“Adeptos cortaram estrada junto ao Olival com pás e
picaretas
O treino do F. C. Porto foi, esta terça-feira, perturbado
por cerca de 100 adeptos, que cortaram a estrada junto ao centro de estágios e
impediram os jogadores de chegar ao Olival. Munidos de pás e picaretas,
deixaram mensagem à equipa portista.
GNR foi chamada ao local para serenar os ânimos e ficou colocada
junto à porta e nas zonas circundantes ao Olival
O protesto ocorreu cerca das 9 horas da manhã, a hora a que
os jogadores portistas costumam apresentar-se no Olival para o treino.
Perto de 100 adeptos ocuparam a estrada no cruzamento junto
ao centro de estágios e não deixaram os jogadores seguirem para o treino.
Perante a falta de forças policiais, os futebolistas decidiram voltar para
trás.
Teve de ser pedido um reforço policial e, largos minutos depois,
vários agentes policiais deslocaram-se ao local para serenar os ânimos.
O JN apurou, junto de fonte de claque portista, que alguns
dos que foram ao Olival para protestar estavam munidos de sacholas, picaretas e
pás, retiradas de uma carrinha do serviço de manutenção dos relvados que se
dirigia para o centro de estágio. A intenção não era a violência, antes deixar
uma mensagem irónica: os adeptos não queriam que os jogadores fossem treinar,
mas sim que fossem trabalhar. "Para o que jogam não precisam de treinar.
Vão mas é trabalhar para o campo", ouviu-se. (…)”
Em
Parece que esta é a notícia que melhor relata o que se passou,
é que pelos vistos muitos órgãos de comunicação contaram o sucedido com
contornos diferentes… Nenhuma novidade, portanto. Mas vamos ao que interessa.
Posso ou não concordar com o protesto ordeiro, protagonizado
pelos Super Dragões, na manhã de ontem; posso ou não achar que o fizeram na
melhor altura. Mas não concordo, de todo, com esta resposta dada pelo Dragões
Diário:
“A época está no fim, não
correu como desejávamos e os adeptos têm direito a manifestar o seu
descontentamento. Já não têm, porém, o direito de interferir com a planificação
da equipa, mesmo numa altura em que se joga para cumprir calendário. Até o
bloqueio a Cuba está no fim, há coisas que já não se usam.”
E não concordo por uma simples razão, porque todos nós
adeptos, membros de claques ou não, somos Porto. Que seria do FC Porto sem os
adeptos? O que seria do clube sem as claques que acompanham a equipa para todo
o lado? Todos nós adeptos somos a alma do FC Porto. Muitos são os jogadores que
vestem a camisola do clube e acabam por sair, tal como os treinadores; mas nós
não, nós adeptos estamos sempre aqui tanto nos bons momentos, como nos maus,
nós não vamos a lado algum e sem nós o clube não vive. Nós somos Porto. Por
isso seria bom que não se esquecessem disso…
Eis a resposta dos Super Dragões
“Diariamente pensamos no FC Porto!
Diariamente levantamo-nos a pensar no nosso Porto!
Diariamente deitamo-nos a pensar no nosso Porto!
Não sofremos semanalmente com os insucessos!
Não festejamos semanalmente as vitórias!
Não, a nossa rotina diária é mesmo pensar no clube 24h por
dia!
O nosso único interesse, a nossa única motivação é ver um
clube que vence desde 1893 continuar a fazê-lo!
Se quem o faz fala em português, brasileiro, espanhol ou
basco, pouco interessa...a nossa nacionalidade é o FC Porto!
Os deveres que temos perante o nosso clube são também
acompanhados pelos direitos. Não perceber isso é pensar que só servimos para
aplaudir.
É por isso que hoje vamos voltar a bloquear uma via de
acesso, neste caso a A1 rumo ao pavilhão de Odivelas....é assim o nosso estilo
diário.
Se aqueles que não gostam de bloqueios quiserem perceber
como se faz...venham connosco!
Sim, nós sabemos que o portismo de hoje é diferente.
Sim, nós sabemos que agora há um portismo diário que só
aparece nas derrotas.
Sim, nós sabemos que sofrer, ficar incomodado, não dormir
quando as coisas correm mal, é um portismo fora de moda....mas esta vai
continuar a ser a nossa rotina diária.
Como para nós a verdade só tem um lado, e como achamos que
quem mente uma vez pode mentir mais vezes, não damos credibilidade aqueles
aquém ainda recentemente o nosso presidente virou costas.
Tudo o que esses digam sobre nós...é de desconfiar!
Os nossos alvos são aqueles que não defendem e honram o
nosso clube até á última gota do seu suor e do seu sangue.
Já aqueles que o sentem, aqueles que lutam por ele, aqueles
que nunca viram as costas mesmo perante um chorrilho de críticas externas,
esses têm o nosso respeito e terão que ter sempre espaço num clube guerreiro
como o nosso sempre foi.
Dos fracos não reza a história....Sofremos por te amar,
connosco nunca estarás só!
Super Dragões 1986”
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