quarta-feira, 15 de junho de 2011

Agora É Uma Certeza, Pedro Emanuel Vai Para a Académica

Está confirmado, Pedro Emanuel vai ser treinador da Académica, e na hora da saída deixou uma mensagem aos portistas, mensagem essa que transcrevo na íntegra.

“MENSAGEM DE DESPEDIDA DE PEDRO EMANUEL

Pedro Emanuel vai assumir um novo desafio no futebol português, assumindo o comando técnico da Académica de Coimbra. O treinador deixa assim a equipa técnica

liderada por André Villas-Boas. Na despedida e depois de nove anos inesquecíveis, Pedro Emanuel deixa uma mensagem aos adeptos do FC Porto.

“Deixo o FC Porto ao fim de nove anos que me enchem de orgulho e ao longo dos quais fiz parte de grandes momentos na história do clube. Estou a viver sentimentos

contraditórios, pois sinto uma grande alegria por estes anos todos e por tudo o que vivi e, ao mesmo tempo, alguma nostalgia.

Também sinto satisfação por abraçar uma nova etapa na carreira num emblema com história no futebol português.

Quero deixar uma palavra de agradecimento a todos os Portistas e, em especial, ao presidente, à administração, a todo o staff e ao treinador André Villas-Boas,

que me incentivou. Não sei o destino e o futuro, mas fico com o sentimento do dever cumprido e com a consciência de que fiz tudo para corresponder à aposta

que fizeram em mim”.”

Em

www.fcporto.pt

Deixo umas palavras ao agora treinador da Académica, já tinha escrito sobre este assunto aqui no blog, mas na altura ainda era uma hipótese, agora é uma certeza. É sempre de lamentar a saída de alguém que há-de fazer falta, mas julgo que o FC Porto vai encontrar alguém, da casa, para o lugar. Agradeço ao Pedro Emanuel tudo o que deu ao FC Porto, tanto durante o tempo de jogador e agora como técnico adjunto. Nunca esquecerei aquela grande penalidade que deu a segunda Intercontinental dos dragões. Resta-me desejar as maiores felicidades ao Pedro Emanuel, com a excepção dos jogos contra o FC Porto, como é óbvio. Creio que a Académica terá um bom treinador. Pelos vistos o FC Porto não só é bom vendedor de jogadores, como é bom a formar treinadores.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Notícias Portistas

1 Renovação de James

“JAMES RODRIGUEZ RENOVA ATÉ 2016

O colombiano James Rodriguez renovou contrato com o FC Porto por mais dois anos, até 2016, revelou o presidente Pinto da Costa durante a Assembleia Geral

da noite desta segunda-feira.

"Vamos continuar a trabalhar para defender o património do FC Porto e hoje mesmo renovamos contrato com James Rodriguez por mais duas épocas, até 2016,

passando a ter uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros", afirmou o presidente do FC Porto.

James Rodriguez foi uma das revelações do futebol europeu na última época, tendo conquistado ao serviço do FC Porto o título nacional, a Liga Europa, a

Taça de Portugal e a Supertaça.

Ao serviço da selecção colombiana de sub 20, James conquistou a semana passada o Torneio de Toulon, competição em que foi considerado o melhor jogador.”

Em

www.fcporto.pt

Muito bem, à que manter a máquina em forma, à que segurar os valores em crescendo.

2 Actualização de quotas

“SÓCIOS APROVAM ACTUALIZAÇÃO DE QUOTAS

Os sócios do FC Porto, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária na noite desta segunda-feira, deliberaram aprovar por unanimidade e aclamação uma actualização

de quotas, que fixa em dez euros a quota máxima.

Numa Assembleia que contou com a presença de quatro a cinco centenas de associados, os trabalhos iniciaram-se com um louvor proposto pelo presidente da

Mesa, Sardoeira Pinto, para as modalidades campeãs, como foram os casos do futebol, andebol, basquetebol, hóquei em patins, natação feminina e bilhar feminino.

Por proposta de um sócio, foi guardado um minuto de silêncio em memória de Pôncio Monteiro.

Quanto ao aumento de quotas, coube a Angelino Ferreira explicar as razões da proposta da Direcção, que passou de nove para dez euros a quota máxima, sendo

que não se procedia a qualquer aumento desde há seis anos. A título de exemplo, foi referido que os rivais Sporting e Benfica cobram 12 euros mensais,

com o pagamento de 13 mensalidades, contra os dez agora votados durante 12 meses, do FC Porto, que até tem apresentado um sucesso desportivo incomparavelmente

superior. E oferecendo espectáculos de qualidade superior, como lembrou um associado.

O presidente Pinto da Costa interveio para agradecer a confiança dos sócios, afirmando que aumentava a responsabilidade da Direcção. A terminar, o presidente

fez questão de saudar de forma especial o hóquei em patins, na pessoa do seu máximo responsável Ilídio Pinto, pelos dez títulos consecutivos: "Não é normal,

seja em que modalidade for, ganhar dez anos consecutivos", afirmou o presidente.”

Em

www.fcporto.pt

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Entrevista de Mariano Ao OJOGO

“"Já estou com saudades dos adeptos"

PEDRO MARQUES COSTA

Despede-se dos portistas e, num balanço longo feito a O JOGO, considera ter ficado demasiado tempo colado ao rótulo de "jogador esforçado". Não lhe foi

fácil esvaziar os cacifos, porque a vontade de continuar era evidente. Mariano admite ter chorado, e não travou as emoções na entrevista. Vai continuar

portista, onde quer que seja, e guarda memórias inesquecíveis. Mas também critica: não ter sido inscrito no início da época foi, diz ele, falta de respeito

Mariano é diferente. É inteligente, tem ideias próprias e não se importa de as partilhar; recusa-se mesmo a esconder nos lugares comuns e atreve-se a criticar

até aqueles de quem gosta, quando sente que isso é justo. Na despedida, o ainda capitão do FC Porto fez, para O JOGO, o balanço de quatro épocas absolutamente

fantásticas, desta vez sem os tropeções que tantas vezes o limitaram em campo.

Já pode anunciar oficialmente que não vai continuar no FC Porto?

Agora já. Tive uma reunião com o Antero [Henrique], que serviu para nos despedirmos e para agradecermos tudo o que conseguimos juntos ao longo destes últimos

quatro anos. Foi um momento difícil, muito difícil… Passei muito tempo aqui, as minhas filhas nasceram no Porto, tenho casa, amigos. Tenho aqui tudo o

que possam imaginar, muito para além do futebol; o pediatra das minhas filhas, o infantário, os amigos delas. Tudo.

Que balanço faz destas quatro temporadas?

Em termos colectivos, foram anos fantásticos. Conquistámos muitos títulos, fizemos sempre boas campanhas internacionais e ainda conseguimos atingir quase

todos os objectivos a que nos propusemos. No aspecto individual, acredito que podia ter dado mais à equipa, porque tinha qualidade para isso. Quando cheguei

cá, era um jogador muito técnico, mas depois de ter estado mal nos primeiros meses da minha aventura no FC Porto, tive de mudar de atitude, começar a trabalhar

mais defensivamente em relação ao que estava habituado. A partir desse momento, comecei a ficar colado à imagem de um jogador que se esforçava muito e

pouco mais. No entanto, a história da minha carreira foi mais do que isso; sempre fui um extremo, um jogador técnico.

Mas então o que correu mal?

Nem sempre tudo pode correr bem… Os jogadores precisam de confiança para render e, este ano, isso ficou uma vez mais provado. Eles estiveram sempre motivados

e superconfiantes e foi o que se viu. Eu, por exemplo, nunca senti a confiança que alguns jogadores sentiram durante esta época; não estou a culpar ninguém,

até porque, muito provavelmente, a culpa foi minha, mas não deixa de ser uma realidade. Isto apesar de reconhecer que o Jesualdo gostava muito de mim e

sempre me apoiou.

Sente que parte sem ter mostrado o melhor de si?

Os adeptos podiam ter visto mais de mim, sem dúvida. Tive uma fase muito boa, no final da segunda época, na altura em que o Lucho se lesionou e comecei

a ser titular. Depois, tive mais alguns bons períodos, mas sempre sem grande continuidade na equipa principal. Aliás, antes de me lesionar da última vez

também estava a jogar bem… Foi azar.

Qual é a melhor recordação que guarda destes quatro anos?

Os meus companheiros de equipa, que são agora meus amigos. Sem dúvida. Tive sorte em trabalhar com um grupo tão fantástico de pessoas. E estou a incluir

neste grupo toda a estrutura do clube. Fiz muitos amigos aqui e isso é o mais importante de tudo aquilo que vou levar.

Concorda com a ideia de que a sua relação com os adeptos nem sempre foi fácil?

Eles esperavam muito de mim quando fui contratado, até pelo meu passado na selecção argentina, mas cheguei em cima do final da pré-temporada e, por culpa

minha, em más condições físicas. Jesualdo Ferreira já tinha uma equipa montada e, no início, decidiu apostar no Tarik, que acabou por fazer uma temporada

espectacular. Aos poucos, fui perdendo confiança... Mas acredito que os adeptos foram percebendo, aos poucos, que estive sempre disponível para ajudar

o clube, e que dava sempre o máximo, embora nem sempre tenha sido bem sucedido.

Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos do FC Porto?

Queria agradecer-lhes por tudo e pedir desculpa se em algum momento não consegui corresponder às expectativas. Já estou com saudades deles...

Mas já lhes perdoou os assobios?

Claro que sim. Lembro-me de que nos primeiros seis meses, mal entrava em campo já estava a ser assobiado. Mas depois passou. Bem, pensando melhor, houve

mais alguns momentos em que eles vacilaram [risos]. Recordo, sobretudo, a recepção que tive depois da lesão, no jogo com o Marítimo. Fui muito aplaudido

e, sinceramente, não estava à espera. Fiquei muito emocionado.

O que pensa um jogador quando entra em campo e é logo assobiado pelos próprios adeptos?

Não podemos pensar em nada... Faz parte da nossa vida. Mas não é fácil ser assobiado mal se está a entrar. Aliás, tive um período em que, por causa disso,

só fazia passes curtos; e mesmo assim falhava [risos]. Esses são os momentos menos bons, mas também houve alturas em que joguei bem e eles apoiaram-me.

Nos últimos tempos, por exemplo, fui tratado com um enorme carinho por todos.

"Falcao disse-me que queria continuar aqui"

Acredita que é possível manter esta equipa na próxima época?

Faço-lhe uma pergunta: se fosse dono de um grande clube e tivesse dinheiro para contratar jogadores, onde é que os ia buscar? Acho que não há grandes dúvidas

na resposta: ao FC Porto. Tenho a certeza de que haverá muitos clubes interessados e de que será muito complicado manter os 23 que ficam - éramos 24, mas

eu já não conto [risos]. Sei que a ideia do clube passa por tentar manter os jogadores mais importantes, mas não vai ser nada fácil.

É amigo de Falcao. Acha que ele vai continuar?

Conversámos muito sobre isso antes de ele ir embora. Ele sempre me disse que gostava de continuar aqui, porque adora o clube e a cidade. Falcao é uma pessoa

muito tranquila. Obviamente que, depois, há outro tipo de interesses. Ele deverá ser tentado a trocar de clube e de certeza que lhe vão oferecer muito

dinheiro. Mas ele sempre me disse que estava disponível para renovar, que havia conversas, e que queria continuar. Mas, claro, tudo pode mudar de um momento

para o outro. Apesar disso, acho que ele vai continuar, porque sempre o vi com muita vontade de ficar.

O FC Porto pode vencer a Liga dos Campeões na próxima época, na eventualidade de manter estes jogadores?

Penso que sim, sobretudo pela confiança e motivação que esta equipa tem, para além, claro, da sua qualidade. Não sei, no entanto, se isso chegará para ganhar

a Champions, porque quando se pode encontrar pela frente equipas como o Real Madrid, Barcelona ou Manchester United corre-se sempre o risco de perder.

Apesar de tudo, num dia bom, esta equipa tem potencial para vencer qualquer adversário do mundo.

"Jesualdo é como um pai André mais um amigo"

Que imagem guarda de André Villas-Boas?

Apesar de não ter sido uma opção regular, não tenho nada a apontar-lhe de negativo. Bem pelo contrário. Fez o que tinha de fazer. A verdade é que quando

podia jogar, já não havia espaço para mim; não lhe podia pedir para tirar o Varela ou o Hulk, havendo ainda o James ou o Rodríguez no banco. Para além

disso, felizmente, esta época não tivemos lesionados e foi mais difícil entrar na equipa. Mas o André sempre trabalhou bem; conversava muito com ele e

sempre me disse o que pensava, de uma forma directa. É um grande treinador e uma pessoa muito honesta. Nunca me prometeu um lugar na equipa - nem o podia

fazer -, mas sempre disse que contava comigo, porque me considerava importante para o grupo.

Ele merece todos os elogios públicos que tem recebido?

Obviamente que sim. Ele é muito bom e, depois, teve a felicidade de encontrar um grupo fantástico e com muita qualidade. Mas, sem o mérito dele nada disto

teria sido possível. Trabalha muito bem, tem uma personalidade forte, impõe as ideias com facilidade, consegue motivar todos os jogadores e ainda mantê-los

num nível muito elevado durante toda a época. Tudo isto é mérito do André. Ele prepara um jogo da Taça da Liga ou a final da Liga Europa com a mesma intensidade

e motivação.

André Villas-Boas é muito diferente de Jesualdo Ferreira?

Jesualdo tinha uma forma diferente de trabalhar; era como um mestre. Ele trabalhava muito individualmente os jogadores e todos cresciam e tornavam-se melhores.

Se calhar, na última época que cá esteve não conseguiu motivar os jogadores. Mas deixou uma marca no clube! Venceu campeonatos e taças e ainda ajudou o

FC Porto a vender muitos jogadores por um valor elevado. Se calhar, pelo carácter dele e dos próprios jogadores, não conseguiu atingir os objectivos na

última temporada.

Mas em termos concretos, quais são as diferenças entre os dois?

Jesualdo era mais como um professor, até pela diferença de idades. Ele nunca conseguiu ter uma relação de proximidade com os jogadores como aconteceu com

o André esta época. O André é como um amigo; o Jesualdo é mais um pai. Por exemplo, o Jesualdo conseguia conversar facilmente comigo e entendia-me muito

bem com ele, mas, se calhar, havia jogadores mais novos que não o compreendiam assim tão bem.

A cortesia de Hulk no Jamor

Mariano entrou no último quarto-de-hora da final da Taça, mas a braçadeira de capitão continuou a ser de Hulk. O brasileiro, porém, fez questão que fosse

o companheiro a receber o troféu. "Esse momento só foi possível porque tive o privilégio de viver mais uma demonstração de carinho do Hulk. Passou-me a

braçadeira e disse que queria que fosse eu a levantar a taça. Foi um gesto muito importante e que nunca esquecerei... É por atitudes como esta que digo

que as melhores recordações daqui, são os amigos que fiz."

"Foi muito feio não me terem dito que ia ficar de fora"

Foi muito difícil assistir ao jogo de Dublin na bancada?

Foi. Aliás, foram todos. Foi duro ficar de fora, mas, confesso, naquele em especial. Há já algum tempo que acreditávamos ser possível chegar à final. Falávamos

muito sobre isso durante a época e, à medida que a competição foi avançando, víamos quem ia caindo e comentávamos sobre as nossas possibilidades. Aos poucos,

começámos a acreditar que podíamos vencer. Por tudo isto, tive sentimentos distintos naquele jogo; estava muito contente por estarmos lá, por termos vencido,

mas triste por não ter podido participar. Apesar de tudo, aquela vitória foi bem mais importante do que qualquer desejo individual.

Custou-lhe muito ter ficado de fora da lista de jogadores inscritos na Liga Europa, mas também no campeonato durante a primeira parte da época?

Foi feio, muito feio, sobretudo pela forma como aconteceu. Na altura, dei uma entrevista a dizer que estava quase pronto para começar a ajudar a equipa,

mas só depois de ter falado com os jornalistas é que me disseram que não estava inscrito. Explicaram-me, então, que tinha sido um problema de comunicação…

O lado bom de tudo isto é que, como deixei de ter pressa para voltar, recuperei bem e hoje estou como novo. Mas, depois de isso acontecer, começou a passar

a ideia de que tinha ficado de fora por lesão, quando, na realidade, fiquei de fora por opção. O que mais me chateou neste caso foi mesmo a falta de comunicação,

embora saiba que não houve má intenção por parte do clube. Bom, mas este assunto faz parte do passado e tudo acaba por se superar.

Sente que a sua humildade o prejudicou no FC Porto?

Obviamente que sim. Fiz sempre questão de aceitar as decisões do treinador e sempre fui muito discreto. Limitei-me a trabalhar e a jogar o melhor que sabia

quando era chamado, sem nunca me passar pela cabeça discutir uma decisão de um treinador. Sempre lhes disse o que pensava, tanto aos treinadores como aos

dirigentes, mas de uma forma educada. Cheguei até aqui com esta personalidade e não a mudaria agora para tentar ganhar algo com isso. Sei que se tivesse

sido um pouco mais maldoso, no sentido de pensar mais em mim, poderia ter beneficiado com isso. Mas, eu também não sou assim [risos].

"Moutinho dava um excelente capitão"

O seu papel no balneário foi destacado por muitos dos seus companheiros. Afinal, qual foi a sua importância ao longo da época?

Como já tinha experiência de épocas anteriores, fui escolhido para ser o primeiro capitão. Tentei ajudar sempre o Falcao e o Helton, que eram novos naquele

papel, e, na impossibilidade de jogar, sabia que eles teriam mais responsabilidades do que eu perante o balneário. Nós, os três, tratámos de muitos assuntos

que as pessoas não sabem, até mesmo questões administrativas. Acredito que o segredo dos três esteve na forma como lidámos com as situações: antes de tomarmos

uma decisão, fosse ela qual fosse, conversávamos os três, decidíamos de acordo com o que entendíamos ser o melhor, e só depois comunicávamos ao grupo.

Deste modo, tudo funcionou sempre da melhor forma.

Mas houve muitos problemas para resolver ao longo da época?

Não, não... Bem, é lógico que num grupo com 25 pessoas nem sempre se pode agradar a toda a gente. Eu próprio cheguei a discutir com alguns companheiros,

embora em situações normais. Isso faz parte do futebol, mas também de qualquer empresa. No entanto, nunca houve uma situação grave. Mas vou dar exemplos:

organizávamos almoços, jantares, festas de aniversário. Muitas coisas. Agora que olho para trás, percebo que um dos nossos segredos esteve no facto de

termos conseguido formar um grande grupo. E isso nunca se consegue se não estivermos todos focados no mesmo objectivo. Quando alguém começa a pensar que

determinada pessoa é má, ou se começa a existir inveja no plantel, tudo fica mais complicado. E isso, esta época, não existiu.

Encontra, no actual plantel, jogadores com personalidade para serem capitães de equipa?

Sim, sim... Se continuar, há o Falcao, por exemplo. Não tenho palavras para o descrever como pessoa. É um amigo e, esta época, também trabalhou para a equipa

como capitão. Depois, vejo no Moutinho um excelente sucessor. É uma pessoa fantástica, muito humilde, e já tem muita experiência. Acredito que pode ser

uma boa solução. Aliás, penso que qualquer um deles pode ser melhor do que eu; considero que fui um bom capitão do lado de fora, mas nunca pude dar o meu

contributo lá dentro, no relvado.

"Gostava de ser adjunto no FC Porto"

Por onde vai passar o seu futuro?

Ainda não sei. Sinceramente, estive até ao último dia a ver se havia possibilidade de renovar pelo FC Porto, porque era essa a minha vontade. No entanto,

e apesar disso, já tinha falado com o meu empresário para nos começarmos a preparar para uma eventual saída. Mas ainda não sei onde vou continuar a jogar.

Mantém a ideia de que em Portugal só jogará no FC Porto?

No final do jogo da Taça de Portugal, quando disse isso, estava muito emocionado e, confesso, ainda acreditava que era possível continuar. Mas agora que

não posso continuar, tenho de pensar no meu futuro e saber que este é o meu trabalho. Por isso, se surgir alguma proposta de Portugal, terei de a analisar

como qualquer outra. Tudo dependerá do que surgir, embora considere que, apesar de tudo, vai ser difícil prosseguir a minha carreira em Portugal.

Chegou a falar-se da possibilidade de ir para o Botafogo, do Brasil...

É verdade que falaram com o meu empresário e também me ligaram. Demonstraram um grande interesse e ficaram de avançar com uma proposta mais concreta. No

entanto, preferia continuar pela Europa, sabendo que os clubes europeus vão começar agora a mexer-se e a definir os plantéis da próxima época. Espero ter

a minha vida resolvida dentro de três ou quatro semanas.

Pensa ser treinador um dia?

Não sei... Ainda não resolvi a minha vida. Para já, gosto muito de jogar futebol e vou continuar a fazê-lo até não ter mais propostas. Depois, logo se verá.

E se um dia decidir ser treinador, adorava trabalhar no FC Porto, nem que fosse nas camadas jovens ou até como adjunto. Quem sabe se isso não acontecerá?

Pensa regressar à cidade do Porto?

Vou ter de voltar... Vou manter casa por cá. Na pior das hipóteses, voltarei pelas minhas filhas, porque elas vão querer conhecer o local em que nasceram.

Para além disso, sou portista. Muito portista. Estou muito identificado com o clube, mas a minha ligação vai muito para além do futebol, porque também

me revejo na cidade.

Golo ao Manchester e mais dois pela beleza do momento

Ao longo de quatro anos no FC Porto, Mariano marcou 11 golos. O argentino reconhece que "foram poucos", mas, mesmo assim, não consegue escolher o melhor,

porque, defende, "houve alguns especiais", embora por motivos diferentes. "Ora bem, o melhor... Podia escolher o golo que marquei em Manchester, pela importância

que teve naquela altura. Mas há outros. Esteticamente, gostei muito do último golo que marquei à Académica, na meia-final da Taça da Liga, assim como aquele

grande remate na partida com o Sporting, no Dragão. Também guardo com especial carinho o primeiro golo que marquei pelo FC Porto; foi frente ao Paços de

Ferreira e chegou numa altura importante para mim. Lembro-me de ter falado com os jornalistas e de dizer que precisava de marcar um golo para ganhar confiança",

recordou.”

Em

www.ojogo.pt

Pelo que diz nesta entrevista, no FC Porto, Mariano passou por bons momentos e outros menos bons. Acredito que os momentos menos bons devem ter custado muito, assim como acredito que a despedida tenha sido complicada, afinal é sempre difícil afastarmo-nos dos lugares onde nos sentimos bem. Resta agradecer ao Mariano e desejar-lhe as maiores felicidades.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Declarações de Hulk, O Golo Do Ano e Sobre Pedro Emanuel

1 – Declarações de Hulk

“"Com esta equipa vamos longe"

ROMAZ ANDRADE

Hulk está finalmente em destaque no Brasil, começando a recolher os louros da época que realizou no FC Porto, com 36 golos marcados em 53 jogos. Tal como

O JOGO informou na edição de ontem, o avançado portista foi considerado, pela ESPN, o melhor brasileiro a actuar fora do país, quer pela crítica especializada

quer por votação popular. Ora, foi precisamente na cerimónia que o consagrou, em São Paulo, que o Incrível falou da época passada e, sobretudo, das expectativas

para a próxima temporada. "Se mantiver a mesma equipa, o FC Porto pode chegar muito longe, pode fazer uma Champions que ficará marcada na história", disse.

Hulk não tem medo de pôr a fasquia demasiado alta. "No futebol, tudo é possível. Se o grupo estiver bem fechado e se os jogadores estiverem bem, podemos

até vencer a Champions."

Apesar de, na mesma entrevista, ter dito mais à frente que analisaria uma eventual proposta para sair para um campeonato mais forte, Hulk deu indicações

de que vai ficar no Dragão. "O FC Porto tem grandes jogadores, tem um grupo excelente. Se nos fecharmos como na época que passou, temos condições para

ganhar tudo. Claro que o grau de exigência será maior, mas sabemos o que valemos. O nosso objectivo é fazer uma grande Champions", insistiu.

Agora, a parte do assédio de outros clubes. Apreciado em Inglaterra e em Itália, Hulk garante estar bem no FC Porto, preparando-se para somar a quarta época

no Dragão. "Os jogadores pensam sempre no melhor, mas eu estou bem no FC Porto. Renovei recentemente o contrato [até 2016]. Mas se chegar uma proposta,

vamos estudar, vamos analisar", admitiu o avançado brasileiro. Hulk está protegido por uma cláusula gigantesca e, depois da renovação, 90 por cento do

seu passe pertence à SAD.

Incrível com vontade de voltar à selecção

Sem fazer parte dos convocados do seleccionador Mano Menezes para a Copa América, que se realiza em Julho, na Argentina, Hulk não desanima e espera em breve

ser um nome fixo no escrete. Nem que seja como ponta-de-lança, apesar de gostar mais de actuar junto à linha. "A camisola 9 cairia legal. Tenho de trabalhar,

dar o máximo e aproveitar as oportunidades. Estou à disposição e com vontade de assumir o ataque da selecção. Espero sempre ser chamado, mas não vou ficar

frustrado por não ir à Copa América. Infelizmente tive poucas oportunidades na selecção", explicou Hulk.

O novo Mourinho, sim senhor

T.A.

Cansado ou não da ligação e comparação constante com José Mourinho, André Villas-Boas foi mais uma vez associado ao treinador do Real Madrid. Mas desta

vez por um jogador do próprio balneário. Hulk não poupou nada nos elogios ao seu treinador e, em São Paulo, disse tudo alto e bom som: "Eu acho que ele

[Villas-Boas] tem tudo para isso [ser o novo Mourinho]." A explicação do avançado portista é simples. "[Villas-Boas] tem bastante qualidade e ainda vai

aprender mais. De certeza que vai ser um dos melhores do mundo."

Mas, afinal, qual é a grande especialidade de André Villas-Boas? Como o próprio reconheceu recentemente, não é no plano táctico que mais sobressai, antes

na forma como lida com o grupo e o motiva. Hulk concorda com a ideia e dá mais algumas pistas sobre a forma de trabalhar do treinador. "É uma excelente

pessoa, além de ser um grande treinador. E o facto de ser jovem não prejudica nada o seu trabalho. Ele é muito experiente. Já trabalhou com José Mourinho

e ganhou muitos títulos nessa colaboração. Ele sabe conversar com os jogadores, sabe dar espaço. Todos elogiam a sua forma de ser", reconheceu Hulk. Villas-Boas

não poderia ter melhor cartão-de-visita no Brasil. Aliás, pelo que se percebe na Imprensa o nome do treinador já começa a ser conhecido entre os brasileiros.

Directo ao assunto

Ronaldo, o Fenómeno

"Vai ficar eterno. Ele é idolatrado no mundo inteiro, é um fenómeno. É o meu ídolo também, e desejo-lhe toda a sorte do mundo fora dos

relvados

Terminar carreira no Brasil

"Penso um dia jogar no Brasil. Que seja daqui a oito anos. Pretendo jogar no Brasil, porque nem joguei direito por aqui. Não tenho preferências de clubes.

Apesar de ser palmeirense, não digo que, no Brasil, só jogo no Palmeiras. As portas estão abertas, e tenho de procurar o meu espaço. Tenho de trabalhar

bem para ter as portas abertas no Brasil

Reconhecimento

"Saí muito cedo do Brasil e não tive muitas oportunidade para mostrar o meu trabalho. Tive de sair e morei três anos e meio no Japão. Agora estou em Portugal

e consegui o meu espaço por lá. Aos poucos estou a ser reconhecido no Brasil, e o meu objectivo é representar a selecção brasileira para ser mais reconhecido

ainda”

2 – O golo de Guarin foi considerado o golo do ano

"Portistas, o golo do ano é meu!"

HUGO SOUSA

Guarín esmagou a concorrência e venceu a eleição do melhor golo do ano promovida pelo jornal "Guardian", de Inglaterra. O golo que o colombiano marcou ao

Marítimo, no Dragão, recolheu 47,2% dos votos, distanciando-se do segundo classificado, Wayne Rooney, nas últimas horas em que decorreu a votação, que

começou na segunda-feira e encerrou ontem. Guarín, através do Twitter, tinha apelado ao voto dos seus seguidores, e o pedido parece ter resultado, garantindo-lhe

uma vitória confortável sobre o avançado inglês (28,9% das preferências) e mais confortável ainda sobre os restantes 18 concorrentes, onde estavam nomes

como Messi, que tinha dois golos a sufrágio, Stankovic ou Cavani.

O entusiasmo com que Guarín acolheu a iniciativa do "Guardian", com o tal apelo directo ao voto, não se esfumou depois de conhecido o resultado. Aliás,

o colombiano nem se deu ao trabalho de camuflar as emoções com falsas modéstias e, de rajada, tratou de despejar três mensagens no Twitter: as duas primeiras

em espanhol, uma a dar conta do resultado e a outra a agradecer o apoio, a terceira em "portunhol", directamente dirigida aos adeptos do FC Porto. "Malta,

portistas, está feito. O melhor golo da Europa foi o meu. Obrigado pelo apoio e abraço para todos", escreveu, numa versão já adaptada e corrigida. "Foi

um remate a uns 38 metros, muito estranho para o guarda-redes. A bola subiu, desceu, fez uma curva e entrou. Nem queria acreditar", detalhou depois à imprensa

colombiana, que deu grande destaque ao assunto, antecipando também a Supertaça europeia, com o Barcelona. "Vamos ter de ser inteligentes", disse, sublinhando

que o FC Porto "é um dos mehores clubes do Mundo".

Focado nos trabalhos da selecção colombiana que prepara a participação na Copa América, que este ano se disputa na Argentina, o médio portista junta mais

alguns elogios para massajar o ego após um final de época em que tudo lhe correu bem: assistências, golos e exibições consistentes garantiram-lhe um papel

de destaque e despertaram a cobiça de alguns clubes. Guarín marcou dez golos (cinco no campeonato e mais cinco na Liga Europa).

A bomba que valeu prémio

Guarín dificilmente esquecerá o dia 8 de Janeiro de 2011, data do golo que o fez levar as mãos à cabeça, como que não acreditando que aquele pontapé, a

cerca de 40 metros da baliza de Marcelo, tivesse entrado. A bola ganhou um efeito tremendo depois de sair dos pés de Guarín, que marcou dois golos nesse

jogo.”

Em

www.ojogo.pt

3 – Sobre a Saída de Pedro Emanuel

A mais que provável saída de Pedro Emanuel para a Académica é de lamentar, é sempre de lamentar a saída de alguém que há-de fazer falta, mas julgo que o FC Porto vai encontrar alguém, da casa, para o lugar. Resta-me desejar as maiores felicidades ao Pedro Emanuel, com a excepção dos jogos contra o FC Porto, como é óbvio. Creio que a Académica terá um bom treinador. Pelos vistos o FC Porto não só é bom vendedor de jogadores, como é bom a formar treinadores.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Várias Notícias...

1 – Falcao voltou a falar da renovação e elogiou o FC Porto

“"A ideia é aumentar o valor da cláusula"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

De férias em Buenos Aires, na Argentina, Falcao deu mais algumas pistas sobre o futuro. Em declarações a O JOGO, depois de ter assistido à partida que opôs

o River Plate ao Colón, o colombiano confirmou, mais uma vez, as conversas sobre a renovação de contrato e, agora uma novidade, revelou a intenção das

duas partes: aumentar a cláusula de rescisão, fixada actualmente em 30 milhões de euros.

A leitura das declarações de Falcao pressupõe a continuidade no FC Porto por, pelo menos, mais uma temporada, mesmo que o seu nome esteja nas listas de

compras de vários clubes. Por exemplo, o jornal inglês "The Guardian" elaborou um trabalho sobre os 50 principais animadores de mercado, incluindo Falcao

nos desejos do Arsenal e do Tottenham, avaliado em 26 milhões de libras, ou seja, os tais 30 milhões de euros. "É difícil que saia do FC Porto. Os dirigentes

do clube querem manter a equipa e reforçá-la nos lugares que mais precisa tendo em vista a próxima época. De acordo com essa mentalidade, o objectivo não

passa por prescindir de nenhum jogador, nem da equipa técnica", disse. Seja como for, o nome de Falcao na Imprensa europeia tem sido uma constante diária

e até o Real Madrid já surgiu como um dos potenciais interessados. "Mantenho-me à margem das notícias e das especulações. Não tenho lido muitos jornais.

Vi que escreveram que havia um suposto interesse [do Real Madrid]. Mas o que posso dizer é que estou muito bem no FC Porto, clube com o qual tenho mais

dois anos de contrato. Vamos disputar a Liga dos Campeões na próxima época, que é um desafio pessoal que me motiva bastante". Lançado o nome do Atlético

de Madrid para a conversa como outro dos emblemas supostamente interessados, Falcao foi ainda mais claro. "Estamos a falar sobre a renovação de contrato.

Tenho uma cláusula de rescisão que é acessível para alguns clubes da Europa e a ideia é aumentá-la", afirmou o colombiano.

O objectivo de experimentar outro campeonato continua, ainda assim, na mente do ponta-de-lança. "Claro que na Europa há campeonatos importantes e que, em

determinado momento da carreira, gostaria de experimentar. Sei que esse momento vai chegar um dia, mas actualmente só penso no FC Porto. Espanha, Inglaterra

ou Itália têm campeonatos que agradam muito aos jogadores e um dos meus objectivos é poder disputá-los", referiu Falcao.

O clube portista merece os mais rasgados elogios do colombiano. "Atravesso um bom momento e estou numa instituição bastante organizada. Temos uma equipa

de grande nível, com jogadores de qualidade. Aliás, foi isso que me permitiu dar um salto importante, adaptando-me rapidamente ao futebol europeu e podendo

ser um dos protagonistas da equipa".”

O que será que está a faltar para este acordo ficar assinado?

2 – Guarin na corrida pelo golo do ano

“Guarín concorre ao golo do ano

O golo de Guarín ao Marítimo, da 15ª jornada do campeonato, era ontem o segundo mais votado no sítio do jornal inglês "Guardian", entre os 20 colocados

à apreciação dos cibernautas. O colombiano, recorde-se, bisou nesse encontro, mas foi com o primeiro golo, a 37 metros da baliza de Marcelo, que levantou

as bancadas do Estádio do Dragão para um momento que ficou gravado na memória como um dos melhores golos da temporada e que agora também pode vir a ser

reconhecido além-fronteiras. A votação do "Guardian" termina na próxima quinta-feira, pelo que tudo continua ainda em aberto para decidir qual será o melhor

golo.”

Vamos esperar até Quinta para saber o resultado final desta votação.

3 – Belluschi lesionou-se

“Belluschi sofreu fissura no perónio

CARLOS GOUVEIA

Belluschi esteve nos últimos 45 minutos da derrota da Argentina com a Polónia (jogo particular) e acabou lesionado. A suspeita é de uma fissura no perónio

esquerdo, o que poderá atrasar o início da pré-temporada do médio no FC Porto. Belluschi foi examinado numa clínica privada de Varsóvia, mas só hoje, quando

chegar a Buenos Aires, vai efectuar uma ressonância magnética para perceber qual a extensão da lesão. Só então será determinado o tempo de paragem, sendo

certo que terá de ficar uns dias com o pé totalmente imobilizado. O FC Porto reabre a oficina do Olival a 30 de junho, ou seja, dentro de três semanas,

e Belluschi arrisca-se a não estar operacional.

Em todo o caso, a lesão parece não ser muito grave e até é possível que seja debelada durante as férias do jogador, que vão ser passadas em Los Quirquinchos,

uma pequena povoação de pouco mais do que dois mil habitantes que fica na província de Santa Fé.

Alejandro Rolón, médico da selecção alviceleste, acompanhou o médio portista nos exames efectuados na capital polaca e procurou desdramatizar a situação,

dizendo que se trata de "uma lesão sem grande importância, ainda que o obrigue a ficar com o pé imobilizado até se concluir a recuperação".

Em Abril de 2010, Fàbregas, do Arsenal, sofreu uma lesão semelhante e teve uma paragem de seis semanas. Contudo, a extensão do problema pode ser menor no

caso de Belluschi, o que significaria uma paragem mais curta. A ser idêntica, o argentino só estaria operacional, na melhor das hipóteses, na terceira

semana de Julho.”

Todas as notícias retiradas de:

www.ojogo.pt

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Álvaro Pereira Em Entrevista Ao OJOGO

Aqui fica mais uma entrevista de um jogador portista, nada como elas para alimentar o blog…

“"Vai demorar anos para nos darmos conta do que fizemos"

CARLOS GOUVEIA

Ainda antes de deixar o Porto para se juntar à selecção do Uruguai, com a qual espera ganhar a Copa América, Álvaro Pereira levou O JOGO ao Estádio do Dragão

e passou em revista uma época inesquecível , mas sem deixar de perspectivar o que será a próxima época, que, admitiu, terá o dobro da dificuldade. A ambição,

porém, é de repetir os festejos. E o Palito voltou a garantir que não está a pensar em sair.

Está cansado de festejar?

Estou sobretudo feliz, e não há cansaço quando se consegue uma época assim. É uma época de sonho, e vamos procurar desfrutar ao máximo porque isto não acontece

todos os dias. Faço um balanço muito positivo porque, além de todas as taças, conseguiram-se outras coisas importantes, como recordes ao nível dos golos

e de vitórias, além de termos perdido poucos jogos e conseguindo terminar o campeonato invictos. Esse é um feito notável porque o grupo acreditou sempre

em si do primeiro ao último jogo, e essa foi a receita do nosso sucesso.

Tem a consciência de que ajudou a equipa a entrar para a história?

Não. Penso que isso vai demorar algum tempo, alguns anos, para nos darmos conta do que conseguimos. Mas vai ajudar a não relaxarmos. Sou muito ambicioso,

mas com cautela; por exemplo, ainda estou a assimilar o feito que o Uruguai conseguiu no Mundial da África do Sul [quarto lugar, depois de ter sido afastado

da final pela Holanda]. Oxalá que daqui a 20/30 anos ainda se fale desta equipa. Pessoalmente, a época passada, na qual não ganhámos o campeonato e ficámos

de fora de outras provas, foi dura para uma equipa habituada a ganhar muitas coisas. O grupo queria revoltar-se contra isso, e desde o primeiro dia em

que falei com o míster André, comuniquei-lhe que o que mais queria era ser campeão.

Já pensou como será o dia em que a equipa perder um jogo no campeonato?

Será um dia normal. Tenho mentalidade ganhadora e não penso em perder, mas se isso acontecer, é preciso lembrar que é apenas um jogo; nada mais.

Estamos no chamado defeso; o Álvaro vai resistir ao assédio do mercado?

Estou tranquilo. Vou para a selecção e depois voltarei com todas as ganas para começar bem a época aqui. Não tenho vontade de sair nem me passa isso pela

cabeça, já que estou muito feliz aqui.

É essa a ideia da maior parte dos companheiros?

Não me posso meter na cabeça deles, mas é a minha, da minha esposa e da minha filha. Estamos todos muito felizes no FC Porto.

E vai sentir saudades do Cristian Rodríguez na próxima temporada ?

Vou estar com ele agora na selecção e não sei se ele vai sair ou não. Não falei com ele sobre isso. Oxalá recupere da lesão e nos ajude na selecção porque

é um excelente jogador e um grande amigo.

"Fazer uma boa Champions é vencê-la"

Álvaro Pereira já fez 14 jogos na Liga dos Campeões, seis dos quais com a camisola do Cluj, o clube que lhe abriu as portas da Europa, no Verão de 2008.

A estreia aconteceu a 16 de Setembro, com um triunfo em Roma, e o lateral confessou que até se arrepiou quando ouviu o hino. Por isso, não vê a hora de

voltar a participar na maior prova de clubes e diz que não é impossível o FC Porto repetir o feito de 2004. "Temos sempre essa esperança. Falta muito ainda,

e é preciso manter a calma. Vai ser um sonho voltar a jogar a Liga dos Campeões. Recordo-me perfeitamente de quando cheguei à Roménia e me estreei na prova.

Ouvir aquela música, quando se entra em campo, é impressionante. Temos esse sonho, e porque não? Além de que temos essa espinha encravada do jogo com o

Arsenal nos oitavos-de-final", frisou, referindo-se aos 0-5 sofridos em Londres nos oitavos-de-final da época passada. E passar aos quartos-de-final será

suficiente para desencravar essa espinha? "Não", atira Álvaro Pereira, explicando: "Fazer uma boa Champions passa por ser campeão da prova. Não podemos

ser conformistas", sublinhou. Para tal, o lateral não esconde que seria "importante manter a equipa toda", mas sabe que isso depende dos dirigentes. "Nós

só jogamos futebol", lembrou.

O segredo das folgas e o fim das críticas a Villas-Boas

À partida para férias, o médio Souza revelou que nunca tinha tido tantas folgas como esta época. Álvaro Pereira partilha dessa convicção e admite que isso

também contribuiu para o sucesso do FC Porto. "Eram uma forma de nos motivar porque sabíamos que se ganhássemos, teríamos direito a uma folga. Alimentou-nos

nos jogos porque dizíamos entre nós: 'Vamos lá ganhar porque amanhã descansamos junto da família.' Deu resultado, mas não quer dizer que andámos sempre

de folga. Não, elas eram um prémio pelas vitórias", sublinhou. E foram 48 os triunfos ao longo de 2010/11... Números que, na opinião do Palito, são mais

do que suficientes para calar a voz de quem criticou a contratação de Villas-Boas. "Especula-se muito quando um treinador chega a um clube desta dimensão.

Diziam que era muito jovem, mas demonstrou que é mais do que capacitado e que está à altura dos grandes treinadores mundiais", elogiou o lateral-esquerdo,

que não escondeu a vontade de o ver continuar no banco do FC Porto. "Para nós, era importante que ele ficasse, não só ele como toda a equipa técnica, porque

já nos conhecemos bem e tivemos sucesso. Estar a mudar seria duro", referiu. Depois do triunfo na Taça de Portugal, não houve discurso de despedida, revelou.

"Apenas nos desejou boas férias. Simplesmente isso. E disse para desfrutarmos do descanso e do sucesso alcançado porque ainda não tivemos tempo para o

fazer. Ganhámos a Supertaça e começou logo o campeonato; quando fomos campeões, tínhamos a Liga Europa; ganhámos a Liga Europa e havia a Taça de Portugal.

E agora as férias. Foi tudo muito rápido e sucessivo", sublinhou.

"Seremos o alvo a abater"

"Isto não é como começa é como acaba". A frase é de Jorge Jesus, proferida em Dezembro de 2010, quando já tinha perdido a Supertaça Cândido de Oliveira,

o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, e estava a oito pontos do FC Porto no campeonato. Já Álvaro Pereira espera que, na próxima

época, tudo comece e acabe como nesta: com a equipa a levantar troféus. Ou seja, a ideia é voltar a ganhar ao Guimarães na Supertaça e partir daí para

mais uma temporada de sucessos, que termine no Jamor. Mas o lateral sabe que o FC Porto vai "ser o alvo a abater" e que a exigência dos adeptos "vai manter-se

alta".

Admite que esta equipa deixou uma fasquia muito alta para a próxima temporada?

É verdade, mas a responsabilidade é a mesma que vou ter agora na selecção depois do quarto lugar no Mundial. Todos vão esperar que o Uruguai vença a Copa

América, é esse o nosso sonho e aqui no FC Porto passa-se o mesmo. Todos vão querer que lutemos pela Liga dos Campeões, pelo campeonato, por tudo. Mas

vai ser duas vezes mais difícil do que foi nesta época, mas vamos fazer os possíveis. Têm de nos deixar trabalhar. Agora há que ir de férias, descansar,

assimilar tudo e depois pensar no que aí vem. Temos que estar conscientes de que se as coisas não começarem bem, não devemos perder a cabeça. Claro que

depois de tanto sucesso, uma derrota vai doer mais. Mas teremos de manter a calma porque sabemos qual é o nosso valor.

A exigência dos adeptos vai manter-se. O que podem prometer-lhes?

Esse é um grande desafio e estamos prontos para ele. Vamos fazer os possíveis por voltar a ganhar todas as taças porque somos ambiciosos e queremos sempre

mais. Vamos querer ganhar a Liga dos Campeões, o campeonato, tudo, porque nenhum jogador é conformista e uma época passa muito rápido.

Admite que o FC Porto será o alvo a abater?

Sim. Todas as equipas vão jogar a vida ou a morte porque vão defrontar o campeão invicto e o vencedor da Liga Europa. Vai ser um lindo desafio e uma época

muito dura.

No início desta época, a vitória na Supertaça foi decisiva para a confiança da equipa e o arranque. Sente o mesmo em relação à próxima?

Pode ser, mas esta época foi especial porque foi contra o Benfica, que era o campeão e apontado como favorito, e porque tínhamos perdido os jogos no Torneio

de Paris uns dias antes. Além disso, o grupo estava a reorganizar-se por causa das saídas do Bruno Alves e do Raul Meireles. Vencemos, isso, moralmente,

alimentou o grupo e sabíamos que era esse o caminho a seguir. Aí começou tudo. Houve outro momento fundamental que foi a vitória em pólo aquático contra

a Académica [risos]. Na altura, questionávamos como íamos jogar ali, mas ainda bem que o fizemos e vencemos.

A ideia é começar como tudo acabou, com um troféu?

Claro que sim. É disso que as pessoas se lembram, dos vencedores.

"Primeira parte no Jamor foi alucinante"

Quatro em cinco títulos, uma época de sonho com um final perfeito: goleada ao Guimarães no Jamor. Um jogo "maluco", bem diferente da final "fechada" de

Dublin com o outro rival do Minho. Mas é do triunfo no Estádio da Luz para o campeonato que Álvaro Pereira não se vai esquecer tão cedo.

A vitória no Jamor foi o final perfeito de uma época de sonho?

Sem dúvida. Enfrentámos o jogo com toda a seriedade, a equipa estava um bocado cansada porque tínhamos jogado na quarta e havia os festejos pelo meio. Era

preciso mudar rapidamente o "chip" para outra final e voltámos a demonstrar a ambição que nos destacou ao longo da época. Acabámos da melhor maneira a

época.

E com muitos golos, que faltaram em Dublin...

Os golos que não apareceram na Liga Europa saíram todos no Jamor. Foi um grande espectáculo para os adeptos e já sabíamos que em Dublin não seria assim,

mas fechado, porque uma prova europeia é algo muito importante. Procurámos fazer o nosso jogo, mas o Braga jogou mais precavido, mais fechado, a sair no

contra-ataque. Não lhes demos hipóteses, com excepção daquele lance do Mossoró, que graças a Deus o Helton salvou. A partir daí controlámos e até podíamos

ter ampliado o marcador. As finais são para ganhar, nem que seja por meio a zero.

No Jamor foram sete golos em 45 minutos...

Foi alucinante, um pouco maluca porque nós marcávamos e eles marcavam logo a seguir. O momento-chave foi quando fizemos o 4-2 e surge a grande penalidade

para eles. O Beto defendeu em grande estilo e voltámos a marcar na sequência do canto a favor do Guimarães e isso matou o jogo.

Onde é que a equipa foi buscar forças para um jogo com aquele ritmo, depois de Dublin e da festa?

Estivemos bem porque ao longo da época a equipa foi-se habituando a jogar à quinta e ao domingo, com viagens longas pelo meio, como à Rússia ou à Bulgária.

No plano emocional podia ser mais complicado porque era preciso mudar o "chip".

Qual é a melhor recordação da época?

O 2-1 no Estádio da Luz porque venci aí o meu primeiro campeonato. Foi uma sensação que nunca vou esquecer. Ainda para mais na Luz e contra o grande rival.

E o momento mais complicado?

Talvez o 5-0 contra o Arsenal na época passada. Nesta época, foi só quando magoei o ombro e me disseram que tinha de ser operado. Mas ficou tudo bem porque

tanto o Rafa, como o Fucile, o Sapunaru ou o Sereno, todos os que entraram estiveram bem e não se notava que faltava alguém em campo. Falou-se muito que

a equipa caiu quando não estive eu e o Falcao, mas eu acho que isso se deveu à sucessão de jogos, simplesmente. Em Janeiro e Fevereiro jogaram-se muitas

partidas e é normal que o nível baixe um pouco.

"Espero regressar o mais tarde possível e com a Copa América debaixo do braço"

O FC Porto ultrapassou o Benfica no número de títulos oficiais e o Uruguai quer fazer o mesmo em relação à Argentina e tornar-se na selecção com mais Copas

América conquistadas. Uma luta que, afinal, já não terá o companheiro Otamendi do outro lado. "Ele quer ganhar, mas não vamos deixar. Há que jogar e trabalhar

para ir jogo atrás de jogo. Oxalá ganhemos nós e passemos a ser o país com mais Copas América", atirou. A contabilidade regista um empate a com entre celestes

e alvi-celestes. Por causa desta competição, que termina apenas a 24 de Julho, Álvaro Pereira não terá direito a férias. "Espero voltar o mais tarde possível

e com a Copa América debaixo do braço. Aconteceu o mesmo na época passada por causa do Mundial e foi tranquilo. Aliás, será o quarto ano em que não tenho

férias, já estou habituado. Tenho tempo no futuro, quando deixar o futebol, para as gozar", atirou, explicando que os uruguaios têm vibrado com as conquistas

do FC Porto. "Estão muito felizes porque pelo segundo ano seguido jogadores locais vencem a Liga Europa [Forlán ganhou na época anterior pelo Atlético

de Madrid]. E a forma como vencemos a Liga teve grande visibilidade. Agradeço a todos os que têm apoiado e vamos tentar dar-lhes uma alegria nesta Copa

América", concluiu.

"Sabemos o nosso valor e estamos à altura de qualquer adversário"

Álvaro Pereira não tinha preferência pelo adversário na Supertaça Europeia, mas admitiu que é mais um dos fãs do futebol praticado pelo Barcelona de Pep

Guardiola e que tinha algum medo do Manchester, de Sir Alex Ferguson. O confronto está marcado para 26 de Agosto, no Mónaco, e será contra a equipa que

pratica um estilo mais parecido com o do FC Porto, de circulação de bola. O lateral diz que os dragões estarão à altura. "Temos de estar preparados quando

entrarmos em campo para jogar com o Setúbal, a Académica, o Barcelona ou o Manchester United. Todos os jogos são finais. Sabemos do valor e da importância

do Barça, mas também conseguimos coisas importantes e estamos à altura de qualquer adversário. Toda a gente sabe que admiramos o estilo do Barcelona, mas

tinha um bocado de medo do Manchester, que é uma equipa de topo", frisou. No entanto, Palito acrescenta outros dados que poderão ter influência nesse encontro.

"Temos a Supertaça nacional e o início da Liga antes e não podemos esquecer isto porque é o campeonato que nos dá acesso à Liga dos Campeões".”

Em

www.ojogo.pt

sábado, 4 de junho de 2011

Pleno Portista e Falcao Ao OJOGO

1 – Pleno Portista!

“"DECA" COMPÕE TERCEIRO PLENO PORTISTA

Com a conquista do décimo título consecutivo de hóquei em patins, o FC Porto somou, pela terceira vez, o pleno das modalidades colectivas, feito que mais

nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu. Do relvado ao pavilhão, os Dragões venceram todas as competições nacionais de seniores, num triunfo ampliado

pela conquista da equipa feminina de natação.

Antes do êxito global de 2010/11, o FC Porto já tinha feito o pleno em 2003/04, também ano de conquista europeia, e em 1998/99, época de pentacampeonato

no futebol. Esta temporada, além dos títulos seniores de futebol, andebol, basquetebol, hóquei em patins e natação, os azuis e brancos foram também campeões

de Sub19 e Sub15, nos escalões de formação de futebol.

Entre as semelhanças dos anos de pleno, sobressaem como dados comuns às épocas de 2003/04 e 2010/11 as vitórias europeias de Gelsenkirchen e Dublin: a

primeira na UEFA Champions League, a segunda na UEFA Europa League.”

Em

www.fcporto.pt

2 – Falcao ao OJOGO

“"Barça é a melhor equipa do planeta, mas podemos vencer"

FEDERICO del RIO, em Buenos Aires

A Colômbia é o seu país, a sua terra, a sua paixão; a Argentina a casa adoptiva, onde cresceu e se fez em definitivo futebolista e conheceu o amor da sua

vida, Lorelei Tarón. Por isso, nestas férias Falcao escolheu instalar-se em Buenos Aires, perto da família e dos muitos amigos que fez desde 2001 até à

partida para o FC Porto. Amanhã estará nas bancadas do Estádio Monumental para apoiar um River Plate que não luta por títulos como quando El Tigre vestia

a camisola encarnada, mas por se manter na primeira divisão. Porém, o descanso do goleador não é total; enquanto procura desfrutar de cada minuto das férias,

também prepara a Copa América que se disputará em Julho, avalia o seu futuro e ainda encontra tempo para recordar o passado recente, repleto de glória

em Portugal e na Irlanda, onde conquistou a Liga Europa. "Quando cheguei à Europa, sonhava ter este tipo de vitórias. Mas a forma como tudo aconteceu foi

impressionante. Não pensei que pudesse ser assim e muito menos que marcaria tantos golos. Tinha muita fé, mas realmente tudo o que se passou no FC Porto

foi muito melhor do que o que esperava", confessou a O JOGO, ainda surpreendido pela excelente campanha coroada com quatro voltas olímpicas e o título

de maior goleador da Liga Europa. Falcao repete algumas das ideias que deixou na entrevista ao canal Fox Sports, esta semana, e ainda não abre em definitivo

o livro do futuro. Mas, não deixa de ser curioso que, para ele, falar do futuro seja falar... da Supertaça europeia.

Depois da Copa América, que camisola vai vestir? A do FC Porto, a do Real Madrid , a de algum clube inglês?

Tenho mais dois anos de contrato com o FC Porto, onde me sinto muito cómodo, e, como tenho dito, estamos a conversar sobre a renovação. Depois desta temporada

com quatro títulos, algo que não é fácil de conseguir em qualquer equipa do mundo, creio que há clubes de toda a Europa interessados nos jogadores e até

no treinador do FC Porto, que é um clube que se destaca por ser vendedor. Eu trato de me manter à margem de todos os rumores e só penso em jogar.

Já imaginou como será defrontar o Barcelona de Messi e Guardiola na Supertaça europeia?

Motiva-me bastante pensar que vamos jogar contra a melhor equipa do planeta. Já estamos a pensar nessa partida. Não será fácil, claro, mas ninguém nos pode

tirar a esperança de vencer a prova.

Pode dizer-se que Villas-Boas é um treinador ganhador como Mourinho, mas com os gostos futebolísticos de Guardiola?

É um treinador muito inteligente, próximo dos jogadores, escuta as necessidades do plantel e sabe ceder. Por isso, o ambiente no grupo foi muito bom. Tem

um enorme potencial e pode chegar longe no futebol.

Viu a final da Liga dos Campeões?

Sim, e o jogo do Barcelona foi espectacular. Sem dúvida que são os melhores do mundo, uma equipa recheada de grandes jogadores, os mais talentosos. Vamos

ter de trabalhar muito forte para os poder vencer, mas nada é impossível. É um jogo e há que disputá-lo.

"Senti arrepios em Dublin, foi o ponto máximo de felicidade"

Nem Messi com o Barcelona fez tantos golos numa prova europeia. O que significa este feito para si?

Superei a marca de Jurgen Klinsmann, e esse feito, a título pessoal, é algo maravilhoso e que nunca esquecerei em toda a minha carreira. Sem dúvida. De

qualquer forma, estou convencido de que nada teria servido se não tivéssemos ganho a Liga Europa. Isso realça muito mais o meu recorde pessoal. E, definitivamente,

o colectivo é o mais importante para todos.

Pensavam que essa final em Dublin seria com o Braga ou pensavam noutro clássico decisivo com o Benfica?

Na verdade pensávamos que o Benfica seria o nosso rival na final, mas o Braga mostrou que é uma grande equipa e que se fortalece diante dos grandes adversários.

Tem excelentes jogadores, por isso não nos surpreendeu defrontá-los em Dublin. Não foi um jogo fácil para nós, mas conseguimos impor o nosso jogo e terminar

como campeões.

E o Falcao foi outra vez o herói. Agradeceu de forma especial ao Guarín pelo passe?

O Fredy é um grande jogador, fez um cruzamento magnífico. Creio que, em grande parte, o golo que marquei o devo a ele. Por isso o abracei tanto nos festejos.

É um grande companheiro e uma excelente pessoa.

O FC Porto deve ser a equipa portuguesa mais popular na Colômbia graças ao trio que formou o Falcao com o Guarín e o James...

Somos um bocadinho da Colômbia em Portugal. Por sorte, as coisas têm saído bem, e é excelente ter compatriotas como companheiros de equipa porque facilita

a adaptação. Partilhamos muitas coisas, como os costumes da comida e da música.

Além disso, festejaram os títulos com a camisola do FC Porto e a bandeira da Colômbia às costas...

Isso é uma das coisas de que mais me orgulho. Qualquer jogador sonha triunfar. Quando dava a volta olímpica em Dublin, sentia arrepios no corpo porque estava

no ponto máximo da felicidade. Na verdade nem tem explicação. E partilhar essa consagração com a bandeira do meu país foi algo fantástico e único.

"James amadureceu muito, está em grande"

A combinação entre o amarelo, o azul e o encarnado gera devoção em Falcao. Figura no FC Porto, transformou-se na estrela maior colombiana, ao nível de Shakira,

a cantora e namorada de Piqué, do Barcelona. El Tigre é o jogador mais cobiçado para a selecção do seu país e também foi eleito como embaixador para promover

o Mundial de sub-20 que a Colômbia vai organizar. Além disso, teve o privilégio de conversar com o presidente do país, Juan Manuel Santos. "Parece-me um

pouco exagerado dizer que sou herói nacional. O êxito no FC Porto é que gerou este tipo de sentimento no meu país. Talvez não tenha a real noção do que

consegui, mas também não penso muito nisso. Procuro ser o mesmo de sempre, mas tenho a esperança de representar sempre bem a selecção, que é o que mais

quero neste mundo", confessou.

A família contou-lhe o impacto que os seus golos tiveram na Colômbia?

Sim, falaram-me da emoção que foi para todos os colombianos, que o viveram como se tratasse de uma equipa do nosso país. Estou muito contente e quero desfrutar

com eles, que me seguem e estão sempre presentes.

Está preparado para a Copa América?

Todos os jogadores têm sempre muita vontade de mostrar que o que fazem nos clubes não é mera casualidade. Espero que o rendimento colectivo seja bom, à

parte do que podem fazer as individualidades. Não basta brilhar se não se formar um bom grupo. É fundamental.

James pode chegar à selecção principal depois do Mundial de sub-20?

James amadureceu muito, está a atravessar um grande momento. Os três golos que marcou na final da Taça de Portugal deixam isso claro. Não se deve sobrecarregá-lo

com responsabilidades, mas estou seguro de que vai dar muitas alegrias à nossa selecção.

Vai receber a camisola 9 do River das mãos de Passarella

Falcao já sonha com a Supertaça europeia, mas presenciará uma outra final. É amanhã, no Estádio Monumental, quando o seu River defrontar o Colón num jogo-chave

para a permanência no escalão principal. Os adeptos estão à espera da presença de El Tigre e até lhe pediram para vestir a camisola do River e dar uma

ajuda. Como isso não é possível, os dirigentes do emblema de Buenos Aires vão receber o goleador com pompa e circunstância e entregar-lhe uma das novas

camisolas do clube com o número 9 e o seu nome nas costas. A honra da entrega caberá a Daniel Passarella, actual presidente do River e ex-treinador do

colombiano. "Tenho um grande carinho pelo River e deixava tudo em campo cada vez que defendia as suas cores. Passei muitos anos no Monumental. Era a minha

casa, e entristece-me ver o clube nesta situação. É inesperado e não condiz com a história. Oxalá tudo corra bem e o clube siga no primeiro escalão", deseja

o avançado enquanto tenta encontrar uma justificação para este momento delicado. "Foram anos e anos de maus resultados. Não se chega a isto de um dia para

o outro", atirou.

Está por escrever a música da vida do goleador

Lorelei, a esposa de El Tigre, é argentina. Nasceu em Misiones, uma província ao norte do país que faz fronteira com o Brasil e o Paraguai. Conheceram-se

na igreja, casaram-se, e agora ela, além de apoiar Falcao em todos os campos onde vai jogar, também está a fazer carreira como cantora. Nesta altura está

a gravar o seu primeiro disco, em Buenos Aires. "O que ela faz é lindo, tem talento e merece todo o meu apoio para continuar ligada à música. Já me escreveu

várias canções, como a que me cantou no dia em que casámos. Oxalá faça outra música porque seria sinal de que ganhámos a Copa América. Seria a melhor música

da minha vida."”

Em

www.ojogo.pt