no início de uma carreira fulgurante, de grande talento. Espero que possa vir a estar na elite dos melhores treinadores do mundo", concluiu.
E se Villas-Boas faz lembrar alguém é também porque a caminhada do FC Porto actual nos faz recuar a outras: a de 2002/03 (conquista da Taça UEFA) e 2003/04
(Liga dos Campeões), nas quais Vítor Baía e o actual treinador do Real Madrid estiveram presentes. E qual das equipas a melhor? Mais uma vez, Baía defende
que a questão não tem razão de ser. "Também não gostava da comparação da nossa equipa com a de 87 [primeiro título europeu]. Cada equipa no seu momento
escreveu com letras de ouro a história do FC Porto, e todos em conjunto temos quota-parte de responsabilidade pela história bonita, nacional e internacionalmente",
disse. Certo é que o plantel actual terá ainda de passar pelo Braga, na final da Liga Europa, para atingir a mesma glória. Uma página que Baía considera
"muito bonita para o futebol português" e na qual também está escrito o nome de um antigo colega. "Claro que espero que o FC Porto vença, apesar de ser
amigo do Domingos e de reconhecer que ele está a fazer um trabalho do melhor que se tem visto", elogiou.
A "exemplar" segurança de Helton
O FC Porto teve, durante largas épocas, em Vítor Baía um selo de segurança na baliza e essa é, ainda que com outro protagonista, uma vantagem da equipa
actual também. As exibições de Helton, que detém a braçadeira de capitão que já foi de Baía, têm convencido. "Está a ter um desempenho exemplar e uma quota-parte
significativa no sucesso da equipa", comenta. De resto, e alargando o campo de análise, o fulgor de todo o conjunto ao longo do campeonato não pode ser
visto com surpresa. "Só para quem andar distraído", termina.”
Em
www.ojogo.pt
sábado, 7 de maio de 2011
James Ao OJOGO
“"Nunca imaginei chegar a uma final destas antes dos 20 anos"
CARLOS GOUVEIA/HUGO SOUSA
James gosta de ziguezaguear com a bola colada aos pés, mas, no que toca a entrevistas, prefere ir directo ao assunto. Sem dribles, sem grandes floreados
nas respostas e num tom pausado que se junta à lista de indícios que anunciam uma maturidade precoce. Aliás, um breve resumo da biografia desportiva não
deixava dúvidas quanto a isso: estreou-se profissionalmente aos 14 anos, emigrou aos 16, foi campeão argentino aos 18 e, já em Portugal, voltou a ser campeão
aos 19. Quem o viu de microfone em riste, orquestrando o coro de vozes no avião que trouxe o FC Porto de Vila-Real, ficou com uma imagem incompleta. A
essa irreverência que a idade aconselha, James junta um lado mais sereno. E, ontem, juntou também uma paciência infinita para a prolongada sessão de fotos.
"É mais fácil jogar", desabafa, entre um clique e outro. Mas, foi precisamente por saber ser paciente que o colombiano esperou sem dramas por uma oportunidade
que tardou em chegar, assim como já tivera paciência, ainda no Banfield, para aguentar quase um ano de trabalho físico que lhe foi formatando um talento
que haveria de render ao clube argentino o primeiro título em 113 anos de história. Neste primeiro ano europeu, James foi explodindo aos bocadinhos no
FC Porto, anunciando-se uma explosão ainda mais estrondosa na próxima época.
Como está a voz depois daquela festa toda no avião?
Está boa. Houve muita alegria na viagem e a verdade é que estamos todos muito felizes com a passagem à final...
Deu para ver. E quem é que canta melhor no plantel?
[risos] Todos são bons cantores; têm grande talento.
É esse espírito que explica o rendimento da equipa em campo?
Sim, somos muito unidos e temos um grupo excelente. É importante levarmos isso para o relvado, porque essa união acaba por fazer com que todos joguem bem.
Para primeira época na Europa, o seu saldo não está nada mal...
É verdade, está a ser um sonho. Já ganhei dois títulos e ainda posso ganhar mais dois.
Era isto que esperava quando escolheu o FC Porto?
Corresponde ao que esperava, sim. Quando assinei, já sabia que se tratava de um clube ganhador, que luta sempre por títulos. E confirmei.
Imaginava que antes dos 20 anos podia chegar a uma final como esta?
Não, nunca imaginei. De verdade que não, apesar de sonharmos sempre com estas coisas.
Chegar lá é um acontecimento, mas jogá-la seria o ponto mais alto da carreira até ao momento?
Sem dúvida que sim. Vamos lá ver. Trabalho, como todos trabalham, para estar no onze e esperemos que tudo nos corra bem.
Surpreende-o que o adversário seja o Braga e não o Benfica?
Não, não me surpreende. O Braga tem uma excelente equipa e por alguma razão está nesta final. Há excelentes jogadores no Braga e acredito que a final será
muito complicada.
Nesse caso, isso significa que concorda com Pinto da Costa quando ele diz que seria mais fácil jogar com o Benfica?
Não, não [risos]. O que me parece é que vai ser muito complicado; um jogo com muita luta.
O FC Porto é o favorito?
Creio que sim. O FC Porto está num grande momento, joga bem, mas trata-se de uma final. Tudo pode acontecer.
Com que ideia ficou dos jogos com o Braga este ano? 3-2 no Dragão, 2-0 em Braga...
Foi muito complicado, sem dúvida. O Braga fecha-se bem e acaba por ser uma equipa muito difícil de bater.
A menos de duas semanas da final, como imagina que será?
Um marco inesquecível, lindo. O estádio vai estar cheio. Já o jogo, imagino-o complicado.
Acompanhava as provas europeias quando estava na Argentina e na Colômbia?
Sim, acompanhava. Aliás, vi várias vezes o FC Porto na Liga dos Campeões...
Nas horas vagas, passeia e aprende... inglês
O Porto, diz James, "é uma cidade linda, tranquila; só o frio é que foi difícil de aguentar, embora também já o tenha enfrentado na Argentina".
Perfeitamente adaptado às rotinas e aos costumes portugueses, James garante que tem uma vida pacata. "Além de treinar, e como tenho muitas tardes livres,
aproveitei para me inscrever num curso de inglês", confessa. À semelhança de Falcao e Guarín, também ele se assume fã do Twitter, onde já tem mais de 17
mil seguidores.
Essa ligação ajuda-o a manter o contacto com a Colômbia, onde o FC Porto, à conta dos três colombianos, tem conquistado muitos adeptos. "O impacto das nossas
vitórias tem sido enorme. As pessoas seguem muito por causa do Guarín, do Falcao e também por minha causa", conta James.
"O meu melhor jogo até foi com o Braga..."
Coincidência. O adversário que enfrentará em Dublin, uma capital que já entrou no vocabulário corrente de James, é o mesmo que lhe proporcionou uma das
melhores memórias da época. Ele explica porquê: "Penso que o melhor jogo que fiz até agora pelo FC Porto foi o de Braga". Não terá sido dos jogos mais
vistosos do colombiano, que não esteve ligado a assistências para golo ou a golos, como já aconteceu noutras ocasiões, mas James entende que, tacticamente,
esse jogo-chave da caminhada para o título lhe "correu bem". E não desdenharia rendimento idêntico no próximo dia 18, na Irlanda. "Estou sempre preparado
para quando o mister precisar para dar o meu melhor e ajudar a equipa", atirou, diplomaticamente.
"Filosofia de Villas-Boas? Atacar, ganhar e jogar bem"
James tem 19 anos e está na fase inicial de uma carreira no futebol que, ainda assim, começou prematura a nível profissional; Villas-Boas tem 33 e se ninguém
questiona a sua competência, considerada a forma como tem conduzido o FC Porto esta época, não deixa de ser inegável que também ele é um jovem na profissão.
A proximidade de idades, entre treinador e jogadores, foi um argumento favorável, diz James. "Ele fala a nossa língua. É um jovem, mas sabe muito. Preocupa-se
com os jogadores e tem uma óptima relação com todos", frisou, antevendo uma carreira de grande sucesso ao actual treinador. "Dentro de três ou quatro anos
vai ser um dos melhores do mundo", frisou. E porquê? James desenvolve: "A filosofia é simples: pensa sempre em atacar, ganhar e jogar bem". Se José Mourinho
considerou um dia que a vitória era o mais importante no futebol, Villas-Boas, apesar de ter privado com ele vários anos, acrescentou mais uns detalhes
a essa ideia-base de qualquer equipa. "Se ganhas e jogas bem, melhor. É isso que o treinador pretende", sublinhou o colombiano.
Precisamente por causa desse ideal, James insistiu numa comparação que fez há dias: FC Porto e Barcelona partilham estilos idênticos. "O que quis dizer
com isso foi que o FC Porto também se preocupa em jogar bem e tem excelentes jogadores, tal como o Barça", explicou, antes de admitir que a adaptação ao
estilo de jogo europeu lhe custou um pouco. "Foi uma mudança drástica, sobretudo a nível de mentalidade, em relação à Argentina. O futebol é diferente
da América do Sul. O jogo aqui é mais rápido, tem mais ritmo e acaba por ser mais difícil", rematou.
"Hulk é mais físico e mais rápido do que eu"
James já tinha ouvido falar de Hulk e, por isso, não ficou surpreendido quando passou a trabalhar com ele diariamente no Olival. Aliás, até agradece ter
alguém com as capacidades do Incrível. "É bom vê-lo nos treinos porque posso aprender com ele. Tem mesmo muita qualidade", referiu. Ainda que joguem em
posições idênticas, um mais na direita e o outro na esquerda, James faz questão de dizer que são jogadores bem diferentes, não se vendo como um sucessor
natural caso Hulk acabe transferido. "Ele é mais físico e mais rápido do que eu", sublinha.
"Tive paciência para esperar e nunca pensei em desistir"
O que tem James em comum com um trevo de quatro folhas ou uma pata de coelho? À sua maneira, o colombiano é bem capaz de entrar um destes dias na categoria
reservada aos amuletos. A explicação é fácil: foi campeão no Banfield e em Portugal em pouco mais de dois anos como profissional. James foi-se habituando
a festejar, sem precisar de esperar muito. "Oxalá possa dar sempre sorte às equipas. Eu é que tive sorte em ser campeão onde joguei; isso foi muito bom
para mim", reconhece, divertido com a constatação. Mais a sério, admitiu que os primeiros meses em Portugal não foram fáceis, porque tardou em entrar nas
escolhas de Villas-Boas, mas isso não o fez desistir. O casamento em Dezembro último, disse também, trouxe-lhe "mais tranquilidade" para encarar os desafios
com força renovada e, coincidência ou não, passou a ser uma opção mais frequente daí em diante. Brilhou sobretudo na Liga Europa, fazendo parte do top
3 no ranking das assistências para golo. No Banfield, começou a familiarizar-se com as alas, diz-se pronto para esse papel, mas confessa que é pelo meio
que se sente como peixe na água. Quando enumera as referências, percebe-se um pouco melhor: Messi e Cristiano Ronaldo, como é óbvio, mas também Gerrard
e Lampard. "Se gostava de ter um bocadinho de cada um deles? Bem, procuro é segui-los; ver como fazem em campo."
Ainda a propósito de sorte e azar. Também não se pode queixar da estreia no Dragão, porque marcou um golo ao Ajax, mas depois demorou a reaparecer...
Sim, mas nunca perdi a paciência porque sabia que o meu momento haveria de chegar. Ser paciente é uma qualidade minha; depois, é importante saber ter a
tranquilidade para aproveitar as oportunidades.
Já no Banfield tinha estado cerca de um ano em trabalho quase exclusivamente físico antes da estreia...
É verdade, mas, também aí, mantive sempre a tranquilidade.
Aqui em Portugal, quando não jogava, nunca lhe passou pela cabeça desistir? Falou-se até de um possível regresso à Argentina...
Claro que nunca pensei em desistir. Treinei para ter oportunidades; sabia que iam aparecer.
Especulou-se também sobre o seu posicionamento em campo. Afinal de contas, prefere jogar encostado à linha ou no meio?
Onde o treinador quiser. É verdade que me sinto bem pelo meio, mas, se o mister me quiser na ala, tudo bem. Não há problema. Sou jovem e sei que tenho de
melhorar em muitas coisas. Com tempo isso vai acabar por acontecer...
Com a adaptação concluída, os adeptos podem esperar um James ainda melhor na próxima época?
A minha ideia é essa: trabalhar e melhorar sempre. Espero que a próxima época seja boa para mim e para a equipa.
Tem-se destacado nas bolas paradas. Pode ser um bom argumento para lhe abrir as portas do onze?
Acho que sempre tive essa qualidade de marcar livres e cantos. Assisto bem [risos].
A alegria de servir os companheiros
James vai-se destacando nas assistências. Na Liga Europa, só Roman Eremenko, do Dínamo de Kiev (com seis, em 12 jogos e 1069 minutos) e Arthur Boka, do
Estugarda (com cinco, em 5 jogos e 390 minutos) fizeram melhor do que o portista (quatro assistências em 8 jogos e 358 minutos). Há mais jogadores com
quatro assistências, mas também com mais tempo de jogo. O colombiano gosta da estatística e confessa que servir os avançados é uma tarefa que lhe dá um
gozo especial. "Dá-me muito prazer ver os meus companheiros marcarem. É uma alegria servi-los", diz, antes de comentar lembrar um detalhe que lhe é favorável
nas contas: "É muito bom ter quatro assistências em tão poucos minutos. Não é nada fácil."
Um Mundial para conhecer... Iturbe
O FC Porto termina a época a 22 de Maio, quando defrontar o Guimarães na final da Taça de Portugal, mas para James isso não significa o início das férias.
Pelo contrário. O colombiano deve juntar-se de imediato à selecção de sub-20 do seu país para participar no prestigiado Torneio de Toulon, onde defrontará
Portugal logo na abertura. "Só vou ter três semanas de férias, mas vou fazer ginásio depois de Toulon para não perder a forma para o Mundial de sub-20",
referiu. Essa prova disputa-se entre 29 de Julho e 20 de Agosto, precisamente na Colômbia. "Vamos jogar em casa e um Mundial é uma prova sempre difícil,
mas isso dá-nos mais motivação. Estou preparado e quero estar bem para ajudar a selecção." A presença na competição vai custar-lhe o início da época no
FC Porto. "É verdade, mas estarei com a selecção e isso também será muito importante para mim", frisou. No Mundial, James poderá cruzar-se com o futuro
reforço portista, Iturbe. "Só agora é que ouvi falar dele, confesso, mas dizem que é um grande jogador", atirou.
Quatro referências
James sempre gostou de jogar pelo meio, mas no FC Porto tem sido mais aposta para o lado esquerdo do ataque. Curiosamente, os jogadores que aponta como
referências explicam melhor os (alargados) terrenos que gosta de percorrer. James aprecia a forma como Ronaldo marca os livres, a magia de Messi, o fôlego
de Lampard e da imponência de Gerrard. Humilde, diz que não tem um bocado de cada um deles, mas apenas que os procura "imitar em campo".
Lampard
"Tem muito fôlego, está sempre em movimento, toca bem a bola"
Gerrard
"Domina todo o meio-campo e marca muitos golos"
Messi
"Simplesmente faz coisas que ninguém faz. Mais nada"
Ronaldo
"Além de ser um excelente jogador, marca bem os livres"
"Falcao é o melhor jogador colombiano"
São três os colombianos do plantel do FC Porto e até foram eles que fabricaram o segundo golo em Vila-Real. "Foi muito bonito. Meti a bola no Guarín, que
correu e centrou muito bem para o Falcao que, para não variar, marcou", contou. Ora, por causa deles, a carreira do FC Porto está a ter "um enorme impacto"
na Colômbia. Ou não morasse no Dragão o melhor jogador daquele país, na opinião de James. "O Falcao é um grande goleador e isso é óptimo para ele e para
o clube. Explodiu aqui no FC porto e penso que, neste momento, é o melhor futebolista colombiano, mas o Guarín também tem estado em bom plano", referiu.
"Já o conheço há uns seis anos e sempre foi um bom jogador, mas agora está a num grande momento", acrescentou, dizendo que ninguém no plantel o surpreendeu
em particular. "São todos bons jogadores, de topo", sublinhou.
Casamento deu-lhe muita tranquilidade
É muito improvável que casar esteja entre as proridades de qualquer jovem de 19 anos. James nem hesitou em fazê-lo, em Dezembro último. Mais do que escarafunchar
uma parte da vida que só a ele diz respeito, a verdade é que há um bom motivo para tocar no assunto. Na verdade, até há dois. Por um lado, é o próprio
James a admitir que o facto de ter optado por casar-se tão novo foi determinante para garantir um pilar sólido que acaba por reflectir-se no futebol. "Foi
muito importante fazê-lo", diz, à procura da melhor palavra para completar o raciocínio. "Como dizer? Está-me a faltar a palavra certa. Bem, Deu-me muita
tranquilidade", reforça. O segundo motivo que faz do tema assunto público é o facto de Daniela, a esposa, também ela colombiana, fazer parte do plantel
de voleibol do Leixões, lutando pelo campeonato de juniores. "Somos dois desportistas lá em casa", ri-se James. "Ela joga vólei e joga bem! Oxalá que também
possa ser campeã..."“
Em
www.ojogo.pt
CARLOS GOUVEIA/HUGO SOUSA
James gosta de ziguezaguear com a bola colada aos pés, mas, no que toca a entrevistas, prefere ir directo ao assunto. Sem dribles, sem grandes floreados
nas respostas e num tom pausado que se junta à lista de indícios que anunciam uma maturidade precoce. Aliás, um breve resumo da biografia desportiva não
deixava dúvidas quanto a isso: estreou-se profissionalmente aos 14 anos, emigrou aos 16, foi campeão argentino aos 18 e, já em Portugal, voltou a ser campeão
aos 19. Quem o viu de microfone em riste, orquestrando o coro de vozes no avião que trouxe o FC Porto de Vila-Real, ficou com uma imagem incompleta. A
essa irreverência que a idade aconselha, James junta um lado mais sereno. E, ontem, juntou também uma paciência infinita para a prolongada sessão de fotos.
"É mais fácil jogar", desabafa, entre um clique e outro. Mas, foi precisamente por saber ser paciente que o colombiano esperou sem dramas por uma oportunidade
que tardou em chegar, assim como já tivera paciência, ainda no Banfield, para aguentar quase um ano de trabalho físico que lhe foi formatando um talento
que haveria de render ao clube argentino o primeiro título em 113 anos de história. Neste primeiro ano europeu, James foi explodindo aos bocadinhos no
FC Porto, anunciando-se uma explosão ainda mais estrondosa na próxima época.
Como está a voz depois daquela festa toda no avião?
Está boa. Houve muita alegria na viagem e a verdade é que estamos todos muito felizes com a passagem à final...
Deu para ver. E quem é que canta melhor no plantel?
[risos] Todos são bons cantores; têm grande talento.
É esse espírito que explica o rendimento da equipa em campo?
Sim, somos muito unidos e temos um grupo excelente. É importante levarmos isso para o relvado, porque essa união acaba por fazer com que todos joguem bem.
Para primeira época na Europa, o seu saldo não está nada mal...
É verdade, está a ser um sonho. Já ganhei dois títulos e ainda posso ganhar mais dois.
Era isto que esperava quando escolheu o FC Porto?
Corresponde ao que esperava, sim. Quando assinei, já sabia que se tratava de um clube ganhador, que luta sempre por títulos. E confirmei.
Imaginava que antes dos 20 anos podia chegar a uma final como esta?
Não, nunca imaginei. De verdade que não, apesar de sonharmos sempre com estas coisas.
Chegar lá é um acontecimento, mas jogá-la seria o ponto mais alto da carreira até ao momento?
Sem dúvida que sim. Vamos lá ver. Trabalho, como todos trabalham, para estar no onze e esperemos que tudo nos corra bem.
Surpreende-o que o adversário seja o Braga e não o Benfica?
Não, não me surpreende. O Braga tem uma excelente equipa e por alguma razão está nesta final. Há excelentes jogadores no Braga e acredito que a final será
muito complicada.
Nesse caso, isso significa que concorda com Pinto da Costa quando ele diz que seria mais fácil jogar com o Benfica?
Não, não [risos]. O que me parece é que vai ser muito complicado; um jogo com muita luta.
O FC Porto é o favorito?
Creio que sim. O FC Porto está num grande momento, joga bem, mas trata-se de uma final. Tudo pode acontecer.
Com que ideia ficou dos jogos com o Braga este ano? 3-2 no Dragão, 2-0 em Braga...
Foi muito complicado, sem dúvida. O Braga fecha-se bem e acaba por ser uma equipa muito difícil de bater.
A menos de duas semanas da final, como imagina que será?
Um marco inesquecível, lindo. O estádio vai estar cheio. Já o jogo, imagino-o complicado.
Acompanhava as provas europeias quando estava na Argentina e na Colômbia?
Sim, acompanhava. Aliás, vi várias vezes o FC Porto na Liga dos Campeões...
Nas horas vagas, passeia e aprende... inglês
O Porto, diz James, "é uma cidade linda, tranquila; só o frio é que foi difícil de aguentar, embora também já o tenha enfrentado na Argentina".
Perfeitamente adaptado às rotinas e aos costumes portugueses, James garante que tem uma vida pacata. "Além de treinar, e como tenho muitas tardes livres,
aproveitei para me inscrever num curso de inglês", confessa. À semelhança de Falcao e Guarín, também ele se assume fã do Twitter, onde já tem mais de 17
mil seguidores.
Essa ligação ajuda-o a manter o contacto com a Colômbia, onde o FC Porto, à conta dos três colombianos, tem conquistado muitos adeptos. "O impacto das nossas
vitórias tem sido enorme. As pessoas seguem muito por causa do Guarín, do Falcao e também por minha causa", conta James.
"O meu melhor jogo até foi com o Braga..."
Coincidência. O adversário que enfrentará em Dublin, uma capital que já entrou no vocabulário corrente de James, é o mesmo que lhe proporcionou uma das
melhores memórias da época. Ele explica porquê: "Penso que o melhor jogo que fiz até agora pelo FC Porto foi o de Braga". Não terá sido dos jogos mais
vistosos do colombiano, que não esteve ligado a assistências para golo ou a golos, como já aconteceu noutras ocasiões, mas James entende que, tacticamente,
esse jogo-chave da caminhada para o título lhe "correu bem". E não desdenharia rendimento idêntico no próximo dia 18, na Irlanda. "Estou sempre preparado
para quando o mister precisar para dar o meu melhor e ajudar a equipa", atirou, diplomaticamente.
"Filosofia de Villas-Boas? Atacar, ganhar e jogar bem"
James tem 19 anos e está na fase inicial de uma carreira no futebol que, ainda assim, começou prematura a nível profissional; Villas-Boas tem 33 e se ninguém
questiona a sua competência, considerada a forma como tem conduzido o FC Porto esta época, não deixa de ser inegável que também ele é um jovem na profissão.
A proximidade de idades, entre treinador e jogadores, foi um argumento favorável, diz James. "Ele fala a nossa língua. É um jovem, mas sabe muito. Preocupa-se
com os jogadores e tem uma óptima relação com todos", frisou, antevendo uma carreira de grande sucesso ao actual treinador. "Dentro de três ou quatro anos
vai ser um dos melhores do mundo", frisou. E porquê? James desenvolve: "A filosofia é simples: pensa sempre em atacar, ganhar e jogar bem". Se José Mourinho
considerou um dia que a vitória era o mais importante no futebol, Villas-Boas, apesar de ter privado com ele vários anos, acrescentou mais uns detalhes
a essa ideia-base de qualquer equipa. "Se ganhas e jogas bem, melhor. É isso que o treinador pretende", sublinhou o colombiano.
Precisamente por causa desse ideal, James insistiu numa comparação que fez há dias: FC Porto e Barcelona partilham estilos idênticos. "O que quis dizer
com isso foi que o FC Porto também se preocupa em jogar bem e tem excelentes jogadores, tal como o Barça", explicou, antes de admitir que a adaptação ao
estilo de jogo europeu lhe custou um pouco. "Foi uma mudança drástica, sobretudo a nível de mentalidade, em relação à Argentina. O futebol é diferente
da América do Sul. O jogo aqui é mais rápido, tem mais ritmo e acaba por ser mais difícil", rematou.
"Hulk é mais físico e mais rápido do que eu"
James já tinha ouvido falar de Hulk e, por isso, não ficou surpreendido quando passou a trabalhar com ele diariamente no Olival. Aliás, até agradece ter
alguém com as capacidades do Incrível. "É bom vê-lo nos treinos porque posso aprender com ele. Tem mesmo muita qualidade", referiu. Ainda que joguem em
posições idênticas, um mais na direita e o outro na esquerda, James faz questão de dizer que são jogadores bem diferentes, não se vendo como um sucessor
natural caso Hulk acabe transferido. "Ele é mais físico e mais rápido do que eu", sublinha.
"Tive paciência para esperar e nunca pensei em desistir"
O que tem James em comum com um trevo de quatro folhas ou uma pata de coelho? À sua maneira, o colombiano é bem capaz de entrar um destes dias na categoria
reservada aos amuletos. A explicação é fácil: foi campeão no Banfield e em Portugal em pouco mais de dois anos como profissional. James foi-se habituando
a festejar, sem precisar de esperar muito. "Oxalá possa dar sempre sorte às equipas. Eu é que tive sorte em ser campeão onde joguei; isso foi muito bom
para mim", reconhece, divertido com a constatação. Mais a sério, admitiu que os primeiros meses em Portugal não foram fáceis, porque tardou em entrar nas
escolhas de Villas-Boas, mas isso não o fez desistir. O casamento em Dezembro último, disse também, trouxe-lhe "mais tranquilidade" para encarar os desafios
com força renovada e, coincidência ou não, passou a ser uma opção mais frequente daí em diante. Brilhou sobretudo na Liga Europa, fazendo parte do top
3 no ranking das assistências para golo. No Banfield, começou a familiarizar-se com as alas, diz-se pronto para esse papel, mas confessa que é pelo meio
que se sente como peixe na água. Quando enumera as referências, percebe-se um pouco melhor: Messi e Cristiano Ronaldo, como é óbvio, mas também Gerrard
e Lampard. "Se gostava de ter um bocadinho de cada um deles? Bem, procuro é segui-los; ver como fazem em campo."
Ainda a propósito de sorte e azar. Também não se pode queixar da estreia no Dragão, porque marcou um golo ao Ajax, mas depois demorou a reaparecer...
Sim, mas nunca perdi a paciência porque sabia que o meu momento haveria de chegar. Ser paciente é uma qualidade minha; depois, é importante saber ter a
tranquilidade para aproveitar as oportunidades.
Já no Banfield tinha estado cerca de um ano em trabalho quase exclusivamente físico antes da estreia...
É verdade, mas, também aí, mantive sempre a tranquilidade.
Aqui em Portugal, quando não jogava, nunca lhe passou pela cabeça desistir? Falou-se até de um possível regresso à Argentina...
Claro que nunca pensei em desistir. Treinei para ter oportunidades; sabia que iam aparecer.
Especulou-se também sobre o seu posicionamento em campo. Afinal de contas, prefere jogar encostado à linha ou no meio?
Onde o treinador quiser. É verdade que me sinto bem pelo meio, mas, se o mister me quiser na ala, tudo bem. Não há problema. Sou jovem e sei que tenho de
melhorar em muitas coisas. Com tempo isso vai acabar por acontecer...
Com a adaptação concluída, os adeptos podem esperar um James ainda melhor na próxima época?
A minha ideia é essa: trabalhar e melhorar sempre. Espero que a próxima época seja boa para mim e para a equipa.
Tem-se destacado nas bolas paradas. Pode ser um bom argumento para lhe abrir as portas do onze?
Acho que sempre tive essa qualidade de marcar livres e cantos. Assisto bem [risos].
A alegria de servir os companheiros
James vai-se destacando nas assistências. Na Liga Europa, só Roman Eremenko, do Dínamo de Kiev (com seis, em 12 jogos e 1069 minutos) e Arthur Boka, do
Estugarda (com cinco, em 5 jogos e 390 minutos) fizeram melhor do que o portista (quatro assistências em 8 jogos e 358 minutos). Há mais jogadores com
quatro assistências, mas também com mais tempo de jogo. O colombiano gosta da estatística e confessa que servir os avançados é uma tarefa que lhe dá um
gozo especial. "Dá-me muito prazer ver os meus companheiros marcarem. É uma alegria servi-los", diz, antes de comentar lembrar um detalhe que lhe é favorável
nas contas: "É muito bom ter quatro assistências em tão poucos minutos. Não é nada fácil."
Um Mundial para conhecer... Iturbe
O FC Porto termina a época a 22 de Maio, quando defrontar o Guimarães na final da Taça de Portugal, mas para James isso não significa o início das férias.
Pelo contrário. O colombiano deve juntar-se de imediato à selecção de sub-20 do seu país para participar no prestigiado Torneio de Toulon, onde defrontará
Portugal logo na abertura. "Só vou ter três semanas de férias, mas vou fazer ginásio depois de Toulon para não perder a forma para o Mundial de sub-20",
referiu. Essa prova disputa-se entre 29 de Julho e 20 de Agosto, precisamente na Colômbia. "Vamos jogar em casa e um Mundial é uma prova sempre difícil,
mas isso dá-nos mais motivação. Estou preparado e quero estar bem para ajudar a selecção." A presença na competição vai custar-lhe o início da época no
FC Porto. "É verdade, mas estarei com a selecção e isso também será muito importante para mim", frisou. No Mundial, James poderá cruzar-se com o futuro
reforço portista, Iturbe. "Só agora é que ouvi falar dele, confesso, mas dizem que é um grande jogador", atirou.
Quatro referências
James sempre gostou de jogar pelo meio, mas no FC Porto tem sido mais aposta para o lado esquerdo do ataque. Curiosamente, os jogadores que aponta como
referências explicam melhor os (alargados) terrenos que gosta de percorrer. James aprecia a forma como Ronaldo marca os livres, a magia de Messi, o fôlego
de Lampard e da imponência de Gerrard. Humilde, diz que não tem um bocado de cada um deles, mas apenas que os procura "imitar em campo".
Lampard
"Tem muito fôlego, está sempre em movimento, toca bem a bola"
Gerrard
"Domina todo o meio-campo e marca muitos golos"
Messi
"Simplesmente faz coisas que ninguém faz. Mais nada"
Ronaldo
"Além de ser um excelente jogador, marca bem os livres"
"Falcao é o melhor jogador colombiano"
São três os colombianos do plantel do FC Porto e até foram eles que fabricaram o segundo golo em Vila-Real. "Foi muito bonito. Meti a bola no Guarín, que
correu e centrou muito bem para o Falcao que, para não variar, marcou", contou. Ora, por causa deles, a carreira do FC Porto está a ter "um enorme impacto"
na Colômbia. Ou não morasse no Dragão o melhor jogador daquele país, na opinião de James. "O Falcao é um grande goleador e isso é óptimo para ele e para
o clube. Explodiu aqui no FC porto e penso que, neste momento, é o melhor futebolista colombiano, mas o Guarín também tem estado em bom plano", referiu.
"Já o conheço há uns seis anos e sempre foi um bom jogador, mas agora está a num grande momento", acrescentou, dizendo que ninguém no plantel o surpreendeu
em particular. "São todos bons jogadores, de topo", sublinhou.
Casamento deu-lhe muita tranquilidade
É muito improvável que casar esteja entre as proridades de qualquer jovem de 19 anos. James nem hesitou em fazê-lo, em Dezembro último. Mais do que escarafunchar
uma parte da vida que só a ele diz respeito, a verdade é que há um bom motivo para tocar no assunto. Na verdade, até há dois. Por um lado, é o próprio
James a admitir que o facto de ter optado por casar-se tão novo foi determinante para garantir um pilar sólido que acaba por reflectir-se no futebol. "Foi
muito importante fazê-lo", diz, à procura da melhor palavra para completar o raciocínio. "Como dizer? Está-me a faltar a palavra certa. Bem, Deu-me muita
tranquilidade", reforça. O segundo motivo que faz do tema assunto público é o facto de Daniela, a esposa, também ela colombiana, fazer parte do plantel
de voleibol do Leixões, lutando pelo campeonato de juniores. "Somos dois desportistas lá em casa", ri-se James. "Ela joga vólei e joga bem! Oxalá que também
possa ser campeã..."“
Em
www.ojogo.pt
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Análise: Villarreal 3 – FC Porto 2
Dublin, Aí Vai O Dragão!
O FC Porto perdeu, mas que importa se a final foi alcançada? Gostei do jogo, óbvio que gostei mais daquilo que este jogo representou, a passagem a tão sonhada final Europeia, 7 anos depois da última presença do clube. O jogo podia ter sido melhor assim como o resultado? Sim claro que podia, mas porque o Villarreal é uma boa equipa e porque queria correr a trás da desvantagem, criou dificuldades ao FC Porto, no fundo já esperávamos estas dificuldades, Villas-Boas já havia alertado, e com toda a razão. A vantagem confortável trazida da primeira-mão foi importante, diria até decisiva, e o que hoje aconteceu foi exactamente uma segunda parte de uma eliminatória que sempre foi considerada complicada. E volto a dizer: O FC Porto perdeu, mas que importa se a final foi alcançada? No fim de contas este foi o sonho que esta equipa alimentou a cada golo marcado, a cada eliminatória ultrapassada e lá estamos, com todo o mérito e humildade.
Não queria destacar ninguém em particular neste momento, mas será injusto não o fazer. Primeiro, Villas-Boas, porque apesar da vantagem confortável a mensagem que passou foi de cautela, não correu o risco de embandeirar em arco. Segundo, Falcao porque somou esta noite mais um golo, já conta 16 nesta competição, mais um recorde. E em terceiro, Helton, porque tem sido enorme, e neste jogo não foi excepção. Obrigada aos campeões que conduziram este FC Porto à final. Eu, e todos os pportistas deste país, melhor, deste mundo, estamos felizes e orgulhosos de todos.
É fantástico, nos últimos 8 anos esta é a terceira final europeia do clube, e aconteça o que acontecer nesse jogo, nada vai apagar esta época fantástica, nada vai apagar os resultados que esta equipa tem feito, nada vai apagar os golos, nada vai apagar a imagem que este FC Porto espalhou por essa Europa fora. Agora é a final, um jogo único, contra o Sporting de Braga, uma equipa que também esta época já fez coisas fantásticas na Europa. Digo-vos espero que a final seja um jogo como foi aquele da primeira volta no Estádio do Dragão, que seja uma festa, que os portugueses elevem bem alto o nome de Portugal e que representem convenientemente o norte do país.
O FC Porto perdeu, mas que importa se a final foi alcançada? Gostei do jogo, óbvio que gostei mais daquilo que este jogo representou, a passagem a tão sonhada final Europeia, 7 anos depois da última presença do clube. O jogo podia ter sido melhor assim como o resultado? Sim claro que podia, mas porque o Villarreal é uma boa equipa e porque queria correr a trás da desvantagem, criou dificuldades ao FC Porto, no fundo já esperávamos estas dificuldades, Villas-Boas já havia alertado, e com toda a razão. A vantagem confortável trazida da primeira-mão foi importante, diria até decisiva, e o que hoje aconteceu foi exactamente uma segunda parte de uma eliminatória que sempre foi considerada complicada. E volto a dizer: O FC Porto perdeu, mas que importa se a final foi alcançada? No fim de contas este foi o sonho que esta equipa alimentou a cada golo marcado, a cada eliminatória ultrapassada e lá estamos, com todo o mérito e humildade.
Não queria destacar ninguém em particular neste momento, mas será injusto não o fazer. Primeiro, Villas-Boas, porque apesar da vantagem confortável a mensagem que passou foi de cautela, não correu o risco de embandeirar em arco. Segundo, Falcao porque somou esta noite mais um golo, já conta 16 nesta competição, mais um recorde. E em terceiro, Helton, porque tem sido enorme, e neste jogo não foi excepção. Obrigada aos campeões que conduziram este FC Porto à final. Eu, e todos os pportistas deste país, melhor, deste mundo, estamos felizes e orgulhosos de todos.
É fantástico, nos últimos 8 anos esta é a terceira final europeia do clube, e aconteça o que acontecer nesse jogo, nada vai apagar esta época fantástica, nada vai apagar os resultados que esta equipa tem feito, nada vai apagar os golos, nada vai apagar a imagem que este FC Porto espalhou por essa Europa fora. Agora é a final, um jogo único, contra o Sporting de Braga, uma equipa que também esta época já fez coisas fantásticas na Europa. Digo-vos espero que a final seja um jogo como foi aquele da primeira volta no Estádio do Dragão, que seja uma festa, que os portugueses elevem bem alto o nome de Portugal e que representem convenientemente o norte do país.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Álvaro Pereira Ao OJOGO
“"Se fosse por mérito já tínhamos ganho a Liga Europa"
CARLOS GOUVEIA/PEDRO MARQUES COSTA
Álvaro Pereira já sabe o que é ganhar no "Lansdowne Road", o palco da final da Liga Europa. A 29 de Março ajudou o Uruguai a derrotar a Irlanda, em jogo
particular, no mesmo tapete verde que espera levantar o troféu dentro de duas semanas. Contudo, alerta, primeiro é preciso evitar uma surpresa e confirmar
o apuramento com o Villarreal. Em entrevista a O JOGO, o lateral-esquerdo falou da sua carreira em Portugal, de Villas-Boas e do futuro, garantindo que
não pensa em sair do FC Porto tão cedo. Sem preferência entre Benfica e Braga, o uruguaio quer mesmo é voltar a ser feliz em Dublin e diz que se fosse
apenas pela estatística, a taça já tinha destino: o futuro museu do Dragão.
Temos ouvido um discurso cauteloso por parte do FC Porto em vésperas de jogar em Vila-Real. É estratégia ou vocês acham mesmo que ainda podem perder esta
meia-final?
Não, nem pensar. Ainda não está ganho. Este grupo ganha mais vezes por isso mesmo: respeitamos sempre o nosso adversário. No futebol, todos os dias há surpresas.
Sabemos que temos uma boa vantagem, mas temos de jogar sempre da mesma forma. Nada é impossível no futebol. Para além disso, chegar à final depois de uma
derrota também não terá o mesmo sabor... Estamos muito habituados a vencer sempre e quando perdemos é difícil; as derrotas doem mais. Vamos lá para ganhar,
tentar ser inteligente, jogar com calma, mas tentar ganhar. Vamos fazer de conta que está tudo a zero.
O FC Porto tem 13 vitórias em 15 jogos na Liga Europa; 41 golos marcados. Olhando para estes números, não se consideram favoritos à vitória na competição?
Se fosse por mérito, já tínhamos ganho. Sabem porquê? Porque só nós é que estamos nesta prova desde o início. O Villarreal ocupou o lugar do Maiorca [n.d.r
excluído devido às dívidas ao Fisco e Segurança Social], enquanto o Benfica e o Braga entraram pela Liga dos Campeões. Enquanto nós estamos desde o início
da Liga Europa. Bem, mas o que realmente interessa, nesta altura, é que temos de respeitar o Villarreal e tentar vencer o jogo em Espanha para depois estarmos
na final. E, estando na final, tudo pode acontecer. Tudo se decide em apenas 90 minutos.
Na eventualidade de não acontecer nenhuma catástrofe em Vila-Real, que clube preferia na final: Benfica ou Braga?
Na verdade tanto me faz. Mesmo. Quero é jogar a final.
Mas qual seria mais fácil?
Fácil? Numa final? Isso não existe.
E menos difícil?
Nunca será fácil. Aliás, basta recordar a final da Taça de Portugal da época passada: jogámos com o Chaves, que tinha acabado de descer de divisão, e vencemos
por 2-1. Uma final nunca é fácil.
Tendo em conta o passado recente com o Benfica, e falando na questão motivacional, não seria melhor defrontá-los na final?
É-me indiferente. A mim, como jogador, só me interessa jogar a meia-final, para tentar estar depois na final. Nada mais.
Já fez alguma aposta com o seu amigo Maxi Pereira?
Falo muitas vezes com ele, com quem tenho uma boa relação. É uma grande pessoa, um grande companheiro, e muito bom jogador. Falamos muitas vezes, mas mais
para saber como está a família e esse tipo de situações. Na época dei-lhe os parabéns pela conquista do título; este ano deu-me ele.
Já jogou no estádio da final da Liga Europa, em Dublin, e até venceu pelo Uruguai...
Sim, e se tiver de voltar lá, espero ganhar novamente. Vencemos por 3-2 a Irlanda num jogo amigável.
"Quatro minutos? Hoje assinava num segundo"
O FC Porto tem 21 pontos de vantagem para o Benfica e pode terminar a época com a maior vantagem de sempre para o segundo classificado. Mais um recorde
ao alcance da equipa e Álvaro Pereira diz que é tudo mérito da equipa do que demérito dos adversários, apontando a seriedade com todos os jogos são encarados
como o grande segredo. Mais difícil foi eleger o melhor jogo de uma época que pode ser perfeita. Quando chegou ao FC Porto, o uruguaio disse que assinou
em quatro minutos, mas se fosse hoje nem pestanejava.
Foi por épocas como esta que assinou em quatro minutos pelo FC Porto?
[risos] Sim. Mas isso não quer dizer que esta época é boa e a outra má. O que mudou foram os resultados e não gosto sequer de fazer comparações entre treinadores.
A nível pessoal a época passada correu-me muito bem, a adaptação a um novo estilo de futebol foi rápida, fui o jogador com mais minutos. Esta temporada
queria muito o título nacional, consegui, mas há mais objectivos que estão perto e vamos trabalhar para os conseguir.
Se fosse agora assinava em três minutos?
Agora, assinava num segundo.
Conseguia imaginar uma época tão boa?
Trabalhamos para isso e com o decorrer da época e com as vitórias, conseguimos o título. Começámos com o pé direito e esperamos acabar da mesma forma. Enfrentamos
com seriedade todos os adversários, qualquer que seja, e isso é muito importante.
Qual foi o melhor jogo da época? Os 5-0 ao Benfica, o jogo do título ou a remontada da Taça de Portugal?
É difícil de dizer, mas talvez tenha sido o do Estádio da Luz em que nos sagrámos campeões precisamente porque definimos um título, assim como o da Supertaça
no início da época. Ganhámos 5-0 no Dragão, e isso foi importante, mas se não fôssemos campeões não teria qualquer significado. Assim como este triunfo
na meia-final da Taça de Portugal, que teve um sabor especial por ter sido diante do grande rival, não terá importância se no dia 22 não levantarmos o
troféu. Isso é que interessa.
Olhando para a diferença de 21 pontos parece que o campeonato foi fácil de conquistar...
Parece a quem está de fora, mas não foi e quem está cá dentro sabe disso. Não houve erros dos adversários, mas mérito do FC Porto porque temos 26 vitórias
e dois empates e jogando sempre da mesma forma, sem facilitar nada mesmo já com o título assegurado. Estamos perto de bater um recorde e isso é muito meritório.
Nós é que tornámos o campeonato fácil.
Que importância tem ganhar o campeonato com a maior vantagem de sempre?
É bonito porque será muito bom se este grupo for recordado por bater recordes e ganhar troféus. A ideia é essa. Temos primeiro o Villarreal, depois o Paços
de Ferreira e o Marítimo, adversários que estão a lutar por coisas importantes e é preciso respeitá-los. A nossa motivação também passa por aí: por bater
recordes.
Qual é o segredo desta equipa?
Ganhar e estar motivado. Somos ambiciosos, mas com cautela. Enfrentamos todos os jogos como finais para ganhar. Depois, desfrutamos com tranquilidade a
pensar no jogo seguinte.
Pinto da Costa comparou esta equipa com a de 1987 e disse que era melhor do que a que foi orientada por José Mourinho. Vocês têm noção do que isso significa?
São elogios muito bonitos e ainda por cima da parte de quem vêm. Mas ainda não conseguimos nada. Vencemos o título nacional, que é muito bom, mas temos
coisas importantes pela frente. Essas palavras motivam.
O Benfica é o adversário que mexe mais com o balneário?
Acho que não. É evidente que é o maior rival e que os dias que antecedem esses jogos têm uma atenção especial por parte de todos, mas esta equipa trata
com o mesmo respeito o Benfica, o Sporting ou o Setúbal, como se viu no último jogo em que o mister mudou muitos jogadores e mantivemos o ritmo. Sabemos
que os jogos com o Benfica são especiais, não argumento contra isso, mas respeitamos todos da mesma forma.
"Quando vejo Falcao no ar já sei que vai dar golo"
Álvaro Pereira e Falcao entendem-se às mil maravilhas: aos cruzamentos do uruguaio, corresponde o colombiano com remates certeiros. O alteral garante que
não há qualquer segredo e que é a qualidade do avançado é que faz toda a diferença.
Uma boa parte dos golos do Falcao nascem dos seus cruzamentos. Ele é o melhor avançado com quem jogou?
Acho que sim. É um avançado de topo porque basta olhar e já sabe onde a bola vai cair. Quando ele está no ar já sei que vai dar golo. Ter um jogador desta
qualidade na equipa facilita. É incrível porque basta vê-lo na área e sei que vai ganhar a bola. Entendemo-nos muito bem.
A pior fase do FC Porto coincidiu com a ausência do Álvaro Pereira e do Falcao, por lesão, foi apenas uma coincidência?
Não foi a pior, mas a que resultou nas derrotas da Taça da Liga e da Taça de Portugal. Quem jogou esteve bem e foi a fase em que houve mais jogos e acusámos
um pouco o cansaço. Foram muitos jogos seguidos e a margem de erro era mínima. Não foi por ter faltado este ou aquele jogador.
"Vencer a Taça seria o final perfeito"
No dia 22 de Maio, o FC Porto termina a época como nos últimos dois anos: a jogar a final da Taça de Portugal no Jamor. Álvaro Pereira espera repetir os
trunfos anteriores para encerrar com chave de ouro o ciclo 2010/11. "Às 19 horas do dia 22 veremos se é assim. A essa hora o jogo já deve ter terminado.
Espero que seja o final de temporada perfeito, mas para isso teremos de ganhar", sublinhou, considerando o Guimarães um rival difícil. "Tem uma boa equipa
e um treinador com muita qualidade e inteligência. Um jogo com o Guimarães também é praticamente um clássico em Portugal, tendo em conta a rivalidade entre
as duas equipas. Vai ser uma grande final, muito disputada", considerou.
"Não tenho vontade de sair"
Numa altura em que o nome de Álvaro Pereira tem sido ligado a alguns clubes europeus, nomeadamente o Bayern de Munique, o uruguaio voltou a reafirmar a
vontade de continuar no FC Porto na próxima época.
A época tem-lhe corrido muito bem e não faltam clubes interessados. Pensa sair ou quer voltar a jogar a Liga dos Campeões com o FC Porto?
Só penso no que ainda temos pela frente esta época, seja a meia-final da Liga Europa, a final da taça de Portugal ou tentar continuar a bater recordes no
campeonato. Temos a possibilidade de levantar quatro troféus numa época e espero consegui-lo. Amo a cidade do Porto, estou muito cómodo, os adeptos fazem-me
sentir bem e não penso em sair. Tenho a Copa América para jogar pela selecção pelo que há muito a ocupar a minha cabeça. Este ano está a correr muito bem
e espero que continue assim daqui para frente.
Já jogou na Argentina, Roménia e Portugal. Que outro campeonato gostaria de experimentar?
Não penso nisso. O meu sonho era jogar num grande clube da Europa e o FC Porto proporcionou-me isso. Conseguimos ser campeões e, na próxima época, teremos
a oportunidade de voltar a jogar a Champions, que é uma competição fantástica. Quero é desfrutar.
Tem uma cláusula de "apenas" 20 milhões de euros. Se fosse treinador de um grande clube europeu, não vinha contratar o Álvaro Pereira ao FC Porto?
(risos) Não, não, agora não... Não tenho vontade de sair, porque estou muito bem aqui. Estou tranquilo, cómodo, continuo a jogar, a família está bem, as
pessoas estão contentes comigo... É tudo perfeito. Para além disso, é um país óptimo para os sul-americanos, até pela língua, uma vez que o castelhano
é muito parecido com o português. Por tudo isto, sinto-me em casa.
Mas tem-se falado insistentemente do interesse do Bayern de Munique, que tem vindo assistir a vários jogos do FC Porto...
Ouvi o mesmo que toda a gente... Não sei de nada. Li nos jornais, na internet, mas ninguém falou comigo. Aliás, nem têm de falar comigo, se estiverem realmente
interessados. Têm é de falar com o clube. O clube é que decide o meu futuro. Estou aqui, bem, e penso apenas no FC Porto, até porque nos jornais fala-se
sempre sobre muitas possibilidades.
"Corro muito porque fazia maratonas quando era pequeno"
O que mudou no Álvaro de uma época para a outra?
Fui operado ao ombro... [risos]. Isso foi o principal. Mais a sério, não mudou muito. Sinto-me em casa e isso facilita tudo. Tenho um maior conhecimento
do campeonato e dos adversários, o que também ajuda.
E o que ainda tem para melhorar?
Muito. Todos os dias trabalho para não me deixar conformar e ter cada vez mais ambição. Quero continuar a levantar troféus e a crescer como jogador.
Sente-se um jogador à Porto?
Quem pode dizer isso são os adeptos, as pessoas do clube e os meus companheiros. Bem, eu acho que ser um jogador à Porto é defender a camisola até à morte.
E isso vai acontecer sempre comigo.
Ouvimos dizer que corria maratonas quando era pequeno?
Sim, mais ou menos entre os oito e os 15 anos. No Uruguai, há uma corrida chamada de São Filipe de Santiago e que se corre em Janeiro. Preparava-me sempre
para essa corrida, porque era a altura de férias da escola. Sempre corremos na família. Comecei a correr com o meu irmão, corríamos entre oito e 12 quilómetros,
e sempre gostei, de tal forma que cheguei a fazer parte de uma equipa de atletismo. Mas nunca cheguei a correr profissionalmente, porque por volta dos
15 anos tive de escolher entre o atletismo e o futebol. Escolhi o futebol, felizmente. Mas também tiro proveito desse meu passado, porque não me canso
muito a correr de um lado para o outro. Também me parece que é algo genético, porque o meu pai já era assim e o meu filho também é.
"Adeptos podem ficar tranquilos, há lateral-esquerdo para algum tempo"
Há poucos canhotos no futebol. É desta forma que, meio a brincar, Álvaro Pereira explica o facto de um bom lateral-esquerdo ser uma espécie rara, quase
em vias de extinção. O FC Porto sofreu isso na pele durante vários anos, mas Palito sossega os adeptos azuis e brancos.
Consegue explicar por que motivo há poucos laterais-esquerdos de qualidade?
Porque há poucos canhotos (risos). Mas, por exemplo, quando jogava na América do Sul quase nunca jogava como lateral; era mais médio. O jogo lá é diferente,
enquanto aqui na Europa os defesas aparecem mais na frente, têm mais bola, e eu gosto muito desta posição. Aliás, aqui só me vejo a jogar como lateral.
Que opinião tem dos outros laterais do FC Porto?
Nas camadas jovens, gosto muito do Romário e do Bakar, que já treinaram algumas vezes connosco. Quanto aos outros, o Rafa esteve muito bem até ter o azar
de sofrer uma lesão; o Sereno também tem feito todas as posições da defesa, e está sempre muito bem; Fucile já todos conhecem e está completamente adaptado...
Sei que antes de ter chegado o Cissokho, se falava muito sobre o lugar de lateral-esquerdo na era pós-Nuno Valente. Mas agora os adeptos podem ficar tranquilos,
porque vai ter o Álvaro Pereira por algum tempo (risos).
Há quem considere que o Fábio Coentrão é o melhor lateral a jogar em Portugal. Não se sente menosprezado?
Não, não... Ele é um grande jogador e isso de quem é o melhor ou o pior não me interessa muito. O que importa é o dia-a-dia, cada jogo, como acaba a temporada
e quem é campeão. Ele defende o Benfica, eu o FC Porto; ele defende a selecção de Portugal, eu o Uruguai. Nunca tive nenhum problema com ele, respeito-o,
é um grande jogador, muito valorizado, fez uma grande temporada. Não gosto de entrar nesse tipo de comparações, até porque o que importa é quem ganha troféus.
Mas considera-se um dos melhores laterais esquerdos do mundo?
Não, que é isso? Deixo essas coisas para os jornalistas, eu trabalho apenas para ajudar a equipa. Sou maluco por futebol, sinto-o de uma forma especial,
quero ganhar sempre tudo. Há mais jogadores que fazem muito bem a minha posição.
"Villas -Boas é especial porque ganhamos desde o início"
Os elogios a André Villas-Boas são naturais, tão naturais como as vitórias que o FC Porto tem conseguido desde o início da temporada. Álvaro Pereira não
quis fazer comparações com outros treinadores, mas sempre foi dizendo que Villas-Boas é especial...
O discurso motivacional é um dos trunfos de André Villas-Boas?
Sem dúvida que ele trabalha muito bem esse aspecto. É um treinador muito inteligente, ambicioso e transmite-nos precisamente essa mensagem. Em cada jogo
passa-nos a ideia de que é uma final e isso motiva-nos.
Que mensagem é que tem passado nos intervalos que tem levado a equipa às vitórias, como aconteceu na Luz ou contra o Villarreal?
O treinador nem falou muito, só procurou corrigir alguns erros. Às vezes basta um olhar e todos nos comprometemos: vamos jogar, temos uma desvantagem de
dois golos, no caso da Taça, e é ganhar ou morrer. Fomos para o campo, soltámo-nos, atacámos e conseguimos dar a volta. Com o Villarreal aconteceu a mesma
situação. Nas eliminatórias da UEFA temos de ganhar e, de preferência, conseguir uma boa vantagem, sendo que, às vezes, os jogadores querem fazer o segundo
golo antes de marcar o primeiro. E isso prejudica. Entrámos relaxados na segunda parte e conseguimos uma boa vitória.
Encaixou bem no futebol que André Villas-Boas pretendia para o FC Porto. Que opinião tem do treinador?
Não é só o jogador que tem de se adaptar ao treinador, mas o treinador também se deve adaptar às características dos jogadores que tem à disposição. Ele
procurou aproveitar o melhor de cada um de nós. O respeito que temos por ele é o mesmo que tínhamos por Jesualdo Ferreira. Tem demonstrado que tem capacidade.
E sente que tem mais liberdade para atacar?
Não é por aí. Sou um jogador atrevido por natureza, que procura fazer o melhor que sabe mas sempre com responsabilidade. Tenho sempre muita liberdade e
sinto-me bem com isso.
O que distingue Villas-Boas dos outros treinadores com quem trabalhou?
Não gosto de fazer comparações, porque todos têm métodos diferentes. Ele é especial porque desde o primeiro dia que temos ganho coisas. Todos os treinadores
nos deixam coisas boas e coisas más.
Os penteados que lhe dão sorte
Álvaro Pereira não se cansou de dizer que se sente, no Porto, como em casa. Considerou a cidade "muito bonita", embora tenha ainda "lugares bonitos por
conhecer". "Gosto muito e só tem um defeito: chove sempre muito em Dezembro e Janeiro". Quanto à comida, é só elogios. "é uma delícia. Não comia peixe
na América do Sul, mas aqui disseram-me que tinha de experimentar. E agora adoro. Também gosto muito de lulas e de marisco. A minha família também. Já
as francesinhas, nem tanto". Na exploração da vida mais privada, sobrou ainda uma pergunta: porque razão está sempre a mudar de penteado, às vezes até
durante os intervalos dos jogos? "Não é nenhuma superstição. O problema é que, às vezes, a cabeleireira não tem tempo para acabar as tranças e elas acabam
por ficar mal com o decorrer dos jogos. É só isso. Ah, mas vou voltar a fazer tranças, porque me deram sorte".
Palito por culpa da dicção do irmão
Álvaro Pereira tem um apelido: Palito. O lateral explicou que, "ao contrário do muita gente pensa", esta denominação não está relacionada com o facto de
ter sido sempre magro. Surgiu antes por culpa de um problema de dicção do irmão mais velho... "Quando era pequeno chamavam-me de Alvarinho ou Alvarito.
Mas o meu irmão, Danilo, que também era pequeno, não conseguia dizer Alvarito e dizia sempre Alpalito. Depois, na rua, quando íamos jogar futebol, todos
me começaram a chamar de Palito. No início, e quem não me conhecia, pensava que era por eu ser magro. Mas não era. Foi mesmo por culpa do meu irmão", contou.”
Em
www.ojogo.pt
CARLOS GOUVEIA/PEDRO MARQUES COSTA
Álvaro Pereira já sabe o que é ganhar no "Lansdowne Road", o palco da final da Liga Europa. A 29 de Março ajudou o Uruguai a derrotar a Irlanda, em jogo
particular, no mesmo tapete verde que espera levantar o troféu dentro de duas semanas. Contudo, alerta, primeiro é preciso evitar uma surpresa e confirmar
o apuramento com o Villarreal. Em entrevista a O JOGO, o lateral-esquerdo falou da sua carreira em Portugal, de Villas-Boas e do futuro, garantindo que
não pensa em sair do FC Porto tão cedo. Sem preferência entre Benfica e Braga, o uruguaio quer mesmo é voltar a ser feliz em Dublin e diz que se fosse
apenas pela estatística, a taça já tinha destino: o futuro museu do Dragão.
Temos ouvido um discurso cauteloso por parte do FC Porto em vésperas de jogar em Vila-Real. É estratégia ou vocês acham mesmo que ainda podem perder esta
meia-final?
Não, nem pensar. Ainda não está ganho. Este grupo ganha mais vezes por isso mesmo: respeitamos sempre o nosso adversário. No futebol, todos os dias há surpresas.
Sabemos que temos uma boa vantagem, mas temos de jogar sempre da mesma forma. Nada é impossível no futebol. Para além disso, chegar à final depois de uma
derrota também não terá o mesmo sabor... Estamos muito habituados a vencer sempre e quando perdemos é difícil; as derrotas doem mais. Vamos lá para ganhar,
tentar ser inteligente, jogar com calma, mas tentar ganhar. Vamos fazer de conta que está tudo a zero.
O FC Porto tem 13 vitórias em 15 jogos na Liga Europa; 41 golos marcados. Olhando para estes números, não se consideram favoritos à vitória na competição?
Se fosse por mérito, já tínhamos ganho. Sabem porquê? Porque só nós é que estamos nesta prova desde o início. O Villarreal ocupou o lugar do Maiorca [n.d.r
excluído devido às dívidas ao Fisco e Segurança Social], enquanto o Benfica e o Braga entraram pela Liga dos Campeões. Enquanto nós estamos desde o início
da Liga Europa. Bem, mas o que realmente interessa, nesta altura, é que temos de respeitar o Villarreal e tentar vencer o jogo em Espanha para depois estarmos
na final. E, estando na final, tudo pode acontecer. Tudo se decide em apenas 90 minutos.
Na eventualidade de não acontecer nenhuma catástrofe em Vila-Real, que clube preferia na final: Benfica ou Braga?
Na verdade tanto me faz. Mesmo. Quero é jogar a final.
Mas qual seria mais fácil?
Fácil? Numa final? Isso não existe.
E menos difícil?
Nunca será fácil. Aliás, basta recordar a final da Taça de Portugal da época passada: jogámos com o Chaves, que tinha acabado de descer de divisão, e vencemos
por 2-1. Uma final nunca é fácil.
Tendo em conta o passado recente com o Benfica, e falando na questão motivacional, não seria melhor defrontá-los na final?
É-me indiferente. A mim, como jogador, só me interessa jogar a meia-final, para tentar estar depois na final. Nada mais.
Já fez alguma aposta com o seu amigo Maxi Pereira?
Falo muitas vezes com ele, com quem tenho uma boa relação. É uma grande pessoa, um grande companheiro, e muito bom jogador. Falamos muitas vezes, mas mais
para saber como está a família e esse tipo de situações. Na época dei-lhe os parabéns pela conquista do título; este ano deu-me ele.
Já jogou no estádio da final da Liga Europa, em Dublin, e até venceu pelo Uruguai...
Sim, e se tiver de voltar lá, espero ganhar novamente. Vencemos por 3-2 a Irlanda num jogo amigável.
"Quatro minutos? Hoje assinava num segundo"
O FC Porto tem 21 pontos de vantagem para o Benfica e pode terminar a época com a maior vantagem de sempre para o segundo classificado. Mais um recorde
ao alcance da equipa e Álvaro Pereira diz que é tudo mérito da equipa do que demérito dos adversários, apontando a seriedade com todos os jogos são encarados
como o grande segredo. Mais difícil foi eleger o melhor jogo de uma época que pode ser perfeita. Quando chegou ao FC Porto, o uruguaio disse que assinou
em quatro minutos, mas se fosse hoje nem pestanejava.
Foi por épocas como esta que assinou em quatro minutos pelo FC Porto?
[risos] Sim. Mas isso não quer dizer que esta época é boa e a outra má. O que mudou foram os resultados e não gosto sequer de fazer comparações entre treinadores.
A nível pessoal a época passada correu-me muito bem, a adaptação a um novo estilo de futebol foi rápida, fui o jogador com mais minutos. Esta temporada
queria muito o título nacional, consegui, mas há mais objectivos que estão perto e vamos trabalhar para os conseguir.
Se fosse agora assinava em três minutos?
Agora, assinava num segundo.
Conseguia imaginar uma época tão boa?
Trabalhamos para isso e com o decorrer da época e com as vitórias, conseguimos o título. Começámos com o pé direito e esperamos acabar da mesma forma. Enfrentamos
com seriedade todos os adversários, qualquer que seja, e isso é muito importante.
Qual foi o melhor jogo da época? Os 5-0 ao Benfica, o jogo do título ou a remontada da Taça de Portugal?
É difícil de dizer, mas talvez tenha sido o do Estádio da Luz em que nos sagrámos campeões precisamente porque definimos um título, assim como o da Supertaça
no início da época. Ganhámos 5-0 no Dragão, e isso foi importante, mas se não fôssemos campeões não teria qualquer significado. Assim como este triunfo
na meia-final da Taça de Portugal, que teve um sabor especial por ter sido diante do grande rival, não terá importância se no dia 22 não levantarmos o
troféu. Isso é que interessa.
Olhando para a diferença de 21 pontos parece que o campeonato foi fácil de conquistar...
Parece a quem está de fora, mas não foi e quem está cá dentro sabe disso. Não houve erros dos adversários, mas mérito do FC Porto porque temos 26 vitórias
e dois empates e jogando sempre da mesma forma, sem facilitar nada mesmo já com o título assegurado. Estamos perto de bater um recorde e isso é muito meritório.
Nós é que tornámos o campeonato fácil.
Que importância tem ganhar o campeonato com a maior vantagem de sempre?
É bonito porque será muito bom se este grupo for recordado por bater recordes e ganhar troféus. A ideia é essa. Temos primeiro o Villarreal, depois o Paços
de Ferreira e o Marítimo, adversários que estão a lutar por coisas importantes e é preciso respeitá-los. A nossa motivação também passa por aí: por bater
recordes.
Qual é o segredo desta equipa?
Ganhar e estar motivado. Somos ambiciosos, mas com cautela. Enfrentamos todos os jogos como finais para ganhar. Depois, desfrutamos com tranquilidade a
pensar no jogo seguinte.
Pinto da Costa comparou esta equipa com a de 1987 e disse que era melhor do que a que foi orientada por José Mourinho. Vocês têm noção do que isso significa?
São elogios muito bonitos e ainda por cima da parte de quem vêm. Mas ainda não conseguimos nada. Vencemos o título nacional, que é muito bom, mas temos
coisas importantes pela frente. Essas palavras motivam.
O Benfica é o adversário que mexe mais com o balneário?
Acho que não. É evidente que é o maior rival e que os dias que antecedem esses jogos têm uma atenção especial por parte de todos, mas esta equipa trata
com o mesmo respeito o Benfica, o Sporting ou o Setúbal, como se viu no último jogo em que o mister mudou muitos jogadores e mantivemos o ritmo. Sabemos
que os jogos com o Benfica são especiais, não argumento contra isso, mas respeitamos todos da mesma forma.
"Quando vejo Falcao no ar já sei que vai dar golo"
Álvaro Pereira e Falcao entendem-se às mil maravilhas: aos cruzamentos do uruguaio, corresponde o colombiano com remates certeiros. O alteral garante que
não há qualquer segredo e que é a qualidade do avançado é que faz toda a diferença.
Uma boa parte dos golos do Falcao nascem dos seus cruzamentos. Ele é o melhor avançado com quem jogou?
Acho que sim. É um avançado de topo porque basta olhar e já sabe onde a bola vai cair. Quando ele está no ar já sei que vai dar golo. Ter um jogador desta
qualidade na equipa facilita. É incrível porque basta vê-lo na área e sei que vai ganhar a bola. Entendemo-nos muito bem.
A pior fase do FC Porto coincidiu com a ausência do Álvaro Pereira e do Falcao, por lesão, foi apenas uma coincidência?
Não foi a pior, mas a que resultou nas derrotas da Taça da Liga e da Taça de Portugal. Quem jogou esteve bem e foi a fase em que houve mais jogos e acusámos
um pouco o cansaço. Foram muitos jogos seguidos e a margem de erro era mínima. Não foi por ter faltado este ou aquele jogador.
"Vencer a Taça seria o final perfeito"
No dia 22 de Maio, o FC Porto termina a época como nos últimos dois anos: a jogar a final da Taça de Portugal no Jamor. Álvaro Pereira espera repetir os
trunfos anteriores para encerrar com chave de ouro o ciclo 2010/11. "Às 19 horas do dia 22 veremos se é assim. A essa hora o jogo já deve ter terminado.
Espero que seja o final de temporada perfeito, mas para isso teremos de ganhar", sublinhou, considerando o Guimarães um rival difícil. "Tem uma boa equipa
e um treinador com muita qualidade e inteligência. Um jogo com o Guimarães também é praticamente um clássico em Portugal, tendo em conta a rivalidade entre
as duas equipas. Vai ser uma grande final, muito disputada", considerou.
"Não tenho vontade de sair"
Numa altura em que o nome de Álvaro Pereira tem sido ligado a alguns clubes europeus, nomeadamente o Bayern de Munique, o uruguaio voltou a reafirmar a
vontade de continuar no FC Porto na próxima época.
A época tem-lhe corrido muito bem e não faltam clubes interessados. Pensa sair ou quer voltar a jogar a Liga dos Campeões com o FC Porto?
Só penso no que ainda temos pela frente esta época, seja a meia-final da Liga Europa, a final da taça de Portugal ou tentar continuar a bater recordes no
campeonato. Temos a possibilidade de levantar quatro troféus numa época e espero consegui-lo. Amo a cidade do Porto, estou muito cómodo, os adeptos fazem-me
sentir bem e não penso em sair. Tenho a Copa América para jogar pela selecção pelo que há muito a ocupar a minha cabeça. Este ano está a correr muito bem
e espero que continue assim daqui para frente.
Já jogou na Argentina, Roménia e Portugal. Que outro campeonato gostaria de experimentar?
Não penso nisso. O meu sonho era jogar num grande clube da Europa e o FC Porto proporcionou-me isso. Conseguimos ser campeões e, na próxima época, teremos
a oportunidade de voltar a jogar a Champions, que é uma competição fantástica. Quero é desfrutar.
Tem uma cláusula de "apenas" 20 milhões de euros. Se fosse treinador de um grande clube europeu, não vinha contratar o Álvaro Pereira ao FC Porto?
(risos) Não, não, agora não... Não tenho vontade de sair, porque estou muito bem aqui. Estou tranquilo, cómodo, continuo a jogar, a família está bem, as
pessoas estão contentes comigo... É tudo perfeito. Para além disso, é um país óptimo para os sul-americanos, até pela língua, uma vez que o castelhano
é muito parecido com o português. Por tudo isto, sinto-me em casa.
Mas tem-se falado insistentemente do interesse do Bayern de Munique, que tem vindo assistir a vários jogos do FC Porto...
Ouvi o mesmo que toda a gente... Não sei de nada. Li nos jornais, na internet, mas ninguém falou comigo. Aliás, nem têm de falar comigo, se estiverem realmente
interessados. Têm é de falar com o clube. O clube é que decide o meu futuro. Estou aqui, bem, e penso apenas no FC Porto, até porque nos jornais fala-se
sempre sobre muitas possibilidades.
"Corro muito porque fazia maratonas quando era pequeno"
O que mudou no Álvaro de uma época para a outra?
Fui operado ao ombro... [risos]. Isso foi o principal. Mais a sério, não mudou muito. Sinto-me em casa e isso facilita tudo. Tenho um maior conhecimento
do campeonato e dos adversários, o que também ajuda.
E o que ainda tem para melhorar?
Muito. Todos os dias trabalho para não me deixar conformar e ter cada vez mais ambição. Quero continuar a levantar troféus e a crescer como jogador.
Sente-se um jogador à Porto?
Quem pode dizer isso são os adeptos, as pessoas do clube e os meus companheiros. Bem, eu acho que ser um jogador à Porto é defender a camisola até à morte.
E isso vai acontecer sempre comigo.
Ouvimos dizer que corria maratonas quando era pequeno?
Sim, mais ou menos entre os oito e os 15 anos. No Uruguai, há uma corrida chamada de São Filipe de Santiago e que se corre em Janeiro. Preparava-me sempre
para essa corrida, porque era a altura de férias da escola. Sempre corremos na família. Comecei a correr com o meu irmão, corríamos entre oito e 12 quilómetros,
e sempre gostei, de tal forma que cheguei a fazer parte de uma equipa de atletismo. Mas nunca cheguei a correr profissionalmente, porque por volta dos
15 anos tive de escolher entre o atletismo e o futebol. Escolhi o futebol, felizmente. Mas também tiro proveito desse meu passado, porque não me canso
muito a correr de um lado para o outro. Também me parece que é algo genético, porque o meu pai já era assim e o meu filho também é.
"Adeptos podem ficar tranquilos, há lateral-esquerdo para algum tempo"
Há poucos canhotos no futebol. É desta forma que, meio a brincar, Álvaro Pereira explica o facto de um bom lateral-esquerdo ser uma espécie rara, quase
em vias de extinção. O FC Porto sofreu isso na pele durante vários anos, mas Palito sossega os adeptos azuis e brancos.
Consegue explicar por que motivo há poucos laterais-esquerdos de qualidade?
Porque há poucos canhotos (risos). Mas, por exemplo, quando jogava na América do Sul quase nunca jogava como lateral; era mais médio. O jogo lá é diferente,
enquanto aqui na Europa os defesas aparecem mais na frente, têm mais bola, e eu gosto muito desta posição. Aliás, aqui só me vejo a jogar como lateral.
Que opinião tem dos outros laterais do FC Porto?
Nas camadas jovens, gosto muito do Romário e do Bakar, que já treinaram algumas vezes connosco. Quanto aos outros, o Rafa esteve muito bem até ter o azar
de sofrer uma lesão; o Sereno também tem feito todas as posições da defesa, e está sempre muito bem; Fucile já todos conhecem e está completamente adaptado...
Sei que antes de ter chegado o Cissokho, se falava muito sobre o lugar de lateral-esquerdo na era pós-Nuno Valente. Mas agora os adeptos podem ficar tranquilos,
porque vai ter o Álvaro Pereira por algum tempo (risos).
Há quem considere que o Fábio Coentrão é o melhor lateral a jogar em Portugal. Não se sente menosprezado?
Não, não... Ele é um grande jogador e isso de quem é o melhor ou o pior não me interessa muito. O que importa é o dia-a-dia, cada jogo, como acaba a temporada
e quem é campeão. Ele defende o Benfica, eu o FC Porto; ele defende a selecção de Portugal, eu o Uruguai. Nunca tive nenhum problema com ele, respeito-o,
é um grande jogador, muito valorizado, fez uma grande temporada. Não gosto de entrar nesse tipo de comparações, até porque o que importa é quem ganha troféus.
Mas considera-se um dos melhores laterais esquerdos do mundo?
Não, que é isso? Deixo essas coisas para os jornalistas, eu trabalho apenas para ajudar a equipa. Sou maluco por futebol, sinto-o de uma forma especial,
quero ganhar sempre tudo. Há mais jogadores que fazem muito bem a minha posição.
"Villas -Boas é especial porque ganhamos desde o início"
Os elogios a André Villas-Boas são naturais, tão naturais como as vitórias que o FC Porto tem conseguido desde o início da temporada. Álvaro Pereira não
quis fazer comparações com outros treinadores, mas sempre foi dizendo que Villas-Boas é especial...
O discurso motivacional é um dos trunfos de André Villas-Boas?
Sem dúvida que ele trabalha muito bem esse aspecto. É um treinador muito inteligente, ambicioso e transmite-nos precisamente essa mensagem. Em cada jogo
passa-nos a ideia de que é uma final e isso motiva-nos.
Que mensagem é que tem passado nos intervalos que tem levado a equipa às vitórias, como aconteceu na Luz ou contra o Villarreal?
O treinador nem falou muito, só procurou corrigir alguns erros. Às vezes basta um olhar e todos nos comprometemos: vamos jogar, temos uma desvantagem de
dois golos, no caso da Taça, e é ganhar ou morrer. Fomos para o campo, soltámo-nos, atacámos e conseguimos dar a volta. Com o Villarreal aconteceu a mesma
situação. Nas eliminatórias da UEFA temos de ganhar e, de preferência, conseguir uma boa vantagem, sendo que, às vezes, os jogadores querem fazer o segundo
golo antes de marcar o primeiro. E isso prejudica. Entrámos relaxados na segunda parte e conseguimos uma boa vitória.
Encaixou bem no futebol que André Villas-Boas pretendia para o FC Porto. Que opinião tem do treinador?
Não é só o jogador que tem de se adaptar ao treinador, mas o treinador também se deve adaptar às características dos jogadores que tem à disposição. Ele
procurou aproveitar o melhor de cada um de nós. O respeito que temos por ele é o mesmo que tínhamos por Jesualdo Ferreira. Tem demonstrado que tem capacidade.
E sente que tem mais liberdade para atacar?
Não é por aí. Sou um jogador atrevido por natureza, que procura fazer o melhor que sabe mas sempre com responsabilidade. Tenho sempre muita liberdade e
sinto-me bem com isso.
O que distingue Villas-Boas dos outros treinadores com quem trabalhou?
Não gosto de fazer comparações, porque todos têm métodos diferentes. Ele é especial porque desde o primeiro dia que temos ganho coisas. Todos os treinadores
nos deixam coisas boas e coisas más.
Os penteados que lhe dão sorte
Álvaro Pereira não se cansou de dizer que se sente, no Porto, como em casa. Considerou a cidade "muito bonita", embora tenha ainda "lugares bonitos por
conhecer". "Gosto muito e só tem um defeito: chove sempre muito em Dezembro e Janeiro". Quanto à comida, é só elogios. "é uma delícia. Não comia peixe
na América do Sul, mas aqui disseram-me que tinha de experimentar. E agora adoro. Também gosto muito de lulas e de marisco. A minha família também. Já
as francesinhas, nem tanto". Na exploração da vida mais privada, sobrou ainda uma pergunta: porque razão está sempre a mudar de penteado, às vezes até
durante os intervalos dos jogos? "Não é nenhuma superstição. O problema é que, às vezes, a cabeleireira não tem tempo para acabar as tranças e elas acabam
por ficar mal com o decorrer dos jogos. É só isso. Ah, mas vou voltar a fazer tranças, porque me deram sorte".
Palito por culpa da dicção do irmão
Álvaro Pereira tem um apelido: Palito. O lateral explicou que, "ao contrário do muita gente pensa", esta denominação não está relacionada com o facto de
ter sido sempre magro. Surgiu antes por culpa de um problema de dicção do irmão mais velho... "Quando era pequeno chamavam-me de Alvarinho ou Alvarito.
Mas o meu irmão, Danilo, que também era pequeno, não conseguia dizer Alvarito e dizia sempre Alpalito. Depois, na rua, quando íamos jogar futebol, todos
me começaram a chamar de Palito. No início, e quem não me conhecia, pensava que era por eu ser magro. Mas não era. Foi mesmo por culpa do meu irmão", contou.”
Em
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terça-feira, 3 de maio de 2011
FC Porto Bem Classificado no Ranking da IFFHS
“FC PORTO SOBE AO TERCEIRO LUGAR DO “RANKING” DA IFFHS
O FC Porto subiu ao terceiro lugar do “ranking” da IFFHS (Federação Internacional da História e Estatística do Futebol), imediatamente atrás dos colossos
Barcelona e Real Madrid, que mantêm as duas primeiras posições.
Segundo a classificação hoje divulgada e relativa ao mês de Abril, o FC Porto ultrapassou o Manchester United, tornando o pódio integralmente formado por
equipas da Península Ibérica.
A fantástica época dos Dragões continua, assim, a ser reconhecida internacionalmente, tendo o FC Porto sido a segunda mais bem pontuada equipa do mês de
Abril, apenas atrás dos brasileiros do Santos. O FC Porto até venceu todos os jogos disputados em Abril, mas acabou prejudicado pelo facto de o Santos
ter realizado seis jogos para a Taça Libertadores, mais bem pontuados.
O Villarreal, adversário do FC Porto nas meias-finais da Liga Europa, é o actual sétimo classificado, o que também diz alguma coisa sobre o valor do adversário
dos Dragões, derrotados por 5-1 na primeira mão.
O Sporting de Braga, em 37.º, é a segunda equipa portuguesa mais bem classificada, quatro lugares à frente do Benfica (41.º) e 27 à frente do Sporting
(64.º).”
Em
www.fcporto.pt
Quem é mesmo a melhor equipa portuguesa?
O FC Porto subiu ao terceiro lugar do “ranking” da IFFHS (Federação Internacional da História e Estatística do Futebol), imediatamente atrás dos colossos
Barcelona e Real Madrid, que mantêm as duas primeiras posições.
Segundo a classificação hoje divulgada e relativa ao mês de Abril, o FC Porto ultrapassou o Manchester United, tornando o pódio integralmente formado por
equipas da Península Ibérica.
A fantástica época dos Dragões continua, assim, a ser reconhecida internacionalmente, tendo o FC Porto sido a segunda mais bem pontuada equipa do mês de
Abril, apenas atrás dos brasileiros do Santos. O FC Porto até venceu todos os jogos disputados em Abril, mas acabou prejudicado pelo facto de o Santos
ter realizado seis jogos para a Taça Libertadores, mais bem pontuados.
O Villarreal, adversário do FC Porto nas meias-finais da Liga Europa, é o actual sétimo classificado, o que também diz alguma coisa sobre o valor do adversário
dos Dragões, derrotados por 5-1 na primeira mão.
O Sporting de Braga, em 37.º, é a segunda equipa portuguesa mais bem classificada, quatro lugares à frente do Benfica (41.º) e 27 à frente do Sporting
(64.º).”
Em
www.fcporto.pt
Quem é mesmo a melhor equipa portuguesa?
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