quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vítor Pereira em Antevisão da Décima Quinta Jornada da Liga

Aqui está a antevisão de Vítor Pereira do jogo da décima quinta jornada da liga, frente ao Rio ave.

“"QUEREMOS RECUPERAR A LIDERANÇA O MAIS RAPIDAMENTE POSSÍVEL"

Uma vitória na recepção ao Rio Ave (sábado, 20h30) é o primeiro passo que o FC Porto tem de dar para recuperar a liderança. Em conferência de imprensa, o treinador Vítor Pereira garantiu que os Dragões não vão esperar pelo confronto directo com o Benfica para ganhar pontos ao rival. Foi uma semana de trabalho "exigente", sublinhou o técnico, que considera o Rio Ave uma equipa "organizada".

Numa semana diferente, qual foi a resposta da equipa e que tipo de dificuldades espera do Rio Ave?

Foi uma semana normal. Se se refere à perda do primeiro lugar, posso dizer que nos preparamos da mesma forma. Foi uma semana exigente, em que os jogadores deram um a boa resposta. Vamos defrontar uma equipa organizada, com um treinador que tem feito um belíssimo trabalho, mas estamos preparados para as dificuldades.

Já sabe quem vai jogar nos lugares de Moutinho, castigado, e Djalma, que está ao serviço da selecção de Angola?

Sei, mas não vou dizer.

O reforço Danilo vai poder jogar?

Para já não tenho confirmação de que possa ser utilizado. Vamos ver.

O FC Porto era líder do campeonato há mais de 500 dias. Que sensação tem notado nos jogadores e na equipa?

É algo desconfortável. É uma situação que não é normal e com a qual não convivemos bem, mas só trabalhando podemos chegar ao fim no primeiro lugar. Queremos recuperar a liderança o mais rapidamente possível. Temos de jogar bem para obter os pontos necessários.

A situação traz algum peso psicológico?

O Benfica tem uma vantagem de dois pontos, nós temos um atraso de dois... Uma equipa como a nossa prefere andar na frente, é claro que sim. A condicionante psicológica de que fala advém daí, mas ainda falta muito campeonato, há muitos jogos. Não vamos esperar pelo jogo com o Benfica para decidir o campeonato, porque todos os jogos o decidem. Estamos concentrados no jogo com o Rio Ave e depois faremos as contas.

Como tem gerido a situação do Sapunaru e Fucile, agora que o mercado está aberto?

A gestão é fácil e resume-se a uma ideia simples: exigência máxima. Quem me der resposta em termos de treino e jogo tem a minha confiança total. É isto que me faz decidir por um ou por outro jogador.

Como encarou as críticas por ter posto Rodríguez no "onze" inicial e deixado James de fora?

Quem critica não sabe que o James esteve toda a semana doente, com vómitos, e, além disso, quase não tinha treinado nas últimas três semanas.

O jogo no estádio do Benfica será decisivo, face ao calendário?

Decisivo é o jogo com o Rio Ave, já no sábado. E depois vamos ter de somar três pontos nos jogos seguintes. É preciso ganhar os jogos todos até a ida à Luz.

Em casa a responsabilidade aumenta?

Temos de ganhar fora e em casa. O grau de responsabilidade é o mesmo. Sabemos que para ter a massa associativa do nosso lado temos de corresponder com compromisso, dedicação, exigência e entrega total ao jogo. É a isso que estamos habituados e queremos corresponder, porque os adeptos merecem. Em casa temos a massa associativa do nosso lado, é a única diferença.

Ainda espera um novo ponta de lança?

Abordarei qualquer tipo de questão relacionada com saídas e entradas quando elas acontecerem. Aconteceu a do Walter, de que já falei. Já disse há semanas que o clube está a trabalhar. Eu treino, tenho outras funções. Vamos esperar.

Como está a correr a integração do Danilo?

Ele chegou de uma paragem e tivemos algum cuidado. Agora está a treinar normalmente, integrado com os outros. Está a assimilar algumas ideias, mas é um jogador de qualidade em que acreditamos e com a qual contamos.”

Ele vai jogar no FC Porto a lateral direito ou no meio campo?

Ele veio para Portugal como lateral. Em função das necessidades, avaliaremos onde nos pode ajudar mais. Só o tempo o dirá.”

Em

www.fcporto.pt

sábado, 7 de janeiro de 2012

Crónica e Análise: Sporting 0 – FC Porto 0

1 – Crónica

Nem Dragões Nem Leões Marcaram

Ao início da noite deste Sábado o Sporting recebeu em Alvalade o FC Porto, em jogo a contar para a décima quarta jornada da Liga. No final do encontro verificou-se um empate a 0.

O clássico entre leões e dragões ficou abaixo do esperado por muitos. Foi um jogo intenso, com muita luta a meio campo e por isso pobre em termos de jogadas e de oportunidades de golo. Costuma-se dizer que: cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. E assim foi, nenhuma das equipas entrou apostada em arriscar demasiado. Através de livres, cantos ou cruzamentos a bola, de quando em vez, ia aproximando-se da baliza adversária. Mas Rui Patrício e Helton estiveram exemplares na defesa das respectivas balizas.

Até ao intervalo prevaleceu a luta a meio campo, mas no segundo tempo a velocidade entrou em jogo e com ela alguns momentos de proximidade com o golo. Hulk chegou mesmo a marcar, mas o tento foi anulado por fora de jogo. Mais próximo do final surgiram duas oportunidades flagrantes, uma para cada lado. Ao FC Porto valeu Álvaro Pereira, que sobre a linha negou o golo a Izmailov. Já ao Sporting valeu Polga, que também negou o golo a James.

Assim Sporting e FC Porto dividiram o nulo e os pontos em Alvalade. Os dragões somam 34 pontos e assumem a liderança do campeonato, ficam agora à espera do que vai fazer o Benfica amanhã.

2 – Análise

Eu não estava à espera de um jogo fácil, porque no futebol não há jogos fáceis, além do que num clássico, normalmente, ninguém gosta de se expor. E por tudo o que referi, também não acreditava em goleadas, apenas pedia um golo. Assim não aconteceu, dividiram-se os pontos, justo. Na minha opinião o jogo foi equilibrado, intenso, de muita luta, um jogo onde creio que brilharam os guarda-redes. Se esperava mais do FC Porto? Sim, esperava, mas percebo que as circunstâncias do jogo não o permitiram. Repito, julgo que o empate foi um resultado justo. O FC Porto permanece na liderança à espera de saber o resultado do Benfica para perceber se, com o empate em Alvalade, ficou a perder muito ou não. Ah! Com este empate os dragões já somam 53 jogos sem perder na Liga! Vítor Pereira igualou a melhor marca que pertencia a Robson!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Convocados Para a Décima Quarta Jornada da Liga

Aqui está a lista de convocados de Vítor Pereira para o desafio da décima quarta jornada da Liga, frente ao Sporting.

Helton, Maicon, Alvaro Pereira, Belluschi, João Moutinho, Cristian Rodríguez, Kléber, Hulk, Rolando, James, Djalma, Mangala, Souza, Fernando, Alex Sandro, Otamendi, Bracali e Defour.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vítor Pereira Em Antevisão da Décima Quarta Jornada da Liga

Aqui fica a antevisão do treinador do FC Porto da décima quarta jornada da liga, jogo frente ao Sporting.

“"SABEMOS A IMPORTÂNCIA DESTE JOGO"

O FC Porto vai ao terreno do Sporting defender a liderança da Liga e, para isso, terá de manter o nível apresentado nas últimas partidas. A análise é de Vítor Pereira, que falou esta quinta-feira em conferência de imprensa, abordando toda a actualidade portista. O treinador está ciente da importância do encontro para os Dragões, mas sublinhou que "num clássico todos têm a suas responsabilidades".

Atendendo à tabela classificativa, este jogo é importante para o FC Porto e fundamental e decisivo para o Sporting?

No que nos diz respeito, é um jogo importante, no que toca ao Sporting terá de perguntar ao Domingos. Queremos manter-nos na liderança e por isso queremos ganhar.

Que ilações tirou do jogo do Sporting em Vila do Conde, a que assistiu?

Fiz uma análise, como faço para qualquer adversário. Fizemos o nosso trabalho normal durante a semana.

O que espera do jogo?

Penso que será um jogo intenso, de qualidade, e é isso que espero da minha equipa. E penso que o Sporting estará dentro da mesma matriz.

Como está a equipa?

Trabalhámos bem durante a semana. Temos de jogar ao nível do que vínhamos fazendo nos jogos anteriores para obter um bom resultado.

As declarações de elementos do Sporting parecem ir no sentido de passar a pressão para o lado do FC Porto, que é o campeão em título. Como encara o clássico?

Sabemos a importância deste jogo. Queremos ganhar e preparamo-nos para isso. Relativamente à pressão… Queremos ganhar os três pontos, o Sporting também. Num clássico todos têm a suas responsabilidades. Estamos focados na nossa equipa e em ganhar o jogo.

Uma derrota afasta o Sporting do título?

Essa é uma questão que não me diz respeito. Ainda faltam muitos jogos, mas claro que o Sporting ficaria a uma distância considerável, provavelmente das duas equipas que vão à frente. Porém, o Domingos é que terá de responder a isso. A nós compete-nos trazer os três pontos e continuar na liderança.

Este jogo surge numa boa altura da época? Vai contar com o Djalma em Alvalade?

Relativamente à primeira questão, já manifestei a minha opinião. Deve haver uma paragem de Natal, porque Portugal é um país católico, mas na passagem de ano isso não se justifica. Tivemos uma semana de trabalho, adaptámo-nos à realidade e preparámo-nos para a equipa estar ao nível do jogo. Quanto ao Djalma, tem treinado durante toda a semana e até hoje continuo a contar com ele para a convocatória. O FC Porto tem boas relações com a Federação Angolana e espero a qualquer momento receber a confirmação de que ele pode jogar em Alvalade.

Domingos disse que a equipa do Sporting ainda comia "papas Cerelac". Acha que é uma equipa em formação ou já com tempo suficiente?

Não sei com que sentido o Domingos disse isso. Ele é que sabe a equipa e o plantel que tem. Não quero emitir a minha opinião, porque quem melhor do que ele para falar com propósito da sua equipa?

Como encontrou o Danilo fisicamente?

Vamos ver. Está a chegar, vamos ter algum cuidado. Logo que sintamos que está em condições para ajudar contamos com ele. Agora ainda não é possível.

O presidente disse que vai ficar dois anos no FC Porto. Interpreta isso como um voto de confiança?

Dois anos são os que tenho para cumprir no contrato. O presidente avalia a competência e sabe porque me escolheu. Agora, no futebol é preciso apresentar resultados e ir provando competência. Espero estar aqui dois anos e se possível continuar por mais alguns.

Pediu algum ponta de lança neste mercado de Inverno, até porque o Walter estará de saída?

O Walter está de saída, porque teve poucas oportunidades e é natural que queira outra coisa para a sua vida. Ele tem qualidade e vai à procura de jogar

mais. O mercado é um mês de entradas e saídas, as equipas fazem um estudo das suas necessidades e depois o clube vai trabalhando. Só posso falar dos jogadores que estão cá e estou satisfeitíssimo com o que tenho. Se surgir alguma coisa estarei aqui para fazer o comentário devido.”

Em

www.fcporto.pt

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre a Entrevista de Pinto da Costa À SIC

Pinto da Costa deu uma entrevista, desta vez à SIC. O presidente dos dragões não fez nenhuma declaração surpreendente, aliais, alguns dos assuntos já tinha abordado na entrevista que foi publicada na edição do passado Domingo do Jornal de Notícias.

O Presidente portista voltou à falar da FPF e do facto dos salários e seguros estarem a cargo dos clubes, mesmo quando os atletas estão ao serviço das selecções; criticou o aumento do IVA sobre os bilhetes para os jogos de futebol; falou das falsas notícias que diariamente saem; falou de Hulk, salientando que se houver alguém a pagar a cláusula e se o jogador quiser sair o FC Porto não poderá fazer nada para o impedir; falou de Falcao e da sua opção pelo Atlético de Madrid, referiu que o colombiano optou pelo dinheiro não pela carreira; abordou as opções para a direcção da Liga de Clubes; lamentou o facto do FC Porto não ter conseguido alcançar os oitavos de final na Liga dos Campeões; e, mais uma vez deixou bem claro o apoio a Vítor Pereira referindo que o treinador tem mais dois anos de contrato com o FC Porto.

E, sem declarações surpreendentes, foram estes os temas abordados por Pinto da Costa. O jornalista podia ter colocado outras questões? Poder podia, mas seguramente não seria a mesma coisa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Há Coisas Que Não É Para Quem Quer, É Para Quem Pode E Merece!

“MAIS DE 11 MIL ADEPTOS NO PRIMEIRO TREINO DO ANO

O primeiro dia do ano mostrou como os adeptos estão em sintonia com a equipa. Na sessão deste domingo, que abriu 2012, estiveram presentes 11.500 vibrantes adeptos, que seguiram com atenção um treino leve e descontraído.

A afluência recorde obrigou mesmo a abrir a bancada norte, depois da nascente ter ficado lotada, no que foi o treino de 1 de Janeiro com a maior assistência de sempre no FC Porto.

Uma palavra para as muitas crianças presentes, que animaram o treino com cartazes de incentivo. Os jogadores distribuíram alguns cachecóis pelos adeptos.

Como sempre acontece nestas ocasiões, o momento mais animado foi a peladinha com que encerrou o treino, com cada golo festejado como se de um encontro oficial se tratasse. Os adeptos acreditam que 2012 vai voltar a ser um ano do Dragão.”

Em

www.fcporto.pt

Fantástico! Grande manifestação portista no primeiro dia do ano. É ou não é para quem pode e merece?

Anedota da semana, ou será do ano? Um certo jornal desportivo elegeu Paulo Bento como figura do ano! Hahahahahaha!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Entrevista de Defour ao OJOGO

Aqui fica a entrevista do médio belga Defour, vale a pena ler, tem muito que se lhe diga …

“Defour: "Ninguém se atreve a abrir a boca quando o presidente fala"

DEFOUR EM EXCLUSIVO Belga admite que as palavras do presidente após a derrota em Coimbra mexeram com o orgulho dos jogadores. Satisfeito com os primeiros meses de Dragão ao peito, o médio confia numa vitória em Alvalade e na eliminação do Manchester City

CARLOS GOUVEIA/ANTÓNIO M. SOARES

Defour está no FC Porto há cinco meses e talvez por isso ainda fale sem rodeios dos assuntos mais delicados. O belga assumiu o mau momento da equipa e contou, por exemplo, que houve um toque a rebate após a derrota em Coimbra, o momento que marcou uma viragem na época. O treinador falou, os capitães também, e todos assumiram que a equipa estava muito abaixo do que podia render. Mas o clique final foi dado por Pinto da Costa quando desceu ao balneário. Pelo que Defour conta, nesse momento ninguém ousou abrir a boca e a mensagem passou. Os resultados mudaram, a equipa entrou nos trilhos certos ao pondo de o médio estar confiante numa vitória em Alvalade. Assumiu ainda a desilusão do grupo pela eliminação na Liga dos Campeões e admitiu que o Manchester City não é o adversário ideal na Liga Europa. Mas garante que a equipa vai à luta.

Como é que viveu aquela contestação toda no pior período da equipa?

Entre nós não havia muitas dúvidas. Sabíamos que tínhamos de trabalhar mais, unir-nos e lutarmos mais e foi o que aconteceu. Cerrámos fileiras e começámos a enfrentar os jogos com outra atitude.

Ficaram marcados pela manifestação de desagrado do público no aeroporto, no regresso de Chipre?

Não foi um dos nossos melhores momentos. Quando os adeptos vieram ao aeroporto não estavam contentes, esperavam mais de nós e tínhamos a obrigação de não os termos desiludido. Temos de aceitar isso, da mesma forma que aceitamos os aplausos quando as coisas nos correm bem. Eles estavam descontentes e com razão. O futebol é assim mesmo: uns dias as coisas correm bem, no outro podem estar mal.

Ficou surpreendido pela espera às cinco da manhã?

Sim, nunca pensei que se levantassem para nos esperar àquela hora, mas também já tinha passado por situações semelhantes em Liège, com o Standard. Mas esperas no aeroporto nunca me tinha acontecido, confesso.

Quando Vítor Pereira disse que teria de mudar alguma coisa a certa altura, sentiu que o grupo assumiu as suas responsabilidades e reagiu?

Sim, deixámos o Vítor Pereira dizer o que tinha a dizer e depois os jogadores fizeram uma reunião. Os capitães falaram e deram voz a todos os que quiseram falar para apontar o que estava mal e o que achavam que deveria ser feito para darmos a volta à situação. Foi o que fizemos. Todos se puseram em causa, por assim dizer, e redobrámos o trabalho. Conseguimos formar uma equipa e, aos poucos, as coisas começaram a funcionar. Talvez os resultados não tivessem surgido logo como nós queríamos, mas o futebol melhorou.

A certa altura, o técnico foi muito contestado. Considera que ele já conseguiu "agarrar" os jogadores?

Todos acharam que seria uma questão de tempo até as coisas melhorarem, mas não foi isso que aconteceu. Ninguém tem qualquer conflito com o treinador, começámos foi a trabalhar mais afincadamente do que antes, fizemos o que os jogadores de um clube como o FC Porto tinham de fazer: percebemos que teríamos de nos unir mais, o treinador foi conversando connosco e as coisas começaram a mudar e a funcionar. Talvez houvesse uma atitude mais individualista antes, mas as questões foram colocadas em cima da mesa. Percebemos que nem sempre funcionávamos como um grupo e depois entregámo-nos ao trabalho pura e simplesmente.

A derrota do FC Porto em Coimbra, na Taça de Portugal, marcou uma viragem na temporada?

Completamente. Ninguém esperava perder. Toda a gente se sentiu revoltada com o jogo que tinha feito e a partir dali começámos a falar mais. Houve um certo orgulho que tinha sido posto em causa e que o grupo pôs em cima da mesa. Unimo-nos e reagimos como um grupo.

Pode explicar o que aconteceu nesse jogo?

Não saberia como o fazer. Talvez tenha acontecido porque não conseguimos entrar no jogo e a Académica estava supermotivada; talvez tenhamos encarado o jogo de uma forma mais relaxada. Queríamos ganhar, mas estas coisas não se controlam com facilidade.

Depois desse jogo, o presidente foi ao balneário falar. Isso também fez a diferença?

Sim, claro. Ele passa muitas vezes nos balneários sem abrir a boca, mas naquele dia conversou com o grupo e depois desse jogo voltou a falar connosco e não tenham dúvidas de que todos nós o respeitamos muito, porque ninguém se atreve a abrir a boca quando ele fala. Notou-se que aquelas palavras pesaram muito entre nós.

"Ir vivendo cada momento"

O seu empresário disse recentemente que você se sentia muito feliz aqui e que até poderia assinar um contrato de dez anos. É verdade que se sente assim?

(risos) Isso foi ele que disse. Mas efectivamente, gosto muito da vida que tenho em Portugal e ficava com todo o prazer, mas não podemos queimar etapas, é preciso ir vivendo cada momento.

Quer dizer que ainda não desistiu da ideia de poder experimentar outro clube?

Talvez, veremos a evolução das coisas, quem sabe se um dia isso não poderá acontecer, mas se puder continuar no FC Porto serei feliz.

"Manchester City é impressionante"

No início da época tinham muitos objectivos, entre os quais fazer uma boa campanha na Champions. No entanto, acabaram por ficar pelo caminho num grupo aparentemente acessível. Foi uma desilusão?

Sim, acho que não ficamos a dever nada às outras equipas. Tínhamos futebol para o Zenit, mas as coisas correram-nos muito mal na Rússia. O cartão vermelho [Fucile] e a lesão [Kléber] desorganizou a equipa. Depois, no Dragão, o guarda-redes deles fez uma exibição de luxo e pronto. Às vezes a sorte pesa demasiado no futebol e desta vez ela esteve contra nós. Éramos favoritos e podíamos ter-nos qualificado, fizemos bons jogos, mas a bola nem sempre entrou quando era preciso.

Agora saiu o Manchester City na Liga Europa, vão saber dar a resposta?

Por mim, preferia uma equipa mais acessível para podermos ter mais certezas de nos apurarmos. Mas é um sorteio de Champions. O Manchester City lidera o campeonato inglês, vi alguns jogos e são impressionantes. É certo que o FC Porto terá de se apresentar no seu máximo, mas podemos apurar-nos. Temos de jogar com o nosso colectivo e todos terão de estar no top.

Quer dizer que o sorteio foi mau?

Sem dúvida. Não tivemos sorte. Serão dois jogos muito difíceis.

Já começaram a pensar nesses jogos?

Não, para já ainda não. Mas teremos tempo para isso até lá.

Aulas de português e muito sol a temperar

Defour fala fluentemente francês, inglês e flamengo, mas em breve vai poder acrescentar mais uma língua ao currículo: o português que considerava "muito complicado" quando chegou ao Porto. "Ando a ter aulas duas vezes por semana. Hoje já percebo quase tudo, mas para falar ainda vai demorar algum tempo. Talvez na próxima entrevista já vos responda em português", prometeu entre sorrisos. Pelas suas palavras percebe-se que foi rapidamente conquistado pelo país que o acolheu em Julho. "Sinto-me em casa aqui. Isto é uma maravilha, temos sol e a vida é boa. Gosto muito da parte mais antiga da cidade, andar perto da ponte D. Luís.", atirou. A alimentação também não é problema. "O peixe é muito bom, apesar de eu não ser um grande apreciador", admitiu.

A revolução de um simples aparelho ortodôntico

A certa altura falou muito do aparelho dentário que passou a usar no FC Porto. Já conseguiu "vender" algum?

Bem, os meus colegas ficaram surpreendidos. Não é que a coisa não fosse conhecida na Bélgica, só que não lhe davam a devida importância. Os meus colegas perceberam que aquilo era útil e quiseram saber como é que isso funcionava e fizeram muitas perguntas. No FC Porto sabem que muito do que nos acontece fisicamente está relacionado com os dentes, enquanto que na Bélgica era um assunto não muito divulgado. Agora, há cada vez mais jogadores a optar por usar um aparelho semelhante. Por exemplo, sei que o Dembelé, em Inglaterra, usa um. A publicidade foi boa porque na Bélgica começaram a procurar esse aparelho dentário. Os fisioterapeutas da federação mostraram-se muito curiosos e os jogadores que estão mais vezes lesionados quiseram saber tudo sobre o assunto.

Biografia será lançada em breve

Atendendo à idade, pode dizer-se que Defour está ainda numa fase inicial da sua carreira de profissional de futebol. O FC Porto até é o primeiro clube que defende fora da Bélgica, mas o médio já tem muitas histórias para contar e pretende partilhá-las com os seus fãs. Por isso, decidiu escreveu uma biografia que estará nas bancas em breve. Numa primeira fase, estará disponível apenas no seu país natal. "O livro foi uma coisa que já estava pensada antes. Estava para ser lançado um pouco antes de o FC Porto aparecer e como as coisas começaram a andar tão depressa acabei por adiar. Depois disso, resolvemos acrescentar-lhe um capítulo sobre as minhas primeiras impressões do clube. É claro que estou muito feliz por estar aqui. As pessoas e as instalações são magníficas, não falta quem queira ajudar-me. São coisas destas que foram acrescentadas", revelou.

"Clássicos vão decidir o campeonato"

Na próxima semana, Defour vai defrontar o amigo Onyewu num jogo que pode ajudar a definir os candidatos ao título. E o FC Porto vai a Alvalade para ganhar, garantiu.

Como viveu o primeiro clássico com o Benfica?

É incrível ver tanta gente a viver os clássicos em Portugal. Desde a saída do hotel até ao estádio só temos manifestações de apoio. No estádio nem se fala do ambiente, foi um megaentusiasmo. É, de facto, um jogo à parte, não tem nada a ver com outros jogos.

Acha que os adeptos do FC Porto são mais exigentes do que os que conheceu na sua carreira?

Sem dúvida. Aqui o 0-0 deixa o público descontente e em casa não basta vencer por 1-0, é preciso marcar dois ou três golos e jogar bem. Caso contrário, manifestam-se logo.

Sente mais pressão aqui?

Quando estamos num clube que se habituou a ganhar e que habituou os seus adeptos a festejar títulos, as expectativas são enormes e isso faz de todos os jogos autênticas finais. A pressão vem a reboque disso tudo e é preciso estarmos sempre no nosso melhor para podermos responder.

Qual é a sensação por terminar o ano na liderança do campeonato?

É sempre importante. É bom para adeptos, dirigentes e jogadores.

No ano passado, o FC Porto venceu o campeonato com 21 pontos de vantagem sobre o Benfica. Desta vez, o equilíbrio é maior...

É natural, o Benfica reforçou-se e formou uma equipa mais competitiva. Conseguiram bons resultados e por isso é que estamos na luta.

O que acha que pode decidir este campeonato?

Os grandes jogos serão fundamentais do meu ponto de vista. Contra as outras equipas não me parece que seja fácil perdermos pontos, mas os jogos contra Braga, Benfica e Sporting podem ser decisivos.

É precisamente o que aí vem. O que é que espera do jogo com o Sporting?

Tenho a certeza de que será muito difícil. Joga lá o meu amigo Onyewu. Vai ser complicado, porque o Sporting tem uma excelente equipa, tem feito bons resultados, mas acredito que o FC Porto tem qualidade suficiente para ir ganhar a Alvalade.

Se o FC Porto vencer em Lisboa, o Sporting ficará fora da corrida?

Não é assim tão fácil. Por vezes estamos cá em cima e de um momento para o outro caímos sem saber bem porquê. Mas se vencermos em Alvalade, penso que teremos conquistado uma boa vantagem sobre eles.

"Aqui somos obrigados a pensar mais depressa"

O nível do futebol português surpreendeu-o, ou estava à espera de mais?

É um futebol muito técnico, há muita qualidade nas grandes equipas e nota-se um fosso para as outras.

E no FC Porto?

Estava à espera que fosse muito competitivo e não me admirou o nível que vim encontrar. Informei-me bem primeiro e o que eu posso dizer é que a organização é formidável. Ajudam-nos imenso à margem do futebol e em termos de condições de trabalho também não nos falta nada.

Que diferenças nota entre o futebol belga e o português?

Aqui é mais rápido e mais técnico, como disse. Somos obrigados a pensar mais depressa. Do ponto de vista físico, não me parece que haja muitas diferenças, talvez na Bélgica se jogue mais com o físico e no um contra um.

Foi difícil para si o primeiro jogo?

Tinha feito a preparação com o Standard de Liège, cheguei e tentei adaptar-me. Comecei a trabalhar para ganhar forma física, ao mesmo tempo que me fui ambientando ao clube e aos outros jogadores.

Sentiu-se evoluir desde então?

Sim, acho que melhorei a todos os níveis, mas sobretudo ao nível da velocidade de execução.

Sabendo-se que é um jogador tecnicista, dá-se bem com o futebol que se pratica por cá?

Sim, muito. Aqui há muitos jogadores de qualidade e quando temos características tecnicistas ajuda bastante.

Sente-se à vontade nas novas funções em que passou a jogar?

Sim, jogo um pouco mais à frente. É novo para mim, mas estou a gostar, porque com a minha velocidade ou um passe posso fazer a diferença e isso estava a funcionar bem. Não tenho uma preferência por assim dizer, porque me dou bem a jogar em qualquer posição do meio-campo, por isso estou sempre disponível para jogar mais acima ou mais abaixo, conforme o treinador quiser. Tudo depende dos jogadores e da táctica que o treinador escolher.

O orgulho na carta de Sir Alex Ferguson

Conte-nos a história da carta que recebeu de Alex Ferguson, quando se lesionou?

Tinha sofrido uma lesão grave, fracturei o pé e sabia que o Manchester United andava a seguir-me. Um dia recebi um telefonema de um dirigente do Standard que me disse que tinham recebido uma carta para mim de Alex Ferguson.

Imagino que tenha ficado desconfiado... Não se espera um gesto desses de uma figura tão importante como Alex Ferguson?

Sim, mas foi um gesto que me deu mais alento para trabalhar e recuperar mais rapidamente, foi muito agradável receber uma carta de um treinador como ele.

Acha que ainda vai a tempo de poder trabalhar com ele?

Quem sabe. Se trabalhar bem, evoluir e conseguir bons resultados no FC Porto, penso que tudo é possível. (risos)

Mas ele acabou de fazer 70 anos, não se sabe por quanto tempo mais vai treinar...

Talvez tenha de acelerar um pouco mais as coisas para lá chegar, então.

"No relvado sou um pouco louco"

Defour gosta de desafios, de sentir a adrenalina ao máximo. Em campo, é descrito como um jogador que dá tudo e que não esconde alguma rebeldia própria da idade (23 anos). Por isso, a Red Bull, a famosa marca de bebidas energéticas, encontrou no médio portista o embaixador ideal e Defour tornou-se na "cara" da empresa na Bélgica. "Eles andavam à procura de alguém que encarnasse um pouco o espírito deles, que fosse jovem, com um carácter muito próprio. Enfim, no campo luto do princípio ao fim, sou um pouco louco também... eles estão muito ligados aos desportos radicais e gosto muito de trabalhar com eles", referiu. Não há dinheiro envolvido neste patrocínio, mas o belga tem recebido alguns presentes interessantes. "Já dei umas voltas num caça e num Fórmula 1", contou, revelando um convite que recusou por considerar que era radical demais mesmo para ele. "No ano passado, nos meu aniversário, propuseram-me saltar de avião com um fato com asas (risos), mas cortei-me, tive medo e não saltei", admitiu. Apesar de tudo considera-se uma "pessoa tranquila" fora das quatro linhas. Lá dentro é que tudo muda. "São duas personalidades diferentes. No relvado sou um pouco louco, vou a todas e ando sempre a fundo, entrego-me completamente e trabalho ao máximo", frisou. Ainda assim, diz que em campo é tudo mais calmo em relação às experiências que a Red Bull lhe tem proporcionado.

"Odeio ver os jogos da bancada, sinto-me muito mais nervoso"

Esperava que fosse tão difícil conseguir impor-se nesta equipa?

Sim, porque aqui há muita qualidade, sobretudo no meio-campo, onde a concorrência é muito forte. É preciso estar sempre no máximo para jogar. A questão aqui não é que não tenha os meus argumentos para ser titular, o problema é que os outros também os têm e isso faz com que a concorrência seja muito apertada.

A lesão veio na pior altura, uma vez que estava a ser uma aposta?

Sem dúvida, estava bem, sentia-me a um bom nível e foi pena, mas quero recuperar para voltar a trabalhar forte e depois deixar o treinador decidir.

É difícil ver os jogos da bancada?

Muito, odeio, porque sinto-me muito mais nervoso na bancada do que no relvado. Custa-me muito.

Acha que estará recuperado para defrontar o Sporting?

Penso que sim, porque já corro, remato e já consigo acelerar, por isso está a correr bem.

Já em Liège era um jogador que sofria algumas lesões musculares. Isso tem alguma coisa a ver com o seu estilo de jogo?

Talvez. Desta vez sofri uma entrada e por causa disso o músculo rasgou. Foi pena, porque estava bem, mas foi num duelo com um jogador do Zenit e eu não sou jogador de virar a cara a esses duelos, entro sem medo, talvez por isso me lesione mais do que os outros.”

in "ojogo.pt"

Retirada de:

http://www.fcportonoticias-dodragao.blogspot.com

O JN entrevistou o presidente do FC Porto, aqui fica o vídeo da entrevista do Presidente Pinto da Costa. Que também foi transmitida pelo Porto Canal.

http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2214272