sábado, 6 de março de 2021

Crónica e Análise: Gil Vicente 0 – FC Porto 2

1 – Crónica

 

No final de tarde deste sábado o FC Porto deslocou-se ao terreno do Gil Vicente, em jogo a contar para a 22ª jornada da Iliga. No final do encontro verificou-se a vitória dos Dragões por 0-2.

Para este jogo Sérgio Conceição apostou num onze composto por Marchesin; Nanu, Pepe, Diogo Leite e Manafá; Uribe, Sérgio Oliveira, Otávio, Corona, Taremi e Marega.

O FC Porto entrou bem em jogo e, na primeira oportunidade de que dispôs, ao minuto 7, fez golo, por intermédio de Uribe. Mais tarde, Corona (por duas vezes) Marega e Otávio tentaram amplear a vantagem, contudo, não conseguiram ser felizes.

Os Dragões entraram no segundo tempo com duas alterações no onze, devido a lesões, Pepe e Corona deram lugar a Sarr e Luis Diaz. O Gil Vicente entrou disposto a alterar o rumo do jogo, contudo sem sucesso. Quem voltou a marcar foi o FC Porto, por intermédio de Sérgio Oliveira, ao minuto 60. Os Dragões, já bem perto do final, voltaram a marcar por intermédio de Evanilson, contudo o golo acabou por ser anulado.

Com esta vitória o FC Porto soma 48 pontos e está no segundo lugar a 10 pontos da liderança.

 

2 – Análise

 

Menos de 72 horas depois de ter defrontado o SC Braga, o FC Porto entrou em campo para mais um desafio da Iliga. Continuo a achar que o jogo da passada quarta poderia ter sido marcado para a próxima semana, o jogo de hoje ter-se-ia jogado ontem e, dessa forma, os azuis e brancos ficavam com mais tempo para preparar o jogo da Liga dos Campeões frente à Juventus. Um calendário cheio resulta em cansaço físico, que origina lesões e cansaço mental, que, por sua vez, resulta em dificuldades de concentração, dificuldade em pensar o jogo com a velocidade que se exige e  diminuição no tempo de reação. Parece que é importante lembrar que os jogadores são homens, não máquinas. E, por isso, continuo a achar uma irresponsabilidade e uma aberração este calendário das competições nacionais, em que, claramente, não há preocupação com as equipas que estão nas competições europeias. É importante repensar tudo na próxima época.

Feita esta reflexão, mais uma que faço, vamos à minha análise do jogo. O FC Porto entrou em campo sabendo que o Sporting já tinha vencido o seu jogo e que, por isso, não havia espaço para perder terreno. Por força da indisponibilidade de Mbemba e a necessidade de gerir o esforço de Zaidu, Sérgio Conceição teve de mexer na defesa. Pareceu-me boa opção a entrada do Diogo Leite, bem como pareceu-me boa opção, diria mesmo a melhor opção, trocar Manafá para a esquerda e Nanu para a direita.  Os Dragões fizeram um jogo interessante, mostraram que o queriam resolver o mais rápido possível, de modo a poder gerir o esforço. Os Dragões marcaram dois golos, mas poderiam ter saído de Barcelos com mais, pelo menos, três golos no bolso. Destaco Uribe e Sérgio Oliveira, pelos golos que apontaram e que permitiram que o FC Porto somasse os três pontos. Deste jogo resultaram, infelizmente, as lesões de Pepe (que antes do encontro frente ao Braga já havia treinado condicionado e que o limitou durante o jogo frente aos minhotos) e de Corona. Ambos estão em dúvida para a partida frente à Juventus, o que é duas más notícias para Sérgio Conceição.

Em suma, o FC Porto venceu de forma justa um jogo difícil. Segue-se a 2ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Vamos Porto!

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Antevisão da 22ª Jornada da Iliga

1 – Aqui está a antevisão de Sérgio Conceição da 22ª jornada da Iliga, frente ao Gil Vicente.

 

““NÓS ACREDITAMOS, VAMOS À LUTA”

Sérgio Conceição projetou a deslocação ao terreno do Gil Vicente, referente à 22.ª jornada do campeonato (sábado, 18h)

A sobrecarga competitiva permanece e, três dias depois de perder frente ao SC Braga no Estádio do Dragão (3-2), o FC Porto joga no Estádio Cidade de Barcelos diante do Gil Vicente (sábado, 18h, Sport TV 1). Na antevisão do encontro referente à 22.ª jornada da Liga, Sérgio Conceição referiu que é preciso “dissecar ao máximo” os erros cometidos e “olhar para o próximo jogo para fazer bem melhor”. À entrada para esta jornada, o FC Porto é terceiro classificado, com 45 pontos.

Olhar para o adversário

“Isso depende daquilo que é a postura da equipa adversária, daquilo que fizermos para o Gil estar mais recuado nos diferentes momentos. Em certos momentos, o Gil vai estar mais alto e temos de aproveitar. Os espaços no jogo vão-se acentuando mais ou menos dependendo do que fizermos em campo”.

A profundidade e atitude do plantel

“A  confiança é total em toda a gente, mas há jogadores que acabam com mais minutos que outros e têm outro peso, é óbvio, não vou ser politicamente correto, é assim em todas as equipas, outros ganham espaço pelas prestações e trabalho. O que eu faço não é gestão, somos o FC Porto, queremos ser competitivos em todas as competições, mas tem havido competição acima do que é normal. Pelo que conhecemos, esse menor rendimento tem que ver com o pouco tempo de férias, o acumular de jogos após o confinamento, tudo isso tem o seu reflexo no plantel. Não é o plantel do FC Porto, todos sofreram naquilo que é a qualidade do plantel, se olharmos pra trás e virmos o que são os plantéis, hoje há jogadores que estão nos melhores campeonatos do mundo e alguns são do FC Porto. O jogo da Taça foi muito mau para nós, não tem nada a ver com aquilo que somos como equipa. Estive a ver o jogo e o que fizemos, e quero discutir com os jogadores quando formos para estágio muito do que não fizemos. É um jogo para lembrar, baixar a cabeça e vermos o que não fizemos bem, analisar o jogo da melhor forma e mostrar que não é permitido cometer os mesmos erros. Não são erros técnicos, como sair mal em drible ou remates para fora, mas fico “aziado” se faltar atitude e compromisso aos jogadores. Faz parte daquilo que é o ser humano, vivemos de forma apaixonada e determinada, há dias, há jogos assim, e eu tenho parte da culpa no cartório, sou eu que defino a estratégia, e sou eu que os tenho que motivar, quero que entrem bem nos jogos. Depois, em termos de qualidade, percebo o tempo que atravessamos e a dificuldade que temos, mas tentamos ser o mais competitivos possível”.

Dissecar os erros e melhorar

“Nós temos que olhar para aquilo que é o momento, o jogo e as nossas dificuldades enquanto equipa, e para as coisas positivas, não querendo puxar pelos galões, deixo isso para os analistas, mas a verdade é que nos últimos três e meio/quatro anos, temos 26 jogos na Taça e 24 vitórias, duas finais e duas meias-finais, fizemos melhor que nos seis anos anteriores a mim, há que refletir, trabalhar nos erros individuais e coletivos, olhar para o próximo jogo para fazer bem melhor, e não é difícil fazer melhor do que fizemos com o SC Braga. Trabalhamos em cima do próximo jogo, aquilo que foi o jogo anterior que nos mostrou as nossas lacunas. É um grupo com maturidade, sabemos da responsabilidade de cada um aqui dentro e, eu, como treinador, vou assumir sempre a responsabilidade, sou assim de natureza e estou habituado. Dentro daquilo que é um mau momento, não podemos esquecer o que eles já fizeram e puxar só por uma eliminação da Taça, que me custou muito, que nos custou muito, porque gosto de ganhar, ponto. Seja qual for a competição, somos muito competitivos, há vezes em que o adversário tem mérito, não podemos esquecer o mérito do SC Braga, associado ao nosso demérito. Temos de olhar para o Gil Vicente agora”.

A ocupação dos espaços

“Esses momentos passam-se principalmente nas provas internas, porque, quando a equipa perde a bola, se estamos no meio-campo ofensivo, temos essa estatística, que analisamos ao pormenor, a maior parte das vezes essas situações acontecem quando a equipa não está equilibrada e, quando perde a posse, o adversário sai com facilidade. Não é que eles não queiram reagir à perda e transitar forte do ataque para a defesa, mas essa má ocupação de espaços, associada a algum facilitismo em alguns casos, fizeram com que tenhamos sofrido mais golos que o normal. Desde que estou aqui, fomos quase sempre a melhor defesa e melhor ataque, só num ano não fomos o melhor ataque. O ataque e a defesa estão associados, mas, se a ocupação de espaços é boa, estamos prontos para defender e o contrário também”. 

Mbemba

“O Mbemba está fora do jogo. Se para este está fora, provavelmente para a Juventus também”. 

A luta pelo título

“Sim, sem dúvida, vamos à procura de ganhar amanhã, que é o mais importante, depois pensamos no jogo seguinte. O importante é amanhã irmos à procura dos três pontos, fazermos isso em cada jogo no campeonato, que é o principal objetivo. Não há nada perdido, matematicamente é possível e temos um grupo de jogadores que percebem o que é estar atrás e andar atrás. O rival tem alguma distância, mas compete-nos ter essa força para ir à procura de a diminuir, e, com essa ambição, ganhar três pontos em cada jogo. Não é uma missão impossível. A partir do momento em que a vitória começou a valer três pontos e o empate um ponto, tudo é possível até matematicamente ser possível. Já vi tanta coisa no futebol, eu acredito, nós acreditamos, vamos à luta, sempre o disse, mesmo nos empates, em que um foi por culpa própria e dois nem tanto, ganhamos uma distância importante no campeonato e temos de correr atrás disso”.

O cansaço mental e físico

“Nesta época marcada pela Covid-19, esse cansaço mental não existe. As pessoas que estão doentes, os familiares que perdem pessoas, tanta gente com dificuldade ao fim do mês para pagar contas, para comer, aí é preciso força mental. Nós, futebolistas, treinadores, dirigentes, bem pagos, com uma vida fantástica, pessoas que aparecem na televisão, temos um privilégio em fazermos o que gostamos, somos pagos para isso, e bem pagos. Tenho dificuldade em entender esse cansaço mental, vamos para qualquer viagem num avião privado, temos um autocarro com todo o conforto, hotéis excelentes. Este clube, com este símbolo que merece todo o respeito do mundo, um clube que nos permite estar na maior competição de clubes do mundo, que é a Liga dos Campeões, quem tiver cansaço mental não pode representar um clube como o FC Porto, é impossível. Há jogadores mais limitados, como o Sérgio Oliveira, que começou no banco e entrou depois, o Pepe jogou debilitado, acabou o jogo a mancar, fisicamente é terrível, é um campeonato anormal, os jogadores que não têm tantos minutos têm de dar uma boa resposta, principalmente com essa vertente mental, têm de estar mentalmente no máximo”.

Os resultados

“Não olhamos para o segundo lugar, olhamos para o primeiro, mas temos de ultrapassar o segundo, que é o mais importante, e é o SC Braga que está nesse lugar. Muitas vezes não se olha para o que é o trabalho, mas para o resultado, e muitas vezes o resultado não acontece, não é o que queremos, a vida é assim, eu aceito isso e estou neste jogo para ter resultados”.”

 

Em

www.fcporto.pt

 

2 – O meu palpite para a equipa titular é:

Marchesin; Manafá, Pepe, Diogo Leite e Zaidu; Uribe, Sérgio Oliveira e Otávio; Corona, Taremi e Marega.

 

3 – Sobre o jogo

Não se espera um jogo fácil, mas espera-se que os comandados de Sérgio Conceição transformem as dificuldades em facilidades. Para tal espera-se um FC Porto competente; concentrado; coeso; confiante; determinado; empenhado; ambicioso; motivado; rigoroso; sólido; solidário; unido; e eficaz tanto a defender como a atacar.

Força FC Porto!

 

 

 

quarta-feira, 3 de março de 2021

Crónica e Análise: FC Porto 2 – Sporting de Braga 3

1 – Crónica

 

No início de noite desta quarta o FC Porto recebeu o Sporting de Braga, em jogo a contar para a 2ª mão das meias finais da Taça de Portugal. No final do encontro verificou-se a derrota dos Dragões por 2-3.

Para este jogo Sérgio Conceição apostou num onze composto por Diogo Costa; Manafá, Pepe, Mbemba e Sarr; Grujic, Uribe, Otávio, Corona, Luis Diaz e Marega.

O FC Porto entrou mal em jogo e o Sporting de Braga aproveitou da melhor forma. Ao minuto 10, os minhotos colocaram-se em vantagem. Ao minuto 15, o Braga aumentou a vantagem no marcador. Pouco depois, os visitantes ficaram perto do terceiro golo, negado pela barra da baliza hoje à guarda de Diogo Costa. A perder por 0-2, Sérgio Conceição mexeu na equipa, fez entrar Zaidu e Taremi para os lugares do lesionado Mbemba e Grujic. E, ao minuto 29, os visitantes voltaram a marcar. Os Dragões, finalmente reagiram e,. ao minuto 31, Otávio reduziu a desvantagem no marcador.

No segundo tempo, o FC Porto foi com tudo para cima do Braga à procura dos golos que desfizessem a desvantagem. Foi muito o caudal ofensivo, mas faltou acerto no momento certo. Ao minuto 75, Marega, fez o segundo golo. A esperança estaria mais perto de ser renovada, não fosse o guarda-redes bracarense ter impedido o terceiro golo portista.

Com este resultado o FC Porto fica fora da final da Taça de Portugal.

 

2 – Análise

 

Vinha da 1ª mão da eliminatória um empate a 1, num jogo polémico. O FC Porto sabia que tendo empatado em casa do Braga tinha vantagem, mas também sabia que os minhotos não iam facilitar. E não facilitaram, ao contrário dos azuis e brancos. Os Dragões fizeram uma primeira meia hora péssima, a equipa não pode entrar tão desconcentrada e o Sporting de Braga aproveitou para fatorar. Sarr a lateral esquerdo, já se percebeu que não dá. Percebo que naturalmente seja necessário gerir o esforço de Zaidu, mas mais vale passar o Manafá para a esquerda - mesmo não sendo a melhor posição do lateral - e colocar Nanu à direita. De repente estávamos a ver o filme do jogo frente ao Boavista a repetir-se… Depois boa reação, mas tanto caudal ofensivo não pode dar só 2 golos, não pode. O mister fez o que tinha a fazer, colocou  em campo todas as possibilidades de ataque, mas infelizmente não deu o resultado que todos nós esperávamos e desejávamos. Tenho de destacar Otávio e Marega, os golos não serviram para desfazer a desvantagem, mas foram importantes. Três notas: Taremi nos últimos dois jogos parece desligado, rapaz, a equipa precisa de ti… Sérgio Oliveira, depois que falhou a grande penalidade, parece estar com a pontaria desafinada, rapaz, tens de ultrapassar isso rápido. Por fim, é certo que o FC Porto perde este jogo por incompetência defensiva na primeira meia hora de jogo e por falta de eficácia no ataque no segundo tempo. Mas não podemos esquecer o que se passou na 1ª mão, em que o FC Porto não pôde contar com Corona (expulso no jogo anterior para o campeonato, injustamente) e viu Luis Diaz ser expulso num lance de bradar aos céus, a somar à expulsão de Uribe. O desfecho da 1ª mão poderia ter sido outro se os Dragões não tivessem, erradamente, ficado reduzidos a 10 e, naturalmente, o desfecho da eliminatória também poderia ter sido diferente.

Em suma, a derrota neste jogo significou a eliminação de uma prova que era um dos objetivos da época para o FC Porto. A equipa tem de aprender rapidamente com os erros e não repeti-los nos próximos jogos. É hora de refletir, perceber, mais uma vez, o que não foi bem feito e seguir em frente, porque não há tempo para chorar sobre o leite derramado. Agora é focar no campeonato e na deslocação a Barcelos que, não vai ser nada fácil. Vamos Porto!