sexta-feira, 10 de junho de 2011

Declarações de Hulk, O Golo Do Ano e Sobre Pedro Emanuel

1 – Declarações de Hulk

“"Com esta equipa vamos longe"

ROMAZ ANDRADE

Hulk está finalmente em destaque no Brasil, começando a recolher os louros da época que realizou no FC Porto, com 36 golos marcados em 53 jogos. Tal como

O JOGO informou na edição de ontem, o avançado portista foi considerado, pela ESPN, o melhor brasileiro a actuar fora do país, quer pela crítica especializada

quer por votação popular. Ora, foi precisamente na cerimónia que o consagrou, em São Paulo, que o Incrível falou da época passada e, sobretudo, das expectativas

para a próxima temporada. "Se mantiver a mesma equipa, o FC Porto pode chegar muito longe, pode fazer uma Champions que ficará marcada na história", disse.

Hulk não tem medo de pôr a fasquia demasiado alta. "No futebol, tudo é possível. Se o grupo estiver bem fechado e se os jogadores estiverem bem, podemos

até vencer a Champions."

Apesar de, na mesma entrevista, ter dito mais à frente que analisaria uma eventual proposta para sair para um campeonato mais forte, Hulk deu indicações

de que vai ficar no Dragão. "O FC Porto tem grandes jogadores, tem um grupo excelente. Se nos fecharmos como na época que passou, temos condições para

ganhar tudo. Claro que o grau de exigência será maior, mas sabemos o que valemos. O nosso objectivo é fazer uma grande Champions", insistiu.

Agora, a parte do assédio de outros clubes. Apreciado em Inglaterra e em Itália, Hulk garante estar bem no FC Porto, preparando-se para somar a quarta época

no Dragão. "Os jogadores pensam sempre no melhor, mas eu estou bem no FC Porto. Renovei recentemente o contrato [até 2016]. Mas se chegar uma proposta,

vamos estudar, vamos analisar", admitiu o avançado brasileiro. Hulk está protegido por uma cláusula gigantesca e, depois da renovação, 90 por cento do

seu passe pertence à SAD.

Incrível com vontade de voltar à selecção

Sem fazer parte dos convocados do seleccionador Mano Menezes para a Copa América, que se realiza em Julho, na Argentina, Hulk não desanima e espera em breve

ser um nome fixo no escrete. Nem que seja como ponta-de-lança, apesar de gostar mais de actuar junto à linha. "A camisola 9 cairia legal. Tenho de trabalhar,

dar o máximo e aproveitar as oportunidades. Estou à disposição e com vontade de assumir o ataque da selecção. Espero sempre ser chamado, mas não vou ficar

frustrado por não ir à Copa América. Infelizmente tive poucas oportunidades na selecção", explicou Hulk.

O novo Mourinho, sim senhor

T.A.

Cansado ou não da ligação e comparação constante com José Mourinho, André Villas-Boas foi mais uma vez associado ao treinador do Real Madrid. Mas desta

vez por um jogador do próprio balneário. Hulk não poupou nada nos elogios ao seu treinador e, em São Paulo, disse tudo alto e bom som: "Eu acho que ele

[Villas-Boas] tem tudo para isso [ser o novo Mourinho]." A explicação do avançado portista é simples. "[Villas-Boas] tem bastante qualidade e ainda vai

aprender mais. De certeza que vai ser um dos melhores do mundo."

Mas, afinal, qual é a grande especialidade de André Villas-Boas? Como o próprio reconheceu recentemente, não é no plano táctico que mais sobressai, antes

na forma como lida com o grupo e o motiva. Hulk concorda com a ideia e dá mais algumas pistas sobre a forma de trabalhar do treinador. "É uma excelente

pessoa, além de ser um grande treinador. E o facto de ser jovem não prejudica nada o seu trabalho. Ele é muito experiente. Já trabalhou com José Mourinho

e ganhou muitos títulos nessa colaboração. Ele sabe conversar com os jogadores, sabe dar espaço. Todos elogiam a sua forma de ser", reconheceu Hulk. Villas-Boas

não poderia ter melhor cartão-de-visita no Brasil. Aliás, pelo que se percebe na Imprensa o nome do treinador já começa a ser conhecido entre os brasileiros.

Directo ao assunto

Ronaldo, o Fenómeno

"Vai ficar eterno. Ele é idolatrado no mundo inteiro, é um fenómeno. É o meu ídolo também, e desejo-lhe toda a sorte do mundo fora dos

relvados

Terminar carreira no Brasil

"Penso um dia jogar no Brasil. Que seja daqui a oito anos. Pretendo jogar no Brasil, porque nem joguei direito por aqui. Não tenho preferências de clubes.

Apesar de ser palmeirense, não digo que, no Brasil, só jogo no Palmeiras. As portas estão abertas, e tenho de procurar o meu espaço. Tenho de trabalhar

bem para ter as portas abertas no Brasil

Reconhecimento

"Saí muito cedo do Brasil e não tive muitas oportunidade para mostrar o meu trabalho. Tive de sair e morei três anos e meio no Japão. Agora estou em Portugal

e consegui o meu espaço por lá. Aos poucos estou a ser reconhecido no Brasil, e o meu objectivo é representar a selecção brasileira para ser mais reconhecido

ainda”

2 – O golo de Guarin foi considerado o golo do ano

"Portistas, o golo do ano é meu!"

HUGO SOUSA

Guarín esmagou a concorrência e venceu a eleição do melhor golo do ano promovida pelo jornal "Guardian", de Inglaterra. O golo que o colombiano marcou ao

Marítimo, no Dragão, recolheu 47,2% dos votos, distanciando-se do segundo classificado, Wayne Rooney, nas últimas horas em que decorreu a votação, que

começou na segunda-feira e encerrou ontem. Guarín, através do Twitter, tinha apelado ao voto dos seus seguidores, e o pedido parece ter resultado, garantindo-lhe

uma vitória confortável sobre o avançado inglês (28,9% das preferências) e mais confortável ainda sobre os restantes 18 concorrentes, onde estavam nomes

como Messi, que tinha dois golos a sufrágio, Stankovic ou Cavani.

O entusiasmo com que Guarín acolheu a iniciativa do "Guardian", com o tal apelo directo ao voto, não se esfumou depois de conhecido o resultado. Aliás,

o colombiano nem se deu ao trabalho de camuflar as emoções com falsas modéstias e, de rajada, tratou de despejar três mensagens no Twitter: as duas primeiras

em espanhol, uma a dar conta do resultado e a outra a agradecer o apoio, a terceira em "portunhol", directamente dirigida aos adeptos do FC Porto. "Malta,

portistas, está feito. O melhor golo da Europa foi o meu. Obrigado pelo apoio e abraço para todos", escreveu, numa versão já adaptada e corrigida. "Foi

um remate a uns 38 metros, muito estranho para o guarda-redes. A bola subiu, desceu, fez uma curva e entrou. Nem queria acreditar", detalhou depois à imprensa

colombiana, que deu grande destaque ao assunto, antecipando também a Supertaça europeia, com o Barcelona. "Vamos ter de ser inteligentes", disse, sublinhando

que o FC Porto "é um dos mehores clubes do Mundo".

Focado nos trabalhos da selecção colombiana que prepara a participação na Copa América, que este ano se disputa na Argentina, o médio portista junta mais

alguns elogios para massajar o ego após um final de época em que tudo lhe correu bem: assistências, golos e exibições consistentes garantiram-lhe um papel

de destaque e despertaram a cobiça de alguns clubes. Guarín marcou dez golos (cinco no campeonato e mais cinco na Liga Europa).

A bomba que valeu prémio

Guarín dificilmente esquecerá o dia 8 de Janeiro de 2011, data do golo que o fez levar as mãos à cabeça, como que não acreditando que aquele pontapé, a

cerca de 40 metros da baliza de Marcelo, tivesse entrado. A bola ganhou um efeito tremendo depois de sair dos pés de Guarín, que marcou dois golos nesse

jogo.”

Em

www.ojogo.pt

3 – Sobre a Saída de Pedro Emanuel

A mais que provável saída de Pedro Emanuel para a Académica é de lamentar, é sempre de lamentar a saída de alguém que há-de fazer falta, mas julgo que o FC Porto vai encontrar alguém, da casa, para o lugar. Resta-me desejar as maiores felicidades ao Pedro Emanuel, com a excepção dos jogos contra o FC Porto, como é óbvio. Creio que a Académica terá um bom treinador. Pelos vistos o FC Porto não só é bom vendedor de jogadores, como é bom a formar treinadores.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Várias Notícias...

1 – Falcao voltou a falar da renovação e elogiou o FC Porto

“"A ideia é aumentar o valor da cláusula"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

De férias em Buenos Aires, na Argentina, Falcao deu mais algumas pistas sobre o futuro. Em declarações a O JOGO, depois de ter assistido à partida que opôs

o River Plate ao Colón, o colombiano confirmou, mais uma vez, as conversas sobre a renovação de contrato e, agora uma novidade, revelou a intenção das

duas partes: aumentar a cláusula de rescisão, fixada actualmente em 30 milhões de euros.

A leitura das declarações de Falcao pressupõe a continuidade no FC Porto por, pelo menos, mais uma temporada, mesmo que o seu nome esteja nas listas de

compras de vários clubes. Por exemplo, o jornal inglês "The Guardian" elaborou um trabalho sobre os 50 principais animadores de mercado, incluindo Falcao

nos desejos do Arsenal e do Tottenham, avaliado em 26 milhões de libras, ou seja, os tais 30 milhões de euros. "É difícil que saia do FC Porto. Os dirigentes

do clube querem manter a equipa e reforçá-la nos lugares que mais precisa tendo em vista a próxima época. De acordo com essa mentalidade, o objectivo não

passa por prescindir de nenhum jogador, nem da equipa técnica", disse. Seja como for, o nome de Falcao na Imprensa europeia tem sido uma constante diária

e até o Real Madrid já surgiu como um dos potenciais interessados. "Mantenho-me à margem das notícias e das especulações. Não tenho lido muitos jornais.

Vi que escreveram que havia um suposto interesse [do Real Madrid]. Mas o que posso dizer é que estou muito bem no FC Porto, clube com o qual tenho mais

dois anos de contrato. Vamos disputar a Liga dos Campeões na próxima época, que é um desafio pessoal que me motiva bastante". Lançado o nome do Atlético

de Madrid para a conversa como outro dos emblemas supostamente interessados, Falcao foi ainda mais claro. "Estamos a falar sobre a renovação de contrato.

Tenho uma cláusula de rescisão que é acessível para alguns clubes da Europa e a ideia é aumentá-la", afirmou o colombiano.

O objectivo de experimentar outro campeonato continua, ainda assim, na mente do ponta-de-lança. "Claro que na Europa há campeonatos importantes e que, em

determinado momento da carreira, gostaria de experimentar. Sei que esse momento vai chegar um dia, mas actualmente só penso no FC Porto. Espanha, Inglaterra

ou Itália têm campeonatos que agradam muito aos jogadores e um dos meus objectivos é poder disputá-los", referiu Falcao.

O clube portista merece os mais rasgados elogios do colombiano. "Atravesso um bom momento e estou numa instituição bastante organizada. Temos uma equipa

de grande nível, com jogadores de qualidade. Aliás, foi isso que me permitiu dar um salto importante, adaptando-me rapidamente ao futebol europeu e podendo

ser um dos protagonistas da equipa".”

O que será que está a faltar para este acordo ficar assinado?

2 – Guarin na corrida pelo golo do ano

“Guarín concorre ao golo do ano

O golo de Guarín ao Marítimo, da 15ª jornada do campeonato, era ontem o segundo mais votado no sítio do jornal inglês "Guardian", entre os 20 colocados

à apreciação dos cibernautas. O colombiano, recorde-se, bisou nesse encontro, mas foi com o primeiro golo, a 37 metros da baliza de Marcelo, que levantou

as bancadas do Estádio do Dragão para um momento que ficou gravado na memória como um dos melhores golos da temporada e que agora também pode vir a ser

reconhecido além-fronteiras. A votação do "Guardian" termina na próxima quinta-feira, pelo que tudo continua ainda em aberto para decidir qual será o melhor

golo.”

Vamos esperar até Quinta para saber o resultado final desta votação.

3 – Belluschi lesionou-se

“Belluschi sofreu fissura no perónio

CARLOS GOUVEIA

Belluschi esteve nos últimos 45 minutos da derrota da Argentina com a Polónia (jogo particular) e acabou lesionado. A suspeita é de uma fissura no perónio

esquerdo, o que poderá atrasar o início da pré-temporada do médio no FC Porto. Belluschi foi examinado numa clínica privada de Varsóvia, mas só hoje, quando

chegar a Buenos Aires, vai efectuar uma ressonância magnética para perceber qual a extensão da lesão. Só então será determinado o tempo de paragem, sendo

certo que terá de ficar uns dias com o pé totalmente imobilizado. O FC Porto reabre a oficina do Olival a 30 de junho, ou seja, dentro de três semanas,

e Belluschi arrisca-se a não estar operacional.

Em todo o caso, a lesão parece não ser muito grave e até é possível que seja debelada durante as férias do jogador, que vão ser passadas em Los Quirquinchos,

uma pequena povoação de pouco mais do que dois mil habitantes que fica na província de Santa Fé.

Alejandro Rolón, médico da selecção alviceleste, acompanhou o médio portista nos exames efectuados na capital polaca e procurou desdramatizar a situação,

dizendo que se trata de "uma lesão sem grande importância, ainda que o obrigue a ficar com o pé imobilizado até se concluir a recuperação".

Em Abril de 2010, Fàbregas, do Arsenal, sofreu uma lesão semelhante e teve uma paragem de seis semanas. Contudo, a extensão do problema pode ser menor no

caso de Belluschi, o que significaria uma paragem mais curta. A ser idêntica, o argentino só estaria operacional, na melhor das hipóteses, na terceira

semana de Julho.”

Todas as notícias retiradas de:

www.ojogo.pt

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Álvaro Pereira Em Entrevista Ao OJOGO

Aqui fica mais uma entrevista de um jogador portista, nada como elas para alimentar o blog…

“"Vai demorar anos para nos darmos conta do que fizemos"

CARLOS GOUVEIA

Ainda antes de deixar o Porto para se juntar à selecção do Uruguai, com a qual espera ganhar a Copa América, Álvaro Pereira levou O JOGO ao Estádio do Dragão

e passou em revista uma época inesquecível , mas sem deixar de perspectivar o que será a próxima época, que, admitiu, terá o dobro da dificuldade. A ambição,

porém, é de repetir os festejos. E o Palito voltou a garantir que não está a pensar em sair.

Está cansado de festejar?

Estou sobretudo feliz, e não há cansaço quando se consegue uma época assim. É uma época de sonho, e vamos procurar desfrutar ao máximo porque isto não acontece

todos os dias. Faço um balanço muito positivo porque, além de todas as taças, conseguiram-se outras coisas importantes, como recordes ao nível dos golos

e de vitórias, além de termos perdido poucos jogos e conseguindo terminar o campeonato invictos. Esse é um feito notável porque o grupo acreditou sempre

em si do primeiro ao último jogo, e essa foi a receita do nosso sucesso.

Tem a consciência de que ajudou a equipa a entrar para a história?

Não. Penso que isso vai demorar algum tempo, alguns anos, para nos darmos conta do que conseguimos. Mas vai ajudar a não relaxarmos. Sou muito ambicioso,

mas com cautela; por exemplo, ainda estou a assimilar o feito que o Uruguai conseguiu no Mundial da África do Sul [quarto lugar, depois de ter sido afastado

da final pela Holanda]. Oxalá que daqui a 20/30 anos ainda se fale desta equipa. Pessoalmente, a época passada, na qual não ganhámos o campeonato e ficámos

de fora de outras provas, foi dura para uma equipa habituada a ganhar muitas coisas. O grupo queria revoltar-se contra isso, e desde o primeiro dia em

que falei com o míster André, comuniquei-lhe que o que mais queria era ser campeão.

Já pensou como será o dia em que a equipa perder um jogo no campeonato?

Será um dia normal. Tenho mentalidade ganhadora e não penso em perder, mas se isso acontecer, é preciso lembrar que é apenas um jogo; nada mais.

Estamos no chamado defeso; o Álvaro vai resistir ao assédio do mercado?

Estou tranquilo. Vou para a selecção e depois voltarei com todas as ganas para começar bem a época aqui. Não tenho vontade de sair nem me passa isso pela

cabeça, já que estou muito feliz aqui.

É essa a ideia da maior parte dos companheiros?

Não me posso meter na cabeça deles, mas é a minha, da minha esposa e da minha filha. Estamos todos muito felizes no FC Porto.

E vai sentir saudades do Cristian Rodríguez na próxima temporada ?

Vou estar com ele agora na selecção e não sei se ele vai sair ou não. Não falei com ele sobre isso. Oxalá recupere da lesão e nos ajude na selecção porque

é um excelente jogador e um grande amigo.

"Fazer uma boa Champions é vencê-la"

Álvaro Pereira já fez 14 jogos na Liga dos Campeões, seis dos quais com a camisola do Cluj, o clube que lhe abriu as portas da Europa, no Verão de 2008.

A estreia aconteceu a 16 de Setembro, com um triunfo em Roma, e o lateral confessou que até se arrepiou quando ouviu o hino. Por isso, não vê a hora de

voltar a participar na maior prova de clubes e diz que não é impossível o FC Porto repetir o feito de 2004. "Temos sempre essa esperança. Falta muito ainda,

e é preciso manter a calma. Vai ser um sonho voltar a jogar a Liga dos Campeões. Recordo-me perfeitamente de quando cheguei à Roménia e me estreei na prova.

Ouvir aquela música, quando se entra em campo, é impressionante. Temos esse sonho, e porque não? Além de que temos essa espinha encravada do jogo com o

Arsenal nos oitavos-de-final", frisou, referindo-se aos 0-5 sofridos em Londres nos oitavos-de-final da época passada. E passar aos quartos-de-final será

suficiente para desencravar essa espinha? "Não", atira Álvaro Pereira, explicando: "Fazer uma boa Champions passa por ser campeão da prova. Não podemos

ser conformistas", sublinhou. Para tal, o lateral não esconde que seria "importante manter a equipa toda", mas sabe que isso depende dos dirigentes. "Nós

só jogamos futebol", lembrou.

O segredo das folgas e o fim das críticas a Villas-Boas

À partida para férias, o médio Souza revelou que nunca tinha tido tantas folgas como esta época. Álvaro Pereira partilha dessa convicção e admite que isso

também contribuiu para o sucesso do FC Porto. "Eram uma forma de nos motivar porque sabíamos que se ganhássemos, teríamos direito a uma folga. Alimentou-nos

nos jogos porque dizíamos entre nós: 'Vamos lá ganhar porque amanhã descansamos junto da família.' Deu resultado, mas não quer dizer que andámos sempre

de folga. Não, elas eram um prémio pelas vitórias", sublinhou. E foram 48 os triunfos ao longo de 2010/11... Números que, na opinião do Palito, são mais

do que suficientes para calar a voz de quem criticou a contratação de Villas-Boas. "Especula-se muito quando um treinador chega a um clube desta dimensão.

Diziam que era muito jovem, mas demonstrou que é mais do que capacitado e que está à altura dos grandes treinadores mundiais", elogiou o lateral-esquerdo,

que não escondeu a vontade de o ver continuar no banco do FC Porto. "Para nós, era importante que ele ficasse, não só ele como toda a equipa técnica, porque

já nos conhecemos bem e tivemos sucesso. Estar a mudar seria duro", referiu. Depois do triunfo na Taça de Portugal, não houve discurso de despedida, revelou.

"Apenas nos desejou boas férias. Simplesmente isso. E disse para desfrutarmos do descanso e do sucesso alcançado porque ainda não tivemos tempo para o

fazer. Ganhámos a Supertaça e começou logo o campeonato; quando fomos campeões, tínhamos a Liga Europa; ganhámos a Liga Europa e havia a Taça de Portugal.

E agora as férias. Foi tudo muito rápido e sucessivo", sublinhou.

"Seremos o alvo a abater"

"Isto não é como começa é como acaba". A frase é de Jorge Jesus, proferida em Dezembro de 2010, quando já tinha perdido a Supertaça Cândido de Oliveira,

o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, e estava a oito pontos do FC Porto no campeonato. Já Álvaro Pereira espera que, na próxima

época, tudo comece e acabe como nesta: com a equipa a levantar troféus. Ou seja, a ideia é voltar a ganhar ao Guimarães na Supertaça e partir daí para

mais uma temporada de sucessos, que termine no Jamor. Mas o lateral sabe que o FC Porto vai "ser o alvo a abater" e que a exigência dos adeptos "vai manter-se

alta".

Admite que esta equipa deixou uma fasquia muito alta para a próxima temporada?

É verdade, mas a responsabilidade é a mesma que vou ter agora na selecção depois do quarto lugar no Mundial. Todos vão esperar que o Uruguai vença a Copa

América, é esse o nosso sonho e aqui no FC Porto passa-se o mesmo. Todos vão querer que lutemos pela Liga dos Campeões, pelo campeonato, por tudo. Mas

vai ser duas vezes mais difícil do que foi nesta época, mas vamos fazer os possíveis. Têm de nos deixar trabalhar. Agora há que ir de férias, descansar,

assimilar tudo e depois pensar no que aí vem. Temos que estar conscientes de que se as coisas não começarem bem, não devemos perder a cabeça. Claro que

depois de tanto sucesso, uma derrota vai doer mais. Mas teremos de manter a calma porque sabemos qual é o nosso valor.

A exigência dos adeptos vai manter-se. O que podem prometer-lhes?

Esse é um grande desafio e estamos prontos para ele. Vamos fazer os possíveis por voltar a ganhar todas as taças porque somos ambiciosos e queremos sempre

mais. Vamos querer ganhar a Liga dos Campeões, o campeonato, tudo, porque nenhum jogador é conformista e uma época passa muito rápido.

Admite que o FC Porto será o alvo a abater?

Sim. Todas as equipas vão jogar a vida ou a morte porque vão defrontar o campeão invicto e o vencedor da Liga Europa. Vai ser um lindo desafio e uma época

muito dura.

No início desta época, a vitória na Supertaça foi decisiva para a confiança da equipa e o arranque. Sente o mesmo em relação à próxima?

Pode ser, mas esta época foi especial porque foi contra o Benfica, que era o campeão e apontado como favorito, e porque tínhamos perdido os jogos no Torneio

de Paris uns dias antes. Além disso, o grupo estava a reorganizar-se por causa das saídas do Bruno Alves e do Raul Meireles. Vencemos, isso, moralmente,

alimentou o grupo e sabíamos que era esse o caminho a seguir. Aí começou tudo. Houve outro momento fundamental que foi a vitória em pólo aquático contra

a Académica [risos]. Na altura, questionávamos como íamos jogar ali, mas ainda bem que o fizemos e vencemos.

A ideia é começar como tudo acabou, com um troféu?

Claro que sim. É disso que as pessoas se lembram, dos vencedores.

"Primeira parte no Jamor foi alucinante"

Quatro em cinco títulos, uma época de sonho com um final perfeito: goleada ao Guimarães no Jamor. Um jogo "maluco", bem diferente da final "fechada" de

Dublin com o outro rival do Minho. Mas é do triunfo no Estádio da Luz para o campeonato que Álvaro Pereira não se vai esquecer tão cedo.

A vitória no Jamor foi o final perfeito de uma época de sonho?

Sem dúvida. Enfrentámos o jogo com toda a seriedade, a equipa estava um bocado cansada porque tínhamos jogado na quarta e havia os festejos pelo meio. Era

preciso mudar rapidamente o "chip" para outra final e voltámos a demonstrar a ambição que nos destacou ao longo da época. Acabámos da melhor maneira a

época.

E com muitos golos, que faltaram em Dublin...

Os golos que não apareceram na Liga Europa saíram todos no Jamor. Foi um grande espectáculo para os adeptos e já sabíamos que em Dublin não seria assim,

mas fechado, porque uma prova europeia é algo muito importante. Procurámos fazer o nosso jogo, mas o Braga jogou mais precavido, mais fechado, a sair no

contra-ataque. Não lhes demos hipóteses, com excepção daquele lance do Mossoró, que graças a Deus o Helton salvou. A partir daí controlámos e até podíamos

ter ampliado o marcador. As finais são para ganhar, nem que seja por meio a zero.

No Jamor foram sete golos em 45 minutos...

Foi alucinante, um pouco maluca porque nós marcávamos e eles marcavam logo a seguir. O momento-chave foi quando fizemos o 4-2 e surge a grande penalidade

para eles. O Beto defendeu em grande estilo e voltámos a marcar na sequência do canto a favor do Guimarães e isso matou o jogo.

Onde é que a equipa foi buscar forças para um jogo com aquele ritmo, depois de Dublin e da festa?

Estivemos bem porque ao longo da época a equipa foi-se habituando a jogar à quinta e ao domingo, com viagens longas pelo meio, como à Rússia ou à Bulgária.

No plano emocional podia ser mais complicado porque era preciso mudar o "chip".

Qual é a melhor recordação da época?

O 2-1 no Estádio da Luz porque venci aí o meu primeiro campeonato. Foi uma sensação que nunca vou esquecer. Ainda para mais na Luz e contra o grande rival.

E o momento mais complicado?

Talvez o 5-0 contra o Arsenal na época passada. Nesta época, foi só quando magoei o ombro e me disseram que tinha de ser operado. Mas ficou tudo bem porque

tanto o Rafa, como o Fucile, o Sapunaru ou o Sereno, todos os que entraram estiveram bem e não se notava que faltava alguém em campo. Falou-se muito que

a equipa caiu quando não estive eu e o Falcao, mas eu acho que isso se deveu à sucessão de jogos, simplesmente. Em Janeiro e Fevereiro jogaram-se muitas

partidas e é normal que o nível baixe um pouco.

"Espero regressar o mais tarde possível e com a Copa América debaixo do braço"

O FC Porto ultrapassou o Benfica no número de títulos oficiais e o Uruguai quer fazer o mesmo em relação à Argentina e tornar-se na selecção com mais Copas

América conquistadas. Uma luta que, afinal, já não terá o companheiro Otamendi do outro lado. "Ele quer ganhar, mas não vamos deixar. Há que jogar e trabalhar

para ir jogo atrás de jogo. Oxalá ganhemos nós e passemos a ser o país com mais Copas América", atirou. A contabilidade regista um empate a com entre celestes

e alvi-celestes. Por causa desta competição, que termina apenas a 24 de Julho, Álvaro Pereira não terá direito a férias. "Espero voltar o mais tarde possível

e com a Copa América debaixo do braço. Aconteceu o mesmo na época passada por causa do Mundial e foi tranquilo. Aliás, será o quarto ano em que não tenho

férias, já estou habituado. Tenho tempo no futuro, quando deixar o futebol, para as gozar", atirou, explicando que os uruguaios têm vibrado com as conquistas

do FC Porto. "Estão muito felizes porque pelo segundo ano seguido jogadores locais vencem a Liga Europa [Forlán ganhou na época anterior pelo Atlético

de Madrid]. E a forma como vencemos a Liga teve grande visibilidade. Agradeço a todos os que têm apoiado e vamos tentar dar-lhes uma alegria nesta Copa

América", concluiu.

"Sabemos o nosso valor e estamos à altura de qualquer adversário"

Álvaro Pereira não tinha preferência pelo adversário na Supertaça Europeia, mas admitiu que é mais um dos fãs do futebol praticado pelo Barcelona de Pep

Guardiola e que tinha algum medo do Manchester, de Sir Alex Ferguson. O confronto está marcado para 26 de Agosto, no Mónaco, e será contra a equipa que

pratica um estilo mais parecido com o do FC Porto, de circulação de bola. O lateral diz que os dragões estarão à altura. "Temos de estar preparados quando

entrarmos em campo para jogar com o Setúbal, a Académica, o Barcelona ou o Manchester United. Todos os jogos são finais. Sabemos do valor e da importância

do Barça, mas também conseguimos coisas importantes e estamos à altura de qualquer adversário. Toda a gente sabe que admiramos o estilo do Barcelona, mas

tinha um bocado de medo do Manchester, que é uma equipa de topo", frisou. No entanto, Palito acrescenta outros dados que poderão ter influência nesse encontro.

"Temos a Supertaça nacional e o início da Liga antes e não podemos esquecer isto porque é o campeonato que nos dá acesso à Liga dos Campeões".”

Em

www.ojogo.pt

sábado, 4 de junho de 2011

Pleno Portista e Falcao Ao OJOGO

1 – Pleno Portista!

“"DECA" COMPÕE TERCEIRO PLENO PORTISTA

Com a conquista do décimo título consecutivo de hóquei em patins, o FC Porto somou, pela terceira vez, o pleno das modalidades colectivas, feito que mais

nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu. Do relvado ao pavilhão, os Dragões venceram todas as competições nacionais de seniores, num triunfo ampliado

pela conquista da equipa feminina de natação.

Antes do êxito global de 2010/11, o FC Porto já tinha feito o pleno em 2003/04, também ano de conquista europeia, e em 1998/99, época de pentacampeonato

no futebol. Esta temporada, além dos títulos seniores de futebol, andebol, basquetebol, hóquei em patins e natação, os azuis e brancos foram também campeões

de Sub19 e Sub15, nos escalões de formação de futebol.

Entre as semelhanças dos anos de pleno, sobressaem como dados comuns às épocas de 2003/04 e 2010/11 as vitórias europeias de Gelsenkirchen e Dublin: a

primeira na UEFA Champions League, a segunda na UEFA Europa League.”

Em

www.fcporto.pt

2 – Falcao ao OJOGO

“"Barça é a melhor equipa do planeta, mas podemos vencer"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

A Colômbia é o seu país, a sua terra, a sua paixão; a Argentina a casa adoptiva, onde cresceu e se fez em definitivo futebolista e conheceu o amor da sua

vida, Lorelei Tarón. Por isso, nestas férias Falcao escolheu instalar-se em Buenos Aires, perto da família e dos muitos amigos que fez desde 2001 até à

partida para o FC Porto. Amanhã estará nas bancadas do Estádio Monumental para apoiar um River Plate que não luta por títulos como quando El Tigre vestia

a camisola encarnada, mas por se manter na primeira divisão. Porém, o descanso do goleador não é total; enquanto procura desfrutar de cada minuto das férias,

também prepara a Copa América que se disputará em Julho, avalia o seu futuro e ainda encontra tempo para recordar o passado recente, repleto de glória

em Portugal e na Irlanda, onde conquistou a Liga Europa. "Quando cheguei à Europa, sonhava ter este tipo de vitórias. Mas a forma como tudo aconteceu foi

impressionante. Não pensei que pudesse ser assim e muito menos que marcaria tantos golos. Tinha muita fé, mas realmente tudo o que se passou no FC Porto

foi muito melhor do que o que esperava", confessou a O JOGO, ainda surpreendido pela excelente campanha coroada com quatro voltas olímpicas e o título

de maior goleador da Liga Europa. Falcao repete algumas das ideias que deixou na entrevista ao canal Fox Sports, esta semana, e ainda não abre em definitivo

o livro do futuro. Mas, não deixa de ser curioso que, para ele, falar do futuro seja falar... da Supertaça europeia.

Depois da Copa América, que camisola vai vestir? A do FC Porto, a do Real Madrid , a de algum clube inglês?

Tenho mais dois anos de contrato com o FC Porto, onde me sinto muito cómodo, e, como tenho dito, estamos a conversar sobre a renovação. Depois desta temporada

com quatro títulos, algo que não é fácil de conseguir em qualquer equipa do mundo, creio que há clubes de toda a Europa interessados nos jogadores e até

no treinador do FC Porto, que é um clube que se destaca por ser vendedor. Eu trato de me manter à margem de todos os rumores e só penso em jogar.

Já imaginou como será defrontar o Barcelona de Messi e Guardiola na Supertaça europeia?

Motiva-me bastante pensar que vamos jogar contra a melhor equipa do planeta. Já estamos a pensar nessa partida. Não será fácil, claro, mas ninguém nos pode

tirar a esperança de vencer a prova.

Pode dizer-se que Villas-Boas é um treinador ganhador como Mourinho, mas com os gostos futebolísticos de Guardiola?

É um treinador muito inteligente, próximo dos jogadores, escuta as necessidades do plantel e sabe ceder. Por isso, o ambiente no grupo foi muito bom. Tem

um enorme potencial e pode chegar longe no futebol.

Viu a final da Liga dos Campeões?

Sim, e o jogo do Barcelona foi espectacular. Sem dúvida que são os melhores do mundo, uma equipa recheada de grandes jogadores, os mais talentosos. Vamos

ter de trabalhar muito forte para os poder vencer, mas nada é impossível. É um jogo e há que disputá-lo.

"Senti arrepios em Dublin, foi o ponto máximo de felicidade"

Nem Messi com o Barcelona fez tantos golos numa prova europeia. O que significa este feito para si?

Superei a marca de Jurgen Klinsmann, e esse feito, a título pessoal, é algo maravilhoso e que nunca esquecerei em toda a minha carreira. Sem dúvida. De

qualquer forma, estou convencido de que nada teria servido se não tivéssemos ganho a Liga Europa. Isso realça muito mais o meu recorde pessoal. E, definitivamente,

o colectivo é o mais importante para todos.

Pensavam que essa final em Dublin seria com o Braga ou pensavam noutro clássico decisivo com o Benfica?

Na verdade pensávamos que o Benfica seria o nosso rival na final, mas o Braga mostrou que é uma grande equipa e que se fortalece diante dos grandes adversários.

Tem excelentes jogadores, por isso não nos surpreendeu defrontá-los em Dublin. Não foi um jogo fácil para nós, mas conseguimos impor o nosso jogo e terminar

como campeões.

E o Falcao foi outra vez o herói. Agradeceu de forma especial ao Guarín pelo passe?

O Fredy é um grande jogador, fez um cruzamento magnífico. Creio que, em grande parte, o golo que marquei o devo a ele. Por isso o abracei tanto nos festejos.

É um grande companheiro e uma excelente pessoa.

O FC Porto deve ser a equipa portuguesa mais popular na Colômbia graças ao trio que formou o Falcao com o Guarín e o James...

Somos um bocadinho da Colômbia em Portugal. Por sorte, as coisas têm saído bem, e é excelente ter compatriotas como companheiros de equipa porque facilita

a adaptação. Partilhamos muitas coisas, como os costumes da comida e da música.

Além disso, festejaram os títulos com a camisola do FC Porto e a bandeira da Colômbia às costas...

Isso é uma das coisas de que mais me orgulho. Qualquer jogador sonha triunfar. Quando dava a volta olímpica em Dublin, sentia arrepios no corpo porque estava

no ponto máximo da felicidade. Na verdade nem tem explicação. E partilhar essa consagração com a bandeira do meu país foi algo fantástico e único.

"James amadureceu muito, está em grande"

A combinação entre o amarelo, o azul e o encarnado gera devoção em Falcao. Figura no FC Porto, transformou-se na estrela maior colombiana, ao nível de Shakira,

a cantora e namorada de Piqué, do Barcelona. El Tigre é o jogador mais cobiçado para a selecção do seu país e também foi eleito como embaixador para promover

o Mundial de sub-20 que a Colômbia vai organizar. Além disso, teve o privilégio de conversar com o presidente do país, Juan Manuel Santos. "Parece-me um

pouco exagerado dizer que sou herói nacional. O êxito no FC Porto é que gerou este tipo de sentimento no meu país. Talvez não tenha a real noção do que

consegui, mas também não penso muito nisso. Procuro ser o mesmo de sempre, mas tenho a esperança de representar sempre bem a selecção, que é o que mais

quero neste mundo", confessou.

A família contou-lhe o impacto que os seus golos tiveram na Colômbia?

Sim, falaram-me da emoção que foi para todos os colombianos, que o viveram como se tratasse de uma equipa do nosso país. Estou muito contente e quero desfrutar

com eles, que me seguem e estão sempre presentes.

Está preparado para a Copa América?

Todos os jogadores têm sempre muita vontade de mostrar que o que fazem nos clubes não é mera casualidade. Espero que o rendimento colectivo seja bom, à

parte do que podem fazer as individualidades. Não basta brilhar se não se formar um bom grupo. É fundamental.

James pode chegar à selecção principal depois do Mundial de sub-20?

James amadureceu muito, está a atravessar um grande momento. Os três golos que marcou na final da Taça de Portugal deixam isso claro. Não se deve sobrecarregá-lo

com responsabilidades, mas estou seguro de que vai dar muitas alegrias à nossa selecção.

Vai receber a camisola 9 do River das mãos de Passarella

Falcao já sonha com a Supertaça europeia, mas presenciará uma outra final. É amanhã, no Estádio Monumental, quando o seu River defrontar o Colón num jogo-chave

para a permanência no escalão principal. Os adeptos estão à espera da presença de El Tigre e até lhe pediram para vestir a camisola do River e dar uma

ajuda. Como isso não é possível, os dirigentes do emblema de Buenos Aires vão receber o goleador com pompa e circunstância e entregar-lhe uma das novas

camisolas do clube com o número 9 e o seu nome nas costas. A honra da entrega caberá a Daniel Passarella, actual presidente do River e ex-treinador do

colombiano. "Tenho um grande carinho pelo River e deixava tudo em campo cada vez que defendia as suas cores. Passei muitos anos no Monumental. Era a minha

casa, e entristece-me ver o clube nesta situação. É inesperado e não condiz com a história. Oxalá tudo corra bem e o clube siga no primeiro escalão", deseja

o avançado enquanto tenta encontrar uma justificação para este momento delicado. "Foram anos e anos de maus resultados. Não se chega a isto de um dia para

o outro", atirou.

Está por escrever a música da vida do goleador

Lorelei, a esposa de El Tigre, é argentina. Nasceu em Misiones, uma província ao norte do país que faz fronteira com o Brasil e o Paraguai. Conheceram-se

na igreja, casaram-se, e agora ela, além de apoiar Falcao em todos os campos onde vai jogar, também está a fazer carreira como cantora. Nesta altura está

a gravar o seu primeiro disco, em Buenos Aires. "O que ela faz é lindo, tem talento e merece todo o meu apoio para continuar ligada à música. Já me escreveu

várias canções, como a que me cantou no dia em que casámos. Oxalá faça outra música porque seria sinal de que ganhámos a Copa América. Seria a melhor música

da minha vida."”

Em

www.ojogo.pt

quinta-feira, 2 de junho de 2011

André Villas-Boas Em Entrevista à Revista Espiral do Tempo

Apesar da entrevista não ter sido publicada num órgão de informação desportivo, muito pelo contrário, vale a pena ler …

“«É a nova coqueluche do futebol nacional: mesmo que esteja intimamente associado ao Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas tem convencido tudo e todos

pela capacidade de gerir um grupo de trabalho e de o fazer transcender-se no tempo e no espaço – acumulando títulos e recordes. O seu êxito não passou

despercebido à casa Franck Muller, que acaba de fazer dele o seu novo embaixador. Confissões de

um jovem treinador com o Toque de Midas, mas que diz não o ter.

«Os relógios foram uma paixão sempre presente e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre

o meu percurso nas camaradas jovens do FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir

uma coleção da qual me orgulho.»

O futebol tem dado um valente pontapé na recessão, enchendo o País de orgulho numa era de crise económica, política e psicológica. E o grande protagonista

da atualidade é, sem dúvida, André Villas-Boas – cujo trajeto meteórico tem sido inevitavelmente comparado com o do seu antigo mentor, José Mourinho, mas

que apresenta características vincadamente diferentes do seu antecessor no comando do Futebol Clube do Porto. André Villas-Boas é especial, mas refuta

pessoalmente esse epíteto e remete-o para o seu grupo de trabalho, para a consagrada agremiação onde se insere. O seu discurso pode ser eventualmente inflamado,

mas pretende sempre ser modesto. Apesar dessa rejeição do deslumbramento, há algo que faz brilhar os olhos do jovem treinador campeão nacional e que certamente

o enche de orgulho: o gosto pela alta-relojoaria e a nova série limitada que a Franck Muller lhe dedicou a si e ao Futebol Clube do Porto como corolário

de uma grande temporada.

O interesse pela relojoaria de qualidade já vem de trás: «Primeiro, sonha-se muito com um objeto que toda a gente gosta de ter, com variadas marcas. Mas

nem sempre há disponibilidade financeira para tal, e isso aconteceu-me quando eu era muito jovem.

Na altura, sonhava com os TAG Heuer, com o Monaco principalmente, e, apesar de o ambicionar, custava então 2500 euros e ainda não me poderia permitir a

tê-lo. A TAG Heuer foi a primeira marca que me chamou a atenção, também porque estava associada a motivos desportivos e até ao desport motorizado, que

é uma das minhas grandes paixões. Não o podendo ter, comprei um Camel que guardo com grande estima e carinho. Os relógios foram uma paixão sempre presente

e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre o meu percurso com os camaradas jovens do

FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir uma coleção da qual me orgulho».

Um dos destaques da coleção de André Villas- Boas é um relógio completamente diferente de tudo o resto – um Graham Swordfish, com o qual começou a dar nas

vistas na Académica de Coimbra, e que estava no seu pulso aquando do seu primeiro troféu: a Supertaça. «É uma história curiosa. O Michael Ballack tinha

um Swordfish, quando estávamos em Inglaterra. Apareciam aqui e ali algumas referências à Graham, também em revistas de desportos motorizados, e eu reparava

que o Ballack tinha um, e que também o tinham uma série de jogadores do Chelsea. Gerou-se ali um interesse e lembro-me de perguntar ao Balack se me podia

arranjar algum. Ele curiosamente tinha vários guardados, porque tinha comprado uma série de relógios para oferecer ao staff do Bayern, quando deixou Munique

para o Chelsea, e vendeu-me um.É um relógio com uma silhueta especial, diferente, imponente, é daqueles relógios que chamam a atenção. O Swordfish tem

um design difícil de encontrar e que marca uma posição. Foi curioso ver que a Graham aproveitou a minha imagem na Académica para fazer uma chamada de atenção

noseu site».

Com a fama e o sucesso, a situação inverteu-se: André Villas-Boas já não precisa de ir à procura de relógios – há marcas de relógios que vão à sua procura.

E a Franck Muller, que historicamente tem estado associada ao futebol e, através da entidade representante em Portugal (Torres Distribuição), ao futebol

português, em particular, não ficou imune ao seu carisma.

«A Franck Muller é uma marca que eu obviamente ambicionei, mas, por valores que refletem a sua qualidade, nunca me permiti ter um, e, felizmente, isso

acontece agora através desta associação.

É algo de que muito me orgulho – porque marca também feitos positivos que o FC Porto conseguiu alcançar nesta época. Só uma associação de uma série de

entidades fortes e de um clube desta dimensão é que permite o lançamento de um relógio com um formato único e que será um objeto

de desejo».

O discurso de André Villas-Boas ganha intensidade quando o jovem técnico fala de temas que o apaixonam – como os relógios e os desportos motorizados. O

modo como vingou na sua profissão está também intimamente ligado à sua paixão pelo futebol e pelo clube.

«Mas o sucesso deste clube não está associado a mim», faz questão de alertar; «está associado ao peso da sua importância na região norte, a nível nacional

e internacional. Nada tem a ver comigo, tem a ver com os pergaminhos que o clube foi construindo, a história sólida dos últimos 30 anos com o presidente

Pinto da Costa e com o acumular de competências que conseguiu gerar à sua volta até levar o FC Porto ao máximo da modernidade possível. Não quero que se

pense que se deve apenas a mim e não se deve em absoluto aos sucessos que conquistámos nesta época. Sou muito pragmático; a qualquer outro treinador que

esteja aqui é-lhe permitido chegar ao sucesso de forma muito mais fácil. Essa é a realidade deste clube». Um clube que sempre foi o ‘seu’: «Sempre cresci

adepto do FC Porto, vivi o clube das mais variadas formas. Infelizmente, não o vivi como desportista porque não tive essa oportunidade nem tinha esse jeito,

mas vivi-o como treinador, como treinador dos camaradas jovens, como treinador adjunto, como adepto, como membro dos Super-Dragões, e tenho esse sentimento

de que o Porto está presente em mim desde muito cedo, desde que tenho memórias. Desde os três ou quatro anos que me lembro de defender estas cores, portanto,

isso tem um duplo prazer para mim e um grande significado. Agora, o sucesso não está relacionado comigo, está relacionado, acima de tudo, com o peso que

o clube tem, com o potencial e talento que tenho à minha disposição».

Apesar de refutar associar a sua paixão ao sucesso do clube, não há dúvida de que a paixão de André Villas-Boas pelo que faz está intimamente associada

ao seu percurso.

«Recordo-me de, nas primeiras vezes que Bobby Robson me trouxe aos treinos do Porto, olhar para a antiga porta do estádio das Antas que dizia Departamento

de Futebol e pensar: ‘Será que algum dia vai ser possível eu entrar por esta porta como treinador principal?’. Foi apenas um desejo de miúdo – nessa altura,

eu teria para aí uns 17 ou 18 anos. Poderia ter acontecido ou não. Fui um privilegiado por ter sido escolhido esta época para representar o Porto e, felizmente,

consegui cumprir esse desejo e esse sonho. Quero acreditar que estes patamares que eu tenho vindo a ultrapassar tenham um pouco da minha competência, da

minha marca. Espero continuar a deixar uma marca e a obter uma carreira da qual eu próprio me possa orgulhar».

André Villas-Boas é a prova de que o sucesso individual – dele, de cada elemento da sua equipa técnica, de cada jogador que tem brilhado e de cada elemento

do clube – está diretamente dependente do trabalho coletivo. Como num mecanismo relojoeiro, onde todas as peças, mesmo as mais pequenas ou aparentemente

insignificantes, contribuem para o funcionamento com precisão: «No fundo, o futebol resume-se a isso. E uma das nossas vantagens em termos de staff técnico

é respeitar muito não só as interrelações entre os vários jogadores, mas otimizá-las ao máximo. Obviamente que a perfeição no futebol é muito difícil de

atingir, se calhar até é inatingível, ao passo que num relógio a peça é perfeita porque tem de ser mecanicamente perfeita para funcionar. Portanto, o relógio

é algo que, em termos de perfeição, é muito difícil de replicar no futebol porque existe um choque entre duas organizações sempre muito fortes, um choque

enorme de estados emocionais. Não é só mecânica funcional, há muitas emoções e estados mentais em conjunto a funcionar ao mesmo tempo. Não são só questões

organizacionais, são questões mentais em que é muito difícil obter todo um relacionamento e exprimirem-se no seu máximo potencial ao mesmo tempo. Isso

é algo muito complicado de obter».

É preciso inteligência emocional para lidar com um grupo de individualidades completamente diferentes e levá-lo a obter um rendimento máximo: «Obviamente

que as questões organizacionais são importantes no futebol e apenas uma boa organização triunfa, mas sou um grande respeitador dos estados de espírito,

dos estados emocionais, da capacidade de transcendência, da capacidade de motivação e acredito que um onze em campo motivado é diferente de um onze que

não está motivado. E o grande desafio de staff técnico é tirar o máximo potencial de cada um. Quando não somos capazes de tirar o máximo partido de cada

um, somos bastante penalizados, e isso, naturalmente, acontece porque nem sempre é possível toda a gente jogar. Toda a gente quer entrar, toda a gente

se mostra competitiva e nós, no fim do dia, temos de tomar opções para continuar e permitir ao clube continuar na rota do sucesso. E isso custa muito,

porque dois ou três jogadores que possam ficar de fora, dois ou três jogos entram num estado de motivação diferente do que os outros que têm essa regularidade

e esse estado de confiança. E apesar desse meu passado relacionado com a observação e com a observação tática do jogo e da organização do jogo, eu encontrei-me

como um líder emocional e um gestor de emoções e isso é muito mais fundamental no futebol atual. É esse gerar contínuo de revolta, de transcendência, saber

quando motivar, saber quando inspirar e retirar o máximo de potencial de cada um. Nós no staff somos muito mais líderes emocionais e líderes motivacionais

do que mestres da tática».

André Villas-Boas insiste em afirmar que dentro de dez anos quer estar a fazer outra coisa: «Não é que eu esteja à procura de fugir das exigências da função,

mas esta é uma profissão extremamente abrangente que gera estados emocionais que são muito intensos, de grande mérito, de grandes estados de euforia, mas

também de grande penalização e de grande exposição mediática perante o sucesso ou o insucesso. Há grandes exigências emocionais nesta profissão e eu não

quero fugir delas, mas não quero prolongá-las por muito tempo, e obviamente que tenho esse target estabelecido, mas também tenho consciência de que só

quero deixar a profissão se, durante a minha carreira, conseguir atingir determinado tipo de sucesso que me leve a ficar orgulhoso dela».

A decisão não tem a ver com o tempo privado nem familiar: «Somos privilegiados desde o início. Obviamente que há uma grande sobrecarga de jogos, e isso

leva-nos a um afastamento familiar e dos amigos um pouco mais agressivo, mas não nos podemos queixar muito. Nós gerimos o nosso tempo, não temos horários

fixos, podemos permitir-nos a ir almoçar ou passar a tarde com a família um pouco mais relaxados. Acho que somos privilegiados nesse aspeto; não somos

castrados no tempo como é geralmente exigido numa profissão normal ».

Boris Becker afirmava que a carreira de um tenista podia ser contabilizada em anos de cão (um ano equivale a sete). No futebol, sucede a mesma coisa –

mas quando é que o tempo passa mais depressa ou mais devagar?

«Há jogos em que nos encontramos perto de vencer e queremos que terminem e demoram. Há outros em que estamos tranquilamente à espera que o jogo acabe e

acaba num instante, mas gostaríamos de que se prolongasse mais porque as coisas continuariam a correr bem. Todos passamos por sensações em que o tempo

passa depressa ou devagar. Depende dos estados de espírito e das nossas ambições nesse momento.

Na minha carreira, as coisas têm acontecido com velocidade – mas, pensando bem, entrei nesta carreira com uma idade fora do normal, e, se calhar, só ao

fim de um longo percurso é que cheguei a este lugar que tanto ambicionei. Portanto, ou se pensa ‘este tipo é tão novo que aos 33 anos treina o FCPorto’

ou ‘este tipo trabalha desde os 17 e só aos 33 é que lá chegou’…».

E que pergunta gostaria André Villas-Boas de colocar a Franck Muller quando se encontrarem?

«Como é que motiva os seus funcionários para continuamente renderem. Acho que é decisivo motivar e levar as pessoas a outro patamar de rentabilidade e

de sucesso e de vontade para atingir esse êxito.

Pode-se fazê-lo transmitindo confiança ou pode-se fazê-lo metendo as pessoas sob grande pressão para chegarem ao sucesso; se calhar, metendo pressão, pode

ser castrador em termos de talento, e motivando de outra forma pode ser decisivo no potenciar do talento e da criatividade. Esse equilíbrio é fundamental;

de que forma é que ele o motiva? Motiva com a pressão de que ‘Tu tens que ser o melhor porque trabalhas para a Franck Muller’? Ou motiva através da transmissão

de confiança, que é a que eu idealizo, e de ir à procura de explorar o máximo do potencial de cada um – penalizando-me a mim mesmo e não penalizando o

indivíduo se não for capaz de fazer».

Para já, Franck Muller não penaliza André Villas-Boas. Pelo contrário: recompensa o seu valor e a sua personalidade com a instauração de uma bela série

limitada com caixa a negro e as inevitáveis nuances azuis relacionadas com as cores do FC Porto.

Haverá melhor motivação para o prolongamento “

Retirada de:

www.dragaodoente.blogspot.com

Faz hoje um ano que Villas-Boas foi apresentado como treinador do FC Porto. Se na altura estava um pouco séptica, agora não tenho dúvidas que o FC Porto tem muito a ganhar com André Villas-Boas.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Declarações de Falcao a Uma TV Argentina e a Entrevista de Beto ao OJOGO

1 – Declarações de Falcao a uma TV Argentina

“"No FC Porto todos têm mercado, até o treinador"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

O melhor é ir já directo a um dos assuntos mais esperados. Na Argentina, numa entrevista televisiva, Falcao voltou a confirmar que decorrem negociações

com o FC Porto para a renovação do contrato, sem descartar a continuidade. "Tenho mais dois anos de contrato e estamos a falar sobre a renovação. Todos

os jogadores do FC Porto, e até o treinador, têm clubes interessados", disse o ponta-de-lança colombiano à "Fox Sports", de Buenos Aires, entrevistado

para o programa "Futbol para todos".

Apesar de reconhecer a existência de clubes interessados, para lá de considerar que "o FC Porto é o clube mais vendedor do mundo", Falcao não quer forçar

a saída. "Estou tranquilo. Sei que no devido momento posso dar o salto para outro campeonato", explicou. Ora, na próxima época há o aliciante de o FC Porto

disputar a Liga dos Campeões, algo que pode funcionar como estímulo à permanência.

Em Buenos Aires, depois de uma época histórica e com uma infinidade de vitórias, Falcao conheceu o sabor da derrota. Na companhia de dois amigos colombianos,

jogou futvólei com os apresentadores do programa e perdeu 11-9.

Para desanuviar, o goleador abordou a época do FC Porto. "Sonhava e trabalhava para ter uma época como a que tive, mas nunca pensei que podia acontecer

desta maneira. Já na época anterior tinha ficado surpreendido, porque não esperava marcar tantos golos e ser tão importante para o FC Porto de uma forma

tão rápida. Temos uma equipa completa. Temos Hulk e Varela, ambos muito ofensivos, e médios que se aproximam da baliza, como Belluschi, Moutinho, Guarín...

Todos são humildes e todos temos fome de ganhar títulos". Falcao elegeu ainda os jogos com o Villarreal e o Spartak como os melhores. "Foram muitos bons.

O dia em que joguei na neve também foi especial. Não se via nada e pensei: como nunca joguei na neve, vou divertir-me". E ainda teve tempo para diferenciar

Jesualdo FErreira de André Villas-Boas. É só espreitar aqui ao lado o que disse sobre eles.

Uma equipa armada à sua volta

Falcao está habituado a ter uma equipa a jogar para si. Dizer que é isso que se passa no FC Porto seria um exagero pouco abonatório das qualidades do colombiano.

Afinal, para marcar 38 golos em 42 jogos é preciso ser-se um grande matador, mas ter companheiros que o sirvam na perfeição também ajuda à contabilidade.

E de que maneira.

Por isso, Falcao não se importava nada que Hernán Darío Gómez, seleccionador colombiano, montasse uma equipa para a Copa América tendo-o como referência.

"Seria excelente que a selecção se armasse à minha volta, mas essa decisão quem deve tomar é o treinador. A Colômbia tem muitas alternativas, mas precisamos

é de resultados", alertou. A Colômbia está integrada no grupo A da Copa América e terá como adversários a Argentina, país organizador, a Costa Rica e a

Bolívia. A prova disputa-se entre o dia 1 e 24 de Julho e além de Falcao também Guarín estará presente. Álvaro Pereira, Fucile e Rodríguez, pelo Uruguai,

Otamendi e Belluschi pela Argentina também devem disputar a competição.”

Em

www.ojogo.pt

2 – Entrevista de Beto ao OJOGO

“"Chorei na palestra antes da final da Liga Europa"

TOMAZ ANDRADE

Suplente de Helton no campeonato e na Liga Europa, o guarda-redes do FC Porto tornou-se herói na Taça de Portugal ao defender uma grande penalidade e outros

remates com selo de golo. Revelou ter voz e peso no balneário, mas não aguentou a emoção na palestra antes da final de Dublin com um discurso arrebatador

de André Villas-Boas. Não quis revelar o teor, embora lhe tenha atribuído o sucesso da conquista da Liga Europa.

Dos quatro troféus conquistados foi a Taça de Portugal que lhe deu mais gozo?

Se pensar apenas a nível pessoal, é óbvio que sim. Porque participei directamente mais vezes na conquista do troféu. Não vou dizer que não participei nas

outras provas, porque joguei em todas, desde o campeonato à Liga Europa e à Taça de Portugal. Só não joguei na Supertaça, porque foi apenas um jogo. Sinto-me

campeão em todas as provas. Quanto à Taça de Portugal, como joguei mais vezes teve um sabor especial para mim.

No início da época ganhar quatro troféus não passava de um sonho...

Era um sonho, mas também uma ambição, uma vontade colectiva do grupo. A Supertaça com o Benfica funcionou como uma rampa de lançamento para uma época histórica.

Foi uma vitória fundamental. A partir desse momento os níveis de confiança foram potenciados, sem dúvida nenhuma.

Como passou para a realidade? Quando é que começaram a acreditar na sucessão de troféus?

A partir do momento em que nos reunimos com o mister André, e toda a estrutura que o envolve, sentimos que este ano seria de sucesso e de vitórias. Com

o trabalho que fomos desenvolvendo e com a assimilação da mensagem do treinador, recebida de forma plena e captada a cem por cento, todas as forças se

uniram. E quando isso acontece o resultado só pode ser este.

Qual foi o momento que mais o marcou?

Houve vários momentos que me marcaram. A segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, com o Benfica, foi um momento fantástico. Festejar o título na Luz

foi lindo, mas a reviravolta na Taça, com toda aquela força e potencialidade que demonstrámos, foi um momento de sonho. E depois houve a palestra antes

da final da Liga Europa. Também esse foi um momento especialmente marcante. Chorei. Foi algo lindo.

O que se passou?

Não sei se posso contar. É melhor não. Posso dizer apenas que foram palavras bonitas. Foi a conjugação de sentimentos que se envolveram dentro daquela sala

de reuniões. Foi bonito e comovente. A palestra durou 30 minutos, não mais, mas chegou para os jogadores sentirem que era possível vencer e que estávamos

à beira de algo histórico. Saímos daquela sala convencidos que íamos ganhar a Liga Europa.

Como é que os jogadores foram encarando a invencibilidade que durou até ao final do campeonato? Falavam na possibilidade de perder um dia?

Nunca se falou em perder naquele balneário durante a época inteira. Intimamente, cada jogador poderia pensar que um dia a derrota acabaria por acontecer,

porque não existem equipas imbatíveis. Simplesmente não existem. A nível de discursos e de balneário nunca se pronunciou essa palavra.

O que é que os adversários vos diziam no final dos jogos?

Que somos realmente muito fortes. No final da Taça de Portugal fui ao controlo antidoping e o jogador do Guimarães que lá estava disse-me que fomos muitos

fortes. Disse-me que mesmo depois da Liga Europa, com dois dias de descanso, viagem para Lisboa e estágio, jogámos e ganhámos porque fomos realmente fortes.

Estava à espera de um rendimento defensivo tão bom depois da saída de Bruno Alves?

Sem dúvida. Saiu o Bruno, que era fundamental, mas ficou o Rolando e o Maicon, dois jogadores de enorme qualidade. Depois houve um acréscimo de qualidade

com o Sereno e o Otamendi. São quatro centrais de muita qualidade e, para mim, que jogo atrás deles, actuar com qualquer dupla é igual.

O que é que o FC Porto pode fazer na Champions?

É um sonho. Partilhamos todos desse sonho, que é chegar o mais longe possível. É uma competição de topo europeu e queremos chegar o mais longe possível.

E para esse sucesso será essencial manter esta estrutura de jogadores?

Obviamente, com o conhecimento entre os jogadores e mais tempo juntos há um entrosamento maior da equipa. Mas mesmo com a chegada de dois, três, quatro

ou cinco elementos, não sei o que vai acontecer, todos virão para dar mais qualidade ao grupo, ajudando-nos a alcançar mais títulos.

Depois desta época, a fasquia não está demasiado alta e não há o perigo de a decepção ser maior em caso de insucesso?

Há um trabalho do treinador e dos dirigentes, sempre presentes com a equipa, que nos dizem que as fasquias funcionam como motivação e alavanca.

"Tenho peso e voz no balneário"

Como analisa a época do Helton?

Fez uma época muito boa, positiva. Obviamente, o meu trabalho e o do Pawel reforça esse bom momento do Helton. Tendo três guarda-redes praticamente ao mesmo

nível, e havendo um que joga e outros dois que trabalham para conquistar esse lugar, obriga o titular a ter concentração e dedicação máximas. Para o treinador

é um sonho ter três guarda-redes assim, que querem jogar, que querem dar essa contribuição à equipa. São três guarda-redes com qualidade.

E como se arranja ambição não jogando muitas vezes?

Tenho total ambição em todos os treinos. Para além disso, tenho peso no balneário, tenho voz, e tenho uma boa relação com todos, a quem gosto de dar a minha

opinião.

Já que ninguém vê os treinos, como é trabalhar com Wil Coort?

Ele é supermoderno. Tem um método de trabalho adequado a uma equipa grande. Trabalhamos o posicionamento, o jogo de pés, a distribuição e, sobretudo, fazemos

muitos exercícios com a equipa. Fazemos parte da equipa e não somos apenas guarda-redes, portanto, treinamos com a equipa. É fácil trabalhar com o Wil.

Dá-nos muita tranquilidade e isso nota-se quando chegamos ao jogo.

Jogar menos vezes é compatível com a evolução de um guarda-redes? Como se faz isso?

Com o trabalho ao longo da semana. Trabalho todos os dias para melhorar as minhas capacidades e potencialidades. Trabalho para estar preparado para jogar,

mesmo que depois seja o Helton ou o Pawel que joguem. O espírito é esse. No treino coloco fasquias a mim mesmo e daí dar respostas positivas quando sou

chamado.

"Contava ser chamado por Paulo Bento"

Como se concilia o facto de ser suplente no FC Porto com a ambição de chegar à Selecção?

É difícil. Tenho que perceber que isto é tudo muito prático. Jogando com menos frequência, as minhas expectativas ficam limitadas em relação à Selecção.

Mas as pessoas conhecem o meu trabalho e o meu valor. Com mais minutos tenho mais possibilidades de fazer parte dos planos do Paulo Bento. Depois há outra

coisa. O meu papel no FC Porto vai além dos relvados. Há um bom ambiente no balneário e eu sou muito bom colega. Quero melhorar e quero que os meus colegas

melhorem. Mesmo no banco falo muito para dentro do campo, sou muito activo. O meu papel é ajudar o FC Porto.

É legítimo pensar que se fosse titular do FC Porto, ou de outro clube do género, já seria titular na Selecção?

É legítimo da minha parte pensar isso. Se fosse titular do FC Porto as probabilidades de jogar na Selecção seriam maiores. Tenho noção disso e é legítimo

pensar dessa forma.

Pensava ser chamado agora por Paulo Bento para o duplo compromisso da Selecção Nacional?

Sinceramente, depois dos seis jogos que fiz na parte final da temporada, em que as minhas prestações foram boas e dei uma grande resposta em jogos com mais

ou menos pressão, contava ser chamado. Fui igual a mim mesmo em todos os jogos. Contava ter o reconhecimento por parte do seleccionador. Mas tal não aconteceu

e quero deixar claro que respeito todas e quaisquer decisões do seleccionador. Fico com um amargo de boca por não fazer parte do grupo, porque gosto de

o fazer, porque sou português e quero representar a minha Selecção e o meu país. A Selecção é o topo. Fico à espera de uma oportunidade.

Futebol espectáculo no Mónaco

O FC Porto vai ter um início de época a todo o gás. Depois da Supertaça Cândido de Oliveira, com o Guimarães, e de três jornadas no campeonato, a equipa

vai defrontar o Barcelona no Mónaco para a disputa da Supertaça Europeia. "O Barcelona vai funcionar como um estímulo. Vamos defrontar aquela que é a melhor

equipa do mundo e é aliciante poder discutir um título com esta envergadura. Sem deixar de elogiar o futebol do Barcelona, a verdade é que temos princípios

de jogo que não abdicamos e queremos vencer", reagiu Beto. O guarda-redes antevê um jogo de dois sentidos. "Acima de tudo que seja uma partida com qualidade,

um bom espectáculo. Para nós, a vitória pode ser algo de extraordinário e de grande motivação para o resto da época". A Supertaça Europeia está agendada

para o dia 26 de Agosto.

"Villas-Boas é quase perfeito a nível motivacional"

A explicação de Beto para o sucesso do FC Porto engloba vários factores. "O colectivo, a organização, o treinador. Foi a mistura de tudo isso. A estrutura

do FC Porto é única e proporciona as bases para o sucesso", revelou. O guarda-redes apreciou a forma como Villas-Boas lidou com o grupo. "Não o conhecia,

apenas de nome, nem conhecia os seus métodos de trabalho. É inovador, moderno e apresenta um futebol de ataque que procura sempre a vitória, algo aliciante

para quem trabalha com ele. Para os jogadores é muito bom ter um líder como ele. A nível motivacional é quase perfeito. É uma experiência muito boa trabalhar

com ele".

"Helton é o melhor, depois sou eu e o Pawel"

Quem é o melhor guarda-redes a actuar em Portugal?

É difícil responder. O Helton é o guarda-redes que melhor se apresenta.

E quem vem a seguir?

[pausa] Eu e depois o Pawel [Kieszek]. Os guarda-redes do FC Porto são os melhores.

Como vê as críticas que se fazem ao Roberto?

Não sou apologista de críticas a guarda-redes. Tenho alguns problemas entre aspas com os meus colegas no FC Porto, porque defendo os guarda-redes nas discussões

que temos. Sou o primeiro a defendê-los, porque sei quanto é difícil ser guarda-redes. Há lances infelizes para toda a gente, só que quando o guarda-redes

falha, coitado, não há mais ninguém atrás dele. Quando falha é golo e fica marcado para o resto do jogo. Sou defensor acérrimo dos guarda-redes.Não gosto

de ver, ler e ouvir críticas seja a que guarda-redes for.

"No Jamor, sabia que o Edgar ia marcar para aquele lado"

Diz um estudo científico que numa baliza de futebol cabem 365 bolas, o número possível de pontos de mira para quem vai rematar. A tarefa de Beto, como de

todos os guarda-redes, é tentar anular essa miríade de hipóteses de sucesso dos adversários. No Jamor, ao defender uma grande penalidade marcada por Edgar

num momento crucial do jogo, o guarda-redes portista tornou-se num dos heróis da final da Taça de Portugal.

Então diga-nos lá como se defende uma grande penalidade?

Existem inúmeros factores que condicionam a defesa de uma grande penalidade, desde o conhecimento do jogador, a visualização de imagens desse jogador, muito

treino e o instinto.

O que valeu mais no Jamor?

O que prevaleceu foi juntar um pouco de tudo.

Sabia que o Edgar ia marcar para aquele lado?

Sabia que o Edgar bate muitas vezes para o lado direito do guarda-redes. Mas isso pode nem valer nada, porque o Edgar também pode pensar que o conheço e

mudar o lado. É sempre imprevisível para quem bate o penálti e para quem o defende. No Jamor juntou-se um conjunto de factores.

Foi então o Beto que decidiu o lado para onde se atirou ou recebeu alguma informação na altura?

Decidi na altura. As únicas pessoas que me disseram algo foram o Maicon e o Rolando. Disseram-me isto: fica tranquilo, porque sabemos que vais defender.

E logo a seguir o FC Porto marcou o quinto golo. Foi aquele o momento do jogo?

Sem falsa modéstia, foi um lance que acabou por decidir o rumo do jogo. O Guimarães podia ter reduzido para 4-3, os jogadores galvanizavam-se e o resultado

seria incerto. Ao defender a grande penalidade e ao marcarmos logo de seguida aqueles instantes acabaram por decidir o rumo do jogo.

Na época passada defendeu cinco penáltis no Restelo e no Jamor defendeu mais um. É uma especialidade?

É muito subjectivo dizer isso. Esta época, na Luz, o Cardozo marcou um golo de penálti porque mudou o lado. Rematou para o meio. Eu sabia mais ou menos

para que lado ia marcar, mas ele mudou. É sempre subjectivo. Tenho a felicidade de ter defendido muitos, mas mesmo muitos penáltis na minha carreira...

Sabe quantos defendeu?

Não tenho ideia. São muitos, mas não faço a contabilidade. Fico feliz por os defender.

Na época passada fez os jogos da Taça de Portugal, mas foi o Helton que defendeu na final. Esta época foi diferente, porque não só fez todo o percurso,

como foi titular no Jamor. Até que ponto foi importante sentir essa confiança do treinador?

A confiança da parte do mister André foi depositada desde o primeiro dia em que cheguei ao Olival. Cheguei mais tarde, por causa do Campeonato do Mundo,

e na primeira conversa que tive com ele foi-me depositada total confiança. Portanto, a confiança durou desde o início até ao fim. Sabia que ia chegar o

meu momento e que o mister ia ter confiança em mim. Foi o que aconteceu. Na segunda mão da meia-final partimos para Lisboa com um resultado desvantajoso

de 2-0, mas o mister André disse-me que estava tranquilo por ir jogar. Ele sabe que eu gosto de jogos com pressão, de jogos difíceis. Lido bem com a pressão

e a partir daí junta-se o útil ao agradável.

"Ia jogar em Dezembro e Janeiro, mas lesionei-me"

Continuando a ter Helton como principal concorrente, que expectativas alimenta para a próxima época?

Quero ter uma utilização mais frequente, como é habitual pensar em todas as épocas. Quero dar o meu contributo ao FC Porto e conquistar títulos, porque

é deles que este clube vive. O FC Porto sonha com títulos, respira títulos.

Não começa a recear tornar-se um eterno suplente?

Não. Só estou a ser suplente no FC Porto. Desde menino que fiz praticamente toda a carreira a jogar. Nestes dois anos de FC Porto tenho sido menos utilizado,

se bem que na última época tenha tido a infelicidade de ter uma lesão que me afastou dos relvados durante algum tempo. Podia somar mais nove jogos. Foi

o momento mais triste para mim durante a época, o que mais me custou. Iam ser dois meses, de Dezembro e Janeiro, em que teria uma utilização maior. Já

tinha falado com o mister André sobre o assunto. Mas chego a Viena e lesiono-me quando ia ser titular. Animicamente acabei por quebrar. Não é segredo para

ninguém, mas o departamento médico do FC Porto é de topo mundial e conseguiu recuperar-me, tanto física como psicologicamente de maneira a encarar o resto

do campeonato.

Todos os nomes de Beto Pimparel, Pimpas ou Betão

Praticamente todos os jogadores do FC Porto têm uma alcunha no balneário e Beto não foge à regra. Aliás, tem mais do que uma. O último nome do guarda-redes,

Pimparel, que por ser pouco conhecido e foneticamente engraçado, serviu de inspiração aos companheiros. "Chamam-me pelo último nome ou então Pimpas ou

Betão". O guarda-redes responde por todos.

Festejar entre finais "Guinness? Só apareceu Heineken"

O FC Porto conquistou a Liga Europa num país conhecido pela cerveja Guinness, mas Beto garantiu que nem provou o néctar preto de sabor estranho e cativante.

O que não quer dizer que não tenha bebido umas cervejas. "Não provei a Guinness. A cerveja que apareceu foi a Heineken. Celebrámos com moderação, porque

a época ainda não tinha terminado. Bebemos com moderação, divertimo-nos, cantámos, dançámos e estabelecemos os nossos limites porque ainda havia competições

para ganhar", afirmou. Com outra final pela frente, Beto explicou que o segredo esteve na forma como os festejos foram abordados. "Dormimos as horas necessárias,

com o descanso necessário e no dia a seguir desligámos o chip Liga Europa e ligámos o chip Taça de Portugal". E resultou.

Quando Hulk e Guarín atiram à baliza "Chamo-lhes os violência"

Há dois jogadores do FC Porto conhecidos pela potência do remate: Hulk e Guarín, obviamente. Ora, se os guarda-redes adversários têm dificuldades em parar

os remates do brasileiro e do colombiano, o que acontece nos treinos do FC Porto? Beto dá a resposta. "Defendo os remates do Hulk e também os do Guarín,

ambos violentos. Por vezes, eles ficam a treinar no fim do treino, mas também nos exercícios de finalização, e até lhes costumo chamar os violência. São

remates realmente fora do normal." Quanto a Falcao, Beto diz que há outra forma de parar um cabeceamento do colombiano sem o derrubar. "Há que tentar conhecê-lo

e tentar perceber o movimento dele e fazer alguma antecipação". É uma questão de tentar.

Gosta de os ver defender Lloris e Cech

Beto não tem um ídolo na baliza, embora actualmente aprecie dois guarda-redes. "Gosto muito do Lloris, do Lyon, de França. É um grande guarda-redes", revelou.

O outro está em Inglaterra, no Chelsea. "Também gosto muito do Petr Cech. Apesar de não ser muito espectacular, é extremamente eficaz."”

Em

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