segunda-feira, 12 de março de 2018

O Antijogo



Não há como fugir ao assunto do dia, o antijogo. Decidi refletir sobre o tema e não, não o vou fazer porque o FC Porto perdeu ontem, vou fazê-lo porque, de facto, esta é uma estratégia que, cada vez mais, está presente nos jogos do principal campeonato em Portugal.
Será que o futebol português é cada vez menos atrativo? Na minha opinião sim. E porquê? Simples, porque entre outras coisas - tantas que dava para encher umas quantas linhas, que quem sabe ficam para outro post - as equipas preocupam-se, cada vez menos, com a competição dentro das quatro linhas e preferem antes utilizar estratégias tais como o antijogo para evitar que o adversário tenha bola e com isso diminuir o tempo útil de jogo. Sim, eu sei que cada qual joga com as armas que tem e que se não há possibilidade de ter bons jogadores, há que procurar outra forma de ganhar jogos. Mas o que se ganha com o antijogo constante, desde o início de um jogo? Para além de se inervar o adversário, porque não consegue concluir as suas jogadas; para além de quebrar o ritmo de jogo; para além de, eventualmente, conseguir pontos – o que também pode não acontecer – apenas transforma-se o jogo em algo profundamente chato de se ver.
Ontem este tema voltou à mesa da atualidade e não, não foi só ontem, que o FC Porto perdeu, que se notou a deveras irritante presença do antijogo. Quem não se lembra do jogo do Vitória de Setúbal no Dragão na época passada? Aquele jogo que a cada minuto um jogador sadino estava no chão e que o guarda-redes bateu o recorde de paragens para assistência. Quem não se lembra do jogo, também no Dragão, frente ao Sporting de Braga, igualmente na época passada? Pois, nesse jogo também foi demasiado visível o antijogo. Isto só para relembrar alguns jogos. É, o Paços, de facto, não fez nada inédito.
Gosto, muito mais, de um jogo em que ambas as equipas jogam olhos nos olhos, sem medo e à procura do resultado. Sim, num desses jogos podemos ter mais calafrios, porque, seguramente, a nossa defesa terá muito mais trabalho, mas seguramente será um jogo bem mais interessante. Que me perdoem todas as equipas ditas pequenas, mas detesto a vossa forma pequena de encarar o jogo; detesto quando trazem um autocarro e um atrelado para estacionar à frente da baliza; e mais ainda quando, para além disso, decidem adotar a estratégia do antijogo. Mas pior do que ter uma equipa pequena a utilizar a estratégia do antijogo é ter um dito grande a fazê-lo.
E como acabar com este flagelo que, na minha opinião, torna os jogos do nosso campeonato muito chatos? Das duas uma: ou os senhores árbitros começam a dar cartões amarelos quando percebem que as paragens de jogo estão a ser demasiadas e provocadas com o claro objetivo de quebrar o ritmo de jogo; ou começam a contabilizar segundo a segundo de paragem e no final compensam cada um deles, alertando que poderão acrescentar mais tempo caso nos descontos tentem perder mais tempo. São só duas ideias que eu, se fosse árbitro – graças a Deus e a todos os santinhos não sou – adotaria ou sugeria como medida a tomar. Certamente este é um tema que deverá merecer reflexão de todos os agentes do futebol, de modo a permitir adotar medidas que possam resolver este problema.
Como amante do futebol, desejo, sinceramente, que as equipas portuguesas decidam aderir a algo como
#NãoAoAntijogo


3 comentários:

Sérgio Santos disse...

Concordo plenamente com a análise,também me lembrei logo do jogo o ano passado com o Setúbal (com a diferença que nesse jogo o adversário não estava assim em posição tão delicada a precisar de pontos e parecia que o seu único propósito era evitar a vitória do FCP), em comum nestes jogos está o facto de o anti jogo ter ultrapassado todos os limites. Penso que isto reflecte o que penso: muitas equipas da 1ª divisão não têm condições para fazer parte de uma liga que se diz ser de top europeu, ter 18 equipas num país tão pequeno e com o nosso contexto económico, com a agravante de algumas destas equipas não se preocuparem em jogar futebol, apenas somarem pontos para se manterem na 1º liga com as suas vantagens financeiras e prejuízo para o nosso futebol. Penso que a solução seria um campeonato com no máximo 10/12 equipas com 4 voltas.

Nuno Miguel disse...

Contudo a esmagadora maioria dos portugueses (nao eu) festejaram o titulo europeu da nissa selecao...

Ana Andrade disse...

Concordo, caro Sérgio Santos. Um campeonato com 10 ou 12 equipas podia ser interessante e mais competitivo. Mas será que vai ser esse o caminho a adotar por quem tem o poder de decidir?

Ana Andrade