quarta-feira, 22 de maio de 2019

Crónica de Um Campeonato Perdido em Casa


Bem sei que a época ainda não terminou e que, muito provavelmente, esta não é a melhor altura para se analisar o que se passou durante o campeonato e, dessa forma, encontrar a explicação para o facto do FC Porto ter perdido o título. Ainda assim, decidi que estava na altura de publicar este post, talvez na tentativa de procurar refletir para entender e aceitar este segundo lugar que tem tanto de amargo quanto de desolador.
Na minha perspetiva é fácil resumir o que se passou neste campeonato. O FC Porto fez uma boa primeira volta, em que perdeu em casa frente ao Vitória de Guimarães e fora frente ao Benfica. Depois da derrota na Luz, os Dragões embalaram para uma boa sequência de jogos a vencer que só terminou com um empate em Alvalade. Na segunda volta os azuis e brancos escorregaram em quatro partidas: três empates fora, frente ao Vitória de Guimarães, Moreirense e Rio Ave; e a derrota caseira frente ao Benfica. Analisando friamente estes resultados, poderíamos dizer que não seria impossível reverter a perda de pontos. No entanto, tal como disse um dia destes Miguel Guedes, “Depois do FC Porto ter perdido no Dragão e de se ter deixado ultrapassar na classificação, nunca nos deixariam ganhar esta Liga. (…) nunca nos deixariam recuperar dos erros próprios.”. Pois é, o FC Porto errou, mas não lhe foi dada a possibilidade de conseguir reverter ou remediar os erros. É que o Benfica, que não fez uma boa primeira volta, recuperou terreno na segunda, sendo que contou com a ajuda de terceiros quando os jogos pareciam complicar-se, como aconteceu em Braga ou em Vila do Conde, por exemplo.
Ainda assim é impossível não deixar de pensar que o FC Porto deixou escapar por entre os dedos um título que teve possibilidade de segurar. É que na minha opinião, os Dragões perderam este campeonato quando receberam o Benfica no Estádio do Dragão, num jogo em que não podiam de forma alguma ter perdido pontos, muito menos perder o jogo.  E é isso que mais me custa, é que o FC Porto perdeu o título por culpa própria. É certo, o adversário recuperou terreno com ajudas de terceiros em alguns momentos, mas o jogo chave foi o FC Porto quem o perdeu.
Hoje, olhando para o que foi a época, digo que se fosse possível escolher uma competição em favor da outra, diria que trocaria, sem pensar duas vezes, a vitória do FC Porto frente ao Benfica na meia final da Taça da Liga, pela vitória frente aos encarnados no Dragão para o campeonato. Acredito que faria toda a diferença. Bem sei que não vale a pena fazer este exercício, porque não é possível saber se uma vitória azul e branca no Dragão teria, de facto, feito toda a diferença; nem é possível alterar o rumo das coisas. Contudo, não consigo deixar de pensar nisto…
Mas a época ainda não acabou e por isso, caros jogadores do meu FC Porto – que é meu FC Porto nos bons e nos maus momentos – só vos peço que conquistem a Taça de Portugal para, dessa forma, atenuar este amargo que nos ficou por não termos conquistado o campeonato. Façam-no por vocês; por nós adeptos; e pelo Iker, o Corona e o Aboubakar que, por razões diferentes, não vão poder lá estar. Procurem as forças onde quiserem, mas tragam essa Taça para a invicta. Todos nós merecemos isso. Vamos Porto!


sábado, 18 de maio de 2019

Crónica e Análise: FC Porto 2 – Sporting 1


1 – Crónica

No final de tarde deste sábado o FC Porto recebeu o Sporting, em jogo a contar para a 34ª jornada da I Liga. No final do encontro verificou-se a vitória dos Dragões por 2-1.
Para este jogo Sérgio Conceição apostou num onze composto por Vaná; Éder Militão, Felipe, Pepe e Alex Telles; Danilo, Herrera e Otávio; Corona, Soares e Marega.
O FC Porto entrou bem em jogo e ao minuto 6, Soares deu o primeiro aviso, contudo, foi desviado para canto. Ao minuto 17, Corona foi agarrado e o jogador do Sporting acabou por ser expulso. Em vantagem numérica os Dragões aumentaram a pressão e ao minuto 26, Soares voltou  a ficar perto de marcar, mas o guarda-redes adversário desviou para canto. Ao minuto 35, Marega chegou a marcar, no entanto viu o golo ser anulado por fora de jogo.
No início do segundo tempo Sérgio Conceição optou por lançar Manafá e Brahimi e a equipa ganhou outro fulgor. No entanto foi o Sporting quem se colocou em vantagem, ao minuto 61. O FC Porto viu-se obrigado a correr atrás do resultado e ficou perto de marcar antes de Danilo o conseguir ao minuto 78. Reposta a igualdade no marcador, os azuis e brancos foram à procura do golo que permitisse virar o resultado. E esse golo surgiu ao minuto 87, por intermédio de Herrera.
Com este resultado o FC Porto terminou o campeonato com 85 pontos e ficou a 2 pontos da liderança do campeonato.

2 – Análise

Antes de entrar em campo a matemática dizia-nos que o título era possível, mas a razão dizia-nos que isso não era bem assim e que o título iria para outras bandas. Infelizmente a razão estava certa, por muito que lá no fundo nós quiséssemos acreditar na matemática e numa possibilidade baixa do Santa Clara ganhar na Luz. Ao FC Porto restava entrar em campo para ganhar, mesmo sabendo que nada se ia alterar. E o FC Porto ganhou. Não foi fácil, é certo, também não se esperava que fosse, porque o Sporting não ia facilitar, mesmo sabendo que nada se ia alterar na classificação. Os Dragões procuraram o golo no primeiro tempo, mas faltou inspiração. No segundo tempo o Sporting colocou-se em vantagem e obrigou os azuis e brancos a correr atrás do resultado. Mesmo sabendo que o título estava irremediavelmente perdido, os Dragões foram a procura dos golos e estes surgiram. De destacar Danilo e Herrera por terem feito o que os avançados não conseguiram fazer, marcar os golos.
Em suma, o FC Porto fez o que tinha a fazer, venceu o jogo. Este título perdeu-se e agora não vale a pena chorar – haverá tempo para refletir sobre tudo o que se passou ao longo do campeonato no final da época – agora é sim o momento de levantar a cabeça, secar as lágrimas e recuperar forças para a final da Taça de Portugal. É importante que o FC Porto traga o troféu para a Invicta. Vamos Porto!





sexta-feira, 17 de maio de 2019

Antevisão da 34ª Jornada da I Liga


1 – Aqui está a antevisão de Sérgio Conceição do jogo da 34ª jornada da I Liga, frente ao Sporting.

“SÉRGIO CONCEIÇÃO: "AQUI NINGUÉM DESISTE"

Técnico portista projetou o FC Porto-Sporting, da 34.ª jornada da Liga NOS (sábado, 18h30)
O FC Porto recebe o Sporting na 34.ª e última jornada da Liga (sábado, 18h30). Na conferência de imprensa de antevisão da partida, realizada no Olival, Sérgio Conceição garantiu que os portistas estão focados na vitória e que as contas só serão feitas no final. Os Dragões somam nesta altura 82 pontos, menos dois que o Benfica.
Clássico a fechar o campeonato
São duas equipas muito competitivas, um clássico histórico no nosso futebol, e espero que possamos no fim do jogo estar contentes no sentido de ganharmos os três pontos e, perceber que o rival perdeu esses três pontos. Vamos fazer o nosso trabalho para que isso aconteça, primeiro temos de vencer o nosso jogo e, depois vemos o que acontece. Sabendo das dificuldades e de tudo aquilo que envolve um último jogo do campeonato e ser extremamente difícil.
Reais possibilidades de vencer o campeonato
Sabemos que é difícil, extremamente difícil. Agora há uma coisa que lhe digo, que é uma premissa de todos os profissionais que aqui trabalham: Não atirar a toalha ao chão, aqui ninguém desiste, aqui ninguém vai para o jogo a pensar que já acabou. Há dois títulos em disputa, o campeonato, matematicamente, ainda há possibilidade de o ganhar e é nisso que temos de estar focados. Fazer o nosso trabalho, fazer o nosso jogo e premiar os adeptos no último jogo do ano, no Dragão, primeiro com uma vitória e depois, se possível, com uma boa exibição. Esta é a nossa concentração, esse foi o nosso foco durante a semana. A partir daí o outro jogo, não depende de nós.
Futuro da equipa
Eu acho que independentemente da forma de estruturar o plantel, de saírem x jogadores, entrarem x jogadores… Quem trabalha nesta casa trabalha para ganhar, ganhar jogos e títulos, e se o presidente falou, ele que é o dirigente mais titulado do mundo, ele saberá o que está a dizer e o que ele disse está dito. Quem trabalha, independentemente da sua visão sobre o grupo e os jogadores, tem de trabalhar para ganhar títulos. Se eu sou capaz? Então não, claro que sim. Eu no Olhanense o meu título foi ficar em oitavo lugar, na Académica o meu título foi ficar em oitavo lugar e, por aí fora… No meu percurso no FC Porto de dois anos, depois de um período que o clube não está habituado, quatro anos praticamente sem ganhar nada, nós em dois anos temos a possibilidade de ganhar quatro títulos, dois já conquistados, o campeonato e a Supertaça, e pela frente temos o campeonato, que se decide amanhã, e de amanhã a oito temos a final da Taça de Portugal. Se me perguntar se é importante chegar aos momentos finais, se é importante chegar aos momentos decisivos da época? É, mas para mim é mais importante ganhar. Se não ganhar obviamente que há frustração por não ter vencido. O pensamento e o ADN do FC Porto é ganhar, ganhar títulos. O pensamento é meu e do presidente, estamos em plena sintonia neste sentido. Se me sinto capaz, obviamente que me sinto capaz.
O que aconteceu no jogo da equipa de sub-19
Foi uma situação de pai e filho, reação a um insulto que pôs em causa o meu portismo. Neste momento o mais importante é o jogo de amanhã, mas no final da época falarei, porque neste momento acho que não tem a ver com o jogo nem com o treinador do FC Porto.
Como gostava que a equipa fosse recordada no final do jogo de amanhã?
Essa é uma excelente pergunta, difícil de responder. Independentemente de quem vencer, era importante que o vencedor fosse um justo vencedor, dentro daquilo que é a verdade desportiva. Este é o meu sentimento e acho que sobre isso o presidente já falou e aqui, neste clube, falasse a uma só voz. Ele já falou e eu, assino por baixo.
Mudanças para a nova época
Sabem o que tem sido a realidade do FC Porto nos últimos anos, nomeadamente nos dois anos que eu estou aqui, a grande dificuldade que o FC Porto teve em trazer mais valias para a sua equipa devido ao aspeto financeiro. Mas isso não é fundamental para que eu fiquei ou não, se eu tivesse medo ou receio de algum desafio não tinha saído de Nantes por metade do que era o meu contrato em França, partindo do principio que o FC Porto estava com algumas dificuldades financeiras. Não é por aí, o que há a fazer, é uma conversa com o nosso presidente em relação às melhorias de algumas situações dentro do clube. Mas isso faz parte daquilo que é o meu trabalho como treinador do FC Porto e, com certeza que o presidente também quererá. Nos outros clubes passar-se-á a mesma coisa penso eu. Haverá sempre jogadores que saiem e outros que entram, mas há outras situações que são faladas. Mas essas são reuniões que tenho de ter e que faz parte da minha forma de estar desde que comecei o meu trajeto como treinador, para continuarmos a ser uma equipa competitiva e continuarmos a lutar pelos títulos. Mas isso são reuniões normais que todos os clubes fazem com certeza. Têm dado importância a essa situação da saída de muitos jogadores, mas um clube não tem a ver só com isso, dou um exemplo, hoje na imprensa vêm a notícia dos 4 jogadores dos sub-19 que vão fazer a pré-época connosco, estes são outros aspetos importantes naquilo que é a dinâmica de um clube que tem sempre a exigência máxima de ganhar títulos. Temos de perceber aquilo que funcionou bem, o que não funcionou e, melhorar o que não funcionou. Só assim é que eu entendo o futebol e, com certeza que os outros também se reforçam e cada vez é mais difícil chegar ao fim em primeiro, no meio destas equipas todas ganha só uma.
As escolhas para o onze
Nós olhamos para a nossa equipa e, olhamos para aquilo que somos como equipa, para o que é a nossa dinâmica. Como abordar determinado jogo em função do que nós queremos para esse jogo, em termos estratégicos. Umas vezes passou com o Pepe a jogar outras com o Pepe no banco, umas com Manafá a jogar outras com o Manafá no banco, umas vezes com o Militão a jogar, lembro-me de outras, que foram menos, com ele no banco… Depende do momento de forma dos jogadores, daquilo que é o adversário que vamos defrontar, depende do que eu quero para o jogo. No jogo com o Nacional houve diferentes nuances porque jogou o Oliver, por exemplo. E eu, ao entrar nisto, já baixo um bocado o pano, e eu não quero. Ás vezes a entrada ou saída de um jogador pode mudar a nossa dinâmica de jogo. Não podemos passar a ideia de que um jogador entra e perdesse por esse jogador, isso é completamente errado. Isso é uma coincidência.
Casillas visitou o plantel
Falei com ele, primeiro do estado de saúde dele, da forma como a família aceitou, encarou e viveu esta situação com ele. Em termos profissionais não toquei em nada, acho que não era agradável porque ele sabe que ainda tem pela frente um processo longo, onde vai ser preciso ele ser aquilo que ele foi no futebol, perseverante, resiliente, um Homem que acredita, cheio de espírito positivo e de grande fé para passar este momento. Depois, a seu tempo veremos, se está em condições ou se vale a pena continuar, ou não, a jogar futebol e, que papel é que terá num futuro próximo na estrutura do FC Porto, mas o presidente saberá melhor do que eu a resposta a esta questão.
Ausência de comentários sobre arbitragem
Vocês sabem porque é que eu não falo de arbitragem não sabem? Ou não? Houve de certa forma afirmações minhas que deram a entender porque não falo de arbitragem… Eu assumi essa postura, num determinado momento, em função daquilo que se estava a passar nesse momento, e disse que não falava mais de arbitragem. Depois no final da época, depois da final da Taça de Portugal, falo só de arbitragem.”

Em


2 – O meu palpite para a equipa titular é:
Vaná; Manafá; Felipe, Éder Militão e Alex Telles; Danilo, Herrera e Óliver; Otávio, Corona e Marega

3 – Sobre o jogo:
A matemática diz-nos que o título é possível, mas a razão diz-nos que isso não é bem assim e que o título irá para outras bandas. Seja como for, o FC Porto entra em campo sempre para ganhar e amanhã não é exceção. Não se espera um jogo fácil, não só porque um clássico nunca o é, mas também porque o Sporting não deverá querer facilitar, mesmo sabendo que já nada altera a sua classificação. Mas espera-se que os comandados de Sérgio Conceição transformem as dificuldades em facilidades. Para tal espera-se um FC Porto competente; concentrado; confiante; coeso; determinado; empenhado; motivado; ambicioso; sólido; solidário; unido; e eficaz tanto a defender como a atacar.
Força FC Porto!