quinta-feira, 2 de junho de 2011

André Villas-Boas Em Entrevista à Revista Espiral do Tempo

Apesar da entrevista não ter sido publicada num órgão de informação desportivo, muito pelo contrário, vale a pena ler …

“«É a nova coqueluche do futebol nacional: mesmo que esteja intimamente associado ao Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas tem convencido tudo e todos

pela capacidade de gerir um grupo de trabalho e de o fazer transcender-se no tempo e no espaço – acumulando títulos e recordes. O seu êxito não passou

despercebido à casa Franck Muller, que acaba de fazer dele o seu novo embaixador. Confissões de

um jovem treinador com o Toque de Midas, mas que diz não o ter.

«Os relógios foram uma paixão sempre presente e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre

o meu percurso nas camaradas jovens do FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir

uma coleção da qual me orgulho.»

O futebol tem dado um valente pontapé na recessão, enchendo o País de orgulho numa era de crise económica, política e psicológica. E o grande protagonista

da atualidade é, sem dúvida, André Villas-Boas – cujo trajeto meteórico tem sido inevitavelmente comparado com o do seu antigo mentor, José Mourinho, mas

que apresenta características vincadamente diferentes do seu antecessor no comando do Futebol Clube do Porto. André Villas-Boas é especial, mas refuta

pessoalmente esse epíteto e remete-o para o seu grupo de trabalho, para a consagrada agremiação onde se insere. O seu discurso pode ser eventualmente inflamado,

mas pretende sempre ser modesto. Apesar dessa rejeição do deslumbramento, há algo que faz brilhar os olhos do jovem treinador campeão nacional e que certamente

o enche de orgulho: o gosto pela alta-relojoaria e a nova série limitada que a Franck Muller lhe dedicou a si e ao Futebol Clube do Porto como corolário

de uma grande temporada.

O interesse pela relojoaria de qualidade já vem de trás: «Primeiro, sonha-se muito com um objeto que toda a gente gosta de ter, com variadas marcas. Mas

nem sempre há disponibilidade financeira para tal, e isso aconteceu-me quando eu era muito jovem.

Na altura, sonhava com os TAG Heuer, com o Monaco principalmente, e, apesar de o ambicionar, custava então 2500 euros e ainda não me poderia permitir a

tê-lo. A TAG Heuer foi a primeira marca que me chamou a atenção, também porque estava associada a motivos desportivos e até ao desport motorizado, que

é uma das minhas grandes paixões. Não o podendo ter, comprei um Camel que guardo com grande estima e carinho. Os relógios foram uma paixão sempre presente

e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre o meu percurso com os camaradas jovens do

FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir uma coleção da qual me orgulho».

Um dos destaques da coleção de André Villas- Boas é um relógio completamente diferente de tudo o resto – um Graham Swordfish, com o qual começou a dar nas

vistas na Académica de Coimbra, e que estava no seu pulso aquando do seu primeiro troféu: a Supertaça. «É uma história curiosa. O Michael Ballack tinha

um Swordfish, quando estávamos em Inglaterra. Apareciam aqui e ali algumas referências à Graham, também em revistas de desportos motorizados, e eu reparava

que o Ballack tinha um, e que também o tinham uma série de jogadores do Chelsea. Gerou-se ali um interesse e lembro-me de perguntar ao Balack se me podia

arranjar algum. Ele curiosamente tinha vários guardados, porque tinha comprado uma série de relógios para oferecer ao staff do Bayern, quando deixou Munique

para o Chelsea, e vendeu-me um.É um relógio com uma silhueta especial, diferente, imponente, é daqueles relógios que chamam a atenção. O Swordfish tem

um design difícil de encontrar e que marca uma posição. Foi curioso ver que a Graham aproveitou a minha imagem na Académica para fazer uma chamada de atenção

noseu site».

Com a fama e o sucesso, a situação inverteu-se: André Villas-Boas já não precisa de ir à procura de relógios – há marcas de relógios que vão à sua procura.

E a Franck Muller, que historicamente tem estado associada ao futebol e, através da entidade representante em Portugal (Torres Distribuição), ao futebol

português, em particular, não ficou imune ao seu carisma.

«A Franck Muller é uma marca que eu obviamente ambicionei, mas, por valores que refletem a sua qualidade, nunca me permiti ter um, e, felizmente, isso

acontece agora através desta associação.

É algo de que muito me orgulho – porque marca também feitos positivos que o FC Porto conseguiu alcançar nesta época. Só uma associação de uma série de

entidades fortes e de um clube desta dimensão é que permite o lançamento de um relógio com um formato único e que será um objeto

de desejo».

O discurso de André Villas-Boas ganha intensidade quando o jovem técnico fala de temas que o apaixonam – como os relógios e os desportos motorizados. O

modo como vingou na sua profissão está também intimamente ligado à sua paixão pelo futebol e pelo clube.

«Mas o sucesso deste clube não está associado a mim», faz questão de alertar; «está associado ao peso da sua importância na região norte, a nível nacional

e internacional. Nada tem a ver comigo, tem a ver com os pergaminhos que o clube foi construindo, a história sólida dos últimos 30 anos com o presidente

Pinto da Costa e com o acumular de competências que conseguiu gerar à sua volta até levar o FC Porto ao máximo da modernidade possível. Não quero que se

pense que se deve apenas a mim e não se deve em absoluto aos sucessos que conquistámos nesta época. Sou muito pragmático; a qualquer outro treinador que

esteja aqui é-lhe permitido chegar ao sucesso de forma muito mais fácil. Essa é a realidade deste clube». Um clube que sempre foi o ‘seu’: «Sempre cresci

adepto do FC Porto, vivi o clube das mais variadas formas. Infelizmente, não o vivi como desportista porque não tive essa oportunidade nem tinha esse jeito,

mas vivi-o como treinador, como treinador dos camaradas jovens, como treinador adjunto, como adepto, como membro dos Super-Dragões, e tenho esse sentimento

de que o Porto está presente em mim desde muito cedo, desde que tenho memórias. Desde os três ou quatro anos que me lembro de defender estas cores, portanto,

isso tem um duplo prazer para mim e um grande significado. Agora, o sucesso não está relacionado comigo, está relacionado, acima de tudo, com o peso que

o clube tem, com o potencial e talento que tenho à minha disposição».

Apesar de refutar associar a sua paixão ao sucesso do clube, não há dúvida de que a paixão de André Villas-Boas pelo que faz está intimamente associada

ao seu percurso.

«Recordo-me de, nas primeiras vezes que Bobby Robson me trouxe aos treinos do Porto, olhar para a antiga porta do estádio das Antas que dizia Departamento

de Futebol e pensar: ‘Será que algum dia vai ser possível eu entrar por esta porta como treinador principal?’. Foi apenas um desejo de miúdo – nessa altura,

eu teria para aí uns 17 ou 18 anos. Poderia ter acontecido ou não. Fui um privilegiado por ter sido escolhido esta época para representar o Porto e, felizmente,

consegui cumprir esse desejo e esse sonho. Quero acreditar que estes patamares que eu tenho vindo a ultrapassar tenham um pouco da minha competência, da

minha marca. Espero continuar a deixar uma marca e a obter uma carreira da qual eu próprio me possa orgulhar».

André Villas-Boas é a prova de que o sucesso individual – dele, de cada elemento da sua equipa técnica, de cada jogador que tem brilhado e de cada elemento

do clube – está diretamente dependente do trabalho coletivo. Como num mecanismo relojoeiro, onde todas as peças, mesmo as mais pequenas ou aparentemente

insignificantes, contribuem para o funcionamento com precisão: «No fundo, o futebol resume-se a isso. E uma das nossas vantagens em termos de staff técnico

é respeitar muito não só as interrelações entre os vários jogadores, mas otimizá-las ao máximo. Obviamente que a perfeição no futebol é muito difícil de

atingir, se calhar até é inatingível, ao passo que num relógio a peça é perfeita porque tem de ser mecanicamente perfeita para funcionar. Portanto, o relógio

é algo que, em termos de perfeição, é muito difícil de replicar no futebol porque existe um choque entre duas organizações sempre muito fortes, um choque

enorme de estados emocionais. Não é só mecânica funcional, há muitas emoções e estados mentais em conjunto a funcionar ao mesmo tempo. Não são só questões

organizacionais, são questões mentais em que é muito difícil obter todo um relacionamento e exprimirem-se no seu máximo potencial ao mesmo tempo. Isso

é algo muito complicado de obter».

É preciso inteligência emocional para lidar com um grupo de individualidades completamente diferentes e levá-lo a obter um rendimento máximo: «Obviamente

que as questões organizacionais são importantes no futebol e apenas uma boa organização triunfa, mas sou um grande respeitador dos estados de espírito,

dos estados emocionais, da capacidade de transcendência, da capacidade de motivação e acredito que um onze em campo motivado é diferente de um onze que

não está motivado. E o grande desafio de staff técnico é tirar o máximo potencial de cada um. Quando não somos capazes de tirar o máximo partido de cada

um, somos bastante penalizados, e isso, naturalmente, acontece porque nem sempre é possível toda a gente jogar. Toda a gente quer entrar, toda a gente

se mostra competitiva e nós, no fim do dia, temos de tomar opções para continuar e permitir ao clube continuar na rota do sucesso. E isso custa muito,

porque dois ou três jogadores que possam ficar de fora, dois ou três jogos entram num estado de motivação diferente do que os outros que têm essa regularidade

e esse estado de confiança. E apesar desse meu passado relacionado com a observação e com a observação tática do jogo e da organização do jogo, eu encontrei-me

como um líder emocional e um gestor de emoções e isso é muito mais fundamental no futebol atual. É esse gerar contínuo de revolta, de transcendência, saber

quando motivar, saber quando inspirar e retirar o máximo de potencial de cada um. Nós no staff somos muito mais líderes emocionais e líderes motivacionais

do que mestres da tática».

André Villas-Boas insiste em afirmar que dentro de dez anos quer estar a fazer outra coisa: «Não é que eu esteja à procura de fugir das exigências da função,

mas esta é uma profissão extremamente abrangente que gera estados emocionais que são muito intensos, de grande mérito, de grandes estados de euforia, mas

também de grande penalização e de grande exposição mediática perante o sucesso ou o insucesso. Há grandes exigências emocionais nesta profissão e eu não

quero fugir delas, mas não quero prolongá-las por muito tempo, e obviamente que tenho esse target estabelecido, mas também tenho consciência de que só

quero deixar a profissão se, durante a minha carreira, conseguir atingir determinado tipo de sucesso que me leve a ficar orgulhoso dela».

A decisão não tem a ver com o tempo privado nem familiar: «Somos privilegiados desde o início. Obviamente que há uma grande sobrecarga de jogos, e isso

leva-nos a um afastamento familiar e dos amigos um pouco mais agressivo, mas não nos podemos queixar muito. Nós gerimos o nosso tempo, não temos horários

fixos, podemos permitir-nos a ir almoçar ou passar a tarde com a família um pouco mais relaxados. Acho que somos privilegiados nesse aspeto; não somos

castrados no tempo como é geralmente exigido numa profissão normal ».

Boris Becker afirmava que a carreira de um tenista podia ser contabilizada em anos de cão (um ano equivale a sete). No futebol, sucede a mesma coisa –

mas quando é que o tempo passa mais depressa ou mais devagar?

«Há jogos em que nos encontramos perto de vencer e queremos que terminem e demoram. Há outros em que estamos tranquilamente à espera que o jogo acabe e

acaba num instante, mas gostaríamos de que se prolongasse mais porque as coisas continuariam a correr bem. Todos passamos por sensações em que o tempo

passa depressa ou devagar. Depende dos estados de espírito e das nossas ambições nesse momento.

Na minha carreira, as coisas têm acontecido com velocidade – mas, pensando bem, entrei nesta carreira com uma idade fora do normal, e, se calhar, só ao

fim de um longo percurso é que cheguei a este lugar que tanto ambicionei. Portanto, ou se pensa ‘este tipo é tão novo que aos 33 anos treina o FCPorto’

ou ‘este tipo trabalha desde os 17 e só aos 33 é que lá chegou’…».

E que pergunta gostaria André Villas-Boas de colocar a Franck Muller quando se encontrarem?

«Como é que motiva os seus funcionários para continuamente renderem. Acho que é decisivo motivar e levar as pessoas a outro patamar de rentabilidade e

de sucesso e de vontade para atingir esse êxito.

Pode-se fazê-lo transmitindo confiança ou pode-se fazê-lo metendo as pessoas sob grande pressão para chegarem ao sucesso; se calhar, metendo pressão, pode

ser castrador em termos de talento, e motivando de outra forma pode ser decisivo no potenciar do talento e da criatividade. Esse equilíbrio é fundamental;

de que forma é que ele o motiva? Motiva com a pressão de que ‘Tu tens que ser o melhor porque trabalhas para a Franck Muller’? Ou motiva através da transmissão

de confiança, que é a que eu idealizo, e de ir à procura de explorar o máximo do potencial de cada um – penalizando-me a mim mesmo e não penalizando o

indivíduo se não for capaz de fazer».

Para já, Franck Muller não penaliza André Villas-Boas. Pelo contrário: recompensa o seu valor e a sua personalidade com a instauração de uma bela série

limitada com caixa a negro e as inevitáveis nuances azuis relacionadas com as cores do FC Porto.

Haverá melhor motivação para o prolongamento “

Retirada de:

www.dragaodoente.blogspot.com

Faz hoje um ano que Villas-Boas foi apresentado como treinador do FC Porto. Se na altura estava um pouco séptica, agora não tenho dúvidas que o FC Porto tem muito a ganhar com André Villas-Boas.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Declarações de Falcao a Uma TV Argentina e a Entrevista de Beto ao OJOGO

1 – Declarações de Falcao a uma TV Argentina

“"No FC Porto todos têm mercado, até o treinador"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

O melhor é ir já directo a um dos assuntos mais esperados. Na Argentina, numa entrevista televisiva, Falcao voltou a confirmar que decorrem negociações

com o FC Porto para a renovação do contrato, sem descartar a continuidade. "Tenho mais dois anos de contrato e estamos a falar sobre a renovação. Todos

os jogadores do FC Porto, e até o treinador, têm clubes interessados", disse o ponta-de-lança colombiano à "Fox Sports", de Buenos Aires, entrevistado

para o programa "Futbol para todos".

Apesar de reconhecer a existência de clubes interessados, para lá de considerar que "o FC Porto é o clube mais vendedor do mundo", Falcao não quer forçar

a saída. "Estou tranquilo. Sei que no devido momento posso dar o salto para outro campeonato", explicou. Ora, na próxima época há o aliciante de o FC Porto

disputar a Liga dos Campeões, algo que pode funcionar como estímulo à permanência.

Em Buenos Aires, depois de uma época histórica e com uma infinidade de vitórias, Falcao conheceu o sabor da derrota. Na companhia de dois amigos colombianos,

jogou futvólei com os apresentadores do programa e perdeu 11-9.

Para desanuviar, o goleador abordou a época do FC Porto. "Sonhava e trabalhava para ter uma época como a que tive, mas nunca pensei que podia acontecer

desta maneira. Já na época anterior tinha ficado surpreendido, porque não esperava marcar tantos golos e ser tão importante para o FC Porto de uma forma

tão rápida. Temos uma equipa completa. Temos Hulk e Varela, ambos muito ofensivos, e médios que se aproximam da baliza, como Belluschi, Moutinho, Guarín...

Todos são humildes e todos temos fome de ganhar títulos". Falcao elegeu ainda os jogos com o Villarreal e o Spartak como os melhores. "Foram muitos bons.

O dia em que joguei na neve também foi especial. Não se via nada e pensei: como nunca joguei na neve, vou divertir-me". E ainda teve tempo para diferenciar

Jesualdo FErreira de André Villas-Boas. É só espreitar aqui ao lado o que disse sobre eles.

Uma equipa armada à sua volta

Falcao está habituado a ter uma equipa a jogar para si. Dizer que é isso que se passa no FC Porto seria um exagero pouco abonatório das qualidades do colombiano.

Afinal, para marcar 38 golos em 42 jogos é preciso ser-se um grande matador, mas ter companheiros que o sirvam na perfeição também ajuda à contabilidade.

E de que maneira.

Por isso, Falcao não se importava nada que Hernán Darío Gómez, seleccionador colombiano, montasse uma equipa para a Copa América tendo-o como referência.

"Seria excelente que a selecção se armasse à minha volta, mas essa decisão quem deve tomar é o treinador. A Colômbia tem muitas alternativas, mas precisamos

é de resultados", alertou. A Colômbia está integrada no grupo A da Copa América e terá como adversários a Argentina, país organizador, a Costa Rica e a

Bolívia. A prova disputa-se entre o dia 1 e 24 de Julho e além de Falcao também Guarín estará presente. Álvaro Pereira, Fucile e Rodríguez, pelo Uruguai,

Otamendi e Belluschi pela Argentina também devem disputar a competição.”

Em

www.ojogo.pt

2 – Entrevista de Beto ao OJOGO

“"Chorei na palestra antes da final da Liga Europa"

TOMAZ ANDRADE

Suplente de Helton no campeonato e na Liga Europa, o guarda-redes do FC Porto tornou-se herói na Taça de Portugal ao defender uma grande penalidade e outros

remates com selo de golo. Revelou ter voz e peso no balneário, mas não aguentou a emoção na palestra antes da final de Dublin com um discurso arrebatador

de André Villas-Boas. Não quis revelar o teor, embora lhe tenha atribuído o sucesso da conquista da Liga Europa.

Dos quatro troféus conquistados foi a Taça de Portugal que lhe deu mais gozo?

Se pensar apenas a nível pessoal, é óbvio que sim. Porque participei directamente mais vezes na conquista do troféu. Não vou dizer que não participei nas

outras provas, porque joguei em todas, desde o campeonato à Liga Europa e à Taça de Portugal. Só não joguei na Supertaça, porque foi apenas um jogo. Sinto-me

campeão em todas as provas. Quanto à Taça de Portugal, como joguei mais vezes teve um sabor especial para mim.

No início da época ganhar quatro troféus não passava de um sonho...

Era um sonho, mas também uma ambição, uma vontade colectiva do grupo. A Supertaça com o Benfica funcionou como uma rampa de lançamento para uma época histórica.

Foi uma vitória fundamental. A partir desse momento os níveis de confiança foram potenciados, sem dúvida nenhuma.

Como passou para a realidade? Quando é que começaram a acreditar na sucessão de troféus?

A partir do momento em que nos reunimos com o mister André, e toda a estrutura que o envolve, sentimos que este ano seria de sucesso e de vitórias. Com

o trabalho que fomos desenvolvendo e com a assimilação da mensagem do treinador, recebida de forma plena e captada a cem por cento, todas as forças se

uniram. E quando isso acontece o resultado só pode ser este.

Qual foi o momento que mais o marcou?

Houve vários momentos que me marcaram. A segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, com o Benfica, foi um momento fantástico. Festejar o título na Luz

foi lindo, mas a reviravolta na Taça, com toda aquela força e potencialidade que demonstrámos, foi um momento de sonho. E depois houve a palestra antes

da final da Liga Europa. Também esse foi um momento especialmente marcante. Chorei. Foi algo lindo.

O que se passou?

Não sei se posso contar. É melhor não. Posso dizer apenas que foram palavras bonitas. Foi a conjugação de sentimentos que se envolveram dentro daquela sala

de reuniões. Foi bonito e comovente. A palestra durou 30 minutos, não mais, mas chegou para os jogadores sentirem que era possível vencer e que estávamos

à beira de algo histórico. Saímos daquela sala convencidos que íamos ganhar a Liga Europa.

Como é que os jogadores foram encarando a invencibilidade que durou até ao final do campeonato? Falavam na possibilidade de perder um dia?

Nunca se falou em perder naquele balneário durante a época inteira. Intimamente, cada jogador poderia pensar que um dia a derrota acabaria por acontecer,

porque não existem equipas imbatíveis. Simplesmente não existem. A nível de discursos e de balneário nunca se pronunciou essa palavra.

O que é que os adversários vos diziam no final dos jogos?

Que somos realmente muito fortes. No final da Taça de Portugal fui ao controlo antidoping e o jogador do Guimarães que lá estava disse-me que fomos muitos

fortes. Disse-me que mesmo depois da Liga Europa, com dois dias de descanso, viagem para Lisboa e estágio, jogámos e ganhámos porque fomos realmente fortes.

Estava à espera de um rendimento defensivo tão bom depois da saída de Bruno Alves?

Sem dúvida. Saiu o Bruno, que era fundamental, mas ficou o Rolando e o Maicon, dois jogadores de enorme qualidade. Depois houve um acréscimo de qualidade

com o Sereno e o Otamendi. São quatro centrais de muita qualidade e, para mim, que jogo atrás deles, actuar com qualquer dupla é igual.

O que é que o FC Porto pode fazer na Champions?

É um sonho. Partilhamos todos desse sonho, que é chegar o mais longe possível. É uma competição de topo europeu e queremos chegar o mais longe possível.

E para esse sucesso será essencial manter esta estrutura de jogadores?

Obviamente, com o conhecimento entre os jogadores e mais tempo juntos há um entrosamento maior da equipa. Mas mesmo com a chegada de dois, três, quatro

ou cinco elementos, não sei o que vai acontecer, todos virão para dar mais qualidade ao grupo, ajudando-nos a alcançar mais títulos.

Depois desta época, a fasquia não está demasiado alta e não há o perigo de a decepção ser maior em caso de insucesso?

Há um trabalho do treinador e dos dirigentes, sempre presentes com a equipa, que nos dizem que as fasquias funcionam como motivação e alavanca.

"Tenho peso e voz no balneário"

Como analisa a época do Helton?

Fez uma época muito boa, positiva. Obviamente, o meu trabalho e o do Pawel reforça esse bom momento do Helton. Tendo três guarda-redes praticamente ao mesmo

nível, e havendo um que joga e outros dois que trabalham para conquistar esse lugar, obriga o titular a ter concentração e dedicação máximas. Para o treinador

é um sonho ter três guarda-redes assim, que querem jogar, que querem dar essa contribuição à equipa. São três guarda-redes com qualidade.

E como se arranja ambição não jogando muitas vezes?

Tenho total ambição em todos os treinos. Para além disso, tenho peso no balneário, tenho voz, e tenho uma boa relação com todos, a quem gosto de dar a minha

opinião.

Já que ninguém vê os treinos, como é trabalhar com Wil Coort?

Ele é supermoderno. Tem um método de trabalho adequado a uma equipa grande. Trabalhamos o posicionamento, o jogo de pés, a distribuição e, sobretudo, fazemos

muitos exercícios com a equipa. Fazemos parte da equipa e não somos apenas guarda-redes, portanto, treinamos com a equipa. É fácil trabalhar com o Wil.

Dá-nos muita tranquilidade e isso nota-se quando chegamos ao jogo.

Jogar menos vezes é compatível com a evolução de um guarda-redes? Como se faz isso?

Com o trabalho ao longo da semana. Trabalho todos os dias para melhorar as minhas capacidades e potencialidades. Trabalho para estar preparado para jogar,

mesmo que depois seja o Helton ou o Pawel que joguem. O espírito é esse. No treino coloco fasquias a mim mesmo e daí dar respostas positivas quando sou

chamado.

"Contava ser chamado por Paulo Bento"

Como se concilia o facto de ser suplente no FC Porto com a ambição de chegar à Selecção?

É difícil. Tenho que perceber que isto é tudo muito prático. Jogando com menos frequência, as minhas expectativas ficam limitadas em relação à Selecção.

Mas as pessoas conhecem o meu trabalho e o meu valor. Com mais minutos tenho mais possibilidades de fazer parte dos planos do Paulo Bento. Depois há outra

coisa. O meu papel no FC Porto vai além dos relvados. Há um bom ambiente no balneário e eu sou muito bom colega. Quero melhorar e quero que os meus colegas

melhorem. Mesmo no banco falo muito para dentro do campo, sou muito activo. O meu papel é ajudar o FC Porto.

É legítimo pensar que se fosse titular do FC Porto, ou de outro clube do género, já seria titular na Selecção?

É legítimo da minha parte pensar isso. Se fosse titular do FC Porto as probabilidades de jogar na Selecção seriam maiores. Tenho noção disso e é legítimo

pensar dessa forma.

Pensava ser chamado agora por Paulo Bento para o duplo compromisso da Selecção Nacional?

Sinceramente, depois dos seis jogos que fiz na parte final da temporada, em que as minhas prestações foram boas e dei uma grande resposta em jogos com mais

ou menos pressão, contava ser chamado. Fui igual a mim mesmo em todos os jogos. Contava ter o reconhecimento por parte do seleccionador. Mas tal não aconteceu

e quero deixar claro que respeito todas e quaisquer decisões do seleccionador. Fico com um amargo de boca por não fazer parte do grupo, porque gosto de

o fazer, porque sou português e quero representar a minha Selecção e o meu país. A Selecção é o topo. Fico à espera de uma oportunidade.

Futebol espectáculo no Mónaco

O FC Porto vai ter um início de época a todo o gás. Depois da Supertaça Cândido de Oliveira, com o Guimarães, e de três jornadas no campeonato, a equipa

vai defrontar o Barcelona no Mónaco para a disputa da Supertaça Europeia. "O Barcelona vai funcionar como um estímulo. Vamos defrontar aquela que é a melhor

equipa do mundo e é aliciante poder discutir um título com esta envergadura. Sem deixar de elogiar o futebol do Barcelona, a verdade é que temos princípios

de jogo que não abdicamos e queremos vencer", reagiu Beto. O guarda-redes antevê um jogo de dois sentidos. "Acima de tudo que seja uma partida com qualidade,

um bom espectáculo. Para nós, a vitória pode ser algo de extraordinário e de grande motivação para o resto da época". A Supertaça Europeia está agendada

para o dia 26 de Agosto.

"Villas-Boas é quase perfeito a nível motivacional"

A explicação de Beto para o sucesso do FC Porto engloba vários factores. "O colectivo, a organização, o treinador. Foi a mistura de tudo isso. A estrutura

do FC Porto é única e proporciona as bases para o sucesso", revelou. O guarda-redes apreciou a forma como Villas-Boas lidou com o grupo. "Não o conhecia,

apenas de nome, nem conhecia os seus métodos de trabalho. É inovador, moderno e apresenta um futebol de ataque que procura sempre a vitória, algo aliciante

para quem trabalha com ele. Para os jogadores é muito bom ter um líder como ele. A nível motivacional é quase perfeito. É uma experiência muito boa trabalhar

com ele".

"Helton é o melhor, depois sou eu e o Pawel"

Quem é o melhor guarda-redes a actuar em Portugal?

É difícil responder. O Helton é o guarda-redes que melhor se apresenta.

E quem vem a seguir?

[pausa] Eu e depois o Pawel [Kieszek]. Os guarda-redes do FC Porto são os melhores.

Como vê as críticas que se fazem ao Roberto?

Não sou apologista de críticas a guarda-redes. Tenho alguns problemas entre aspas com os meus colegas no FC Porto, porque defendo os guarda-redes nas discussões

que temos. Sou o primeiro a defendê-los, porque sei quanto é difícil ser guarda-redes. Há lances infelizes para toda a gente, só que quando o guarda-redes

falha, coitado, não há mais ninguém atrás dele. Quando falha é golo e fica marcado para o resto do jogo. Sou defensor acérrimo dos guarda-redes.Não gosto

de ver, ler e ouvir críticas seja a que guarda-redes for.

"No Jamor, sabia que o Edgar ia marcar para aquele lado"

Diz um estudo científico que numa baliza de futebol cabem 365 bolas, o número possível de pontos de mira para quem vai rematar. A tarefa de Beto, como de

todos os guarda-redes, é tentar anular essa miríade de hipóteses de sucesso dos adversários. No Jamor, ao defender uma grande penalidade marcada por Edgar

num momento crucial do jogo, o guarda-redes portista tornou-se num dos heróis da final da Taça de Portugal.

Então diga-nos lá como se defende uma grande penalidade?

Existem inúmeros factores que condicionam a defesa de uma grande penalidade, desde o conhecimento do jogador, a visualização de imagens desse jogador, muito

treino e o instinto.

O que valeu mais no Jamor?

O que prevaleceu foi juntar um pouco de tudo.

Sabia que o Edgar ia marcar para aquele lado?

Sabia que o Edgar bate muitas vezes para o lado direito do guarda-redes. Mas isso pode nem valer nada, porque o Edgar também pode pensar que o conheço e

mudar o lado. É sempre imprevisível para quem bate o penálti e para quem o defende. No Jamor juntou-se um conjunto de factores.

Foi então o Beto que decidiu o lado para onde se atirou ou recebeu alguma informação na altura?

Decidi na altura. As únicas pessoas que me disseram algo foram o Maicon e o Rolando. Disseram-me isto: fica tranquilo, porque sabemos que vais defender.

E logo a seguir o FC Porto marcou o quinto golo. Foi aquele o momento do jogo?

Sem falsa modéstia, foi um lance que acabou por decidir o rumo do jogo. O Guimarães podia ter reduzido para 4-3, os jogadores galvanizavam-se e o resultado

seria incerto. Ao defender a grande penalidade e ao marcarmos logo de seguida aqueles instantes acabaram por decidir o rumo do jogo.

Na época passada defendeu cinco penáltis no Restelo e no Jamor defendeu mais um. É uma especialidade?

É muito subjectivo dizer isso. Esta época, na Luz, o Cardozo marcou um golo de penálti porque mudou o lado. Rematou para o meio. Eu sabia mais ou menos

para que lado ia marcar, mas ele mudou. É sempre subjectivo. Tenho a felicidade de ter defendido muitos, mas mesmo muitos penáltis na minha carreira...

Sabe quantos defendeu?

Não tenho ideia. São muitos, mas não faço a contabilidade. Fico feliz por os defender.

Na época passada fez os jogos da Taça de Portugal, mas foi o Helton que defendeu na final. Esta época foi diferente, porque não só fez todo o percurso,

como foi titular no Jamor. Até que ponto foi importante sentir essa confiança do treinador?

A confiança da parte do mister André foi depositada desde o primeiro dia em que cheguei ao Olival. Cheguei mais tarde, por causa do Campeonato do Mundo,

e na primeira conversa que tive com ele foi-me depositada total confiança. Portanto, a confiança durou desde o início até ao fim. Sabia que ia chegar o

meu momento e que o mister ia ter confiança em mim. Foi o que aconteceu. Na segunda mão da meia-final partimos para Lisboa com um resultado desvantajoso

de 2-0, mas o mister André disse-me que estava tranquilo por ir jogar. Ele sabe que eu gosto de jogos com pressão, de jogos difíceis. Lido bem com a pressão

e a partir daí junta-se o útil ao agradável.

"Ia jogar em Dezembro e Janeiro, mas lesionei-me"

Continuando a ter Helton como principal concorrente, que expectativas alimenta para a próxima época?

Quero ter uma utilização mais frequente, como é habitual pensar em todas as épocas. Quero dar o meu contributo ao FC Porto e conquistar títulos, porque

é deles que este clube vive. O FC Porto sonha com títulos, respira títulos.

Não começa a recear tornar-se um eterno suplente?

Não. Só estou a ser suplente no FC Porto. Desde menino que fiz praticamente toda a carreira a jogar. Nestes dois anos de FC Porto tenho sido menos utilizado,

se bem que na última época tenha tido a infelicidade de ter uma lesão que me afastou dos relvados durante algum tempo. Podia somar mais nove jogos. Foi

o momento mais triste para mim durante a época, o que mais me custou. Iam ser dois meses, de Dezembro e Janeiro, em que teria uma utilização maior. Já

tinha falado com o mister André sobre o assunto. Mas chego a Viena e lesiono-me quando ia ser titular. Animicamente acabei por quebrar. Não é segredo para

ninguém, mas o departamento médico do FC Porto é de topo mundial e conseguiu recuperar-me, tanto física como psicologicamente de maneira a encarar o resto

do campeonato.

Todos os nomes de Beto Pimparel, Pimpas ou Betão

Praticamente todos os jogadores do FC Porto têm uma alcunha no balneário e Beto não foge à regra. Aliás, tem mais do que uma. O último nome do guarda-redes,

Pimparel, que por ser pouco conhecido e foneticamente engraçado, serviu de inspiração aos companheiros. "Chamam-me pelo último nome ou então Pimpas ou

Betão". O guarda-redes responde por todos.

Festejar entre finais "Guinness? Só apareceu Heineken"

O FC Porto conquistou a Liga Europa num país conhecido pela cerveja Guinness, mas Beto garantiu que nem provou o néctar preto de sabor estranho e cativante.

O que não quer dizer que não tenha bebido umas cervejas. "Não provei a Guinness. A cerveja que apareceu foi a Heineken. Celebrámos com moderação, porque

a época ainda não tinha terminado. Bebemos com moderação, divertimo-nos, cantámos, dançámos e estabelecemos os nossos limites porque ainda havia competições

para ganhar", afirmou. Com outra final pela frente, Beto explicou que o segredo esteve na forma como os festejos foram abordados. "Dormimos as horas necessárias,

com o descanso necessário e no dia a seguir desligámos o chip Liga Europa e ligámos o chip Taça de Portugal". E resultou.

Quando Hulk e Guarín atiram à baliza "Chamo-lhes os violência"

Há dois jogadores do FC Porto conhecidos pela potência do remate: Hulk e Guarín, obviamente. Ora, se os guarda-redes adversários têm dificuldades em parar

os remates do brasileiro e do colombiano, o que acontece nos treinos do FC Porto? Beto dá a resposta. "Defendo os remates do Hulk e também os do Guarín,

ambos violentos. Por vezes, eles ficam a treinar no fim do treino, mas também nos exercícios de finalização, e até lhes costumo chamar os violência. São

remates realmente fora do normal." Quanto a Falcao, Beto diz que há outra forma de parar um cabeceamento do colombiano sem o derrubar. "Há que tentar conhecê-lo

e tentar perceber o movimento dele e fazer alguma antecipação". É uma questão de tentar.

Gosta de os ver defender Lloris e Cech

Beto não tem um ídolo na baliza, embora actualmente aprecie dois guarda-redes. "Gosto muito do Lloris, do Lyon, de França. É um grande guarda-redes", revelou.

O outro está em Inglaterra, no Chelsea. "Também gosto muito do Petr Cech. Apesar de não ser muito espectacular, é extremamente eficaz."”

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Entrevista de Helton ao OJOGO, Declarações de Varela e Os Elogios de … Guardiola

1 – Entrevista de Helton

A entrevista do guarda-redes foi publicada ontem no OJOGO, no entanto só hoje consegui colocá-la disponível

“"Nunca tive um treinador assim"

PEDRO MARQUES COSTA

Na primeira entrevista depois de ter renovado o contrato que o ligará ao FC Porto até 2014 - terá 36 anos quando acabar -, o capitão explicou os motivos

que o fizeram continuar no campeão nacional depois de uma época que diz ser "irrepetível". No meio de tantos elogios à equipa, os principais foram direitinhos

para André Villas-Boas, sobretudo pela "liberdade" que ofereceu aos jogadores e que Helton explicou a O JOGO.

A defesa ao remate do Mossoró, na final da Liga Europa, foi a mais importante da sua carreira?

Já sabia que me iam lembrar desse momento [risos]. Considero só que fiz um bom jogo, muito bom mesmo.

E, aproveitando já o balanço, qual foi o melhor da sua carreira?

Esta é difícil [risos]. É muito relativo. Tive jogos com grandes exibições por ter feito muitas defesas; tive outros, muito importantes, em que fiz apenas

uma defesa; outros ainda em que, sem ter feito uma grande defesa, fui decisivo num pormenor que pode ter passado despercebido. Por isso, não consigo escolher

só um jogo...

Voltando à tal defesa de Dublin: foi como se tivesse marcado um golo?

Por acaso, até podia marcar. Tenho colegas que marcam de vez em quando. Mas foi uma sensação fantástica, porque percebi que tinha contribuído num momento

em que só estava lá eu; só eu é que podia evitar aquele golo. Foi um momento que me fez respirar um pouco mais à vontade, principalmente num jogo daquela

importância. Lembro-me bem do lance: esperei o momento do remate e, quando percebi que não tinha condições de o parar com as mãos, estiquei a perna, mas

sempre com os olhos na bola. Felizmente, correu bem.

Como foi a experiência de Dublin?

Lembro-me de ter dito em Dezembro [entrevista a O JOGO] que não conhecia Dublin. Hoje posso dizer que conheço bem, apesar de ter passado muito tempo no

quarto! Foi tudo muito bom. É lógico que senti, muitas vezes, um friozinho na barriga, até porque era uma final. Agora percebo que contou muita a tranquilidade

e a paz que fui recebendo. Tive o apoio dos amigos, da família e isso também me ajudou.

E a taça é mesmo pesada como dizem?

É mesmo pesada. Aliás, quase que caía quando peguei nela. Consegui levantá-la, mas estava complicado de a segurar. Felizmente, eles começaram a chegar para

me ajudar [risos].

Que vos disse André Villas-Boas antes da final de Dublin?

A palestra mexeu muito connosco... [pausa] Foi maravilhosa. Espectacular. Justificou aquilo que eu já tinha dito numa entrevista a O JOGO: faz pensar, reflectir.

Quando é mais do mesmo, como por exemplo: 'Vamos lá jogar para ganhar', não tem grande efeito nos jogadores, porque estamos sempre a ouvir isso; ali foi

diferente, ele acrescenta sempre uma novidade, e isso é espectacular.

Mas, afinal, o que é que ele disse?

Isso não posso dizer [risos]. Mas disse muitas coisas boas; e quando digo muitas, não me estou a referir ao tempo, mas sim ao conteúdo. Ele falou connosco

no hotel, antes de sairmos para o estádio. Saímos de lá ainda mais confiantes de que íamos ganhar, daquilo que tínhamos de fazer para vencer. Essa confiança

ajudou-nos bastante. Foi um momento fantástico e único. Há muitas questões que ajudam um jogador a fazer uma boa época. Este ano, por exemplo, tive uma

liberdade com o meu treinador que nunca tinha tido ao longo da minha carreira. Nunca assim...

Mas essa liberdade de que fala significa o quê em concreto?

É o poder jogar à vontade. Por exemplo: durante um jogo, o treinador pede-nos para correr pela direita, mas, se nós entendermos que o lado esquerdo é o

melhor, ele apoia-nos sempre, mesmo quando corre mal. Ele dá-nos liberdade de opinar e sempre deixou claro que quem está lá dentro somos nós, e que nós

é que temos de decidir o que é o mais certo; o mister sempre procurou deixar muito claro: quero que façam isto, mas, se num determinado momento tomarem

outra opção, eu estarei com vocês. Como é lógico, tudo tem o seu limite, e nós conseguimos, este ano, estar sempre dentro desses limites. Conseguimos entender

que a táctica era dele e a criatividade era nossa. O mister também percebeu que nos podia oferecer essa liberdade, porque sempre correspondemos e revelámos

uma grande maturidade.

Como foi a festa na viagem de regresso ao Porto? Aproveitaram para descansar?

Nada disso, não houve descanso, foi sempre a festejar. Também nunca mais me esquecerei do momento em que saí do avião e levantei a taça. São momentos difíceis

de explicar, porque não há palavras capazes de expressar o que senti naquela altura.

A passagem deste ano pela Praça dos Aliados foi mais intensa do que nos últimos anos?

Foi, sem dúvida, até pelo próprio trajecto, que foi diferente do habitual. Nunca tinha visto uma festa como aquela. Sinceramente, não estava à espera de

ver tanta gente. Já ganhei cinco títulos de campeão, e cada ano é sempre melhor do que no anterior, mas desta vez foi mesmo brutal.

Como foi gerir os festejos da Liga Europa, sabendo que ainda havia uma final da Taça de Portugal para disputar?

Nunca é fácil, mas fica mais fácil quando temos um grupo como o nosso. A atitude que o mister teve em nos dar folga no dia seguinte à festa foi espectacular;

assumiu o risco, mas, ao mesmo tempo, deu a entender ao próprio grupo a confiança que tinha em nós. Foi como um presente, sabendo da importância do que

iríamos encontrar dois dias depois. E esta não foi a primeira vez que aconteceu. A confiança que ele nos deu ao longo da época foi muito boa, fez-nos crescer,

e deu-nos responsabilidade. Todos cresceram com isso.

"Se alguém souber, avise-me por favor!"

Helton já andou pela selecção do Brasil; Hulk também, mas, surpreendentemente, o avançado deixou de fazer parte das opções de Mano Menezes. O guarda-redes

confessa que não consegue perceber os motivos. "Procuro respeitar sempre as opções. Não vale a pena falar disso, mas é complicado. Posso apenas dizer que

ele tem qualidade mais do que suficiente para lá estar", referiu, numa tentativa de fugir a uma eventual polémica, que o guarda-redes tentou escapar para

falar no seu caso. "Se já sei por que razão deixei de ir? Se alguém souber que me avise, por favor [risos]. Devo ter feito alguma coisa de errada. Não

sei. Mas procuro respeitar, até porque não posso fazer muito mais".

"Não teria dito o mesmo que o Fernando sobre a saída"

Fala-se da possibilidade de alguns jogadores deixarem o clube. Acredita que é possível manter esta equipa?

Não sei. Essa resposta só os dirigentes a podem dar. O que sei é que o FC Porto manteve-se sempre forte, mesmo depois da saída de grandes jogadores. O que

este clube faz é muito simples: depois de vender, consegue encontrar novamente grandes jogadores, mas ainda pouco conhecidos, limitando-se, de seguida,

a dar-lhes as condições para demonstrarem as suas qualidades. Por exemplo, o Hulk, quando chegou do Japão, já tinha as qualidades e o potencial que tem

hoje, só que, se calhar, ainda não o tinha descoberto. O FC Porto permite isso: faz com que os jogadores descubram os seus limites.

Fernando admitiu, no final do jogo da Taça de Portugal, que queria sair. Como capitão, de que forma ouviu essas declarações?

Sou suspeito de falar em relação ao Fernando, porque sou muito amigo dele, mesmo fora do balneário. Quero o melhor para ele. Cresceu muito no FC Porto e

acho que nos ajudou muito durante estes anos. Foi uma pessoa muito importante para nós. Relativamente às declarações dele, se fosse eu, provavelmente,

teria tomado um rumo diferente, uma vez que ainda não há nada de concreto. Mas ninguém melhor do que o Fernando para explicar o assunto.

"Tive convites mas dei prioridade ao FC Porto"

Foram dois os motivos que o fizeram renovar pelo FC Porto: a admiração pelo clube e a estabilidade da família, sobretudo dos três filhos que se encontram

em idade escolar. Isto, apesar das muitas propostas que diz ter recebido para se transferir, algumas delas de Inglaterra.

Renovou contrato até 2014. Que significado tem para si?

Estou muito feliz porque o clube mostrou interesse em renovar. Isso, para mim, é uma gratidão. Espero continuar a ajudar a equipa e, se possível, ainda

melhorar.

Quando acabar este contrato, terá 36 anos. Este é um sinal de que pretende terminar a carreira no FC Porto?

Neste momento, e com tanto tempo de antecedência, posso apenas afirmar que pretendo chegar ao fim do meu contrato. Depois, na altura, logo se verá o que

acontece.

Nesse sentido, pondera prolongar a carreira para lá dos 36 anos, tal como acontece, por exemplo, com Van der Sar no Manchester United?

Confesso que não penso muito a longo prazo. Penso apenas em trabalhar, penso no dia-a-dia, e enquanto me sentir útil e com capacidade para ajudar, estarei

sempre pronto para o fazer.

Falou-se, recentemente, no interesse de clubes brasileiros. Algum dia pensou regressar?

Houve muita especulação, mas não houve interesse apenas de clubes brasileiros, porque também tive conhecimento de algumas abordagens de Inglaterra. No entanto,

sempre dei prioridade ao FC Porto, não só por me sentir muito bem no clube, mas também por estar completamente adaptado à vida em Portugal. Para além disso,

neste momento da minha vida, penso também nos meus filhos, que já andam na escola.

Durante estes anos, viu muitos jogadores a partir do clube. Sente alguma inveja deles?

Não lhe chamaria de inveja… Acho que tudo é uma questão de aproveitar as oportunidades. Nestes casos, há sempre duas partes no negócio, o clube e o jogador,

e se surgir alguma coisa tem de ser muito bom para todos. Tive conhecimento de interesse de clubes ao longo destes anos, alguns até me fizeram parar para

pensar, mas continuei sempre.

E porquê?

Nesses momentos, há muitos factores que pesam. Nunca fui de trocar muito ao longo da minha vida; aliás, basta ver que só tive três clubes: Vasco, Leiria

e FC Porto. Na altura, quando ainda estava no Brasil, era jovem e tinha curiosidade em conhecer outras realidades. A proposta do Leiria era boa e acabei

por arriscar. Hoje penso, sobretudo, nos meus filhos. Eles estão adaptados à vida aqui e isso também pesa bastante.

"Não me chamem paizinho..."

Helton é, aos 33 anos, o jogador mais velho do plantel, mas também o mais antigo. Apesar da evidência, e da chegada de mais jogadores jovens (Iturbe e Kelvin),

o guarda-redes recusa a alcunha de "paizinho". "Não me lembrem isso da idade [risos]. E paizinho não, por favor. Já tenho três filhos em casa [risos].

Agora falando um pouco mais a sério: é lógico que sinto que a responsabilidade aumenta e que acabo por ser visto como um exemplo. Mas, hoje em dia, eles

já têm uma grande maturidade para a idade. Os miúdos, por exemplo, já têm muito mais conhecimentos do que eu com a idade deles, estão mais bem preparados.

Para além disso, no FC Porto há uma estrutura que protege os jogadores. Aliás, não utilizaria a palavra protecção; prefiro dizer que esta estrutura nos

ajuda e facilita a integração. Posso dar o meu exemplo: quando cheguei fui muito bem recebido e, com isso, senti-me mais seguro para atingir o meu potencial".

"Ficava deliciado na baliza a vê-los trocar a bola"

Não está cansado de ganhar títulos? Só no FC Porto já são 12...

Nunca é de mais [risos]... Quando cheguei a Portugal, também já tinha conquistado alguns no Brasil, no Vasco da Gama, e cheguei com o objectivo de aumentar.

Felizmente, consegui no FC Porto mais alguns títulos. Aliás, muitos.

Já conquistou cinco campeonatos no FC Porto. Tem noção de que entrou para a história do clube?

Por acaso, ainda não parei para pensar sobre esse assunto. Tenho-me limitado a viver as alegrias que o FC Porto já me proporcionou, como acredito que também

tenha proporcionado algumas aos adeptos. Isso é o mais importante. Quanto aos números, confesso que não viajo muito sobre esse mundo, apesar de ter alguns

amigos que estão sempre a falar sobre isso, e a recordar-me que, muito provavelmente, daqui a 20 ou 30 anos ainda vou ser recordado por aqui. Para mim,

o mais importante disto tudo, é que, no futuro, os meus filhos vão curtir os feitos do pai [risos]. Se calhar, quando um dia parar, vou ter uma noção mais

exacta do que estou a conquistar aqui no FC Porto. Para já, não.

O que lhe falta ganhar no FC Porto?

Vai faltar sempre qualquer coisa. Já ganhei campeonatos, Supertaças, Taças de Portugal, a Liga Europa... Ainda faltam alguns, mas já sabem que me limito

a pensar apenas no dia-a-dia, sem nunca pretender criar demasiadas expectativas. Aliás, isso ficou comprovado esta época. Pode não resultar sempre, mas

a humildade dá uma ajuda.

Mas para fazer melhor do que nesta época, só vencendo a Champions...

Temos é de trabalhar... Trabalhar para tentar lá chegar, com humildade, porque sem humildade não se consegue nada.

Mas sente que depois da vitória na Liga Europa este grupo está mais preparado para disputar a Champions?

Não sei, isso é muito subjectivo. É verdade que a equipa cresceu muito esta época, amadureceu, o entendimento colectivo foi muito bom; às vezes ficava deliciado

na baliza quando os via a trocar a bola de uma forma tão perfeita. Era bonito de se ver. Isso mostra o crescimento da equipa, mas numa competição como

a Liga dos Campeões tudo pode acontecer.

Este é o melhor grupo de jogadores que encontrou no FC Porto?

É difícil responder a essa pergunta. Cada grupo teve as suas qualidades, mas também uma mentalidade muito própria, e isso depende muito de quem está a liderar.

Sou o mais velho desta rapaziada toda e não posso dizer que este foi o melhor. É verdade que este foi o plantel que mais ganhou durante uma temporada,

mas isso é o futebol. Foi apenas uma questão de aproveitar as oportunidades.

Depois de terem ganho tudo, o que se segue na próxima época?

A responsabilidade vai crescer, até porque fica o gosto pelas vitórias. Vamos ver se é possível. As pessoas inteligentes sabem que foi uma época brilhante,

maravilhosa, mas que dificilmente será repetida. Aliás, o FC Porto, que é um clube habituado a ganhar, só por uma vez na sua história tinha conquistado

quatro títulos na mesma época.

"Não foi fácil ser capitão, nem Jesus agradou a todos..."

Foi fácil ser capitão desta equipa?

Não! Nunca é fácil ser capitão. Desde o início senti isso na pele, senti que era uma responsabilidade acrescida. Mas eles ajudaram-me. Tive um grande apoio

do meu treinador. Ajudou-me, não só a mim, mas também ao Mariano e ao Falcao. Ele fez questão de representar sempre o grupo e facilitar a nossa tarefa;

fez com que tudo fluísse da melhor forma. Não foi fácil, nunca seria, mas ele simplificou o nosso trabalho.

Pergunto de outra forma: qual foi a importância do Helton no balneário?

O meu papel foi sempre o mesmo: procurei ser honesto e amigo, embora saiba que é impossível agradar a todos; nem Jesus conseguiu agradar a toda a gente,

por isso não seria eu que iria ser diferente. Isso faz parte da personalidade de cada um; não somos todos iguais.

O facto de ter sido escolhido para capitão fez com que tivesse aumentado o rendimento em campo?

As pessoas têm especulado muito sobre esse assunto, mas recordo que a braçadeira não joga. Por outro lado, a minha melhor época foi aquela que me proporcionou

a transferência para o FC Porto, ainda em Leiria, porque consegui chamar à atenção de um grande clube. Aqui, no FC Porto, limitei-me a dar continuidade

ao meu trabalho, até porque também já tinha realizado épocas maravilhosas no Vasco da Gama, onde estive nove anos. Fico um pouco triste quando ouço pessoas

a fazer a relação entre a braçadeira e a minha eventual subida de rendimento.

"Estive 24 dias em coma..."

Final da Liga Europa. FC Porto vence e Helton é o primeiro a levantar o troféu. "Não foi fácil a minha caminhada até ter chegado ali. E não me estou a referir

ao futebol, mas sim à minha vida pessoal. Vencer a Liga Europa depois de tudo o que eu passei é algo de absolutamente fantástico". A resposta levantou

a dúvida; afinal quais foram essas dificuldades. Helton recuou alguns anos e contou, emocionado, algumas histórias "difíceis" da adolescência. "Quando

tinha 12 anos, passei 24 dias em coma, depois de ter caído de uma árvore pé de jamelão. Tive um coágulo de sangue no cérebro e fui obrigado a tomar um

medicamento chamado Adrenal durante dois anos. Subi à árvore, mas escorreguei e caí de cabeça. Devia achar que era o Super-Homem". Hoje, Helton fala do

assunto sem preconceitos, apesar de reconhecer que nem sempre foi assim. "Venho de uma família pobre e já tinha ido fazer testes ao Fluminense. Eles quiseram

ficar comigo, mas, como não tinha dinheiro para as viagens, acabei por não conseguir ir para lá; um pouco mais tarde, fui ao Flamengo e também passei nos

testes. Mas quando ia começar a treinar, aconteceu o tal acidente". Mas Helton não desistiu. Aos 15 anos, e depois de um longo período de recuperação,

tentou novamente, desta vez no Vasco da Gama, e voltou a ser bem sucedido. E, daquela vez, nem o dinheiro foi problema para atingir o sonho de ser jogador

de futebol. "Tinha um amigo que era DJ, chamava-se Sérgio Magoo, e ele tinha conhecimentos numa companhia de autocarros. Falou com os motoristas e passei

a ir para o S. Januário [local dos treinos no Vasco] sem pagar. Eram cerca de 60 quilómetros de viagem todos os dias". A história que se seguiu mete música,

novamente por influência do amigo, a quem faz questão de prestar um tributo. "Ele foi uma pessoa muito importante na minha vida; acompanhou-me quando tive

o acidente e até cheguei a morar na casa dele. Para além disso, ele também me deu um empurrão na música". Pois é, Helton também foi DJ, por volta dos 17

anos. E tudo para ganhar um dinheiro extra. "Quando ainda estava nos escalões de formação do Vasco, tínhamos um jogador na equipa principal que se chamava

França. Ele organizava algumas festas no condomínio onde morava e contratava-me sempre para meter música. Assim, aproveitava para ganhar mais algum dinheiro.

Mas já nessa altura adorava música". Uma paixão que se prolonga até hoje.

"Sem a música não renderia no campo"

Helton mostra o estúdio que construiu em casa com um orgulho enorme. Afinal, o guarda-redes é também conhecido pelo seu lado musical, mas também por levar

quase sempre um instrumento para os estágios da equipa. E nem mesmo nas férias dispensa uma das suas grandes paixões. "Confesso que, nesta altura, prescindo

da praia por uma boa gravação num estúdio". O pior é a família. "Sou apaixonado pela música desde pequeno. Tenho um tio que é compositor e a minha mãe

sempre ouviu muita música em casa. Aliás, agora vou para o Brasil para o meu outro estúdio. A minha família fica doida [risos]". Helton vai mais longe

e relaciona as suas exibições com este outro lado artístico. "Eu sem a música não renderia nada. Esta é a minha terapia. Por exemplo, tenho de levar um

instrumento - violão ou cavaquinho - para os estágios ou, na pior das hipóteses, o meu iPhone, porque é assim a minha vida".

"Não finto para aparecer"

Concorda com a ideia de que arrisca muito quando joga com os pés?

Sempre fui assim; já falhei no Vasco, já falhei no Leiria, felizmente ainda não falhei no FC Porto, assim como grandes guarda-redes já falharam. Quando

se trata dos guarda-redes, a finta só é vista pelo lado negativo; carregamos essa cruz. Mas uma coisa queria deixar bem claro: não faço isto para aparecer,

ao contrário do que se pode pensar. Finto quando tenho de fintar, muitas vezes sem noção do que estou a fazer e com o único objectivo de ajudar a equipa,

porque entendi que, num determinado momento, aquela é a melhor opção. O FC Porto joga de uma forma arriscada, audaciosa, e eu não me importo de assumir

a "bronca", como se diz no Brasil.

Beto não o obriga a dar mais

Beto foi decisivo na final da Taça de Portugal e tem-se revelado um concorrente à altura de Helton. O brasileiro concorda com os elogios, mas refuta a ideia

de que o internacional português o faz dar ainda mais no dia-a-dia. "Não, de maneira nenhuma. Vou continuar a ser sempre o mesmo. Aliás, quando ele estava

para chegar, muitas pessoas disseram que ele tinha vindo para pressionar o Helton, mas eu sempre deixei bem claro que não nasci titular. Se jogar, melhor,

mas respeito o Beto, o Pawel [Kieszek], o Kadu ou o Maia. Isso não faz parte da minha maneira de ser".”

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2 – Declarações de Varela

“"Fiquei arrepiado nos Aliados"

MANUEL CASACA

A conquista da Liga Europa levou o FC Porto de volta à Avenida dos Aliados, local onde os campeões foram recebidos por milhares e milhares de adeptos que

quiseram ver de perto o troféu e uma equipa que promete ficar para a história como uma das melhores do futebol português. Em clima de euforia, os jogadores

também quiseram partilhar aqueles momentos de alegria, agradecendo o apoio que receberam ao longo da época. O autocarro panorâmico foi "engolido" pela

multidão. Para a maioria dos jogadores, mesmo aqueles que já tinham conquistado outros troféus, foi um momento único, porque assinalou o regresso à Baixa

portuense. Varela é um desses exemplos. Ganhou dois campeonatos, duas Taças de Portugal e duas supertaças nacionais, mas foi depois da vitória em Dublin

que festejou junto à Câmara Municipal do Porto, onde o presidente Rui Rio teima em não receber os campeões... "Fiquei arrepiado quando chegámos à Avenida

dos Aliados. Foi um momento fantástico", contou Varela em exclusivo a O JOGO.

Gostou tanto daqueles momentos na Avenida dos Aliados que quer regressar já no próximo ano. "Gostávamos de lá voltar para festejar e vamos trabalhar com

essa intenção", prometeu o internacional português.

Numa época memorável, Varela recusa destacar alguém em especial, distribuindo por todos o mérito da excelente época do FC Porto, que culminou com a conquista

da Supertaça Nacional, da Taça de Portugal, da Liga ZON Sagres e da Liga Europa. "O mérito é de toda a equipa. Tivemos de trabalhar muito diariamente para

conseguirmos os nossos objectivos", lembrou.

"Estou a viver um momento fantástico"

Varela realizou uma época notável no FC Porto, contribuindo, e muito, para os quatro troféus. Aos 13 golos marcados em todas as competições e às muitas

assistências realizadas para os companheiros, o extremo somou ainda inúmeras jogadas que deixaram os adversários pregados ao relvado. Naquele estilo desconcertante,

num pára-arranca constante que confunde quem lhe aparece pela frente, o extremo que tanto pode jogar à direita como à esquerda não esconde que ficou contente

com aquilo que realizou durante esta época. "Sinto-me bem e feliz, pois foi uma época excelente. Estou a viver um momento fantástico e espero continuar

nesta forma", admitiu, naquele jeito meio envergonhado, próprio de quem se sente pouco à vontade com auto-elogios. O internacional português, que tem uma

cláusula de rescisão de 40 milhões de euros, participou ainda em 43 jogos ao longo desta temporada.”

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3 - Os Elogios de … Guardiola

“"FC Porto ganhou tudo a jogar muito, muito bem"

PEDRO MARQUES COSTA

Os elogios ao Barcelona multiplicaram-se depois da vitória na Liga dos Campeões - até a Imprensa de Madrid se rendeu aos êxitos da equipa da Catalunha -,

mas no momento de mais um triunfo histórico e incontestável também houve quem falasse no... FC Porto. E para soltar alguns elogios. Foi o caso de Guardiola,

esse mesmo, numa espécie de antevisão à Supertaça Europeia que se jogará a 26 de Agosto no Mónaco. O treinador do Barcelona falou sobre a equipa de André

Villas-Boas pouco depois de ter vencido a final de sábado em Wembley e ainda esgotado pelos momentos de grande intensidade que tinha acabado de viver.

"Supertaça Europeia com o FC Porto? Ainda não sei... Estou muito cansado para responder a essa questão. Villas-Boas ganhou tudo a praticar um futebol muito,

muito bom. Mas agora deixem-me descansar antes de pensar na Supertaça contra o FC Porto", pediu o treinador, já depois de ter deixado mais um elogio ao

campeão português, repetindo a ideia proferida na antevisão da final da Liga dos Campeões, altura em que afirmou que também ele se "inspira" em Villas-Boas.

As palavras simpáticas de Guardiola sobre o FC Porto juntam-se a outras vindas de personalidades ligadas ao futebol, capazes de transformar os dois finalistas

da Supertaça Europeia nos mais elogiados durante a temporada que encerrou este sábado.”

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Sabe tão bem uns elogios, confesso que o meu grande ego portista ficou bem elevado depois de ouvir os elogios do treinador do Barcelona. Ao contrário do que acontece neste país à beira mar plantado, à quem deram o nome de Portugal, onde há muita gente que quer deitar o FC Porto a baixo com histórias ridículas, e que por isso não são capazes de reconhecer os grandes feitos portistas, do outro lado da fronteira houve quem reconhecesse e elogiasse, e não foi uma pessoa qualquer, foi o Guardiola.

sábado, 28 de maio de 2011

Época de Sonho


Super Taça 2010


Campeão Nacional 2010/2011


Liga Europa 2011


Taça de Portugal 2011


Quando estamos a ter um sonho bom, não queremos acordar, queremos retardar o toque do despertador para prolongar ao máximo esse sonho. E se por azar acordamos no meio da noite, queremos voltar a adormecer o mais rápido possível a ver se conseguimos retomar exactamente no ponto em que acordamos. No fundo é este o sentimento que tenho em relação a esta época, não quero acordar desta época de sonho.

Entre 7 de Agosto de 2010 e 22 de Maio de 2011, o FC Porto escreveu páginas fantásticas na história do clube, a história de uma das mais belas épocas de sempre, mais uma das inesquecíveis, títulos foram somados ao palmarés, mais concretamente: uma SuperTaça de Portugal; um campeonato; a Liga Europa e uma Taça de Portugal. O campeonato foi conquistado sem derrotas, em trinta jogos o FC Porto somou 27 vitórias e 3 empates. Acredito que nem o mais optimista dos portistas acreditava que seria possível uma época assim.

Ainda no final da época passada, numa entrevista à RTP; neste mesmo blog falei dessa entrevista na passada semana; o presidente Pinto da Costa prometeu que voltaria a ganhar não só cá dentro, como lá fora. Terá sido aqui que foi dado o mote para o sonho? Acredito que sim. Creio que o presidente direccionou a frase em dois sentidos: para dentro; ou seja, para os adeptos, e não só, como a lembrar que nada nos para, nem uns miseráveis castigos, no fundo um toque de alerta para reunir as “tropas” de forma rigorosa; e para fora; para que as pessoas percebessem, que o FC Porto é grande, mesmo que em Portugal muitos queiram passar a ideia contrária.

Há um provérbio que diz que quem não arrisca não petisca. Pois bem, Pinto da Costa contratou André Villas-Boas, quando este tinha apenas uns meses de experiência como treinador principal. Arriscou? Claro, mas afinal não é sempre um risco? A verdade é que a aposta está mais que ganha, o FC Porto ganhou tudo; ou quase tudo; só faltou uma tacita, mas, há que deixar alguma coisa para os outros … se bem que na próxima época espero que essa taça não fuja!

Tudo começou sem promessas exageradas, André Villas-Boas foi apresentado numa conferência de imprensa cujas palavras mais marcantes, pelo menos na minha perspectiva foram: “…Prometer faz-me relembrar 2002 quando um predestinado prometeu pela primeira vez. Agora promete-se à primeira conferência e há muitas que ficam por cumprir. O nosso compromisso é com a vitória, este clube vence desde 1893 e quero continuar a vencer. Quero deixar a minha marca e fazer parte da história deste clube. Promessas cheira a mais do mesmo, é repetição. …” E sem promessas, Villas-Boas cumpriu, e mais importante, venceu.

Vou começar a folhear as páginas deste livro fantástico que o FC Porto escreveu recentemente. Foi uma época de sonho, que teve vários momentos altos. O primeiro foi logo a 7 de Agosto, quando, contra todas as expectativas – já havia quem diagnosticasse fracasso no Dragão - o FC Porto ganhou ao Benfica por 2-0. O primeiro troféu da época estava ganho, a Supertaça Cândido de Oliveira. Mas esta foi apenas a primeira vitória dos dragões sobre as águias.

Na página seguinte encontro o a Liga Zon-Sagres. Poucos dias depois da vitória na Supertaça, começava o campeonato. Há muito que dizer sobre a Liga Portuguesa, mas vou destacar os jogos mais marcantes. Em Setembro, disputou-se aquele que para mim foi um dos melhores jogos da época, sem dúvida, o FC Porto Sporting de Braga, os portistas venceram 3-2, mas a qualidade de jogo foi fantástica. Em Novembro houve mais um momento especial da época, o FC Porto recebeu o Benfica e goleou por 5-0. Algumas vitórias e meses depois… é chegada a hora de falar do mítico jogo deste campeonato, jogo que se disputou no estádio das trevas, jogo em que o título de campeão transferiu-se do Benfica para o FC Porto. Os Dragões venceram 1-2 e a luz apagou-se e o sistema de rega ligou-se – grande falta de desportivismo, mas agradecemos imensamente por isso, assim nunca mais nenhum portista esquece o jogo no estádio das trevas. E de vitória em vitória, de recorde em recorde, paço a paço o FC Porto foi caminhando invicto no campeonato – em 30 jogos, 3 empates e os restantes 27 jogos com vitórias.

Passando a página … encontro a Liga Europa, outra competição onde o FC Porto brilhou esta época, outra competição onde a caminhada foi de sonho. O FC Porto realizou 17 jogos, destes, perdeu dois; Sevilha e Villarreal; e empatou um; ainda na fase de grupos. Destaco: o jogo em Viena, que se disputou num imenso manto de neve; os dois jogos dos quartos de final, no conjunto dos dois jogos o FC Porto marcou 10 golos e sofreu 3; e a primeira mão das meias finais, frente ao Villarreal, jogo que o FC Porto começou a perder e que acabou por ganhar por 5-1. Foi uma campanha fantástica que terminou em Dublin, numa final inédita, frente a outra equipa Portuguesa, o Sporting de Braga. Os dragões venceram 1-0, e a Taça voltou, tal como em 2003, para a cidade do Porto.

Mais uma vez viro a página, e aqui encontro a Taça de Portugal. Nesta competição o FC Porto defrontou equipas de escalões mais ou menos inferiores, mas ao chegar às meias finais o sorteio determinou que o Benfica seria o adversário. E em Fevereiro os benfiquistas foram ao dragão ganhar, 0-2 – partida a contar para a primeira mão das meias finais da Taça de Portugal. A 20 de Abril; poucos dias depois da conquista do campeonato; novamente na casa do rival – quando grande parte deste país esperava que o jogo da segunda mão das meias finais da Taça de Portugal fosse apenas e só uma mera formalidade – eis que o FC Porto vence o Benfica 1-3 e carimba categoricamente o passaporte para a final. Desta vez as luzes não se apagaram. Na final os dragões defrontaram o Vitória de Guimarães, e venceram inequivocamente por 6-2. outra Taça rumou ao Dragão.

Será que o sucesso portista estava escrito nas estrelas?

Foi ou não foi uma época de sonho? Não apetece prolongar? Apetecer até apetece, mas agora é tempo de férias, os jogadores merecem de todo o descanso, foram muitos jogos, muitos momentos de festa, precisam e merecem descansar. Esta época vai deixar saudades, porque é difícil repetir uma proeza destas. Mas esta época coloca a fasquia para a próxima mais elevada ainda, porque nós adeptos ficamos cada vez mais exigentes. O que é preciso é ter a noção do limite do sonho, a Liga Dos Campeões é mais complicada, lá estão os grandes tubarões europeus, aqueles que tem dinheiro para tudo e mais alguma coisa, aqueles que à UEFA convém manter o máximo de tempo possível em prova, porque as receitas com eles lá são maiores. Ou seja, o FC Porto não só precisa de jogar bem, como precisa de muita sorte nos sorteios. Vamos aguardar tranquilamente e saudosos pela próxima época, e esperar que os ditos tubarões não nos venham comprar as jóias da coroa.

A vencer desde 1893, este é sem dúvida o nosso destino!