segunda-feira, 23 de maio de 2011

André Na Cadeira De Sonho

Saiu ontem na revista do Jornal Público, recebi através de um grupo do Google e vou partilhar com todos os que por um motivo ou outro não tiveram acesso a ela.


“O adepto sentado na cadeira de sonho


Por Hugo Daniel Sousa



Perfeccionista, ambicioso, bem-disposto, apaixonado por futebol, mas também amante de jantares, de bom vinho e da velocidade. André Villas-Boas é o novo
menino bonito do futebol europeu. Discípulo de Bobby Robson e Mourinho, o treinador do FC Porto é o exemplo de como em 15 anos se pode passar de jovem
fascinado por futebol a líder de uma equipa de sucesso.


André era um miúdo "pacato, discreto, afável" e um aluno mediano, que "tirava positivas, mas não investia muito nos estudos". O que realmente o fascinava
era o futebol. Às segundas-feiras, não só discutia sobre os jogos do fim-de-semana com os amigos, como levava para "a escola um relatório exaustivo da
equipa do FC Porto, com dados sobre os jogadores, as substituições e a táctica", recorda José Eiró, que foi professor de Educação Física e director de
turma de André Villas-Boas, no Colégio do Rosário, no Porto.


Nesses tempos do 7º ao 9º ano, "o menino de boas famílias" ganhou a alcunha de "cenourinha" (por causa dos cabelos ruivos) e saltava para a ribalta quando
o tema era a bola. Na família Villas-Boas não havia qualquer ligação à modalidade, mas seguiam-se os passos do maior clube da cidade, a ponto de André
ser sócio dos "dragões" desde os dois anos e meio: foi inscrito a 4 de Julho de 1980 e actualmente é o associado número 11.428. E era frequente ir ao Estádio
das Antas assistir a jogos. "Sabia tudo sobre o FC Porto", sublinha José Eiró, para retratar a paixão de André pelo clube e pelo futebol.


Esse rapaz, esse adepto fervoroso, está agora "sentado na cadeira de sonho", como ele próprio lhe chamou. E a fazer história. Nesta semana, deu ao FC Porto
a quarta vitória numa final europeia, enriquecendo um palmarés que começou a ser construído em Maio de 1987, na final de Viena, quando a equipa comandada
por Artur Jorge conquistou a Taça dos Campeões Europeus ao todo-poderoso Bayern Munique.


Nessa altura, Villas-Boas tinha nove anos. "Estava em casa da minha avó. A minha família reuniu-se toda para ver o jogo", contou recentemente o treinador,
que 24 anos depois viveu uma nova final não como adepto pela televisão, mas como protagonista.


Ao tornar-se no mais jovem treinador a vencer uma competição europeia de futebol (33 anos e 213 dias), André Villas-Boas accionou os radares da curiosidade
em toda a Europa. O Chelsea de Roman Abramovich já o tem debaixo de olho, faltando saber se o russo consegue convencer o treinador a deixar o clube do
coração e se está disposto a pagar os 15 milhões de euros previstos na cláusula de rescisão de contrato. O interesse deve-se não só aos títulos conquistados
(Supertaça, campeonato português e Liga Europa), mas também à ligação a José Mourinho e ao facto de estar a repetir o início de carreira vitorioso do seu
antigo patrão - se conquistar a Taça de Portugal ao Vitória de Guimarães, até ultrapassará aquilo que Mourinho fez na primeira temporada ao serviço do
FC Porto.


O Wall Street Journal já lhe chamou o "rapaz genial" e o Guardian fala de um "treinador em ascensão" que "transforma tudo o que toca em troféus". A pergunta
já se tornou inevitável e repetitiva nas conferências de imprensa de Villas-Boas. "É um treinador especial, como Mourinho?", atirou certo dia um jornalista
britânico. "As pessoas pensam que sou o próximo especial. Mas não sou", respondeu Villas-Boas em inglês: "Sou um treinador normal, que beneficia de ter
jogadores de topo. Um dia estarei numa equipa sem este talento e serei um "shit one" [merdoso]", brincou o treinador, usando o seu já conhecido bom humor.


À recusa em apresentar-se como o homem providencial a la Mourinho, André junta um discurso humilde na hora da vitória. "Gosto de acreditar que sou simplesmente
um líder tranquilo e o mérito é deles [dos jogadores]", disse, após a conquista do campeonato no estádio do Benfica: "Não vivo na ilusão de uma liderança
ditatorial, nem na ilusão de que sou eu que resolvo."


O mérito dos jogadores, aliás, é uma das razões que apresenta em privado para não dar entrevistas. Desde que é treinador principal, já recebeu inúmeros
convites. A resposta foi sempre não. "Perguntem na conferência de imprensa e ele responde", têm dito os assessores do FC Porto. E Villas-Boas está sempre
disponível para responder às perguntas, mas só em conferência de imprensa. Neste caso, o português é mais parecido com Pep Guardiola, o treinador do Barcelona,
que também não concede entrevistas em privado desde que ouviu o treinador argentino Marcelo Bielsa contar-lhe, durante uma longa conversa sobre futebol,
que não dava entrevistas, porque não privilegiava os grandes grupos de comunicação em detrimento de pequenos jornais ou rádios.


A admiração de André pelo catalão é tal que Guardiola foi uma das pessoas a quem dedicou a conquista da Liga Europa. "É uma inspiração para mim, todos os
dias. Felizmente, tive a oportunidade de finalmente o conhecer em Fevereiro. Inspiro-me não só mas também na sua filosofia, na filosofia do Barcelona,
de Cruyff, de Rinus Michels", afirmou Villas-Boas, numa curiosa dedicatória na quarta-feira à noite. Os outros homenageados foram menos surpreendentes.
Os pais, claro, porque acreditaram no "pequenino talento" do filho, e os seus grandes mentores. "Mourinho lançou-me no futebol profissional. Gostava de
lhe dedicar esta vitória e também a uma pessoa que já partiu e que foi decisiva na minha carreira: Sir Bobby Robson. Nunca tive oportunidade de me despedir
dele [o inglês morreu em Julho de 2009] e gostaria de lhe agradecer e à sua mulher, Elsie, por tudo o que fizeram por mim", disse André, numa referência
a quem há 17 anos lhe permitiu sair do anonimato a que estaria votado qualquer normal adepto de futebol.


O menino atrevido


Nascido a 17 de Outubro de 1977, numa família portuense tradicional (o bisavô paterno foi o 1º visconde de Guilhomil), Luís André de Pina Cabral e Villas-Boas
seguiu a vida normal de um jovem até ao final do liceu. Apesar de gostar muito de futebol, o plano traçado era seguir para a universidade, após concluir
o 12º ano. Só que um encontro desviou André daquilo que os pais (Luís Filipe e Teresa Maria) pensavam para o futuro do segundo de quatro filhos.


A leitura de jornais desportivos, o gosto pelas cadernetas de cromos, as longas conversas com os amigos sobre futebol, bem como os rabiscos nos cadernos
sobre tácticas e jogadores, já eram sinais de que ali havia um treinador em potência. Um pouco mais tarde, o "menino" tornou-se fanático pela estatística
e passava horas e horas a jogar o Championship Manager, um jogo de computador que simula as tarefas de um treinador (contratar jogadores, escolher a equipa
titular, fazer substituições e muito mais) - este jogo marcou a adolescência dos que hoje são trintões e Villas-Boas foi mais um deles, com a diferença
de que este um dia conseguiu viver na realidade as emoções que os outros só experimentaram no mundo virtual do jogo de computador.


É neste ambiente psicológico, de um jovem obcecado por futebol, que surge o tal encontro, o momento fundador da carreira de treinador de Villas-Boas. Aos
16 anos, deparou-se com o vizinho Bobby Robson, no prédio em que ambos viviam, e não resistiu a meter conversa com o então treinador do FC Porto. Usando
o inglês que tinha aprendido com a avó paterna Margareth Kendall, o afoito adolescente perguntou ao treinador britânico por que é que o seu ídolo não jogava
mais vezes. Tratava-se de Domingos Paciência, curiosamente o treinador do Braga, que derrotou, quarta-feira, na final da Liga Europa. O técnico achou piada
à ousadia e aos conhecimentos daquele rapaz de cabelos ruivos.


"Sir Bobby Robson deu-me a oportunidade de começar a carreira. Eu ia para o jornalismo desportivo. Confrontei-o com algumas questões e só alguém com a mente
aberta como ele permitiria aquela arrogância de um miúdo", contou Villas-Boas, numa das conferências de imprensa desta temporada, em que foi desvendando
alguns factos da sua vida.


"Deu-me a oportunidade de presenciar treinos do FC Porto. Eu era um mero adepto e aquilo era fantástico", acrescentou André, que passou a conviver mais
com Robson: deixava-lhe relatórios na caixa do correio, assistia a alguns treinos e acompanhava até o treinador a algumas tertúlias na Foz, onde conheceu
José Mourinho, então ajudante e tradutor do inglês. Estávamos em 1994-95.


"O André nunca foi apresentado à equipa técnica. Fazia estatísticas para o Robson. Era uma coisa muito pessoal entre eles", conta Augusto Inácio, outro
dos homens que auxiliaram o inglês no FC Porto e que só se recorda de Villas-Boas mais tarde, como observador de jogos de Mourinho.


O convívio com Robson foi decisivo na carreira do actual treinador portista. Até porque definiu uma forma diferente de aprender a função de treinador. Uma
das vias mais comuns para chegar ao comando de uma equipa de futebol é o antigo futebolista tirar os cursos especializados, organizados pelas federações.
Foi assim com treinadores como Paulo Bento, Domingos Paciência e Jorge Jesus. A outra forma habitual de se ser treinador é a via académica, em que a um
curso universitário de Educação Física se segue uma especialização em futebol. Foi este o caminho seguido por José Mourinho, Carlos Queiroz e Jesualdo
Ferreira, entre outros.


Villas-Boas acabou por seguir um meio-termo, abdicando do curso universitário e iniciando a sua especialização em futebol logo aos 17 anos, após o famoso
encontro com Bobby Robson. "Frequentou provavelmente a melhor faculdade de todas, que é o futebol. A sua formação é riquíssima e superespecífica", diz
Ilídio Vale, actual seleccionador sub-19, que foi coordenador das camadas jovens do FC Porto, no tempo em que Villas-Boas por lá passou. "Ele definiu o
seu caminho muito cedo. Investiu nesse caminho e foi-se preparando ao longo dos tempos", resume.


Uma aventura nas Caraíbas


A formação do "cenourinha" como treinador do futebol começou em Inglaterra. Por recomendação de Bobby Robson, Villas-Boas viajou para o centro de Lilleshall,
onde tirou o primeiro de vários cursos. Depois, em 1997, prosseguiu os estudos na Federação Escocesa de Futebol (FEF). "Era um estudante devoto", conta
Jim Fleeting, director do departamento de formação da FEF, que se recorda de um rapaz "desejoso por aprender".


Ao mesmo tempo que aprendia na Escócia os fundamentos teóricos da missão de treinador e que fazia alguns estágios em Inglaterra (nomeadamente no Ipswich),
André também colaborava nos treinos das escolas do FC Porto. Bobby Robson, mais uma vez, foi importante para abrir portas ao jovem aspirante, mas Ilídio
Vale sublinha que "não foi por favor" que Villas-Boas conseguiu um lugar: "Vimos que ele tinha qualidades."


Ilídio Vale recorda um jovem "apaixonado por futebol", "ambicioso" e "atrevido". "Às vezes, até penso que terá ficado chateado comigo, porque ele estava
ávido por liderar uma equipa, mas nós não tínhamos pressa em criar líderes", conta o então coordenador das camadas jovens dos "dragões", acrescentando:
"O André desde muito cedo mostrou gosto pelo risco, pelo desafio."


E foi precisamente essa atracção pelo desafio que o levou, aos 22 anos, a partir para as Ilhas Virgens. Viu um anúncio e candidatou-se ao cargo de director
do departamento juvenil da federação deste pequeno país (151 km2 e 25 mil habitantes, mais ou menos equivalente ao concelho de Albergaria-a-Velha). Já
se escreveu que a aventura nas Caraíbas durou 18 meses, mas a verdade é que André ficou lá apenas entre Dezembro de 1999 e Abril de 2000, confirmou por
email Kenrick Grant, então presidente da Federação de Futebol das Ilhas Virgens. "Falava muito de Robson", diz Grant, que ficou impressionado com "a ambição
e a capacidade de observação" do jovem português, que acabou por ser director técnico da federação e trabalhar com os treinadores de todas as selecções.



A aventura nas Caraíbas, no entanto, durou pouco. O cargo era bom para um jovem de 22 anos, as praias eram maravilhosas (como ilustravam os postais enviados
aos amigos), mas as ambições de Villas-Boas iam muito além disso. "Ele não estava impressionado com a qualidade dos nossos jogadores e queria ir para um
grande clube", responde Kenrick Grant sobre as razões que levaram o português a ficar apenas cinco meses no país. Curiosamente, só no momento da despedida,
Villas-Boas desvendou a sua idade aos responsáveis da pequena ilha caribenha.


Futebolista amador


A ida para as Ilhas Virgens foi mais um passo decisivo na carreira de treinador e pôs fim a um discreto percurso como futebolista. Muitos pensarão que André
Villas-Boas nunca jogou futebol, o que não sendo verdade também não anda muito longe da realidade.


Em meados da década de 1990, ele e alguns colegas do Colégio do Rosário juntaram-se para formar uma equipa de juniores (para jovens de 17 e 18 anos) no
Ramaldense, um pequeno clube da cidade do Porto. A história é contada por Joaquim Magalhães, conhecido como Quim Espanhol por ter nascido em Badajoz. "Às
vezes ele ia para a baliza na brincadeira, mas era um médio tecnicista, que fazia bons passes, apesar de o campo ser pelado", revela o então treinador
do Ramaldense, que chamou André à equipa principal, que na altura tentava evitar a descida de divisão no campeonato distrital do Porto.


Villas-Boas era um jovem "reservado, muito educado" e que "já dava ordens aos colegas dentro do campo": "Já se notava que era um líder", sublinha Quim Espanhol,
que "obviamente" nunca pensou que o "cenourinha" chegasse onde chegou. "Eu não imaginava que ele seria um dia treinador do FC Porto. Nem ele. Isso é como
acertar no Euromilhões", diz, entre risos.


Depois do Ramaldense, o "cenourinha" ainda jogou uma época no Marechal Gomes da Costa (MGC), um modesto clube do campeonato de amadores, cuja sede era um
carro. "Como não tínhamos um espaço físico para o clube, a documentação andava no meu carro ou no de outras pessoas do clube", revela Manuel Ribeiro, então
treinador do MGC e hoje director desportivo do Moreirense.


Manuel Ribeiro afirma que Villas-Boas era um "jogador raçudo" e que "orientava os colegas", usando os ensinamentos que estava a acumular como treinador
adjunto nas escolas do FC Porto. Fora do campo, André era "alegre": "No final dos jogos, íamos almoçar ou lanchar. E ele passava sempre boa disposição
para toda a gente. Tinha um sentido de humor muito apurado", conta Manuel Ribeiro, acrescentando que essa alegria só desaparecia quando perdia os jogos.
"Convivia mal com a derrota. Ficava triste e cabisbaixo."


Espião ao serviço de Mourinho


Esquecida a carreira de futebolista e desiludido com a qualidade dos jogadores nas Ilhas Virgens, André voltou então a Portugal e à casa de partida: as
equipas jovens do FC Porto. Ilídio Vale voltou a acolhê-lo, até ao aparecimento do seu segundo grande patrono, aquele que lhe mudaria radicalmente o curso
da vida: José Mourinho. Depois de ter sido contratado para substituir Octávio Machado como treinador do FC Porto em Janeiro de 2002, Mourinho precisava
de alguém para observar os jogos dos adversários e elaborar relatórios sobre eles.


"Mourinho falou comigo e perguntou se podia chamar o André. Eu respondi: "Claro que sim"", conta Ilídio Vale, afirmando que provavelmente Villas-Boas nem
saberá desta conversa. André começou então a colaborar em part-time com Mourinho, que conhecia dos tempos de Robson (1994 e 1996). Na época de 2002-03
ficou a trabalhar a tempo inteiro com Mourinho, iniciando um percurso de sete anos com o special one, em que desempenhou a função de espião dos adversários.


Numa rara entrevista ao Independent, em 2004, quando era um desconhecido, Villas-Boas explicou o que fazia: "O meu trabalho permite ao José saber exactamente
quando um jogador da equipa adversária está em alta ou em baixa. Vou aos centros de treinos dos rivais, muitas vezes às escondidas, e tento perceber a
forma física e psicológica dos nossos adversários, antes de tirar as minhas conclusões e apresentar um dossier ao José."


O homem que Mourinho então designava como "os meus olhos e os meus ouvidos" demorava quatro dias a elaborar um só relatório, que depois era entregue ao
treinador e aos futebolistas: "A ideia é que os jogadores, quando vão para o campo, estejam totalmente preparados e não tenham muitas surpresas durante
o jogo."


Um dos momentos altos da colaboração de Villas-Boas com Mourinho aconteceu em 2005, quando um jornal inglês revelou um relatório de observação sobre o Newcastle.
O mundo do futebol ficou encantado com o detalhe do trabalho feito por André. Lá estavam descrições pormenorizadas sobre os jogadores adversários, os pontos
fortes e fracos ou a forma como se colocavam nos cantos e livres. O detalhe ia a ponto de explicar que os jogadores do Newcastle que formavam a barreira
nos livres adversários não saltavam na hora do remate.


Espiar os adversários, porém, começou a ser pouco para o ambicioso André, que sentia capacidade para ser algo mais do que um observador de jogos. Já com
o grau mais elevado no curso de treinadores, ele queria estar no relvado, diariamente, a ajudar nos treinos. Só que na equipa técnica de Mourinho não havia
espaço (ou vontade) para ele e Villas-Boas resolveu cortar os laços com um dos seus grandes patronos, numa altura em que a relação entre ele e os outros
adjuntos de José já tinha azedado. Como o PÚBLICO já escreveu, certo dia ter-se-á virado para Mourinho e a restante equipa técnica e dito algo como isto:
"Quando eu for treinador principal, vou ser melhor que vocês todos juntos."


A aventura a solo iniciou em Outubro de 2009. Depois de algumas hipóteses que não se concretizaram (como a ida para o Braga), Villas-Boas aceitou um convite
da Académica e estreou-se como treinador principal, curiosamente no Estádio do Dragão, perdendo por 3-2 com o FC Porto, mas deixando uma boa imagem.


Villas-Boas era um treinador sem experiência, mas a marca de Robson e Mourinho, bem como algumas informações recolhidas nos bastidores, convenceram os dirigentes
da Académica a apostar em alguém que tinha só 32 anos. "Ele fazia parte de uma equipa técnica de alto nível há sete anos e, portanto, não era um inexperiente",
argumenta José Eduardo Simões, presidente da Académica de Coimbra, que explicou as razões de ter apostado em alguém tão novo.


"Um amigo comum, cujo nome não quero revelar, pôs-me em contacto telefónico com André Villas-Boas e ele veio de Milão para um encontro em minha casa", revela
José Eduardo Simões: "Para essa reunião, ele trouxe um documento sobre a equipa da Académica e a intervenção que pretendia fazer. Vi logo que estava perante
uma pessoa dotada e logo nessa primeira conversa fiquei convencido de que se tratava de um treinador excepcional."


Um treinador-amigo


Os bons resultados (e as boas exibições) da Académica despertaram o interesse de grandes clubes. O Sporting foi o primeiro e fez dois convites: um logo
em 2009, pouco tempo depois da estreia de Villas-Boas na Académica, e outro na Páscoa de 2010. Foi nesta fase que o agora elogiado treinador mostrou mau
génio, catalogando como "palhaçada" as notícias que o davam como futuro líder do Sporting. A verdade é que o negócio esteve perto de se concretizar, mas
a instabilidade no clube de Alvalade (com a saída de Sá Pinto e a entrada de Costinha para director do futebol) e a intromissão do FC Porto acabaram por
desviar o técnico para o Dragão.


"Ele já tinha sido abordado pelo Sporting, mas, quando o seu amado FC Porto apareceu, podia ver-se a alegria de Villas-Boas", revelou à Reuters Luís Agostinho,
director desportivo da Académica. Uma decisão que, na opinião de Augusto Inácio, foi marcante. "Villas-Boas tem muito mérito no sucesso que conseguiu,
mas teve a felicidade de ir para um clube com uma estrutura que lhe permite trabalhar com tranquilidade e segurança. Não tem de se preocupar com outras
coisas. Se fosse noutro clube, em que não tivesse tanta tranquilidade, era capaz de não ter tanto sucesso", aponta este antigo futebolista e treinador
do FC Porto e Sporting.


Na chegada ao Dragão, Villas-Boas foi visto como uma aposta de risco para um FC Porto que tinha ficado em terceiro lugar, atrás do campeão Benfica e de
um surpreendente Sporting de Braga. Na hora da apresentação, surgiram também as inevitáveis comparações com José Mourinho, que também chegou ao FC Porto
sem grande currículo como treinador principal (embora com larga experiência como adjunto).


Villas-Boas, como sempre, fugiu às analogias com Mourinho. Não prometeu ser campeão, como fizera o "especial" oito anos antes, e afastou as semelhanças:
"Acho que sou mais clone do Bobby Robson do que do Mourinho: tenho ascendência inglesa, o nariz grande e gosto de beber vinho", disse André, no dia em
que foi apresentado como treinador do FC Porto. "Cresci à volta dele [José Mourinho], mas fui criando as minhas próprias ideias."


Mourinho também não perdeu tempo e distanciou-se do seu antigo colaborador, em mais um sinal de que a relação entre ambos já não era a mesma. "Não venham
fazer comparações comigo, porque eu quando fui para o FC Porto já tinha trabalho de campo feito, o que é bastante diferente", disse Mourinho, numa entrevista
ao jornal desportivo Record.


O tema Mourinho foi recorrente durante toda a temporada e Villas-Boas manteve sempre o mesmo discurso. Elogiou o treinador do Real Madrid, mas destacou
as diferenças. "São duas carreiras que parecem iguais, mas não são. O José tem um mestrado, eu não tive tempo para ir tão longe nos estudos, segui outra
via. Evoluímos de forma diferente. O José entrou no futebol profissional mais cedo, com uma posição no relvado, ao contrário de mim", foi dizendo: "Não
temos o mesmo carácter, a mesma personalidade e temos formas diferentes de comunicar e de trabalhar."


A distância entre Mourinho e Villas-Boas foi também aumentando na relação pessoal. Outrora grandes amigos, a relação entre ambos "esfriou", como admitiu
André em Abril, revelando que já não é habitual falar com o técnico do Real Madrid: "Não tem nada a ver com a separação, até porque depois de eu sair,
enquanto estava na Académica, falava muito com ele. É assim que as coisas são, nada mais que isso."


A imprensa (incluindo a internacional) tem destacado duas grandes diferenças entre Villas-Boas e Mourinho: uma é que o actual treinador do FC Porto é menos
polémico, apesar de também ter protagonizado alguns momentos mais tensos, por exemplo, com o Benfica; a outra é que o jovem "dragão" é um adepto do futebol
de ataque, à imagem do Barcelona de Guardiola.


Pela curta carreira de Villas-Boas, ainda é cedo para fazer comparações com Mourinho, mas já se percebeu que, tal como o mestre que teve, sabe relacionar-se
de uma forma especial com os seus subordinados. "É muito próximo na relação com os jogadores", afirma Orlando, capitão da Académica. "Parece um atleta.
Confunde-se connosco na forma de estar e deixa-nos muito à vontade."


O facto de ter 33 anos poderia ser uma desvantagem, mas aparentemente transformou a sua juventude numa maneira de estreitar laços, algo importante numa
modalidade em que a motivação tem um papel fundamental. "Mais do que um treinador, é um colega de equipa", destaca Orlando, para quem Villas-Boas consegue
ser respeitado na hora de trabalho e ser visto como um companheiro fora dos treinos. "Às vezes, estávamos dois ou três jogadores a almoçar e ele aparecia
no mesmo restaurante. Em vez de ficar numa mesa à parte [como fazem os treinadores que cultivam a distância], juntava-se a nós", acrescenta o capitão da
Académica.


É por isso, também, que Helton, guarda-redes e capitão do FC Porto, respondeu, antes da final de Dublin, que "amigo" é a melhor palavra para definir Villas-Boas:
"Se não foi o melhor, é um dos melhores treinadores que tive, pela amizade e liberdade que nos dá para trabalhar."


Quem trabalhou de perto com ele, como Pedro Roma na Académica, destaca-lhe a capacidade de organização, o conhecimento de futebol ("deixa-nos surpreendidos),
o perfeccionismo, o gosto pela vitória e, acima de tudo, a "paixão" com que se entrega. "Tem um lado muito emotivo, que é uma alavanca para motivar os
jogadores", diz o antigo guarda-redes, que fez parte da equipa técnica em Coimbra. Uma paixão que é bem visível na forma como, durante os jogos, está constantemente
a dar orientações aos jogadores, a ponto de muitas vezes ficar rouco. Ou na maneira efusiva como tem festejado os títulos, parecendo um adepto de fato
e gravata.


Fanático pela privacidade


A motivação dos jogadores foi certamente outra das grandes influências que recebeu de Mourinho. Quando chegou ao FC Porto, colocou ecrãs no balneário, onde
passou imagens do Benfica campeão. Esta estratégia para espicaçar os jogadores portistas foi constante durante toda a época, em que foi aproveitando muitas
declarações dos rivais para motivar os seus futebolistas. "Agradecemos ao Coentrão [jogador do Benfica] ter-nos deixado uma frase tão mítica como "quero
marcar muitos golos". Foi a nossa gasolina durante toda a época", revelou Villas-Boas, depois de ter sido campeão no Estádio da Luz.


Nos momentos de sucesso, André tem assumido um discurso humilde, partilhando méritos com todos os que trabalham com ele. Já na derrota, há pouco material
para avaliar como reage. Em Guimarães, após o primeiro empate da época, foi expulso do banco e criticou duramente o árbitro. Depois, até emitiu um comunicado
a pedir desculpa, porque percebeu pelas imagens televisivas que o árbitro tinha acertado no lance por ele tão contestado.


"Ele não gosta de perder. É um vencedor nato. Quando não ganha, tenta encontrar todas as explicações para isso. É um perfeccionista", aponta Pedro Roma,
baseando-se no que viu após alguns jogos em que a Académica de Villas-Boas perdeu.


O perfil de André Villas-Boas como treinador é hoje relativamente conhecido, dentro do que é possível para alguém com apenas um ano e sete meses como técnico
principal. Mas fora do futebol pouco se sabe, porque ele é fanático pela privacidade e pede mesmo aos mais próximos que não desvendem pormenores da sua
vida pessoal.


Casado desde 2004 com Joana Ornelas Teixeira, André tem duas filhas pequenas, de 21 e sete meses. Raramente aparece com a família em público. Uma das excepções
aconteceu num recente jantar de comemoração do título nacional do FC Porto, em que foi acompanhado pela mulher.


Uma das facetas mais públicas da sua personalidade é o sentido de humor e o sorriso fácil, até já captado pelas câmaras dos jornalistas. Um bom exemplo
aconteceu na véspera da final da Liga Europa em Dublin, onde a responsabilidade do momento não o impediu de trocar piadas com os jogadores que estavam
ao seu lado na conferência de imprensa. Outro momento paradigmático aconteceu em Viena, outra vez numa conferência de imprensa, em que Villas-Boas não
resistiu a trocar sorrisos com a tradutora e a bater-lhe palmas no fim (
http://www.youtube.com/watch
v=JvZ23OBzCos&feature=related).


Fora dos relvados, sabe-se também que Villas-Boas é apreciador de boa comida e de vinho tinto. Não é raro vê-lo em jantares com os outros elementos da equipa
técnica, onde reina a sua boa disposição.


Outra das características do novo menino bonito do futebol é o gosto pela velocidade. Como já assumiu publicamente, aprecia os desportos motorizados, como
a Fórmula 1, e no dia-a-dia não dispensa carros vistosos. Nos últimos meses, tem conduzido um Fiat 500 Abarth (uma série especial), mas na Académica também
já tinha sido visto com carros desportivos, como o BMW Z4 e M5.


As tecnologias e a informática são outras paixões de André Villas-Boas, que, segundo o presidente da Académica, é obcecado por mensagens de telemóvel. "Deve
ser das pessoas em Portugal que mais mensagens envia e recebe, porque é capaz de estar a conversar com alguém e, ao mesmo tempo, trocar sms", conta José
Eduardo Simões: "E quase sempre tem a ver com futebol, porque ele respira futebol."


A forma intensa como se dedica à profissão já levou até Villas-Boas a dizer pretende ter uma carreira curta no futebol. "Quero continuar por dez anos, talvez.
Eu comecei com 16 anos. Já sou velho. Quero ter uma carreira curta porque é muito stressante", disse o treinador, após a vitória desta semana em Dublin.
E depois o que fará? "Bem, como gosto de desportos motorizados, talvez compre um carro ou uma mota e vá passear", brincou Villas-Boas. Uma brincadeira
que até pode estar mais próxima da realidade do que muitos pensam. É que nos tempos livres, quando não está com a família, um dos passatempos preferidos
de André é pegar numa moto e acelerar estrada fora pela serra de Valongo. Um escape na vida stressante de alguém que era um simples adepto e agora é o
miúdo maravilha do futebol europeu.”

domingo, 22 de maio de 2011

Análise: FC Porto 6 – Vitória de Guimarães 2

Este é o nosso destino!
No espaço de cinco dias os dragões conquistaram dois troféus. Foi com uma goleada que o FC Porto conquistou a Taça de Portugal, a terceira consecutiva, a décima sexta da história do clube, o quarto título da época. Confesso que pensei que o jogo de hoje fosse marcado pelo cansaço, tendo em conta a outra final, a da Liga Europa, ter sido jogada no meio da semana, e os festejos terem sido longos. Mas não foi assim, a equipa deu tudo para agarrar esta taça, quando nós só pedíamos um esforço mais, só um esforço que desse para ganhar o quarto troféu da época. A primeira parte foi jogada num ritmo alucinante, rica em golos, sete no total. James, Varela, Rolando, Hulk e por mais duas vezes James fizeram os portistas explodir de alegria. Pelo meio o Guimarães empatou duas vezes; 1-1 e 2-2. Foi sem dúvida uma final fantástica, com uma primeira parte inesquecível. Tenho de destacar o guarda-redes Beto, pela defesa no lance da grande penalidade, e pelas outras defesas que fez no jogo. E claro James, pelos três golos e não só, que jogador fantástico! Talvez estou a ser injusta ao destacar apenas estes dois, mas senti que o devia fazer.
E chegou a hora dos agradecimentos da praxe. Obrigada FC Porto por mais esta alegria, mais esta vitória! Tenho um tremendo orgulho nesta equipa de verdadeiros campeões!
Agora, os que não vão ter jogos de selecções, partem para um merecido descanso.


PS 1 Grande ambiente nas bancadas, grande festa, parabéns a todos os que foram ao Jamor apoiar o nosso FC Porto!

PS 2. Amanhã há entrevista com o presidente portista na RTP.

PS 3. Durante esta semana vai sair um post com o balanço desta época inesquecível.

sábado, 21 de maio de 2011

Quatro Reacções À Vitória Na Liga Europa

“ Muito melhor que um sonho


CARLOS GOUVEIA
PEDRO MARQUES COSTA

Rolando quase não pregou o olho, Guarín teve que se beliscar para perceber que todas as emoções não eram apenas um sonho bom, Belluschi pensava que ia acordar
com dores de garganta de tanto gritar e Fernando diz que nunca se cansará de ganhar troféus. Quatro jogadores, quatro dragões que ajudaram à conquista
da Liga Europa, quatro versões da festa que se seguiu ao apito final de Carlos Carballo e que só terminou 24 horas depois, com a entrada do autocarro no
estacionamento do Dragão. "Felizmente ainda tenho voz. Foi uma festa muito linda, inesquecível, e gritámos muito", contou Belluschi, enquanto piscava o
olho ao troféu exibido ali ao lado, seguramente também a precisar de descanso depois da alucinante festa entre Dublin e a Invicta. "Pelo fanatismo dos
adeptos, ficámos felizes por lhes termos dado mais essa alegria, mas quero dar mais ainda. Tomara que nunca nos cansemos, mas para festa há sempre vontade.
Não temos é forças para as derrotas", atirou Fernando.

O golo foi assinado em colombiano, com cruzamento de Guarín e finalização do inevitável Falcao. O médio ainda hoje tem dificuldades em acreditar que conquistou
uma prova europeia. "Até pensei que era mentira, mas acordei e vi que era realidade. Até liguei ao Falcao para confirmar que era mesmo verdade. Foi uma
emoção única", explicou. Rolando viveu as mesmas emoções e a adrenalina foi tanta que custou a fechar os olhos. "Quase não dormi e nem sei como estou aqui..
Mas estou muito feliz. Posso dizer que sou um homem quase realizado, e acrescento o quase porque ainda nos falta ganhar a Taça de Portugal para ser uma
época em cheio", frisou, resumindo o espírito deste dragão 2010/11: ainda as canas não foram apanhadas da última festa e já pensa na próxima conquista.
Melhor do que um sonho, pois claro.

Fernando: "Depois da defesa do Helton não tinham como nos tirarem a Taça"

Fernando ainda mal recuperou das festas que se seguiram à conquista da Liga Europa e as mensagens de parabéns no telemóvel só agora deixaram de chegar com
uma frequência alucinante. Chega, portanto, a hora de fazer o rescaldo. Não ao jogo, mas do lance que, na sua opinião, o decidiu em que errou e permitiu
que Mossoró se isolasse. "Foi um lance muito rápido e na hora em que o Mossoró se isolou em pedi a Deus para ele falhar, mas o Helton salvou. Foi um momento
complicado que não desejo a ninguém. Não vi o Mossoró, ele foi muito rápido e isolou-se, mas o Helton ajudou. Até lhe dei um beijo no fim a agradecer porque
depois daquele lance não tinha mais como nos tirarem a Taça", admitiu.

Feita a festa, Fernando conta que os músculos estejam em condições para a partida com o Guimarães. "Espero que dê para entrar sem estar cansado, mas vai
ser complicado porque foi muito tempo de festa, com uma viagem longa. Estamos todos cansados, mas contamos recuperar bem e entrar concentrados para ganhar
mais um título", referiu, sublinhando a importância da concentração. "Vamos ter de nos desligar de tudo o que se passou porque o jogos será difícil, até
pelo percurso que fizemos na Taça de Portugal. O Guimarães tem uma grande equipa e sabemos da importância da Taça para eles, pelo que temos de entrar concentrados
e temos de eliminar todos os pontos fortes deles para depois fazer o nosso futebol", insistiu.

Quanto ao seu futuro, Fernando deixou no ar a hipótese de sair. "Está tudo em aberto. Primeiro a Taça e depois vou ver com o meu agente como se vão passar
as coisas. Todos jogadores pensam noutros campeonato e sei que há alguns interessados, mas repito, há uma Taça para ganhar e tenho é que estar concentrado
nisso", terminou.

Belluschi
"Já fazemos parte da história"

Depois dos heróis de 1987 e de 2003/04, o FC Porto tem agora os heróis de 2011. Belluschi tem consciência de que acabou de entrar para a história do clube,
apesar de reconhecer que ainda não tem a noção da real importância do momento que está a viver. "Os adeptos cantaram que queriam voltar a ganhar a Liga
Europa como em 2003. Se calhar, a próxima canção vai ser a dizer que querem ser campeões como em 2011... Fazemos parte da história, mas acho que só com
o passar dos anos é que teremos a verdadeira noção do que estamos a conquistar". Apesar da festa da noite anterior e das muitas cantorias pela cidade,
Belluschi acordou com a voz intacta e com os braços... doridos. "A taça é muito pesada... Aliás, quando a tínhamos na mão e o autocarro travava, precisávamos
de fazer muita força para ela não cair. Não a podíamos deixar cair, tal como tinha acontecido com o Sergio Ramos, do Real Madrid, e com o guarda-redes
do Borússia de Dortmund. Tínhamos de a segurar bem, porque esta não é para estragar", explicou, divertido. Belluschi não tem dúvidas de que a conquista
da Liga Europa foi o "melhor momento da carreira" e assegura que vai "guardar para sempre na memória" estes últimos dias, embora ainda falte disputar a
final da Taça de Portugal. "A partir de agora, temos de esquecer o campeonato e a Liga Europa, até porque queremos ganhar a quarta competição esta época.
Isso seria incrível". O argentino garante que, para a próxima época, mais importante do que manter este grupo de jogadores para prosseguir na senda de
vitórias, será a obrigação de continuar com o mesmo estilo de jogo. Quanto ao seu futuro, não sobraram dúvidas: "Vou continuar, claro!".

Guarín

"Mudar o chip para o Jamor"

Guarín ainda não tem bem a noção do impacto da conquista da Liga Europa. "No futuro é que vou entender o que fizemos em Dublin, quando vir os vídeos e ler
as notícias", atirou. Do que o médio colombiano tem a perfeita noção é que a época que está a terminar, além dos títulos para o currículo, fez mudar a
opinião da plateia do Dragão em relação a si. "Também fui adepto, antes de ser profissional, e assobiava os jogadores. Por isso, compreendo os adeptos
e até fiz um repto no início da época: não podia sair sempre dos jogos assobiado. Sentia que um passe tinha de ser certo e que os remates não podiam sair
tortos, mas sim para a baliza. A exigência dos adeptos deu-me ainda mais força", admitiu. A mudança em campo, diz, deve-se à confiança. "Este seria um
ano muito importante para a minha afirmação, queria marcar o meu nome no clube. Sentia que isso era possível porque confio no meu trabalho e faço-o da
mesma forma quer esteja a jogar ou não. Sabia que o meu momento chegaria e tinha de estar preparado e a um nível alto. Tive oportunidade de jogar a titular
e isso vale muito para melhorar, pois é mais rápido e mais fácil consegui-lo no campo", sublinhou. Conquistada a Liga Europa, Guarín, assegura a mesma
atitude para atacar a Liga dos Campeões na próxima época. "O desejo é o mesmo do início deste ano. Ir passo a passo, porque é uma prova muito difícil".
Antes, há o Jamor. "A Liga Europa foi algo muito bonito, mas temos de cambiar o chip. Este jogo é importante como todos os outros. A forma como ganhámos
o acesso a esta final foi notável e vai-nos motivar ainda mais. Dá-nos força para levantar esta taça também", concluiu.

Rolando

"Quanto mais ganhamos mais queremos ganhar"

Depois de dois dias vividos no limite das emoções, Rolando guardou com grande intensidade na memória um momento especial: "Agora, quando olho para trás,
recordo-me sobretudo quando levantamos a Taça. Foi lindo e especial". O defesa admite que sempre sonhou "com grandes conquistas", mas admitiu também que
esta época está "muito para além do melhor sonho" que pudesse ter. "Vencemos a Supertaça, o campeonato sem derrotas e ainda uma competição europeia...
É fantástico. E agora ainda temos a oportunidade de conquistar a Taça de Portugal". Os elogios estendem-se também ao treinador, que se tornou no mais novo
de sempre a conquistar uma competição europeia. "É um enorme orgulho para ele, mas também para nós, que o ajudamos muito durante esta temporada fantástica.
Ele é novo, mas o nosso plantel também é muito jovem. Ficou confirmado que no futebol não é a idade que conta, mas sim a qualidade". E agora, o que se
segue na próxima época, depois de uma época de grandes vitórias? "Ainda falta ganhar tanta coisa... Para já, temos uma Taça de Portugal para conquistar
e logo a seguir entramos de férias; veremos o que acontece a seguir. No entanto, a nossa motivação é ganhar e, neste clube, quanto mais ganhamos, mais
queremos ganhar. Temos uma enorme sede de vitórias". Sobre a possível saída para o estrangeiro, o defesa assumiu apenas que o jogo com o Guimarães vai
ser o seu último... "esta temporada", embora reconheça que os dirigentes não vão ter uma tarefa fácil para manter este grupo na próxima temporada, tendo
em conta o constante assédio de outros clubes.”

Em
www.ojogo.pt

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Palavra de Presidente, A História das Bandeiras e a Festa Portista Na Baixa

Já tinha idealizado este Post, mas dividido em três, como por estes dias, felizmente há muito que escrever, decidi juntar tudo num.

1 – Palavra de Presidente
A mais ou menos um ano houve uma noite rica em entrevistas, nessa noite, o presidente do FC Porto, na RTP disse a Judite de Sousa:

“Vou voltar a ganhar, não só cá, como lá fora"

Ora, neste mesmo blog, aqui:
http://portistaacemporcento.blogspot.com/2010/03/noite-de-entrevistas.html
Eu disse:
Esta frase ficou-me no ouvido, não me saiu da cabeça durante uns largos minutos. É isso presidente, vamos voltar a erguer bem alto a bandeira do FC Porto, e escrever o nome de Portugal, e do clube, no patamar mais alto.

E já vencemos, Pinto da Costa não brinca em serviço, contratou gente com competência e voltou a vencer, não só cá como na Europa. A bandeira do FC Porto voltou a ser erguida bem alto, e o nome do clube e do país voltou a ser escrito a letras de ouro.


2 – A história das Bandeiras
No final da final da liga Europa, quando a equipa portista foi receber as medalhas e o troféu, os jogadores estrangeiros do clube fizeram-se acompanhar das bandeiras dos respectivos países. Nenhum dos jogadores portugueses levou a bandeira portuguesa, situação que deixou muita gente descontente.
No blog:
www.dragaodoente.blogspot.com
e a respeito deste assunto das bandeiras escrevi estas palavras:
Essa história das bandeiras já irrita, bolas, tem assim tanta importância? Para mim não tem, é me completamente indiferente se os jogadores exibem bandeiras ou não. Sabem, isso é mais um assunto para fazer correr tinta, como eles gostam de criticar e não há mais nada, agarraram-se a essa das bandeiras, haja paciência….


3 – A Festa Portista Na Baixa

“Felicidade Clube do Porto

ANTÓNIO MANUEL SOARES

Batiam as 17h55, em Pedras Rubras, quando o avião abriu a porta para deixar sair o capitão Helton, que saudou os pouco mais de meio milhar de adeptos que
foi receber os jogadores. Os dragões da TAP aproveitaram a oportunidade para tirar fotos para a posteridade, enquanto no alto da torre de controlo tinha
sido içada uma bandeira azul e branca. Só 40 minutos depois, o autocarro viria a deixar o aeroporto em direcção aos Aliados. Problemas mecânicos que levaram
a várias paragens pelo caminho acabaram por levar à substituição do veículo, improvisando-se a decoração, mas sem perder o espírito festivo e as garrafas
de cinco litros de cerveja que haviam de "regar" o povo na hora da festa.

Nos Aliados, que por essa hora já ferviam, o autocarro que liga a Trindade via Monte da Virgem, preso no meio dos adeptos azuis e brancos que invadiram
a Avenida dos Aliados, tinha no painel electrónico "parabéns FC Porto". No meio dos adeptos, as vendedoras de avental e saco a tiracolo anunciavam o cachecol
alusivo à vitória na Liga Europa com aquele sotaque tripeiro típico. "São cinco euros! Olhe que é verdadeiro". Na zona onde ficaram concentrados os Super
Dragões, as gargantas aqueciam com umas cervejas à mistura por entre os "olé Porto olé, nós somos a tua voz...". No ar, de braços bem esticados, muitos
aproveitaram para registar mais uma página histórica do clube, que há-de ser divulgada via Facebook e deixar milhares de polegares virados para cima em
sinal de aprovação. As camisolas estampadas de Deco, Jardel e Lucho, generais de outras conquistas, misturaram-se com um coro de vozes que arrepiou e aplausos
que contagiaram até quem saía do emprego de fato e gravata.

A impaciência crescia. Os directos televisivos iam mostrando os motivos do atraso, até que em poucos minutos se ouviu a maior irrupção de alegria da tarde.
O helicóptero que filmou tudo surgiu no céu e o povo cantou. "O FC Porto já ganhou a Taça, como em 2003...", a recepção era feita como convém a mais um
São João antecipado, um hábito dos últimos anos. As gargantas roucas de tanto cantar escoltaram uma volta de honra de mais de uma hora dos dois autocarros,
braços no ar e petardos a ecoar na avenida, tochas a envolver o ambiente num nevoeiro que se instalou debaixo de um céu pesado a ameaçar a chuva: Nada
que travasse a gigantesca manifestação de alegria, como não tinha travado outra, de protesto, horas antes no mesmo cenário, da CGTP. Pelo direito a ser
feliz, as duas.”

Em
www.ojogo.pt

“ADEPTOS RECEBEM EQUIPA EM APOTEOSE


Galeria de fotos


A equipa do FC Porto chegou hoje em apoteose à cidade, onde foi recebida por mais de 200 mil pessoas, que saudaram os vencedores da Liga Europa.

Impressionante a caravana ao longo do trajecto para o aeroporto, como que a antecipar o banho de multidão na baixa da cidade.

O FC Porto tem uma história de conquistas, particularmente nas últimas décadas, mas não há memória de uma celebração como a desta quinta-feira.

E nem uma avaria no autocarro que transportava a equipa, em plena A4, e que obrigou depois à sua substituição, impediu os adeptos de saudarem os heróis
de Dublin.

Os jogadores cantaram, saltaram, exibiram o troféu, ganho pela segunda vez pelo FC Porto, enquanto as famílias viajaram atrás, num autocarro idêntico.

Eram praticamente 22 horas quando a comitiva chegou ao Estádio do Dragão, onde os jogadores seguiram para suas casas, porque domingo há mais uma final
para jogar e ganhar.”

Em
www.fcporto.pt

Foi uma festa fantástica, magnífica, espectacular, arrepiante … foi lindo tanta gente na baixa a saudar os heróis de Dublin, a tão desejada e sonhada Taça, os campeões! Quanta felicidade, quanto orgulho… Que pena que eu tenho de viver longe do Porto …

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Continuação do Post De Ontem e Mais Uns Dados Históricos

Posso dizer que só hoje estou a saborear verdadeiramente a vitória de ontem. Passo a explicar. Ando aflita com matéria para estudar para uma frequência … vida de estudante tem destas coisas … e como tal ontem, não consegui acompanhar convenientemente a festa dos Dragões na TV; tenho um dos programas gravado, amanhã ou depois vou concentrar-me nele; vi parte da festa dos jogadores, mas não consegui acompanhar a dos adeptos.
Vi o jogo de ontem com um nervosismo especial; creio que é o nervosismo típico dos grandes jogos; julgo que à muito tempo não sentia algo do género. No fundo temia o que o Braga pudesse fazer, porque fez tombar grandes equipas nesta competição, e porque sendo uma equipa portuguesa tem um conhecimento mais amplo do FC Porto. Também sabia perfeitamente que os dragões conseguiam ter força anímica suficiente para, caso fosse preciso, dar a volta a uma situação menos favorável, o problema seria o Braga apanhar-se em vantagem e fechar-se completamente à defesa, aí a ansiedade e a vontade de querer fazer tudo rápido pudesse não ser o melhor caminho. Por isso não conseguia controlar a ansiedade bem como o tal nervosismo que já fiz referência. Quando Falcao marcou o golo, acalmei-me um pouco mais, mas quando, no início do segundo tempo Helton efectuou aquela grande defesa, percebi que o Braga não ia dar de barata a derrota. Voltei a temer que a ansiedade dos jogadores levasse a que aparecessem erros. Quando finalmente o árbitro apitou, fiquei como anestesiada, não reagi logo, parecia que estava a tentar acordar do sonho, sim, porque de certa forma esta conquista é um sonho, um sonho que os dragões alimentaram à muito tempo. Quando Helton e Falcao receberam a taça, e os sons da festa começavam a ser cada vez mais audíveis, comecei a cair na real, a satisfação saiu cá para fora, ainda que meio inibida, provavelmente a preocupação da frequência chamava-me a real. Aliais, durante o segundo tempo, por um momento essa preocupação apareceu-me de repente na cabeça, mas tratei de afastá-la, porque nada podia afastar-me da final. Voltando de todo ao FC Porto e à vitória. Comecei este meu texto a dizer que só hoje estou a saborear verdadeiramente a vitória de ontem, neste momento estou a acompanhar em directo, através da RTP, a chegada dos heróis de Dublin a invicta cidade do Porto, que grande ambiente, que grande alegria, que grande emoção. O Porto está literalmente na rua!

Já vencemos, já vencemos, já vencemos outra vez, o Porto já ganhou a taça como em 2003!


Alguns dados retirados do Site oficial do clube


“O QUARTO TROFÉU INTERNACIONAL NO SÉCULO XXI

Com a conquista da UEFA Europa League, o FC Porto arrecadou o seu quarto troféu internacional no século XXI. Os Dragões estão assim ao lado dos ingleses
do Liverpool e dos espanhóis do FC Barcelona, sendo apenas superados a nível europeu pelos italianos do AC Milan, que contam cinco títulos internacionais.

Passemos então às contas: o FC Porto conquistou uma UEFA Champions League (2004), duas Taças UEFA/Europa League (2003 e 2011) e uma Taça Intercontinental
(2004). O AC Milan, por sua vez, venceu duas UEFA Champions League (2003 e 2007), duas Supertaças europeias, relativas aos mesmos anos, e um Campeonato
Mundial de Clubes, em 2007.

Liverpool (uma Taça UEFA, uma UEFA Champions League e duas Supertaças europeias) e FC Barcelona (duas Ligas dos Campeões, uma Supertaça Europeia e um Mundial
de Clubes) “empatam” com o campeão português. No entanto, os catalães têm a hipótese de vencer na próxima semana mais uma Champions League.

Se falarmos em termos de competições organizadas pela UEFA, o FC Porto até lidera no século XXI, igualando AC Milan e Liverpool, com quatro troféus. O
Campeonato Mundial de Clubes é organizado pela FIFA, enquanto que a Taça Intercontinental (cuja última edição, em 2004, foi arrebatada pelo FC Porto) era
uma organização conjunta da UEFA e da CONMEBOL.

Top 10 dos clubes europeus com mais troféus internacionais no século XXI:

1.º - AC Milan (Itália), 5 troféus
2.º - FC Porto (Portugal), FC Barcelona (Espanha) e Liverpool (Inglaterra), 4
5.º - Real Madrid e Sevilha (Espanha), 3
7.º - Bayern Munique (Alemanha), Manchester United (Inglaterra), Inter de Milão (Itália), Zenit (Rússia), Valência e Atlético de Madrid (Espanha), 2


NESTE SÉCULO, NINGUÉM VENCE MAIS NA EUROPA

Com a conquista da segunda Taça UEFA da sua história, o FC Porto soma 22 títulos no século XXI, uma marca única em toda a Europa. Com sete campeonatos
nacionais, cinco Taças de Portugal, seis Supertaças, uma UEFA Champions League, duas Taças UEFA/Europa League e uma Taça Intercontinental, o FC Porto é
o clube europeu com mais títulos no século XXI.

Na segunda posição aparecem os croatas do Dínamo Zagreb (sete campeonatos, seis Taças e quatro Supertaças), com 17 títulos. No terceiro posto, “ex aequo”,
surgem os alemães do Bayern de Munique (seis campeonatos, cinco Taças, duas Taças da Liga, uma Supertaça, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental)
e os ingleses do Manchester United (seis campeonatos, uma Taça, três Taças da Liga, quatro Supertaças, uma Liga dos Campeões e um Campeonato Mundial de
Clubes), com 16 troféus.

Seguem-se, nesta lista, Olympique Lyon (França) e Rangers (Escócia), com 15, e Olympiacos (Grécia), Inter de Milão (Itália), FC Barcelona (Espanha) e Shakhtar
Donetsk (Ucrânia), com 14. Esta análise reporta-se às competições oficiais de topo dos 30 primeiros países do ranking da UEFA.

Convém não esquecer que, esta época, ainda há mais um troféu para conquistar: o século XXI pode tornar-se ainda mais azul e branco.

Top 10 dos clubes europeus com mais títulos no século XXI

1.º - FC Porto (Portugal), 22 títulos
2.º - Dínamo Zagreb (Croácia), 17
3.º - Bayern Munique (Alemanha) e Manchester United (Inglaterra), 16
5.º - Lyon (França) e Rangers (Escócia), 15
7.º - Olympiacos (Grécia), Inter (Itália), Barcelona (Espanha) e Shaktar Donetsk (Ucrânia), 14

DE GENK A DUBLIN

A conquista da Europa demorou nove meses, desde Genk, na Bélgica, até Dublin, na Irlanda. O FC Porto efectuou 17 jogos e marcou 44 golos, sofrendo apenas
16 Ganhou 14 jogos, empatou um e perdeu somente dois, um dos quais frente ao Villarreal, no encontro em que garantiu o apuramento para a final. Recorde
os resultados e números do percurso dos Dragões.

PLAY-OFF

19/08/10, Genk-FC Porto, 3-0
(Falcao, 29m, pen.; Souza, 82m; Belluschi, 90m)

26/08/10, FC Porto-Genk, 4-2
(Hulk, 36m, 59m, pen. e 63m; Fernando, 53m / Vossen, 22m e 56m)

FASE DE GRUPOS (GRUPO L)

16/09/10 Rapid Viena-FC Porto, 3-0
(Rolando, 26m; Falcao, 65m; Rúben Micael, 77m)

30/09/10 CSKA Sófia-FC Porto, 0-1
(Falcao, 16m)

21/10/10 Besiktas-FC Porto, 1-3
(Bobo, 90+2m / Falcao, 26m e Hulk, 59m e 78m)

04/11/10 Besiktas-FC Porto, 1-1
(Falcao, 35, pen. / Nihat, 62m)

01/12/10 Rapid Viena-FC Porto, 1-3
(Trimmel, 38m / Falcao, 42m, 85m e 88m)

15/12/10 FC Porto-CSKA Sófia, 3-1
(Otamendi, 22m; Rúben Micael, 54m; James, 90+3m / Delev, 48m)

Classificação: 1.º: FC Porto, 16 pontos (cinco vitórias e um empate), 14 golos marcados e quatro sofridos; 2.º: Besiktas, 13 pontos (quatro vitórias, um
empate e uma derrota), seis golos marcados e três sofridos; 3.º: Rapid Viena, três pontos (uma vitória e cinco derrotas), cinco golos marcados e 12 sofridos;
4.º: CSKA Sófia, três pontos (uma vitória e cinco derrotas), quatro golos marcados e 10 sofridos.

16-AVOS-DE-FINAL

17/02/11 Sevilha-FC Porto, 1-2
(Kanouté, 65m / Rolando, 58m e Guarín, 85m)

23/02/11 FC Porto-Sevilha, 0-1
(Luís Fabiano, 71m)

OITAVOS-DE-FINAL

10/03/11 CSKA Moscovo-FC Porto, 0-1
(Guarín, 70m)

17/03/11 FC Porto-CSKA Moscovo, 2-1
(Hulk, 1m e Guarín, 24m / Tosic, 29m)

QUARTOS-DE-FINAL

07/04/11 FC Porto-Spartak Moscovo, 5-1
(Falcao, 37m, 84m, e 90+2m; Varela, 65m; Maicon, 70m / Kombarov, 71m)

14/04/11 Spartak Moscovo-FC Porto, 2-5
(Dzyuba, 52m e Ari, 72m / Hulk, 28m; Rodríguez, 45+2m; Guarin, 47m; Falcao, 54m; Rúben Micael, 89m)

MEIAS-FINAIS

28/04/11 FC Porto-Villarreal, 5-1
(Falcao, 49m, pen, 67m, 75m e 90m; Guarín, 61m / Cani, 45m)

05/05/11 Villarreal-FC Porto, 3-2
(Cani, 17m; Capdevila, 75m e Rossi, 80m, pen. / Hulk, 40m e Falcao, 48m)

FINAL

18/05/11 FC Porto-SC Braga, 1-0
(Falcao, 44m)

Foram utilizados 22 jogadores: Helton e Beto (guarda-redes); Rolando, Alvaro, Otamendi, Sapunaru, Fucile e Maicon (defesas); João Moutinho, Fernando, Guarín,
Belluschi, Rúben Micael, Souza e Castro (médios); Hulk, Falcao, Rodríguez, Varela, James, Walter e Ukra. Castro e Ukra já não fazem parte do plantel.”

Em
www.fcporto.pt

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Análise: FC Porto 1 – Sporting de Braga 0

A Liga Europa é Portista!
Diz o poeta que o sonho comanda a vida, e o FC Porto desde bem cedo colocou a fasquia bem alta nesta Liga Europa, sem dar de barato o favoritismo, sempre a respeitar cada adversário, foi dando paços seguros até Dublin, e voltou a ganhar o troféu que em 2003 tinha vencido em Sevilha, e o sonho portista realizou-se.
Felicidade e orgulho é o que sinto neste momento, tenho dificuldade em encontrar as palavras certas… mas creio que todos os portistas percebem perfeitamente o que quero dizer… Quero agradecer aos jogadores; principalmente ao Falcao, pelo golo da vitória de hoje, bem como todos os outros que fez durante a caminhada nesta competição; e ao Helton, pela grande defesa que hoje fez. Quero também agradecer ao nosso treinador, André Villas-Boas, por conduzir estes talentos tão sabiamente. Quero agradecer ao presidente, pelas escolhas sempre acertadas que faz. Em suma, quero agradecer a todos por mais esta grandiosa vitória internacional, por mais esta noite de glória que vai ficar escrita com letras de ouro no livro de honra das vitórias do FC Porto. Haverá neste país adeptos mais felizes que os portistas?
A final; a primeira entre equipas portuguesas; não foi um jogo fantástico, creio que talvez foi tal como eu esperava, um jogo muito calculista, onde o receio de errar por vezes foi grande, a vontade de agarrar a vitória por vezes levou a que se cometessem erros. É preciso não esquecer que do outro lado estava uma equipa que derrubou alguns dos favoritos, e que por isso a cautela teria de ser maior. Falcao felizmente aproveitou a oportunidade que teve e carimbou o nome do FC Porto como vencedor, ainda antes do intervalo. No segundo tempo, Helton também carregou no marcador que carimbou o nome do vencedor, ao evitar que o Braga chegasse ao empate. E assim o FC Porto voltou, tal como em 2003, a vencer a Liga Europa.

Vencemos, vencemos, vencemos outra vez, o Porto ganhou a taça como em 2003!

PS 1. Parabéns a todos aqueles que estiveram em Dublin, a apoiar estas duas grandes equipas portuguesas. Parabéns ao Braga pela presença.

PS 2. Amanhã espera-se mais festa na baixa portuense, vou acompanhar tudo na TV, mas o que eu queria era estar lá …

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Falcao, Belluschi E … A Final De Dublin

“DUBLIN: TERCEIRA FINAL EUROPEIA NO SÉCULO XXI

O FC Porto disputa esta quarta-feira, frente ao SC Braga, a sua quinta final europeia, a terceira nos últimos oito anos. Os Dragões são, a par de Manchester
United, FC Barcelona, Milan e Liverpool, o clube com mais presenças em finais europeias no século XXI: três.

O número global de cinco finais europeias exclui as três presenças dos Dragões na Supertaça Europeia (em 1987/88, 2003 e 2004). Para além disso, poderíamos
falar em finais internacionais, o que nos levaria a adicionar as duas vitoriosas participações na Taça Intercontinental (1987 e 2004), chegando a um total
de 10 presenças.

Em Dublin, os azuis e brancos vão procurar o seu sétimo troféu em competições organizadas pela UEFA, num “ranking” em que se encontram no nono lugar (seis
títulos), a par do Manchester United, que estará presente na final da Champions League. Face à impossibilidade de ultrapassarem, esta época, Bayern de
Munique e Inter, com oito títulos, ingleses e portugueses vão assim disputar o nono lugar desta honrosa classificação.”

Em
www.fcporto.pt


Falcao

“Falcao assume conversas para renovar

HUGO SOUSA

A renovação de Falcao é capaz de ser a notícia mais esperada pelos adeptos do FC Porto, mas, para já, fica só a certeza de que o assunto está mesmo a ser
tratado. Numa longa entrevista ao jornal colombiano "El Tiempo", publicada ontem, o avançado admitiu que tem havido conversas com o clube nesse sentido
e, apesar das notícias que o dão como alvo dos mais variados emblemas europeus, não descarta a possibilidade de prolongar uma ligação que, a continuar
como está, é válida por mais duas épocas. "A única coisa certa é que tenho mais dois anos de contrato com o FC Porto. Tento alhear-me de todas as notícias,
porque estou muito concentrado em terminar bem a época e em conquistar as duas competições que ainda temos pela frente. Há, de ambas as partes, boas intenções
de aumentar o vínculo contratual, mas essas são decisões que a Direcção terá de tomar no momento certo", disse Falcao, confessando-se rendido ao carinho
recebido no clube e na cidade: "Trataram-me sempre muito bem desde que cheguei. O carinho das pessoas tem sido maravilhoso, fazendo-me sentir confortável.
É natural que esse tratamento esteja ligado ao meu rendimento desportivo, e isso é claro para mim, mas tanto as pessoas do clube como os adeptos, ou simples
habitantes da cidade, expressam o seu carinho e esforçam-se por servir-me da melhor maneira. Por vezes, espanta-me tanta amabilidade, mas só tenho palavras
de agradecimento".

A enviada especial do "El Tiempo" ao Porto esforça-se por contar aos colombianos a dimensão da popularidade de Falcao, alvo também de todas as atenções
mediáticas no seu país. Aliás, ainda ontem, outro jornal - "Semana" - procurava retratar o "fenómeno Falcao", com a ajuda de treinadores, amigos e jornalistas.
Em Portugal, El Tigre permanece tranquilo, com dias serenos que ele próprio relata. "Treino de manhã e tenho as tardes livres; estudo inglês três vezes
por semana, descanso, vou ao cinema ou leio. Estou sempre ocupado". Não contem com ele para filmes de ficção científica; Ronaldo (o Fenómeno brasileiro)
foi a principal referência. Nos livros, destaca a biografia de Dostoievski, escritor russo, Paulo Coelho e Ernesto Sábato; García Márquez, também colombiano,
"é complexo, mas interessante"; esforça-se por falar português - "um idioma lindo" - continua profundamente religioso e espera a chegada dos familiares
a Portugal nos próximos dias. O pai, que até costuma - ou costumava, pelo menos - falar de assuntos relacionados com a carreira desportiva, e com os contratos,
chega brevemente ao Porto, informa o "El Tiempo".”

"O jogo chega à área; só tenho de estar lá..."

Falcao tentou explicar o êxito do FC Porto para colombiano entender. "É um clube com uma organização de muitos anos e com esquema táctico definido. Tem
mantido a coluna vertebral da equipa e, se sai um jogador, basta a quem chega encaixar e fazer o trabalho do anterior. O plantel não se desfaz e tem uma
ideia clara de jogo. Foi um detalhe importante quando cheguei: bastou-me entrar numa equipa que já se conhecia; tratei de aprender com rapidez e fazer
o meu trabalho. Entendi o sistema de jogo, a ambição ofensiva e vi que chegavam muitas vezes à área e percebi que só tinha de estar no lugar certo. Cada
um cumpre a sua função em campo. Numa equipa, quando todas as peças estão bem, as individualidades sobressaem; é um trabalho conjunto: sem eles, não poderia
fazer o que tenho feito". Na selecção, diz, é mais difícil porque as rotinas são menos treinadas.”

Em
www.ojogo.pt


Belluschi

“"Temos de provar o favoritismo"

HUGO SOUSA

Belluschi percebe que o FC Porto seja encarado como favorito à vitória na final de Dublin, mas garante que essa ideia, no que toca aos jogadores portistas,
entra por um ouvido e sai pelo outro. "Temos de provar em campo que somos os favoritos. Se não o fizermos, não ganharemos. De nada adianta sermos favoritos
se não o confirmarmos em campo", disse o argentino, em entrevista ao "Eleftheros Typos", jornal grego que quis tomar pulso ao êxito dos dragões e em particular
ao de Belluschi, que jogou no Olympiacos antes de se transferir para Portugal. "Oxalá que possamos repetir o que se passou em 2003; esse é o nosso sonho.
A nossa caminhada tem sido feita passo a passo e agora temos a final".

Explicar aos gregos o perigo representado pelo Braga foi uma tarefa a que Belluschi dedicou algum tempo. "É uma equipa muito boa, joga bem em contra-ataque,
porque tem jogadores perigosos. Não é uma coincidência que tenha chegado à final e não será também um adversário fácil", diz, acrescentando uma visão curiosa.
"O bom é que, ao contrário da maioria das finais europeias, as duas equipas não terão segredos uma para a outra; conhecemo-nos bem e não haverá surpresas,
porque sabemos o que esperar deles."

Ainda que não tenha trabalhado com José Mourinho, Belluschi arriscou uma análise na sempre batida comparação com Villas-Boas. "Pelo que vejo de Mourinho
na televisão, são treinadores diferentes. Mourinho aposta mais em defesas muito fechadas, contra-ataque e procura ganhar de uma maneira prática. Villas-Boas
não é assim: quer que joguemos um futebol de ataque, de pressing alto e posse de bola; Barcelona serve de modelo", reforça o argentino, com o objectivo
de vincar as diferenças entre os dois treinadores mais comparados dos últimos tempos. Sobre o trabalho diário, Belluschi revela que a equipa se aplica
em treinos diários "muito duros", mas compensadores. "Os resultados falam por si", remata. "A minha melhor recordação europeia foi um jogo que fiz pelo
Olympiacos, em 2008, no campo do Chelsea, com um remate ao poste. Espero que a minha melhor recordação passe a ser esta final", disse ainda.

El Samurai diz que pretende cumprir o contrato

Recuperado de lesão, Belluschi ainda vai a tempo de participar em duas conquistas: a Liga Europa e a Taça de Portugal. El Samurai perdeu algum protagonismo
nos últimos jogos para Guarín, mas o balanço da segunda época no FC Porto continua a ser francamente favorável. Numa altura em que vários jogadores têm
sido apontados aos mais diversos clubes, Belluschi tem conseguido escapar desse mediatismo. "Sou jovem, tenho 27 anos e contrato com o FC Porto que pretendo
cumprir. O meu objectivo é ficar", disse. Voltar à Grécia, porque a entrevista foi a um jornal grego, é uma hipótese a que responde com diplomacia. "Não
fecho portas, mas só se for para o Olympiacos, que foi o clube que me abriu as portas da Europa". Jogar contra o Olympiacos na próxima Champions "seria
difícil, mas sou profissional", disse ainda Belluschi.”

Em
www.ojogo.pt